julho 29, 2009

Moderninho


SOUR é o nome desta banda japonesa. O clip foi gravado por webcams em diferentes lugares do mundo. Vejam como ficou interessante e perfeita a sincronização.

julho 28, 2009

CURITIBA

Este texto é do Filipe Machado no seu blog Palavra de Homem (acesso clicando o título). Ele passou o fim de semana em Curitiba onde foi lançar o seu livro Ping Pong.
De olho na cidade
"Acabo de voltar de Curitiba e confesso que fiquei impressionado com a cidade. Limpa, organizada, bonita, moderna, uma cidade do tamanho ideal para quem busca qualidade de vida. Estava frio, sim, e as cidades brasileiras de maneira geral não são preparadas para lidar com baixas temperaturas. É incrível: em qualquer cidadezinha americana todas as casas têm aquecedores e estrutura para que você fique confortável pelo menos quando está em um ambiente fechado. Em Curitiba, assim como em São Paulo, não dá para não ficar coberto com casacos, não importa se você está parado na calçada ou vendo TV dentro do seu apartamento.
Ao contrário do que os próprios curitibanos dizem, não achei Curitiba uma cidade provinciana. Tudo bem, talvez seja um pouco no sentido de que todo mundo se conhece, a elite local é bastante fechada, o serviço em alguns lugares deixa a desejar, etc. Mas achei Curitiba uma cidade bastante cosmopolita, não tanto no sentido 'globalizado' e atual desse termo, mas principalmente porque é uma cidade com muitos imigrantes e, por consequência, muita gente falando idiomas variados além do português.
Graças a meus amigos locais, conheci alguns lugares bem legais. Cheguei na sexta-feira à noite e já fui direto para um restaurante muito gostoso, o Lagundri. Comida tailandesa/asiática de primeira, com receitas assinadas pela dupla de chefs Marcelo Amaral e Ken Francis, ambos com diploma da Royal Thai School of Culinary Arts, na Tailândia. Não esqueça de pedir a pimenta à parte, ou você será obrigado a tomar baldes e baldes dos exóticos drinques da casa (não que isso seja um problema, claro.) Além dos temperos fortes, tome cuidado com outro ingrediente: o preço. É caro.
Curitiba é uma cidade cheia de padarias gostosas. Não são padarias no sentido 'padoca' do termo, mas quase cafés europeus, charmosos e aconchegantes. Conheci duas, Marcolini, que também funciona como restaurante, e Prestinaria, que tem como mérito não apenas o café da manhã delicioso, mas o fato de ter o registro do endereço www.pao.com.br . Não é pouca coisa.
Em relação à cultura, tenho que chamar a atenção para a livraria Bisbilhoteca, onde fiz o lançamento do livro 'Ping Pong'. É um espaço infanto-juvenil muito legal, que caberia em qualquer cidade do país (que tal em São Paulo, Cláudia?). A livraria não tem apenas um belo acervo de livros em várias línguas (francês e alemão, além de português, claro), mas um espaço para oficinas com crianças, contadores de histórias, etc. Para quem tem filho pequeno ou pré-adolescente, uma maravilha de lugar.
Além do Lagundri, comi em dois lugares bem gostosos: O Quintana, uma espécie de restaurante-cabeça onde até o cardápio tem toques de literatura, e o Oli Gastronomia, um moderninho que se tivesse a luz um pouco mais baixa seria perfeito.
Depois de tudo isso, um drinque no Hacienda para fazer a digestão. É um bar bem legal, com um cantinho onde se toma vinho como se estivesse em casa. Pena que no sábado à noite fomos expulsos do local porque os donos do bar tinham outro compromisso. Será que isso aconteceria em São Paulo? Não sei. Aqui todo mundo está sempre muito ocupado tentando ganhar dinheiro para ter outros compromissos.
O melhor passeio de todos, no entanto, é arquitetônico. Curitiba, que ficou mais famosa em todo o país graças aos projetos de Jaime Lerner (embora muitos o critiquem), tem um centro cívico bastante interessante, principalmente para quem se interessa por arquitetura modernista. O grande prédio da cidade, no entanto, fica ali do lado: o Museu Oscar Niemeyer, também conhecido por razões óbvias como 'olho'. São 35.000 metros quadrados de área construída, com várias salas de exposições, auditório, lojinha... e, claro, o prédio do Niemeyer, que é maravilhoso. Não gosto de todas as obras do arquiteto (o Memorial da América Latina é horrível), mas o 'olho' é realmente impressionante. O desenho é óbvio, infantil até. Mas quando se chega perto daquela estrutura gigante e se vê a força da sua forma, chega a ser emocionante.
Não sei não, lembrando do fim de semana na cidade para escrever esse texto... pelo jeito, acho que vou voltar em breve a Curitiba. Ou talvez seja melhor esperar o frio ir embora."

