Depois que minhas semanas voltaram a ter só um domingo, este passou a ser o dia em que fico comigo e aproveito para me proporcionar os mimos e gostinhos impossíveis de serem desfrutados na correria dos dias 'úteis '(?). Não caberia aqui descrevê-los e quem lesse ia considerar trivial demais. Então me reservo. Uma coisa é certa, tenho dispensado a praia e os seus congestionamentos de carros e de gente. Muita gente. Todos sedentos, ávidos, excitados e barulhentos. A música, às vezes de gosto discutível, em alguns lugares 'ao vivo', está, em qualquer caso, num volume acima do que seria desejável. Não se ouve o quebrar das ondas, as caixas de som 'brotam' dos coqueiros. Mal se pode caminhar entre as mesas. Sim, porque aqui “ir à praia” tem quase nada a ver com mar, areia, caminhada, banho ou mergulho. Significa ir para um grande bar/restaurante, ao ar livre, chamado 'barraca' (todas tem um nome) . Cada ' tribo' tem a sua e é muito importante ser reconhecido pelo 'garçom', pois se vai à praia para beber, nem que seja água de coco. De preferência, beber muito. Mais tarde, 'atacar' bacias (literalmente) de caranguejos lindos, enormes e deliciosos num 'ritual' meio primitivo. Depois de colocados vivos na panela, de onde tentam escapar à medida que a água vai começando a ferver, são servidos inteiros, mergulhados num molho que parece trazer lembranças do mangue...Para quebrá-los ( parti-los) se usa, à guisa de talher, pedaços de madeira que parecem ter conhecido melhores dias, como cabo de vassoura... Para comer caranguejo, tem que saber chupar. Do contrário não se aproveita o que vem depois. Nada de se recusar com a desculpa de serem cabeludos ou outros pruridos. Bobagem! O melhor é cair de boca mesmo. Depois é preciso aprender (com um nativo, claro!) a separar o intestino do resto, com o que se prepara, ali mesmo, uma farofa dentro da própria casca.Ótima com uma pimentinha! Como não poderia deixar de ser, faz a maior sujeira e meladeira. Mas tem chuveiro de água doce à disposição, que também serve para aliviar o calor. O banho é no meio do povo. No início parece estranho, logo se percebe que ninguém 'tá nem aí' e tem uma fila que não pode esperar que se supere eventual constrangimento. Se não se permitir tamanhos prazeres, pode pedir umas 'casquinhas' e comer de colher. Mas asseguro, não será a mesma coisa...Isto que aqui é uma 'instituição'intocável, não se repete pelo litoral do nordeste. Ia esquecendo de mencionar que, na praia, se vende “de um tudo”. De CD/DVD à roupa, cosméticos, bijoux, passando por sanduiches, frutas, castanhas, óculos, brinquedos e artesanatos, sandálias e bolsas, redes e toalhas, rendas e bordados. O assédio é constante. Para sobreviver, a “técnica” é se fazer de cega e surda, pois se o seu olhar trair algum interesse ou curiosidade o melhor é ir embora. Eles não irão e outros mais passarão a te importunar. Ao fim de um domingo, cheguei a conclusão de que só não ofereceram à venda casas e carros. Não duvido de que a qualquer momento comece a acontecer. Afinal além da vocação mercantilista que demonstram, - há quem arrisque afirmar que o 'embrião' do fenômeno 25 de março em Sampa está aqui, no chamado “beco da poeira”,- são muito criativos. Misturam-se aos vendedores os que pedem esmolas e como ninguém se perde por falta de talento, ainda se pode ser mote para uma cantoria da qual ninguém se livra nem pagando. Para não falar dos que 'pastoram' o carro...Uff! Alguns irão concordar comigo, não se consegue repetir esta orgia toda semana. Mas outros dirão que não podem passar sem...Eu passo!
Neste domingo, fiz uma 'descoberta' (já disse que estou sempre meio atrasada): O blog da MARCIA TIBURI. Coloquei-o na minha lista de links: GNT PINKPUNK (lá embaixo) mas poder ser acessado clicando no título desta postagem. Concordando ou não com ela, que tem suas idéias conhecidas pela participação no programa Saia Justa , vamos ter que reconhecer: o blog é ótimo!




