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outubro 01, 2013

Devaneios sobre a ociosidade



"1. Ironia: a única coisa que tolero em Karl Marx é, bem vistas as coisas, o genro. O nome do cavalheiro é Paul Lafargue e o seu "Direito à Preguiça" é texto que guardo junto à cama. Para ler e reler quando a ociosidade me ataca. Que nos diz Lafargue?
O óbvio: haverá coisa mais triste do que uma existência inteiramente dedicada ao trabalho? Sobretudo a um trabalho que nos escraviza e desumaniza?
Por isso Lafargue defende: mais importante do que os "direitos do homem" são os "direitos à preguiça". Que um dia, escreve ele, serão respeitados por uma civilização tecnologicamente avançada. Trabalharemos três horas, não mais. As máquinas farão o resto por nós.
Sorrio sempre quando leio esse pedaço de otimismo. Lafargue escrevia no século 19. O que diria ele se visitasse a Europa do século 21?
Em Portugal, por exemplo, a crise econômica levou a mudanças na jornada de trabalho. O país vai trabalhar agora, em média, 40 horas semanais. Uma hora a menos que na Alemanha, que lidera o ranking com 41.
Os lusos não serão caso único. Espanha, que trabalha em média 37 horas, prepara-se também para imitar o exemplo germânico. Como? Abolindo almoços longos. Abolindo a "siesta" depois do almoço. Abolindo jantares tardios. Abolindo a possibilidade dos nativos se deitarem tarde e de acordarem tarde. Em suma, abolindo Espanha.
Uma comissão parlamentar prepara-se para estudar todos esses "abusos" -os "abusos" que eu mais invejava em "nuestros hermanos" - de forma a produzir uma legislação laboral que transforme os espanhóis em alemães.
Meu Deus: haverá maior crime do que transformar um povo, qualquer povo, à imagem e semelhança da Alemanha?
Amigos liberais, que olham com ternura para as minhas idiossincrasias conservadoras, dizem-me que não há alternativa: a Europa tem que trabalhar mais para produzir mais e ser mais competitiva a nível global.
Curiosamente, eu não contesto a lógica do raciocínio. Apenas o que esse raciocínio diz sobre a nossa patética civilização.
Sim, o progresso tecnológico cumpriu-se. Não se cumpriu a libertação humana que Lafargue imaginava. Com diferentes trajes e cenários, continuamos as bestas de carga iguais às que era possível contemplar em plena Revolução Industrial.

2. Gosto de viver em cidades porque gosto de caminhar em cidades. Também aqui sou o anti-Rousseau por excelência. No seu "Devaneios do Caminhante Solitário", o filósofo confessa que existem poucos prazeres comparáveis a uma caminhada pelo campo. Subscrevo tudo, exceto o campo.
Cidades. Carros que passam. Esse é o meu filme. E, por falar em filmes, haverá caminhada mais bela do que no filme"Paris", de Cédric Klapisch, que talvez explique as minhas paixões pela vadiagem urbana?
O filme tem duas histórias paralelas. A primeira é a de um professor (o sempre magistral Fabrice Luchini) que se apaixona por uma aluna e, sem surpresas, é abandonado por ela. Um solitário angustiado que gosta de caminhar pelas ruas de Paris sem nunca se aperceber desse fato redentor: o fato de estar vivo e de poder caminhar por Paris.
Pierre é o segundo personagem da segunda história. Doente, gravemente doente, ele regressa para a casa da irmã (Julliete Binoche, "mon amour") por não ter onde ficar até a hora de um transplante salvador.
A irmã acolhe-o. E, no final, quando a hora chega, eles despedem-se por imposição de Pierre e o táxi parte pelas ruas de Paris. A caminho do hospital.
É esse o momento em que o professor e Pierre se encontram. O primeiro, caminhante meditativo, perdido como sempre nas suas tristezas mundanas. E o segundo, que olha para ele através do vidro do carro, invejando o destino daquele pobre diabo. Invejando o luxo que é caminhar por Paris - sem hora, sem rumo. Sem cirurgia marcada.
Não sei quantas vezes penso nessa sequência quando caminho por Lisboa com o peso dos meus pequenos dramas. Mas também reparo que há carros que passam por mim. E rostos que olham para mim. Não sei o que dizem. Não sei em que pensam.
Mas suspeito que talvez um dia alguém passará por aquele pobre diabo, invejando a sorte que ele tem por simplesmente caminhar pela cidade".

