Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
– já me aconteceu antes.
Pois sei que
– em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade –
essa clareza de realidade
é um risco.
Clarice Lispector
julho 24, 2008
julho 21, 2008
TER UM BLOG
Não encontrei a situação adequada para declarar que tenho um blog...Às pessoas a quem tenho sido apresentada , ultimamente, meus amigos dizem , antes de qualquer outra referência : “ela tem um blog.”.
E daí? Em geral, quem ouve não sabe o que fazer com esta informação, o que dizer ou o que perguntar. Em certas circunstâncias, quase um vexame, como se pensassem : “por que estão me dizendo isto?”
Percebo que, mesmo alguns que dizem “ela tem um blog”, sabem apenas, vagamente, o que isto significa, como funciona ou para o que serve - se é que serve para alguma coisa ( no meu caso, conto mais adiante).
O que é “ter um blog”? Ou melhor, o que é um blog?
Há quem pense ser um diário virtual. O que não é certo. Igualmente, o que se escreve num blog não pode ser tido como literatura. No meu caso, fica mais do que evidente inexistir tal pretensão . Não existe literatura de blog nem blogueiro é escritor. Tampouco blog é estilo literário.
Quando não se trata de ficção, não se escreve no blog com espontaneidade , na medida em que a mistura de fatos da vida com a exposição de um blog não se revela uma combinação recomendável. De minha parte, tento fazer com que a minha vida não seja a matéria prima do que publico. Fiel ao que consta no perfil , registro o que li, vi, pensei ouvi ou lembrei......
Sem qualquer compromisso com temas, valho-me dos recursos disponíveis ( vídeos, links para outros sites, etc) para comentar acontecimentos, livros, filmes ou qualquer outra forma de criação artística, sem preocupação quanto a serem ou não atuais (o que é bom não é eterno?). Não há dúvida de que as postagens traduzem os meus sentimentos e opiniões, algumas vezes não muito conservadoras...
Ninguém é obrigado a concordar e há ampla liberdade para manifestação.
Já me perguntaram como decido o que vou postar, “de onde tiro”o que tem no blog , ou o que me leva à escolha dos assuntos e até como faço para que tenha esta cor . Mas há também os que me escrevem para dizer que ele é a “minha cara” , ou que o lê para matar a saudade de conversar comigo, ou para saber o que ando “fazendo”. Sem contar os “comentários” deixados no local próprio, sobretudo por estranhos .
Tendo um blog, é inevitável pensar em quem estaria lendo e nas suas expectativas em relação às próximas postagens que, diga-se por oportuno, nem eu mesma sei sobre o que versarão. O outro lado disto é pensar que ninguém lê e que estou livre para postar ao meu bel prazer.
Se ninguém acessa, porque não colocar tudo no word, num arquivo de imagens, na minha pasta “pessoal”? Esta é uma questão que me ocorre com uma certa freqüência.
Mas não é assim que tem funcionado. Não passam muitos dias sem que venha algum comentário . Além destes, tenho percebido (via e-mail, msn , orkut) que parte das pessoas que o acessam não têm necessidade de comentar sobre o que pensou a respeito desse ou daquele post. O certo é que não tenho a sensação de estar “falando sozinha” e me sinto estimulada a continuar compartilhando certos interesses/gostos através desta ferramenta de publicação ( um blog não passa disto ) , com o distanciamento e as cautelas necessárias.
Blog parece requerer tempo. Li que 47% dos blogueiros têm entre 14 e 18 anos.
Na outra ponta, estão aqueles que, como eu, já atingiram a fase da vida em que se pode ter dedicação exclusiva às letras e às artes, compreendida nesta expressão todas aquelas atividades que dão prazer, que pode ir desde criar passarinhos (presos, um horror!) até onde a imaginação levar...
No meu caso, ao blog!
julho 18, 2008
BOLSHOI


Solistas do balé Bolshoi que participam em Joinville (SC), da Noite de Gala do 26º Festival Internacional de Dança. Natália Osipova e Andrey Bolotin vão fazer os papéis principais do balé "Don Quixote": Kitri e Basílio. A peça é baseada na obra de Miguel de Cervantes e foi montada pela primeira vez em 1869, com coreografia de Marius Petipa e Alexander Gorsky, e música de Ludwig Minkus. A peça foi a estréia dos dois bailarinos como solistas do Bolshoi, há três anos.
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