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junho 06, 2013

Stravinsky hoje


"O senhor acha, perguntaram a Stravinsky na década de 1960, que sua música é agora mais compreendida do que na época da "Sagração da Primavera"? Como se sabe, a estreia do balé, em 1913, produziu um dos maiores escândalos da história da música.
Não, "não compreendem melhor agora", respondeu Stravinski. Simplesmente "os escândalos passaram de moda", enquanto a música continuava difícil.
Ou melhor, acrescentou. Não é que o público tivesse de "compreender melhor" a sua música. Mas tinha, isso sim, "de ouvir melhor".
E quanto ao futuro?, perguntou o repórter polonês. O público vai acabar compreendendo? Ninguém sabe o que é o futuro, respondeu Stravinsky, decerto cansado diante de perguntas a que deve ter respondido com muita frequência.
Em qualquer peça de música clássica, e não apenas no caso de Stravinsky, o problema da incompreensão existe. Podemos gostar de Mozart e Beethoven, mas quem, num concerto, está "entendendo" tudo o que se passa?
Sem contar as músicas que, de tanto sucesso, tornaram-se quase impossíveis de acolher com inteligência.
A Quinta Sinfonia de Beethoven, por exemplo. O "tã-tã-tã-taaam" transformou-se num rótulo de si mesmo, é algo que quase não se ouve mais: apenas se reconhece.
Talvez tenha sido por isso que, no começo do século 20, a arte moderna tenha se voltado tantas vezes para o "primitivo", para o "selvagem" - e a estreia da "Sagração da Primavera", que completou cem anos na semana passada, ficou como um dos maiores exemplos dessa atração pela "barbárie".
É que a "civilização", num sentido muito particular, tornara-se um impedimento para a arte. Quem ouve muito uma música já não a escuta mais. A "selvageria", portanto, pretendeu apenas raspar a pátina, o verniz, a cera do ouvido de uma plateia civilizada demais - e Paris, onde o balé estreou, era o lugar ideal para isso.
Esse processo de superexposição a determinadas obras de arte explica, também, a importância dos intérpretes em música clássica. O grande intérprete consegue fazer com que uma obra já muito conhecida seja descoberta como novidade.
Na música barroca, por exemplo, tudo foi reinventado a partir dos anos 1960, quando começou a pesquisa pelos instrumentos originais e por uma nova fidelidade às partituras de época.
O resultado paradoxal dessa maneira de interpretar os barrocos (sem verniz, com mais secura e menos calda de caramelo) foi que Vivaldi e Haendel se tornaram... quase stravinskianos também. O futuro, sobre o qual indagava o repórter na entrevista com Stravinsky, chegaria impondo uma revolução sobre o passado.
O próprio Stravinsky se encarregou disso. Depois da fase "russa" e "bárbara" dos balés com Diaghilev, reescreveu partituras de Pergolesi (1710-1736), e entrou numa fase "neoclássica". O curioso é que uma obra como seu concerto para violino, por exemplo, apesar de muito menos barulhento e dissonante do que a "Sagração", no fundo é ainda mais difícil de ouvir.
Não se traduz em ideias como "violência primitiva", "poder telúrico", "ritmo primal" que nos ajudam a apreciar a "Sagração".
Talvez seja uma obra de menor qualidade mesmo. Em todo caso, o desenvolvimento posterior de Stravinsky não foi, como dizem, uma "regressão", uma desistência de qualquer missão revolucionária que o mestre desempenhara no começo do século.
Ao longo de sua vida, assumindo diferentes "estilos", Stravinsky foi se tornando mais reconhecível por quem ele era, enquanto compositor individual, e menos como um mero "médium" da crise estética modernista.
Modos de deslocar o ritmo, um gosto cítrico na instrumentação, a recusa das técnicas de transição, a "montagem" mais que o desenvolvimento, aparecem em peças menos escandalosas, mais "civilizadas", tanto quanto nas escarpas, cavernas e fogueiras da "Sagração".
Compositores e intérpretes posteriores se tornaram "stravinskianos" em alguns momentos, sem que o termo se reduzisse a ser sinônimo de "modernistas". Foi um longo caminho até que Stravinsky se tornasse, afinal, apenas Stravinsky, e não o equivalente de uma força anônima, a encarnada na "Sagração".
O compositor sobreviveu ao próprio mito - o que não deixa de ser um ganho da civilização. Vitórias desse tipo são raras; vale a pena comemorar".

