agosto 28, 2009

Confundir a Cidade com o Mar

Não conhecia Richard Zimler e com este nome não o tomaria por um escritor portugues. Zimler dá aulas de jornalismo na Universidade do Porto e já escreveu diversos romances que são “bestsellers” em vários países e já recebeu prémios literários como o National Endowment of the Arts Fellowship em 1994 e o Herodotus Award for the Best Historical Novel em 1998. Peguei Confundir a Cidade com o Mar ao acaso, na última vez em que estive no Porto, dentre tantos outros que despachei para cá. Confesso que, não tendo qualquer referência sobre o autor (escolhia dentre os portugueses), este livro de contos me atraiu pela linda capa. A imagem nos remete a um fundo de mar onde se percebem ninhos, aves e flores. São “contos de amor, morte e mistério” com personagens singulares e inesquecíveis que lutam para “libertarem-se das ilusões sexuais, políiticas e espirituais que os afastaram de si próprios”.
Não que o Porto não seja um ótimo lugar para se viver, mas eu também me perguntei, embora já suspeitando a resposta, o que o fez ir para lá em 1990, sendo de origem americana e vivendo em São Francisco. O amor, óbvio!!!
Os seus outros livros são: «O Último Cabalista de Lisboa», «Trevas da Luz», «Meia-Noite ou o Princípio do Mundo», «Goa ou o Guardião da Aurora», «À Procura de Sana», «A Sétima Porta», ) e «Dança Quando Chegares ao Fim» (livro infantil). E ainda por lançar «Os Anagramas de Varsóvia».

agosto 26, 2009

Sigismund Neukomm

"A cravista Rosana Lanzelote lança neste mês um CD que chama a atenção para um personagem fascinante: o compositor e maes­tro Sigismund Neukomm. Nascido em Salzburg, na Áustria, em 1778, ele desembarcou no Rio de Janeiro em 30 de maio de 1816. Ao retornar à França em 1821, tinha deixado marcas profundas na história da música brasileira. Considerado um dos maiores organistas de sua época, Neukomm foi aluno de Joseph Haydn e colega de estudos de Ludwig van Beethoven, em Viena. No Brasil, compôs 45 obras, que até hoje surpreendem os especialistas pelo refinamento e pela complexidade. Incluem a Marcha Triunfal à Grande Orquestra, uma orquestração de seis valsas do príncipe d. Pedro, de quem foi professor, além de uma Marcha Sinfônica, uma Missa e um Te Deum para a cerimônia de aclamação de d. João 6o, em 1818. Outra grande contribuição sua foi o registro de modinhas de Joaquim Manoel da Câmera, famoso pela habilidade ao violão.
No Rio de Janeiro, Neukomm freqüentava a casa do barão Von Langsdorff, cônsul-geral da Rússia, cuja mulher tinha sido sua aluna. Era um ponto de encontro dos músicos, compositores e cantores da corte, que ali se reuniam para conhecer e executar novidades chegadas da Europa. Um dos freqüentadores era o padre José Maurício Nunes Garcia. Mulato e pai de três filhos, o padre é considerado hoje o mais importante compositor brasileiro da época da corte de d. João. Neukomm tinha por ele grande admiração e amizade. Depois de vê-lo reger a primeira execução do Réquiem de Mozart em solo brasileiro, em 1820, escreveu um artigo deslumbrado para o jornal Allgemeine Musikalische Zeitung, de Viena, elogiando a performance do amigo brasileiro.
A obra musical de Neukomm é relativamente bem conhecida. Sua trajetória pes­soal, ao contrário, permanece ainda cercada de mistérios. Um enigma diz respeito a sua atividade política. Alguns historiadores levantam a suspeita de que teria sido um espião a serviço de Charles-Maurice de Talleyrand, o mais poderoso ministro da França do começo do século 19. A música era, de longe, a forma de arte preferida da corte portuguesa, e Neukomm, um dos mestres mais promissores de sua época. Isso teria facilitado o seu acesso ao círculo próximo de d. João 6o, com o objetivo de informar Talleyrand das alianças e conspirações em andamento no Rio de Janeiro.
Um segundo enigma tem a ver com a sua vida privada. Bonito, famoso, solteiro e sem filhos, Neukomm tem seu nome numa lista de quatro homossexuais não assumidos da corte de d. João, elaborada pelo antropólogo Luiz Mott, presidente do Grupo Gay da Bahia. Os outros três seriam d. João de Almeida de Melo e Castro, o conde de Galvêas; Francisco Rufino de Souza Lobato, visconde de Vila Nova da Rainha; e o próprio d. João 6o. Na falta de estudos mais aprofundados sobre a biografia de Neukomm, nenhuma dessas insinuações foi até hoje comprovada. Resta, portanto, analisá-lo sob a ótica exclusiva da música."