JOÃO PEREIRA COUTINHO

junho 03, 2013

Homens do lixo

"Leio matéria na BBC Brasil sobre o último escândalo francês: parece que 31% dos 150 mil restaurantes que existem no país servem pratos industrializados que são esquentados no fogão ou até em micro-ondas.
Em qualquer outra região do mundo, talvez a revelação não fosse tão indigesta. Mas em França? Em Paris?
Os chefs locais estão horrorizados com a blasfêmia e, conta a jornalista Daniela Fernandes, o parlamento pretende legislar sobre a matéria, reservando a palavra "restaurante" apenas para restaurantes. Sim, aqueles estabelecimentos que antigamente usavam lume e panelas para cozinhar ingredientes frescos.
Entendo a histeria francesa. Mas, honestamente, não estaremos a ser demasiado exigentes com o pessoal?
Alguns empregados ouvidos por uma reportagem de TV foram mais sensatos do que a histeria de chefs e políticos. E perguntaram, com naturalidade desarmante: mas para quê cozinhar produtos frescos quando a maioria não distingue a diferença?
É uma boa pergunta. Que implica outra: e por que motivo o cliente médio, e sobretudo o turista médio, é incapaz de reconhecer o lixo que mastiga?
A resposta é óbvia: porque o lixo faz parte do seu cardápio diário. Aliás, não seria de excluir que a substituição de lixo por comida de verdade pudesse ter o efeito contrário: horrorizar alguns palatos e afugentar a clientela. Como dizia um velho amigo meu (e excelente garfo), as pessoas adoram "pizzas" porque as "pizzas" não têm espinhas.
E se alguém desaprova a minha observação, que responda com honestidade: como se distingue peixe fresco de peixe congelado? E, já agora, como se distingue um prato cozinhado no momento de um prato embalado em fábrica, esquentado no fogão e coberto por dois ou três molhos especiais (e com nome apropriadamente francês)? Com honestidade, disse eu.
Pedir intervenção estatal por tudo e por nada é coisa de crianças. Não são os restaurantes que têm de mudar. São os clientes. De preferência, ganhando os hábitos e as exigências que não têm.
Quem não é capaz de reconhecer a comida de plástico que tem no prato, mil perdões, é porque merece mesmo comer plástico".

João Pereira Coutinho

fevereiro 18, 2013

A Origem do Mundo, de Courbet


"O quadro A Origem do Mundo tem uma história curiosa à qual se acrescentou um novo capítulo semana passada. A tela foi pintada em 1866 por Courbet, a pedido de Khalil Bey, diplomata turco-egípcio colecionador de quadros eróticos, que a possuiu até o momento em que, arruinado pelo jogo, teve sua coleção leiloada. Em 1889, o quadro foi encontrado num antiquário pelo escritor francês Edmond de Goncourt e, posteriormente, comprado por um nobre húngaro que o levou para Budapeste, onde escapou da pilhagem realizada pelas tropas russas no fim da 2.ª Guerra. Trazido de volta a Paris, foi comprado por Jacques Lacan, que o mantinha em sua casa de campo em Guitrancourt, na qual o exibia ritualisticamente aos seus convidados. Após a morte de Lacan, a família cedeu o quadro ao Museu d'Orsay dentro das negociações com o Estado francês em torno de impostos referentes à transmissão de herança.
A Origem do Mundo mostra os genitais femininos da maneira mais crua possível. Vê-se um torso da mulher, os seios, o ventre, as pernas afastadas, a frondosa cobertura pubiana e a vagina entreaberta. A novidade recente é que teria sido encontrada a parte superior do quadro, que exibe os ombros e a face da modelo, confirmando hipóteses anteriores que afirmavam ser ela a irlandesa Joanna Hiffernan, que posava também para o grande pintor Whistler, de quem fora companheira e que estaria envolvida afetivamente com Courbet na ocasião em que o quadro estava sendo pintado.
Supondo a veracidade da descoberta, que ainda está em discussão entre os especialistas, podemos conjecturar quem teria seccionado a pintura e por que motivo. O quadro era tido como pornográfico e até muito recentemente mantinha essa conotação. Não é então difícil imaginar que o próprio pintor tenha resolvido mutilar sua obra com o intuito de proteger sua modelo. Ainda em 2009, livros cujas capas o reproduziam foram confiscados pela polícia em Portugal e páginas do Facebook que o exibiam foram retiradas do ar em 2011. Não deixa de ser surpreendente que, em função do noticiário, sua imagem tenha aparecido abertamente em todos os jornais.
A trajetória do quadro, vindo dos porões da pornografia para a consagração definitiva nos salões do Museu d'Orsay, mostra como a apreciação de uma obra está inevitavelmente atrelada aos valores vigentes no tempo e no lugar de seu surgimento.
Contrariando a representação idealizada do nu feminino, Courbet o apresenta de forma realista. Consta que o grande crítico de arte e ensaísta vitoriano John Ruskin, reverenciado por Proust, jamais superou o choque ocorrido no leito nupcial, ao se deparar com as características hirsutas de sua mulher, tão distantes da lisa e glabra estatuária clássica que lhe era familiar, acontecimento de consequências desastrosas para seu casamento, jamais consumado fisicamente. Mais recentemente, no final dos anos 60, o editor da Penthouse, Bob Guccione, causou furor ao mostrar esse detalhe da anatomia feminina, até então pudicamente evitado por sua rival, a revista Playboy, de Hugh Hefner.
Atualmente a forma de dispor o velo pubiano parece estar num outro estágio, evidenciando que, a cada época, o erotismo desenvolve novas estratégias de sedução e formas de acicatar o desejo. Se Courbet, fiel aos costumes de seu tempo, mostra o genital feminino envolto em sua pilosidade natural, constata-se como a moda atual é diferente, na medida em que a depilação é a regra para as mulheres e até mesmo para os homens. Nos dias de hoje, Ruskin não teria tido problemas em sua lua de mel.
As transformações na maneira como a sociedade acolheu A Origem do Mundo mostra como a arte, enfrentando a censura e os preconceitos da época, luta para representar e expor o que é considerado inaceitável, proibido, não representável. Dessa forma, ela está permanentemente ampliando os limites e as fronteiras daquilo que é permitido pela moral e os pelos costumes.
Trata-se de um serviço inestimável que a arte presta ao conhecimento. Na medida em que simboliza, representa e põe em circulação conteúdos até então excluídos, torna possível o pensar e o refletir sobre eles. Com isso, os aspectos mistificadores, idealizadores, ideológicos - ou seja, a dimensão fantasiosa que acompanha esses conteúdos quando forçados a medrar no escuro - são expostos à luz, o que lhes retira a conotação assustadora, devolve-lhes a real dimensão e a possibilidade de um tratamento objetivo adequado. 
No fundo, estamos falando da liberdade de expressão. O Estado tem o dever de proteger os cidadãos e, nesse sentido, deve exercer a censura (aqui entendida lato censo, como o poder de reprimir e punir) para limitar os impulsos agressivos e sexuais que nos são próprios e que precisam ser coibidos para garantir a vida em sociedade. Mas o exercício da censura é complicado, pois o Estado tem seus próprios interesses, que nem sempre coincidem com os da sociedade que deveria representar. Por isso, esta deve estar sempre atenta ao poder do Estado, especialmente no que diz respeito às tentativas de reprimir a livre manifestação de opinião.
Pornografia ou arte, o quadro de Courbet mostra como a representação explícita dos genitais mantém inalterado um efeito perturbador sobre nós, como algo arcaico vindo de tempos imemoriais que nos atinge profundamente, sem que possamos evitá-lo. Ela evoca, sim, a "origem do mundo", o mistério da vida, o enigma da diferença sexual cujo impacto determinante ocorrido na infância continuará para sempre repercutindo em nossas existências".
Sérgio Telles 

