novembro 07, 2009

Waldir Calmon na TV Tupi


Waldir Calmon na TV Tupi - Gravação de 1957, da música "Samba no Arpége".

Desenhos animados

Quem é do tempo que mertiolate ardia continua achando TOM&JERRY o melhor desenho.

Fique com estes, por enquanto.

Clicando no título tem muitos outros. Divirta-se!

O pagador de promessas


Morre ANSELMO DUARTE, o único brasileiro a ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cannes, com "O pagador de promessas", em 1962.

Curitiba em quadrinhos

Desenhos de Cesar Lobo

novembro 06, 2009

A turba da Uniban

Uma leitora do além-mar, em comentário na postagem Uma Loira (texto de Fernando Gabeira) reclama por não entender o episódio a que se refere. Ninguém melhor para narrá-lo e analisá-lo...
Contardo Caliggaris


"NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.
O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa.
A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: "Pu-ta, pu-ta, pu-ta".
Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um "justo" protesto contra a "inadequação" da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.
Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre "vendido") de duas maneiras fundamentais: "veados" e "filhos da puta".
Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, "veados" e "filhos da puta" são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.
Cuidado: "veado", nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos "veados", por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser "usados" por seus ofensores. "Veado", nesse insulto, está mais para "bichinha", "mulherzinha" ou, simplesmente, "mulher".
Quanto a "filho da puta", é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. "Puta", nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.
Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.
O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de "querer"? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.
A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.
Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de "Zorba, o Grego", com redação obrigatória no fim?
Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.
"

Outono num jardim Zen

Uma loira

"Dizem que o século 20 acabou com a queda do Muro de Berlim. De um ponto de vista intelectual, o século 20 está morrendo também com Claude Lévi-Strauss. Dificilmente os jornais do século que virá darão tanto destaque à morte de um pensador. Talvez jornais e pensadores não venham a ser abundantes no futuro.
Ele morreu num momento em que alunos da Uniban se revoltaram por causa de uma jovem loira de minissaia e quase botaram o prédio abaixo.
No passado, talvez os antropólogos se interessassem por esse curso de turismo e pelo resto da faculdade. Psicanalistas como Erich Fromm e Wilhelm Reich e a Escola de Frankfurt talvez pudessem achar algum estímulo nessa manifestação raivosa.
Um dos alunos em fúria afirmou que não queria ter essa mancha no seu diploma. Foi uma das frases mais interessantes. A que tipo de mancha estava se referindo? Ao ver seu diploma do curso de turismo da Uniban todos diriam: esta faculdade é aquela em que havia uma loira de pernas de fora.
No passado, adolescentes manchavam as calças. Supor que, ao longo dos anos, todos continuarão pensando nas pernas da moça, que a simples menção do nome Uniban trará a figura, talvez o próprio perfume da moça, é algo muito forte.
O medo que a imagem de uma loira com as pernas de fora os persiga ao longo de toda a carreira me faz lembrar aquela imagem de uma loira perseguindo os sonhos de um puritano no filme de Fellini. Ela tinha enormes seios e cantava: tome mais leite, o leite faz bem.
De uma certa forma, a psicanálise também perdeu terreno. Quem sabe a neurociência não tenha alguma fórmula para evitar o motim? Ou Ruy Barbosa com sua "Oração aos Moços"? Na Uniban, os tempos pedem colagens, não saias audaciosas".

FERNANDO GABEIRA

novembro 05, 2009

Poeta Trovador

O poema abaixo de autoria de VALÉRIA SANTOS foi classificado entre os dez melhores no concurso do Estado, na comemoração do dia do servidor.

Um grande homem de rara inteligência
Guardava aquele corpo frágil e franzino,
Que desde bem cedo ainda menino
espalhou a cultura do povo nordestino.

Estudo não tinha muito, porém infinito era o seu saber
Saiu do nordeste, terra de gente tão sofrida
Acompanhado da viola, presente da mãe querida
O país inteiro ele iria conhecer.

A tristeza não lhe consumiu com a perda da visão
O menino logo descobriu a enxergar com o coração.
Com graça reclamava, de tanta humilhação,
Em rimas denunciava, todo tipo de opressão

O inconsciente era arquivo, onde ele deixava guardado
O acervo imenso com tudo que havia criado,
Dos doze ao noventa, sua voz não havia de calar
Bastava cantarolar, para compor e declamar.

Herói não de guerra, mas da cultura popular
Expunha em cordel a luta do sertanejo trabalhador
O pavor da seca no sertão que tinha a enfrentar
Plantava o roçado e a chuva não vinha molhar.

Conhecido no país desde cedo se tornou,
O menino, que de frágil só tinha aparência
Descobre a melodia na sua essência
E artista famoso, de norte a sul ele virou.