Laurentino Gomes é escritor, autor de 1808.
(Na Bravo! de novembro. É que só adquiri o CD/DVD no último sábado)

Neukomm no Brasil


O compositor Sigismund Neukomm (1778 1858) o aluno predileto de Haydn, é quase um desconhecido, apesar da qualidade de sua música e do sucesso de que desfrutava na época. Tornou-se Cavaleiro após ter recebido a comenda da Legião de Honra francesa por ter escrito a Missa de Réquiem em homenagem a Luís XVI.
Ao mesmo tempo em que introduziu no Brasil o estilo vienense, com repertório de seus conterrâneos Mozart e Haydn, fez a ponte com a Europa, divulgando lá modinhas e lundus. Transcreveu a obra de Joaquim Manoel da Câmara, e escreveu textos elogiosos sobre o Padre José Mauricio. Neukomm inaugurou a prática que se tornou a marca registrada da produção musical brasileira: a mistura de gêneros clássicos e populares. Inspirou-se na modinha - A Melancolia - de Joaquim Manoel da Câmara para escrever LAmoureux, e em um lundu, no caso de O Amor Brasileiro.

O texto Cavaleiro do Som clicando no título.

agosto 25, 2009

Nunca aos Domingos


Ontem assisti um triailer (dublado!) da comédia Falando Grego, com a ex 'feia' do Casamento Grego no papel de uma atrapalhada guia de turistas na Grécia. Incidentalmente, se ouve Never on Sunday, uma música linda que tocou muitíssimo e depois nunca mais. Nem aos domingos!
Foi a música que ganhou o Oscar em 1960.
Nunca aos Domingos é um filme com a Melina Mercouri e Jules Dassin que não só escreveu, mas também atuou e dirigiu o filme. Para relembrar, já que não sei se andou passando nos cines cults ultimamente, é a história de prostituta alegre, cheia de amigos. Aos domingos ela recebe os amigos em casa pra conversar, dançar e se divertir. Obviamente, que só os homens. Em 1960, as mulheres, se ficavam amigas de prostitutas, o faziam às escondidas.Ou nem ficavam.
Chega então um americano, metido a intelectual que acha que precisa mostrá-la outro tipo de prazer e, de forma meio moralista, tenta impor suas idéias. O embate é mágico em Nunca aos Domingos. A pretensão de achar que alguém que vive fora do convencional é errado e que o saber intelectual é que proporciona a verdadeira alegria...chega! Fiquem com algumas cenas do filme.

agosto 24, 2009

À Deriva


Fui ao cinema com um crítico a tiracolo. Como a sua coluna sai na quarta, deixo aqui o trailer e o lugar reservado para o comentário dele.

A vida é perto

"O conceito é de Millôr Fernandes (quem mais?), e meio que se explica por si mesmo: a vida é perto. Foi dito por ele para nossa querida amiga, a cantora Olivia Byington, a respeito de alguém que, sendo carioca e morando no Rio, fazia questão de ter casas e apartamentos em várias cidades do planeta. "A vida é perto, Olivia", disse Millôr. Sem elucubrações outras. Ela entendeu, contou para todo mundo e todo mundo entendeu.
Foi também de Millôr que roubei o conceito de que o ideal é morar, no máximo, até o 4º andar -para conservar a perspectiva humana. Por isso, há anos, ao comprar um apartamento no Rio, fiz questão de que, ao chegar à janela, eu estivesse ao alcance da voz de quem passava lá embaixo, na calçada. De que pudesse ler a tabuleta na carrocinha com o preço do Chica-bon e, idealmente, distinguir a cor dos olhos das moças a caminho da praia -único item que não foi atendido, porque elas passam de óculos escuros. Enfim, a vida é perto.
Na semana passada, uma autoridade sanitária paulistana, preocupada com as possibilidades de contágio da gripe suína, disse que a situação é grave porque, em São Paulo, as pessoas passam o dia em interiores: no ônibus, no metrô, no escritório, na fábrica, no restaurante, em casa ou na casa dos outros. Impossível o espirro individual. Dali inferi que, em algumas cidades, a vida é dentro. E que, nas demais, o Rio, por exemplo, a vida é fora.
Pode-se estender o conceito a muitas categorias, como a de que a vida é hoje, ontem ou amanhã, de que é agora ou nunca, ou de que é um amistoso ou a valer três pontos. Tudo vale. Acacianismos a parte (tipo "Viver é muito perigoso", Guimarães Rosa), talvez levássemos vida melhor se tivéssemos mais tempo para pensar nela.
Mas não dá, porque a vida, quando acordamos para ela, é depressa
."
RUY CASTRO na FSP

