Mesmo diante deste quadro, não desisti do meu projeto e fui até a Place des Basques de onde, já estava informada, partem os onibus para o destino que pretendia. Começava a ler os avisos para me inteirar de alguma alteração de frequência/horário em decorrência do movimento, quando fui “atacada” por uma velhinha. Ela era daquelas que, apesar de pequena, consegue usar ao mesmo tempo: brinco, óculos, broche, colar de pérolas e um lencinho, sem que isto pareça um excesso. No seu indefectível tailleur, sofria de um enorme deficit (comum a todas) de ter com quem conversar. Foi logo me dizendo que os ônibus não chegavam porque estavam bloqueados pela “ manif” . E sem pausa nem querer saber nada, emendou contando que tinha vindo visitar uma amiga que morava numa maison de retraite que tinha sido submetida a uma cirurgia e que os sobrinhos dela... blablblabla ... Fiquei emprestando meus ouvidos para ela por um bom tempo e isso lhe bastava. Enquanto isto, avaliava o que devia fazer, se deixava para amanhã o passeio (mas será que o tempo vai continuar assim?). Surgiu uma senhora (mais jovem), calçando scarpins e meias finas, se queixando de que tinha feito uma volta enorme por causa da “manif”, que tinha machucado o pé e precisado ir na farmácia colocar um band-aid. Uma palavra mágica: farmácia! Velhinha sabe tudo de farmácia (algumas, como eu, tem até cartão fidelidade). Livrei-me por um momento dela que se voltou para a outra indignada por ela não conhecer a nova farmácia de descontos e tome blablabla e a “ manif” era sempre mencionada. Com simpatia, diga-se de passagem. Repetiu tudo que me havia contado com aquela riqueza de detalhes inúteis, em que só as velhinhas sabem ser pródigas. Enquanto isto eu pensava nesta mania dos franceses de encurtar tudo que é palavra (prof, ado, filo, mat e por aí vai, um saco!)que eu pensava existir somente entre os jovens. Quando a velhinha fez uma pausa (para respirar) a outra se aproveitou e me perguntou se eu morava em Bayonne. Ao me ouvir responder, a velhinha ficou excitadíssima, ia ter assunto para a viagem, que segundo ela durava "3/4 de hora". Se eu desse mais trela era possível ter ido tomar um café na sua casa. Mas achei que a minha “cota” já estava esgotada. Escapei dela e fui almoçar. Os cafés/bares e restaurantes estavam lotados pelos participantes da “manif” que ia se dispersando.
St Jean de Luz ficou para amnahã.
3 comentários:
Que texto gostoso de ler.....você deve guarda-los e depois editar em livro...e, se não quizer vender, dá de presente de natal para as amigas que lhe admiram. Não deu para tirar e enviar uma foto da velhina ? Deve ter sido um barato.
Curta tudo e todos...inclusive as velhihas solitárias.
Rebeca
Pois eu teria provocado o café na casa da velhinha e teria até conhecido o bichano dela [mais pas sa "chatte"!!! rsrsrsrsrs] ... Beijos, Zelita!!! TL
Eu ja-mais dispensaria esta velhinha....tenho certeza que ia parar na casa dela...e ainda tenho grandes dúvidas sobre quem ia falar mais, de nós duas.....
WB
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