Do povo recebe o nome Patativa, pássaro de canto bonito que é,
No sobrenome o orgulho de ser filho de Assaré.
Tem até uma estátua no Centro Dragão do Mar
Não há quem dele duvide ou deixe de aclamar.

Da literatura popular foi o grande precursor
Sua história virou livro, e ao mundo encantou,
De peça de teatro a tese de Doutor,
Não importa o cenário, muita gente ele inspirou.

Preocupado com o homem, do planeta não esqueceu
Homenageou o jumento e a vaca, até o Boi mereceu,
Para ele a natureza fala e a Deus escreveu
Implorando que se salve o verde, que ainda sobreviveu.

O silêncio, inimigo do pássaro cantor
Chegou para calar a voz do trovador,
E o repentista, poeta, escritor, para este mundo se calou,
Mas seu canto ecoa forte, na cabeça de quem ficou.

A pique

Desde que voltei a trabalhar, leituras e cinemas foram reduzidas às (poucas) horas vagas. Não sei se acontece com você, mas me interessa mais a crítica de livro feita por amigos do que as resenhas de jornais e revistas - talvez para ter para quem reclamar. Sempre que posso, busco indicações de um amigo, em quem acredito para este e muitos outros assuntos. Foi assim que trouxe de sua biblioteca, da última vez em que lá estive, A Ópera Flutuante - romance do americano John Barth que é festejado por ele e pela crítica (americana) como um dos melhores romancistaas contemporâneos.
Acho que era o Nelson Rodrigues que dizia para não perdermos tempo tentando ler muitos livros, pois só havia três ou quatro “livros totais”, aos quais devíamos nos ater durante toda nossa vida de leitor. Movida por natural curiosidade e saudável inquietação, nunca pude dar ouvidos a ele. Assim, fico aqui e ali, saltando de um livro para outro, começando e largando, para retomar pouco depois. Com relação a esta Ópera, não estou bem certa se flutuará ...(desculpe Vi).
À guisa de explicação para quem acompanha o blog: sumiu do meu notebook o editor de texto. Gratifica-se bem a quem encontrá-lo!

novembro 02, 2009

arraias douradas

Achei um espetáculo! Elas chegam a medir até 2,1 metros. As arraias douradas também são conhecidos como arraias de nariz de vaca.Têm barbatanas peitorais pontudas que se separam em dois lóbulos na frente de suas cabeças altas, que fazem com que pareçam com uma vaca.
A população de arraias douradas do Golfo do México migra da Florida até Yucatan. Deslizando silenciosamente embaixo das ondas, elas transformam vastas áreas de água azul em douradas. Sandra Critelli, uma fotógrafa amadora, viu o fenômeno enquanto procurava por tubarões baleia

É isto....

Sonetos que não são

Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha

Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha.)

Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel

Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.

Hilda Hilst

Cenas de Aída


AÍDA é tida como a obra mais espetacular de Verdi. É dramática e musicalmente empolgante, sobretudo esta marcha triunfal do 2º ato . A história se passa no Egito no tempo dos faraós. Radamés, que é amado pela princesa egípcia, vai comandar o exército egípcio contra os invasores etíopes. Acontece que o seu grande amor, Aída é uma princesa etíope que foi capturada. Enquanto ele está sendo abençoado antes de partir, Aída está infeliz porque receia que ele vá lutar contra o seu pai. No segundo ato (escravos mouros dançam), sua rival põe-lhe à prova anunciando que Radamés foi morto. Diante do sofrimento de Aída, revela que ele está vivo e que é sua rival . Aída pede misericórdia, mas ela jura vingar-se . O regresso de Radamés vitorioso é o momento da marcha triunfal, quando Aída reconhece seu pai entre os prisioneiros. O rei oferece a mão de sua filha à Radamés o que deixa Aída desolada. No ato seguinte, às margens do Nilo, ela lamenta por não poder rever a sua terra, a Etiópia.E por aí vai... até acabarem nos braços um do outro.