novembro 02, 2012

A Paris de Chico Buarque


"Sou vizinha de Chico Buarque, mas raramente o vejo. Nas poucas ocasiões, está andando na praia do Leblon ou descendo a pé a rua Igarapava. Sempre apressado. Já li que esse é o seu truque para não ser importunado, assim como usar roupas com as mesmas cores, que desvalorizam eventuais flagrantes dos paparazzi - vá provar que a foto não é antiga... Já em Paris, Chico caminha e caminha, frequenta cafés e se deixa ficar em livrarias, tranquilamente. 
Pelo menos essa é a imagem que guardei dele depois de assistir algumas vezes ao DVD À flor da pele, de uma série retrospectiva sobre sua obra, no qual ele discorre sobre a temática feminina. Pois é: entre uma música e outra, entre uma "Tatuagem" e uma "Esse cara", Chico fala de seu encanto pela figura feminina, tendo Paris como cenário. Suspirem, mulheres, suspirem... 
Dado esse primeiro contexto, entendam a minha decisão de, pela primeira vez na vida, abandonar a postura blasé de não-tiete, fruto talvez da dupla condição de jornalista e carioca. Eu já estava com viagem marcada para Paris quando o caderno de turismo do Globo, com estranha discrição, publicou um breve roteiro com dicas do artista sobre os lugares que frequenta na cidade, onde mantém apartamento. Consta que o correspondente Fernando Eichenberg, que assina a coluna, é amigo de Chico, o que explicaria a inconfidência e também o pouco destaque para conteúdo tão precioso. Arranquei a página. Coloquei dentro do guia amarelado. Eu já tinha feito algumas viagens a Paris, e, dessa vez, queria fugir de roteiros que incluíssem torre Eiffel e Louvre. 