As freiras feias sem Deus

"O QUE MOVE as pessoas, em meio a tantos problemas, a dedicar tamanha energia para reprimir o uso do tabaco? Resposta: o impulso fascista moderno.
Proteger não fumantes do tabaco em espaços públicos fechados é justo. Minha objeção contra esta lei se dá em outros dois níveis: um mais prático e outro mais teórico.
O prático diz respeito ao fato de ela não preservar alguns poucos bares e restaurantes livres para fumantes, sejam eles consumidores ou trabalhadores do setor. E por que não? Porque o que move o legislador, o fiscal e o dedo-duro é o gozo típico das almas mesquinhas e autoritárias. Uma espécie de freiras feias sem Deus.
O teórico fala de uma tendência contemporânea, que é o triste fato de a democracia não ser, como pensávamos, imune à praga fascista.
A tendência da democracia à lógica tirânica da saúde já havia sido apontada por Tocqueville (século 19). Dizia o conde francês que a vocação puritana da democracia para a intolerância para com hábitos "inúteis" a levaria a odiar coisas como o álcool e o tabaco, entre outras possibilidades.
Odiaremos comedores de carne? Proprietários de dois carros? Que tal proibir o tabaco em casa em nome do pulmão do vizinho? Ou uma campanha escolar para estimular as crianças a denunciar pais fumantes? Toda forma de fascismo caminhou para a ampliação do controle da vida mínima. As freiras feias sem Deus gozariam com a ideia de crianças tão críticas dos maus hábitos.
A associação do discurso científico ao constrangimento do comportamento moral, via máquina repressiva do Estado, é típica do fascismo. Se comer carne aumentar os custos do Ministério da Saúde, fecharemos as churrascarias? Crianças diagnosticadas cegas ainda no útero significariam uma economia significativa para a sociedade. Vamos abortá-las sistematicamente? O eugenista, o adorador da vida cientificamente perfeita, não se acha autoritário, mas, sim, redentor da espécie humana.
E não me venha dizer que no "Primeiro Mundo" todo o mundo faz isso, porque não sou um desses idiotas colonizados que pensam que o "Primeiro Mundo" seja modelo de tudo. Conheço o "Primeiro Mundo" o suficiente para não crer em bobagens desse tipo.
O que essas freiras feias sem Deus não entendem é que o que humaniza o ser humano é um equilíbrio sutil entre vícios e virtudes. E, quando estamos diante de neopuritanos, de santos sem Deus, os vícios é que nos salvam. Não quero viver num mundo sem vícios. E quero vivê-lo tomando vinho, vendo o rosto de uma mulher linda e bêbada em meio à fumaça num bistrô."

Luiz Felipe Pondé é colunista da Ilustrada.
A propósito da lei antifumo em Sampa.