novembro 01, 2009

Ópera


Como descrever uma forma de arte associada a enredos complexos, letras incompreensíveis, orquestrações arrebatadas, estilo afetado de representação, encenações exóticas e intérpretes temperamentais?
Isto é o que faz a ópera ser considerada extravagante por muitas pessoas.
No entanto, é difícil esquecer o momento em que a ópera entrou na nossa vida. Quer tenha sido por um magnífico coro ouvido no rádio, ao acaso, a emoção sentida ao assistir a um espetáculo ao vivo ou mesmo, vá lá, na TV.
Cheguei a ópera, ou ela chegou a mim, por uma via diferente. Comecei, ainda muito criança, no sertão do Ceará, a ouvir nos discos de cêra de meu pai, a Maria Callas. Ele se referia a ela como uma magnífica 'soprano'. Ao meu redor, as pessoas tinham um vício de linguagem que tirava o 'd' das palavras como 'soprando'. Afinal, eu me perguntava, ela era 'soprando' ou 'soprano'? O que siginificava isto, nem o que era uma ária, ninguém achava que tinha que explicar a uma criança. Assim segui pela vida afora...Mas os registros auditivos permaneceram.
Hoje eu diria que ópera é uma experiência emocional. A sua essência dramática não pode ser subestimada: música, letra e história juntam-se para dar expressão a sentimentos fortes como amor, traição, dor ou alegria. O artista polones RAFAL OLBINSKI deu seu toque surrealista aos posters das óperas mais populares e, por isso mesmo, facilmente identificáveis nestas interessantes imagens.

Relaxe


Este é o Okinawa Churaumi Aquarium, no Japão. Não encontrei video do Oceanário de Lisboa que é tão lindo quanto...
Vá lá em baixo 'calar' o Caetano para aproveitar melhor aqui! Se gostar desta música, clique no título para saber/ouvir mais.

Ouvido amigo

Além dos profissionais que são pagos para ouvir , existem cabelereiros, massagistas barmen, dentre outros, que ajudam a preencher a necessidade de seus clientes nesta área . Quase todo mundo tem necessidade de se abrir e alguns encontram nestes profissionais a empatia que os levam aos desabafos. Conheço quem, numa simples consulta sobre queda de cabelo, conte a sua vida. Outra que, na compra de uma roupa, discorre sobre as transformações pelas quais passou o seu corpo depois da menopausa....Este comportamento não é tagarelice própria de mulheres. Entre os homens também acontece.
Pode não equivaler a uma terapia, mas encontrar alguém, ainda que seja um desconhecido, que empresta um ouvido atento, pode servir para aliviar certas dores que precisam ser compartilhadas.
Para mim este 'divã' improvisado não funciona. Se é para falar por falar, melhor escrever. De preferência para alguém que vai ouvir com afeto.
No entanto, se me fosse dado escutar certas histórias, tentaria extrair o que houvesse de mais profundo na prospecção dessas almas. Na verdade, não sei se tenho cara de confessionário, mas alguns 'loucos' encontrados ao acaso, me relatam de suas vidas aquelas zonas tenebrosas, inconfessáveis mesmo diante de espelhos embaçados. ( Imagem embaçada é como enxergo quando tiro os óculos, o que sempre fiz diante da terapeuta ao ponto de ela hoje não ter rosto na minha memória).
Imagino relatos curiosos, histórias de amor, que chegam aos ouvidos de um barman quando a noite e a bebida liberam as almas solitárias (o que não o livra inclusive de uma 'cantada'!).
Na posição inversa, de cliente solitária, algumas vezes já ouvi. Na travessia Santos/Gênova troquei algumas palavras com um garçom que me disse ser de Honduras. Acho que a 'chave' para o que se seguiu foi eu saber qual era a capital de seu país. Segundo ele, ninguém sabia. Em capítulos, (a viagem durou mais de 15 dias), ouvi suas estórias, vi fotos, fiquei sabendo o que é viver para cá e para lá e, em meio a tanta gente, ser 'transparente'.
Em Paris, os garçons não se dão a estas liberdades. Apenas uma vez, num café chamado “Le mauvais garçom” (no Marais), o rapaz que servia (atenção: 'garçom' aqui não tem o mesmo siginificado!) me perguntou se era portugues a língua que eu falava. Quando lhe respondi, afirmativamente, seu rosto se iluminou. Queria saber o que siginificava “ PARE”, mas saiu sem a resposta para atender outra mesa. Retornou, logo que possível, tempo suficiente para eu lhe responder “STOP” (como os franceses escrevem nos cruzamentos das ruas). Com um ar entre surpreso e decepcionado, saiu rápido pois ainda haviam várias mesas para serem atendidas. No decorrer da noite, eu o flagrei me olhando como a dizer que voltaria. Tinha esquecido, quando ele reaparece sorridente (a casa estava mais vazia)e se abaixa para falar ao meu ouvido, susurrando entre gemidos:“ Pare! Pare! Pare!”. Entre risos, num clima de inusitada cumplicidade, expliquei-lhe que dito daquela maneira, na circunstância, significava exatamente o contrário, que ele devia prosseguir! Foi com uma carinha de feliz que ele se despediu. Fiquei imaginando se ele estava indo ao encontro do seu amante. Certamente, brasileiro!

Folha de hoje


Vai ver a culpa é do estagiário!