Sem dúvida, estava diante de uma oportunidade: ia conhecer a Paris de Chico Buarque. Por sorte, o hotel reservado ficava no bairro do Marais, onde boa parte das dicas se concentrava, bem como na região de St-Germain des Prés. Em destaque, o rio Sena, às margens do qual Chico passara alguns dias do último verão parisiense flanando - não solitariamente, como no DVD, mas ao lado da namorada Thaís Gulin, segundo o colunista/amigo que priva de sua intimidade (ou pelo menos privava, antes da exposição de seus lugares preferidos). Tudo certo, roteiro e hotel escolhidos, faltava só acertar a estratégia com o adversário, digo, com o marido. Achei melhor deixar essa parte para depois das primeiras taças de vinho (da Borgonha, uma indicação reiterada de Chico) já em Paris, e comentei apenas ter comigo uma lista de pequenos museus e restaurantes próximos ao hotel. O plano deu certo: ele fez alguma "cara de marido" no começo, mas acabou aceitando, com resignação bem humorada (chegou a pedir mesa para três em um bistrô), a companhia de Chico Buarque durante nossa curta estadia. A Paris de Chico se limita, basicamente, a um quadrilátero envolvendo as ilhas de la Cité e St-Louis e os primeiros quarteirões próximos às duas margens do Sena. 

Tendo como base algum ponto central deste polígono, e sendo bom andarilho, dá para fazer tudo a pé, com chapéu e cachecol, dependendo da época do ano. Só que estar hospedado neste miolo significa estar em um dos metros quadrados mais caros da cidade, ou seja, do mundo. O hotel, por mais modesto, será caro. Graças ao onipresente metrô parisiense (que inveja), pode-se optar por hospedagem mais distante, com mais conforto.
Particularmente, acredito que a boa localização vale cada euro em Paris. Além disso, para apreciar a gastronomia francesa à la Chico, há preços para todos os bolsos.
O compositor/escritor sugere opções baratas e divertidas, como comer crepe na Rue du Temple, andando, ou quiche em um dos cafés da Place des Vosges e da Ile Saint-Louis. 

No almoço, ele costuma ir ao simpático La Tartine, na Rue de Rivoli 24, também com preços razoáveis, e esse o primeiro restaurante onde aportei, preferindo as opções da fórmula do dia (fui de camarão e Zé preferiu a carne) ao tartare de salmão recomendado por Chico (as entradas são seu prato francês preferido). Saímos satisfeitos, com a comida, o atendimento e a vizinhança. Já o ritual do jantar pede um lugar mais sofisticado, soprou-me Chico ao ouvido. Mas era tarde demais quando adentrei o La Mediterranée, na Place de l'Odeon - eu de tênis e Zé com casaco acolchoado recém adquirido na H&;M para enfrentar o frio inesperado. Apesar do horário antecipado e das muitas mesas vazias, fomos acomodados em um canto bem escondido, sem vista para a praça, sob olhares frios dos garçons. Resolvemos vestir a carapuça e economizar: pedimos o prato (peixe) e a taça de vinho mais baratos do cardápio, depois de recusar a entrada. E ainda dividimos a sobremesa. Fazer o quê: estava tudo delicioso e, pasme, farto. Mas se você for ao outro restaurante indicado por Chico para o jantar, o aconchegante Le Petit Pontoise, não se preocupe com a indumentária. Trata-se daquele típico bistrô parisiense servido pelos donos, apertado e barulhento, com comida caprichada e sem maiores frescuras. Não é barato, dessa vez chegamos tarde e enfrentamos uma pequena fila, mas mesmo assim valeu a pena.
Na volta, atravessando a Pont de la Tournelle, com a Notre Dame iluminada ao fundo, e aquecida pelo vinho da Borgonha, pensei: valeu, Chico! 


A Place des Vosges, no Marais, recomendada para uma breve quiche, era pertinho do meu hotel, por isso tive a oportunidade de explorá-la mais de uma vez. Com certeza Chico não vai àquele recanto adorável apenas para comer quiche: no calor, é irresistível espalhar-se pelos gramados ou bancos da praça, só para apreciar a arquitetura simétrica dos prédios ao redor, com arcadas intactas há 400 anos.
Debaixo delas, que formam um quadrado perfeito, estão escondidos não só cafés e restaurantes como galerias de arte maravilhosas. É caminhar e caminhar. 

No passeio completo pelas arcadas descobrimos a Maison de Victor Hugo, museu instalado em um dos apartamentos onde o escritor morou, em frente à praça. Um bom pequeno museu, e de graça. Mas o autor de Os miseráveis não está entre os escritores franceses de Chico. No bate-bola com o correspondente do Globo, ele destaca como leituras preferidas as duas primeiras obras de Céline (que, pressuponho, sejam os livros Viagem ao fundo da noite e A igreja), O estrangeiro, de Albert Camus, e A espuma dos dias, de Boris Vian.

Como não tinha tempo para explorar vestígios dos escritores preferidos de Chico em Paris, acabei me contentando, no campo da tietagem literária, com o passeio pelos aposentos de Victor Hugo (que escrevia em pé, em uma escrivaninha alta) encontrados ao acaso, e também os de Marcel Proust. Mais que isso, confesso ter tirado um exagero de fotos da mobília e dos objetos do quarto onde Proust se trancafiou para escrever Em busca do tempo perdido. Como assim Chico não gosta de Proust? O quarto de Proust, na verdade, está reconstituído no Museu Carnavalet, que mostra a história de Paris e não foi lembrado por Chico nas indicações. Precisei incluí-lo no passeio por minha conta, diante da dificuldade de me ater à sua lista. O seu museu preferido (aonde vai "sempre") é o Picasso, que estava fechado para reforma. 