Mon Chinois

Melhor curta-metragem segundo o júri popular do Anima Mundi 2009

julho 27, 2009

Passagem marcante

Uma interinidade tão produtiva que, por causa do seu 'tamanho', foi pisoteada na primeira curva...
"A passagem de Deborah Duprat pela chefia da Procuradoria-Geral da República foi meteórica e intensa. Em 22 dias como procuradora-geral, ela desengavetou ação sobre aborto de anencéfalos e ajuizou outros processos polêmicos no Supremo Tribunal Federal sobre a Marcha da Maconha, grilagem na Amazônia e união civil entre homossexuais. A depender da vontade dela, o Supremo será palco de debates históricos nos próximos meses sobre questões enraizadas – e nem sempre discutidas – pela sociedade brasileira. Não bastasse isso tudo, Deborah Duprat, de quebra, entrou para a história: foi a primeira mulher a comandar a PGR.
Mas todo esse desempenho, por vezes apressado, tem um preço. Ela assumiu a PGR em 29 de junho e, três dias depois, sacou da manga uma inflamável Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental para que o STF reconheça a união estável de pessoas do mesmo sexo, inclusive com pedido de liminar. A ADPF 178 foi proposta como um passo à frente de uma outra ação mais antiga, cujo parecer da AGU delimitava o alcance da medida ao Rio de Janeiro.
Contra todos
Nesses 22 dias na PGR, a atuação mais ousada de Deborah Duprat talvez tenha sido no parecer favorável ao aborto de anencéfalos. Além da discussão extremamente complicada, uma vez que mistura saúde pública com crença religiosa, a questão é delicada dentro da PGR. Isso porque o principal defensor da proibição do aborto é Claudio Fonteles, ex-procurador-geral da República e primeiro nomeado a partir da eleição da categoria.
Fonteles foi o antecessor e principal apoiador de Antonio Fernando de Souza, procurador-geral que, há três meses, recebeu a missão de fazer o parecer da PGR sobre o aborto. Antonio Fernando, por sua vez, foi determinante na apertada eleição de Roberto Gurgel, que assumiu na quarta-feira (22/7) – daí o lastro da influência de Fonteles nos corredores da PGR até hoje.
Contrariando a posição do respeitado Fonteles, um notório defensor da doutrina católica, Deborah Duprat se adiantou e apresentou o parecer da PGR. Para ela, quem deve decidir sobre o aborto de feto sem cérebro é a mãe e não o Estado, nem a igreja. Ela aproveitou a brecha como procuradora-geral interina e esse entendimento agora é, oficialmente, a posição da PGR. “A antecipação terapêutica do parto na anencefalia constitui exercício de direito fundamental da gestante. A escolha sobre o que fazer, nesta difícil situação, tem de competir à gestante, e não ao Estado. A este, cabe apenas garantir os meios materiais necessários para que a vontade livre da mulher possa ser cumprida, num ou noutro sentido”, diz o parecer.
A procuradora também foi contra o governo. Deborah Duprat questionou a Medida Provisória 458/09, sobre a regularização fundiária da Amazônia. Assim como havia sustentado a oposição durante as votações no Congresso, Deborah Duprat disse que artigos da lei convertida favorecem os grileiros. “O Supremo deve declarar que o aproveitamento racional e adequado, aludido no preceito em questão, envolve também o dever de não provocar qualquer tipo de desmatamento irregular na área regularizada, bem como o de também recuperar as lesões ambientais causadas pelo ocupante ou por seus antecessores antes da regularização fundiária”. Para isso, a PGR entrou com uma ADI.
Maconha e transexuais
A defesa dos gays e do aborto foram apenas alguns dos tantos atos polêmicos de Deborah Duprat. No último dia à frente da PGR, por exemplo, entrou com uma ADPF e ADI para que o STF dê a palavra final sobre a licitude das manifestações favoráveis à legalização das drogas, em especial a Marcha da Maconha. O evento teve de ser cancelado em diversos estados, em razão de decisões judiciais que classificaram a marcha como apologia às drogas.
Para ela, defender a legalização da maconha é um exercício da liberdade de expressão. “O fato de uma ideia ser considerada errada ou mesmo perniciosa pelas autoridades públicas de plantão não é fundamento bastante para justificar que a sua veiculação seja proibida. A liberdade de expressão não protege apenas as ideias aceitas pela maioria, mas também — e sobretudo — aquelas tidas como absurdas e até perigosas. Trata-se, em suma, de um instituto contramajoritário, da minoria”, sustentou.
No mesmo dia que Deborah Duprat apoiou a Marcha da Maconha, ela também apresentou a ADI 4.275. Dessa vez, em defesa dos transexuais. “Impor a uma pessoa a manutenção de um nome em descompasso com a sua identidade é, a um só tempo, atentatório à sua dignidade e comprometedor de sua interlocução com terceiros, nos espaços públicos e privados”, afirmou. Por isso, ela quer que o Supremo garanta o direito de transexuais trocarem de nome mesmo sem operação.
Ações a granel
Deborah Duprat se movimentou para que o STF dê o entendimento definitivo sobre os benefícios aos contribuintes inadimplentes. Foi contra também restrições aos militares para o acesso à Justiça e criticou, ainda, a resolução do Conselho Nacional do Ministério Público para regulamentar os pedidos de grampos telefônicos. Em nome da liberdade artística, entrou com ação contra a regulamentação da profissão de música.
A procuradora-geral interina pediu ainda a inconstitucionalidade de lei paulista que cria regras para o uso de cão-guia. A lei obriga que o proprietário ou instrutor do cão seja filiado à Federação Internacional de Cães-guia, “em evidente ofensa aos direitos de livre associação”, segundo ela. Outra ADPF foi apresentada para que o conceito de pessoa com deficiência do ordenamento jurídico brasileiro seja o mesmo de convenções internacionais, cuja interpretação é mais genérica. Na ação, a PGR afirma que a lei brasileira é restritiva e denega benefícios de prestação continuada a um número significativo de pessoas que têm deficiência e vivem em condições de absoluta penúria.
Ainda é cedo para medir, de fato, o alcance dos 22 dias de Deborah Duprat. Mas a primeira procuradora-geral mulher já ganhou um prêmio pela atuação. O atual procurador-geral Roberto Gurgel, eleito pela maioria da categoria, nomeou Deborah Duprat vice-procuradora-geral. O cargo é promissor. Pode ter sido só coincidência, mas Gurgel e Antonio Fernando, antes de terem sido eleitos para chefiar a PGR, ocuparam o cargo de vice."
No Consultor jurídico por Filipe Coutinho (link no título)