agosto 23, 2009

Da fumaça ao perfume


"Há três mil anos, sacerdotes invocavam os deuses pela queima de ervas. A origem da palavra perfume vem daí, já que em latim per fumum significa "pela (por meio da) fumaça". Quando o homem descobriu o fogo, percebeu que, ao queimar, determinados arbustos e resinas exalavam um intenso cheiro. E passou a utilizar essa fumaça perfumada em rituais relacionados à sua vida espiritual.
As primeiras referências históricas importantes provêm do Oriente, especialmente do Egito, onde oferendas perfumadas seguiam juntos para os túmulos dos grandes faraós. Na Tumba de Tutancâmon (que morreu em 1324 a.C.), por exemplo, foram encontrados óleos aromáticos de cedro, mirra e zimbro.
Pouco antes do início da Era Cristã, os romanos costumavam usar óleos essenciais para rituais religiosos e funerários, para perfumar não somente o corpo, mas também a mobília da casa. Na Idade Média, a busca pela pedra filosofal levou os alquimistas a realizarem inúmeras experiências que contribuíram no desenvolvimento de processos fundamentais para a indústria da perfumaria. A partir do século 19, o perfume ganhou status de quase-remédio, usado para tratar depressão e enfermidades nervosas.
Estrutura e corpo de um perfume
O sentido do olfato é um dos principais sentidos dos animais, pois auxilia diretamente na complexidade de reações de sobrevivência. Ajuda a identificar coisas ruins ou boas. Uma maçã vermelha, por exemplo, pode parecer boa, mas o seu cheiro poderá sinalizar que está estragada.
Tanto para o homem primitivo quanto para muitos animais, um faro apurado fazia a diferença - fosse para detectar a proximidade de um predador, fosse para avaliar se um alimento era venenoso. No curso da civilização, entretanto, o homem focou quase todas as suas atenções na comunicação por estímulos visuais e auditivos, e a dependência do nariz para asobrevivência foi reduzida.
Ainda assim, como testemunho da importância que um dia teve, nosso sistema olfativo mantém a capacidade de sentir aproximadamente 10 mil cheiros diferentes, ao passo que o paladar, por exemplo, aparentemente muito mais presente em nossa vida do que o olfato, pode avaliar somente quatro gostos diferentes: doce, salgado, azedo, amargo, e são estes os quatro tipos de gostos primários que sentimos. As fragrâncias, por sua vez, podem despertar memórias e afetos.
Para a criação de um perfume, vários elementos naturais e sintéticos, como frutas, madeiras, resinas, flores, e compostos químicos são escolhidos e combinados por perfumistas, os quais podem levar anos para chegar na combinação perfeita. Da concentração das essências, óleos e álcool é que surgem os tipos de perfumes que conhecemos:
Perfume, Parfum ou Extrato: é o que tem o cheiro mais persistente, com concentração de óleos essenciais em torno de 15% a 20% e álcool 96%. Dura na pele entre 12 a 20 horas;
Eau de Parfum: tem o cheiro mais sutil, com concentração entre 10% e 15% de óleos essenciais e duração na pele entre 6 e 8 horas;
Eau de Toilette: a idéia é transmitir o lado mais refrescante do perfume, com concentração que pode variar de 5% a 10%, e duração na pele entre 4 a 6 horas; Eau de Cologne: a base, simplificada, apresenta uma concentração de 3% a 5%, com pouca duração na pele, ideal para o pós-banho.
Quando usamos um perfume, independentemente da quantidade da concentração que a fragância apresente, existem três etapas diferentes de odores que ele exala, antes que se fixe o seu cheiro definitivo:
Notas de cabeça ou saída: é a primeira impressão do perfume, é o que sentimos ao abrir o frasco. Como são voláteis, evaporam nos primeiros cinco ou dez minutos.
Notas de corpo ou coração: surgem alguns minutos após a aplicação. É a identidade dos perfumes. Duram duas horas em média.
Notas de fundo: são as mais fortes e consistentes. Elas são as que marcam presença e que ficam até o final do tempo de fixação do perfume (o que varia de pele para pele)."
......
Leia a continuação - Hora H por Ricardo Oliveiros, clicando no título.

Remédios Varo

Remedios Varo Uranga, nasceu em 1908 em Anglés, na Cataluña (Espanha) e morreu em 1963 na Cidade do México. Durante a Guerra Civil Espanhola, mudou-se para Paris onde foi grandemente influenciada pelo movimento surrealista. Foi forçada a exilar-se da capital francesa durante a ocupação nazista e mudou-se para a Cidade do México em fins de 1941.Embora considerasse o México como um refúgio temporário, o país acabou por tornar-se sua residência definitiva.
"É difícil imaginar uma mistura harmónica entre a ciência e a fantasia, mas em arte tudo é possível, porque a arte não tem limites nem fórmulas restritivas. Através de sua pintura, Remedios Varo, uma artista apaixonada pela ciência, mistura fórmulas matemáticas e complexos conceitos físicos, com um mundo mágico de fantasias e seres surrealistas, criados inteiramente na sua imaginação. O resultado é uma pintura fantástica que aparece em manuais de matemática e tratados científicos como ilustração de conceitos complexos que poucos podem compreender fora do mundo da ciência. Varo nasceu na Espanha, perto da Barcelona de Gaudi, em 1908. Lá recebeu uma forte influência de seu pai que era engenheiro e lhe apresentou aos mundos da ciência e também da arte - apaixonou-se pelos dois. Em 1942 mudou-se para a Cidade do México, onde residiu até a morte em 1963. O estilo e temática de Remedios Varo permanecem consistentes durante a sua carreira, desenhando muito sobre o seu conhecimento dos quadros dos grandes mestres. Os tecidos delicadamente modelados nos seus quadros e a sua composição estética devem muito à arte flamenga do século XV."
(A arte no século XX)
Para saber mais da artista, inclusive o nome das obras, clicar no título.