Para levar as netas, ele gosta do Museu da Mágica e da Fechadura, que não me pareceram atraentes sem criança a tiracolo. Por fim, havia suas sugestões de museus para serem apreciados pela arquitetura. As dicas estavam um tanto cifradas, talvez por conta de sua intimidade com os locais.

Por exemplo: museu Beaubourg é como os parisienses chamam o Georges Pompidou, meu velho conhecido mas que imaginei ser outro, menos turístico. Quando ele se referiu a um museu do Mundo Árabe, falava do prédio do instituto, um projeto do arquiteto Jean Nouvel realmente muito interessante.

Mas eu não queria só apreciar fachadas. Além das dicas buarquianas, a ideia era realmente seguir a rota dos pequenos museus de Paris, discretos e sem multidões de turistas; e indiretamente Chico acabou me apresentando um deles. 
Ao destacar como seu local preferido a Place de Furstenberg, em Saint-Germain, me fez descobrir o museu Delacroix, situado no número 6. 

A praça é na verdade um pequeno largo, sem jardins ou bancos, mas faz parte de um conjunto de ruelas adoráveis do bairro, e costuma abrigar filmagens por causa da discreta localização. Que maravilha é conhecer o trabalho de um artista na intimidade de sua casa, de seus móveis e objetos, como se fosse um convidado, e não um turista no meio da multidão, como é comum na Europa. Com certeza, Chico já visitou a casa de Eugène Delacroix, mas compreensivelmente prefere Picasso... No roteiro, ele destaca também, entre suas referências francesas, a atriz Jeanne Moreau, o filme Acossado e o cantor Jacques Brel, que na verdade era belga. Talvez Chico converse sobre Jean-Luc Godard e Picasso com a namorada de cabelos cor de abóbora, sem idade suficiente para tanta Paris, aproveitando o fim de noite na Bastilha - outro lugar citado. 
Ou talvez tenha guardado seus verdadeiros tesouros parisienses só para ela, enquanto despista as fãs por outras trilhas. Não importa. O blues, ou melhor, a crônica, já valeu a pena".
Marta Barcellos

outubro 29, 2012

"Impressionismo e moda"


Exposição resgata a Belle Époque



"A Belle Époque nunca pareceu tanto uma orgia de beleza como na exposição "Impressionisme et la Mode", até 20 de janeiro no Musée d'Orsay, em Paris.
O conceito de reunir moda e pintura impressionista, exibindo leques, chapéus e vestidos sobrepostos a anáguas, pode parecer o máximo da frivolidade. Mas a cidade que inventou a elegância de uma perpétua tarde de verão tem o direito de examinar essa explosão de alegria na moda.

A primeira impressão da exposição, preparada conjuntamente pelo Orsay, pelo museu Metropolitan (Nova York) e pelo Instituto de Arte de Chicago, é de frescor. Tudo parece novo: dos vestidos com seus babados e caudas à fotografia, esta nova ciência de captura dos retratados, expostos como folhas de contato em sépia sobre uma longa parede.
Depois, há um vestido que usa tons de preto no brilho do cetim e nas contas de azeviche. Os espelhos nas pinturas: o retrato de Madame Georges Charpentier com seus filhos sobre um sofá, de Pierre-Auguste Renoir, ou "La Dame", de Edouard Manet.


Os artistas da época usavam as roupas em suas telas para retratar a realidade da codificada sociedade do "fin-de-siècle", quando as minúcias das roupas, a nobreza das joias e o brilho das bochechas definiam a classe de cada um.
As expressões da personalidade e dos trajes em mestres como Manet e James Tissot provam as palavras de Arsène Houssaye, gravadas na parede da exposição: "A mulher parisiense não anda na moda. Ela é a moda".

O charme da exposição deve-se não apenas às adequadas escolhas das obras e trajes expostos. 

O figurinista Robert Carsen criou instalações divertidas e interessantes, enchendo as salas com tapetes vermelhos e cadeiras douradas, cada uma com o nome manuscrito de personalidades sociais da época, e montando um desfile de moda a partir de algumas pinturas de Manet.

Igualmente evocativos são os chapéus de inúmeros tamanhos e formas e os leques enfiados atrevidamente num bolso, na cauda de um vestido.
Quando a ostentação parece excessiva, a exposição se endurece com a moda masculina. Com sua rígida alfaiataria acompanhada por reluzentes cartolas, relógios com correntes douradas e alongados guarda-chuvas, os usuários masculinos de uma arquitetura da moda se contrapõem às artes decorativas do sexo oposto.
Aí a exposição passa para a luz do dia -com grama artificial e uma trilha sonora de aves chilreando. As "Demoiselles", de Gustave Courbet, estão estendidas, com rendas, às margens do Sena.