MARCELO COELHO

Nota : Leia aqui  A VAIA INAUGURAL 

julho 29, 2012

La Fura Dels Baus - Barcelona Olimpíadas 92

La Fura dels Baus é um grupo teatral catalão fundado em 1979, em Barcelona. Conhecido por seu teatro urbano e pelo uso de técnicas incomuns. La Fura produziu a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 1992 ("la fura dels baus" em catalão significa vermes dos esgotos).

Nota: Saiba mais

janeiro 08, 2012

O Último Dançarino de Mao

"O Último Dançarino de Mao é a versão para cinema da autobiografia de Li Cunxin, nascido num vilarejo chinês, e que se tornou uma referência na dança mundial, fazendo carreira nos Estados Unidos e na Austrália, onde hoje vive. O drama é dirigido por Bruce Beresford, cujo filme mais conhecido é Conduzindo Miss Daisy, vencedor de quatro Oscars em 1990, incluindo o de melhor filme.

Quem viu Conduzindo Miss Daisy sabe que a tendência do australiano Beresford o leva para as proximidades perigosas da pieguice, mas, sem, talvez, nela mergulhar de maneira acrítica. Há disso também nessa bela história de Li Cunxin, uma trajetória de realização pessoal, mas também de renúncias e conflitos, envolvendo algumas questões políticas próprias da Guerra Fria. Claro que este não é o foco principal do filme, mas ele atravessa essas circunstâncias históricas de maneira inevitável.
..."
Leia a continuação aqui não antes de ver o filme. Para o trailer link no título.

fevereiro 22, 2011

A morte do cisne


Ele  se chama John Lennon da Silva, tem 20 anos e mora no Jardim Vila Carrão, zona leste de São Paulo. Bailarino autodidata, é louco por música clássica e street dance e  mostra sua releitura  do solo clássico "A Morte do Cisne", num programa de calouros. A jurada lourinha não desmereceu a fama!  

julho 16, 2010

Antonio Nóbrega


Ator, compositor, dançarino e músico, Antonio Nóbrega é um artista múltiplo. Escreve, atua, dirige, dança, compõe, canta e toca instrumentos. Através de seus espetáculos divulga a cultura e o imaginário nordestino.
Nascido no Recife, até os 18 anos, incentivado pela família, cultivou apenas as manifestações da música erudita, até ser convidado para integrar o Quinteto Armorial, idealizado por Ariano Suassuna, um dos mais importantes grupos a criar uma música de câmara erudita brasileira de raízes populares.
Toma contato, a partir dessa época, com diversos artistas populares e começa a estudar intensamente a música, as danças, a maneira de representar e cantar desses brincantes brasileiros.

maio 18, 2010

abril 18, 2010

ARTE

Em Lisboa, onde me encontro para uns dias de ócio, tem chovido de vez em quando. À primeira vista, seria o que poderia me reter em casa por mais tempo. No entanto, o que tem me segurado mesmo é a TV!!!
Grande parte da 'mídia' eletrônica européia é pública (a maioria dos canais de TV são abertos). Os que não são públicos são americanizados. Próximo à entrada (que não se vê nas fotos da minha ' casa portuguesa'), há o aviso de que 300 estariam disponíveis (!).
O 'grande público', também aqui, dá preferência aos canais que transmitem as conhecidas baboseiras: programas de auditório comandados por 'celebridades', relatos de dramas familiares, novelas, 'faça vc mesmo', 'como emagrecer', sexo para tudo que é gosto e por aí vai. Vulgaridade é uma praga universal!
A 'salvação' está no Arte que é o canal franco-alemão para quem quer fugir da mesmice. No 'Artê' (como os franceses pronunciam) - sigla de "Associação relativa às televisões européias" – é onde se encontra o refúgio da inteligência, da cultura e do bom gosto.
A audiência do Arte deve ser próxima de um - (traço) , o que não é o mais importante para quem quer apostar no alto nível da programação. É bem verdade que os níveis de audiência do Arte só podem ser suficientes numa televisão sustentada por governos ricos, dispostos a fazer uma TV de qualidade.
Um canal de televisão com uma programação exclusivamente voltada para a cultura: 'filmes de arte' , concertos e documentários imperdíveis. Que outro canal pode se dar ao luxo de dedicar duas horas de seu horário nobre a um documentário sobre Nijinsky & Neumeier? Dentre outras preciosidades que tenho visto por aqui...
Chove em Lisboa ...'não estou nem aí'!

Nota: Para saber por onde anda a fumaça do vulcão tenho que ir a outros canais. O Arte não se permite a 'vulgaridade' dos noticiários...rsrsr
Link no título para um trechinho Neumeier's "Nijinsky" partes 1 e 2