agosto 22, 2009

Amar, acalentar e trair

"As crianças têm a infância", escreveu o professor David P. Barash. "E os adultos? Têm o adultério."
Barash, que ensina psicologia na Universidade de Washington, escreveu um livro chamado "The Myth of Monogamy" e foi entrevistado por Natalie Angier, do "New York Times", para uma reportagem sobre infidelidade animal.
A monogamia é realmente um mito? No mundo animal é, mesmo para espécies que formam casais para toda vida. "A promiscuidade sexual é generalizada na natureza, e a verdadeira fidelidade é uma fantasia acalentada", escreveu Angier.
"A monogamia social muito raramente é acompanhada de monogamia sexual ou genética", relatou Angier. "Examine os rebentos de uma ninhada, seja de aves, toupeiras, macacos, raposas ou qualquer outra espécie que forme pares, e de 10% a 70% mostrarão que descendem de um macho que não o oficial." .
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Mas, mesmo quando um cônjuge trai, o casamento geralmente sobrevive, escreveram Benedict Carey e Tara Parker-Pope no "Times". Em estudo da Universidade da Virgínia, 10% das pessoas casadas admitiram que tiveram casos em algum momento. Anos depois, 76% dos adúlteros continuavam casados e vivendo com seus pares.
"Historicamente, a instituição do casamento não sucumbiu à infidelidade tanto quanto coexiste com ela, como um corpo com o vírus da gripe: às vezes enfraquece, mas desenvolve certa imunidade pela longa exposição", escreveram Carey e Parker-Pope
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Como os seres humanos, os animais às vezes se vingam de seus parceiros infiéis. Em uma experiência com besouros, que formam pares e constroem uma bola de esterco na qual depositam os ovos, os pesquisadores amarraram um besouro fêmea perto de seu parceiro. Então o macho liberou feromônios para atrair outras fêmeas.
Quando sua parceira foi libertada, ela o virou de costas para baixo e "o fez rolar diretamente para a bola de esterco, o que pareceu totalmente apropriado", disse o professor Barash.
É isso aí!

Glenn Gould

Encontrei no portal do Estadão um especial , em interessante apresentação em audio, sobre a carreira do pianista canadense Glenn Gould (acesso clicando no título). Mais do que um pianista, ele foi um dos ícones do século XX. Sua curta carreira (1955-1982), foi inteiramente de quebra de paradigmas. Abraçou a tecnologia como nenhum outro músico e fez dela o passaporte para uma "presença cultural" intensa. Continua sendo um dos músicos mais discutidos, ouvidos, questionados, cultuados na cena musical. Está artisticamente mais vivo do que nunca, a julgar pela quantidade de teses e livros que continuam a ser publicados, e pela presença em catálogo de seus cerca de 80 CDs. "Você toca como um compositor" foi o elogio que recebeu do compositor americano Aaron Copland que completou : "Quando eu o escuto tocar Bach, é como se o próprio Bach tocasse.".

No título, acesso para o audio:O som e a fúria de Glenn Gould e no link http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=28
Glenn Gould: caso de amor com o microfone .
"...De certo ângulo, Gould representou para o século XX o avesso de Strauss, e o fez de propósito, como que a escrever sua trajetória pelo caminho inverso do mestre alemão. Enquanto este era o retrógrado e teimoso mantenedor das tradições da prática musical novecentista, o canadense quebrou com ela em dois pontos. Alterou o modo de interpretar a música do passado e renunciou a um de seus dogmas mais caros: o recital ao vivo. Gould considerava as apresentações em carne e osso uma "arena sangrenta" indigna da arte dos sons e a trocou por aquilo que chamou de "caso de amor com o microfone". Em 1964, no ápice da fama, nosso anti-Strauss decidiu abandonar palcos para se exilar no estúdio de gravação e criar, assim, música segundo padrões tecnológicos que deveriam elevar o som gravado a níveis de excelência nunca antes alcançados. "Achei o palco uma experiência aterradora e essencialmente antimusical", disse, num documentário. "Desistir de concertos foi apenas uma forma de me livrar de uma experiência intensamente desagradável."
No entanto, o paraíso técnico resultou em distopia..."
Para ouvir o album: www.bluebeat.com/boxsets/3625
Uma maravilha!!!

E para completar...