Porém, por mais escapista e mágico que pareça esse período antes da Primeira Guerra Mundial, os curadores da mostra fazem um contraponto de realidade à frivolidade.
A exposição termina com a cinzenta visão da Paris chuvosa por Gustave Caillebotte, minimalista em suas casacas pretas.

E lá está aquele obrigatório acessório masculino: o guarda-chuva preto".
SUZY MENKES

Nota: Saiba mais  aqui e faça uma   visita  à exposição.

outubro 20, 2012

"Impressionismo e moda"



Três dos maiores museus do mundo colocam pinturas impressionistas ao lado de vestidos das coleções de museus parisienses. 





Numa cena de jardim ou à beira rio, na intimidade de um quarto ou numa noite de teatro, a moda está presente nas obras do impressionismo. Nos vestidos cuidados das mulheres, com as golas rendadas e as saias volumosas, nas casacas escuras dos homens de bigode, cuja austeridade é por vezes quebrada por um lenço de seda exuberante.



Retratada pelos maiores artistas,  toda a história de uma época em que as crianças se vestiam iguais até os 6 anos (meninos e meninas usavam vestidos), as mulheres eram obrigadas a usar branco até os 24 anos.


Os pintores fizeram da moda um símbolo de modernidade . Este é o tempo da nova Paris de Napoleão III e Haussmann, que vê o surgimento de uma classe média e a abertura de lojas de departamento. 


Esta exposição é a primeira com grandes citações de Au Bonheur des Dames, revistas de moda e gravuras. 

Nota: saiba mais lendo aqui e link para a  visita  completa à exposição.

julho 15, 2012

Baus Vuitton



Mostre-me suas bagagens e te direi quem és”. O slogan desse anúncio, veiculado em 1921 na França, trazia o espírito dos viajantes da época: malas enormes que transportavam por meses objetos em trens e transatlânticos.
Se hoje as pessoas trocam de mala a cada nova viagem, no final de 1854, ano em que Louis Vuitton fez seu primeiro baú, viajantes e bagagens tinham uma relação muito íntima. As malas recebiam selos dos países pelos quais passavam e ajudavam a contar as histórias das viagens.
Dos transatlânticos aos trens, dos automóveis às primeiras aeronaves, os baús criados por Louis Vuitton viajaram no tempo e através das fronteiras, adaptando-se aos meios de transporte e às mudanças no ritmo de vida, e ganhando donos ilustres.

Bau-estante de Ernest Hemingway, 1923.

Com o passar do tempo,  baús se transformaram em lindas peças de decoração...


Para transportar o seu  au-au...




Nota  : Para conhecer a história  da marca  leia  aqui

julho 13, 2012

Proust e sua mãe


"
É conhecido o grande apego que Proust tinha por sua mãe, Jeanne. Em Proust and His Mother, publicado recentemente na London Review of Books (03/22/2012), Michael Wood aborda a complicada relação entre os dois, a partir de um episódio biográfico ficcionalizado por Proust em seu livro Jean Santeuil: numa exaltada briga com seus pais, na qual todos gritam - o que não era comum em sua casa - Marcel sai do recinto batendo a porta com tamanha violência que os vidros da mesma se espatifam. Não se sabe os motivos da briga, se seria seu homossexualismo, seu dispendioso estilo de vida ou sua relutância em trabalhar. Logo após o entrevero, Proust manda um bilhete para os pais pedindo desculpas, documento que se perdeu. Mas não a resposta da mãe, que traduzo do inglês: "Meu pequeno querido, sua carta me fez bem - seu pai e eu havíamos ficado com uma penosa impressão. Devo dizer-lhe que em nenhum momento pensei em falar qualquer coisa na presença de Jean (um empregado) e se isso aconteceu, foi absolutamente sem meu conhecimento. Não pensemos ou falemos mais sobre isso. O vidro quebrado será simplesmente o que é no templo - o símbolo de uma união indissolúvel. Seu pai lhe deseja boa noite e o beija ternamente. J. P. - PS - Tenho, entretanto, de voltar ao assunto para lhe recomendar não andar descalço na sala de jantar por causa do vidro."
As sutis incongruências do bilhete sintetizam a tensa ambiguidade da relação. Salta à vista a rica metáfora do vidro quebrado e suas múltiplas implicações, a começar por sua conotação incestuosa. Os vidros quebrados da porta são transformados no copo quebrado pelo noivo no casamento judaico, de rico simbolismo. A briga como eventual tentativa de ruptura e libertação de um vínculo excessivamente fechado é rapidamente transformado na reafirmação de uma "união indissolúvel". A cortante ironia do postscriptum, cheia de subentendidos, com a infantilizante recomendação para não ferir os pés, expressa a desaprovação aos estragos físicos e emocionais por ele provocados.
A morte de Jeanne deixa Proust inconsolável, preso a ideias obsessivas nas quais ora se acusa de ter precipitado o falecimento da mãe com as preocupações que a saúde dele lhe causavam, ora a censura por ter desertado de seu posto de enfermeira, abandonando-o, pobre criança incapacitada de sobreviver sem ela.
Em 1907, pouco mais de um ano da morte de Jeanne, um crime é comentado por todos em Paris. O jovem Henri van Blarenbergue, num acesso de loucura, mata sua mãe e se suicida em seguida. Proust escreve um longo artigo publicado na primeira página do Le Figaro, onde argumenta que, em última instância, é indiferente se queremos ou não matar nossas mães, pois terminamos por fazê-lo de uma maneira ou outra; Blarenbergue teria executado com um golpe só aquilo que a maioria dos homens realiza diluído em milhares de pequenos golpes: "No final, envelhecemos, matamos todos que amamos através das preocupações que lhe causamos, pela atabalhoada ternura que lhe inspiramos e os medos que sem cessar lhe provocamos." De forma sinuosa, Proust parece justificar Blarenbergue ao enfatizar "a atmosfera religiosa de beleza moral" na qual explode sua loucura sagrada, a mesma que a antiga Grécia reverenciava nos altares consagrados a Édipo e Orestes, em Colona e Esparta; o assassinato da mãe é simultaneamente corriqueiro e excessivamente monstruoso, não pode ser julgado por padrões habituais. Proust intui a necessidade de uma outra compreensão para explicá-lo, aquela que estava sendo produzida por Freud ao teorizar sobre outro crime desmesurado, o assassinato do pai, segundo e definitivo ato de um drama que se inicia com o mito de Narciso.
No artigo do Le Figaro. Proust reproduz, ligeiramente modificado, um parágrafo de Jean Santeuil, escrito anos antes. Com isso Wood sugere que a ideia de ser responsável pela morte da mãe, ou de matá-la, indício de conflitos inconscientes, acompanhava-o de longa data, razão de seu interesse pelo crime de Blarenbergue. Tal ideia já está presente, de forma indireta, na conhecida cena inicial de Em Busca do Tempo Perdido, em que o menino Marcel implora o beijo de boa-noite de sua mãe, que, tendo convidados em casa, não poderia demorar-se ao lado de seu leito infantil.
Os afetos contraditórios na relação entre mãe e filho apontados por Wood são comprovados em outros dados biográficos. Sabe-se, por exemplo, que Proust doou a mobília da mãe para o prostíbulo masculino que frequentava. É óbvio o objetivo ultrajante deste gesto. A agressão assume tons ainda mais extremados quando se lembra que Proust tinha o hábito de levar fotografias de suas amigas da alta sociedade para aquele local e pedir para que os prostitutos cuspissem nas mesmas. Entre essas fotos estavam as de sua mãe.
Há outro aspecto interessante no artigo de Wood. Ele o inicia discorrendo sobre o que chama de "loucura livresca", causada por textos cuja extravagância desconcerta o leitor, deixando-o na dúvida se o rejeita ou o endossa. Um bom exemplo seria a frase de Walter Benjamin em seu estudo sobre Proust, que diz: "Nenhum de nós tem tempo para viver os dramas reais que a vida nos destina. É isso que nos envelhece - isso e nada mais. As rugas e vincos em nossas faces são o registro das grandes paixões, vícios e entendimentos que nos visitaram: mas nós, os donos da casa, não estávamos lá para recebê-los."
A perplexidade de Wood é compreensível, pois o que quer mesmo dizer a altissonante frase de Benjamin? Que continuaríamos jovens para sempre se recebêssemos todas as paixões que nos procuram? Mas isso não é uma completa bobagem? Na melhor das hipóteses, seria uma licença poética, uma lamentação por termos de abdicar, em função das limitações impostas pela realidade, de muitas oportunidades vislumbradas no correr da vida. Ainda que fosse isso, a frase de Benjamin se afasta completamente do espírito da obra de Proust, que veicula o oposto, ao afirmar que não é a omissão ou a fuga das vivências o que nos envelhece e mata e sim a força afetiva destas experiências, o estarmos nelas engajados e envolvendo pessoas que nos são próximas, matéria-prima de nossas infindáveis recordações.
Passado o ofuscamento inicial provocado por seu brilho, a frase de Benjamin não resiste a um exame mais frio. Mas não seria sempre assim com a poesia, com a literatura? Claro que não. A sabedoria de um texto de Shakespeare não se altera quando ele despe sua opulenta roupagem linguística e exibe sua nudez conceitual".
SÉRGIO TELLES

junho 21, 2012

Arte Urbana







Esta simpática entrada da estação Palais Royal do metro de Paris está situada na Place Colette. Feita em vidro e alumínio foi desenhada por Jean-Michel Othoniel, e instalda em 2000, em comemoração aos centenário do metro. As cúpulas representam a noite e o dia. As bolas coloridas em Murano by Salviati glassmakers.

maio 28, 2012

Comitês de depuração

"Imagine Paris entre 1940 e 1944. Ocupação nazista. Agora se pergunte: onde estavam os artistas e intelectuais, franceses ou não, naquele momento? Estes que gostam de posar de arautos da ética, da transparência e do bem.
Claro, houve a "resistência francesa". Se contarmos o número de pessoas cujos pais e avós foram da Resistência Francesa, não teremos franceses suficientes para completar a cota dos resistentes de cada família.
Provavelmente, os resistentes de fato não enchiam dois ônibus. A Resistência Francesa é um dos maiores mitos modernos, assim como a dinamarquesa, a sueca, a holandesa e outras. A falsa coragem não é privilégio de nenhum povo. A maioria conviveu com o nazismo. E conviveria de novo. Raros são os que se revoltam contra situações assim, porque simplesmente temos medo e somos seletivos em nossas prioridades morais -quando existem.
Em situações assim, pensamos primeiro no café da manhã, no almoço e na janta. No emprego, no cotidiano, nas vantagens que podemos ter, dadas as condições em que vivemos. Danem-se as vítimas.
O século 20 criou uma das maiores mentiras da humanidade: a solidariedade abstrata. Aquela que se presta direto do Facebook ou do cardápio orgânico.
Não quero dizer que "tudo bem ser covarde", desculpando nossos atos pela banalização do medo. Basta um só corajoso para a covardia revelar sua face vergonhosa. O que me espanta é a mentira moral que se conta negando a epidemia de covardia em situações como essas. E gente "chique intelectualmente" adora esse tipo de farsa.
Depois de passar o dilúvio, aí aparecem milhares de "resistentes" corajosos para colher os louros que não merecem. Onde estavam Sartre, Beauvoir, Camus, Picasso, Dalí, Mauriac, Colette, Malraux, Gide e outros luminares naqueles anos?
Se você quer saber, leia o maravilhoso livro de Alan Riding, "Paris, A Festa Continuou - A Vida Cultural durante a Ocupação Nazista, 1940-4", publicado pela Cia. das Letras. Trata-se de um painel definitivo do cenário intelectual e artístico da época, revelando detalhes do convívio "pacífico" da casta erudita francesa (e de estrangeiros que lá viviam) com a ocupação alemã.
Não se tratam dos reconhecidos fascistas e antissemitas franceses como Louis-Ferdinand Céline, o grande escritor e médico. Mas sim daqueles que ensaiaram uma resistência cultural tímida (que os alemães nunca levaram de fato a sério) a troco de permanecer vivendo suas vidas comuns de intelectuais e artistas "comprometidos com um mundo melhor" (risadas?).
Até o mercado das artes plásticas viveu um crescimento tímido, mas real, na época.
Não eram "colabôs" de fato ("colaboracionistas", termo usado na França para quem apoiou a ocupação nazista), apenas faziam teatro, escreviam livros, pintavam quadros, faziam música, bebiam vinho. E quando os Aliados libertaram a França, logo se apressaram em "provar" sua condição de membros da resistência "cuspindo" na cara de gente que, muitas vezes, os ajudou porque eram de fato "colabôs" e tinham acesso a favores nazistas.
Os "comités d' épuration" (comitês de depuração) se multiplicaram no pós-guerra e visavam estabelecer a verdade de quem era ou não "colabô".
Os alemães sabiam que, mantendo os salões, os cabarés, as "brasseries", os cafés, as livrarias, as galerias de arte e os teatros em atividade, ajudariam a manter os franceses e estrangeiros cultos "ocupados". Todo mundo sabe que o risco para regimes como o nazista está em quem pega em armas, e não em quem fala delas.
Por que a vergonha da casta artística e intelectual manchou tanto o nome da França? Porque se esperava mais deles.
Segundo Riding, o trauma francês com relação à covardia daqueles que se diziam combatentes do pensamento e da arte pode ter sido causada pelo fato de que, desde a Revolução Francesa de 1789, a França "é uma população educada para reverenciar ideias... Alguns consideram este um dos legados da revolução de 1789, a noção inebriante de que uma ideia traduzida em ação pode produzir uma mudança súbita, radical e idealizada".
Ledo engano.
LUIZ FELIPE PONDÉ


Nota: Leia aqui a entrevista com Alan Riding , mais  sobre o livro  e ainda    leia trecho em pdf

março 07, 2012

Louis Vuitton - Marc Jacobs


Uma exposição no museu Les Arts Décoratifs, Paris, de 09 de março a 16 setembro, conta a história de dois homens, Louis Vuitton e Marc Jacobs destacando suas contribuições para o mundo da moda.