julho 26, 2009

A distância ajuda

"COMO são bonitas as coisas vistas à distancia, e como perdem o encanto quando vistas de perto. Você já entrou num restaurante de luxo às 8h da manhã? Aquele lugar onde você vai toda linda tomar seu drinque, comer bem e até fazer um certo charme, de manhã é outro mundo, com cadeiras amontoadas em cima das mesas, a cozinha numa total desordem, às vezes até suja, e os empregados -a turma da manhã não faz rapapés, como os outros- esfregando o chão, passando álcool nos copos, e as latas de lixo cheias de flores murchas; uma deprê, eu diria.
Isso não acontece só com lugares, mas também com pessoas. Você acha lindo aquele intelectual charmoso, de camisa jeans, mocassim sem meias e olheiras imensas de tanto pensar nos mistérios da vida e na essência do ser humano.
Só que as razões de seu olhar tão denso podem ser outras: ele pode estar pensando no cheque especial estourado, no carro que está precisando ser trocado e na conta do cartão de crédito que deve vir altíssima, pois sempre pagou sem nem olhar, faz parte do personagem. E você, que imaginou razões mais românticas para tanta profundidade, quebrou a cara.
E depois de ter sido tanto tempo apaixonada por Sinatra, e ainda ser -o que é a morte, diante do amor?-, ler numa revista que ele usava uma peruquinha, é uma tristeza. Você sabia, como todo mundo, desse aplique, chamemos assim, mas não queria saber, porque quem ama não quer saber de nada, a não ser se for obrigada. E como seria Sinatra em casa? Passaria os dias cantarolando "My Way" e "Strangers in the Night", como você, em seus delírios, imaginava, ou era alguém meio ranzinza (me recuso a chamá-lo de velho), que reclamava da comida e passava os dias de pijama e robe, a léguas de distância do cantor de olhos azuis que fez seu coração bater tanto?
Se morasse com ele, não haveria lugar para a ilusão, e sem ela a vida fica bem sem graça. Quem já entrou em um estúdio de TV ou de cinema e assistiu a uma gravação ou filmagem se horrorizou ao ver o que acontece por trás das câmeras, e talvez nunca mais assista a uma novela ou, pior ainda, a um filme.
É aquele mundo de gente correndo, falando alto, o diretor tentando botar ordem na bagunça, e os cenários -ah, os cenários!- feitos de compensado e papelão, as flores de plástico, as atrizes com o roteiro na mão lendo alto suas falas, tudo de mentira, mentira na qual você e a humanidade sempre acreditaram. Nunca entre em nenhum bastidor de nada, para poder continuar acreditando no que vê. E aquele escritor que você adora?
Você, que nunca perdeu seus lançamentos, ficou na fila para pegar um autógrafo, e não perde um só dos artigos que ele às vezes escreve nos jornais, ficaria decepcionada se o visse diante do computador, dizendo "ah, estou sem assunto", ou "estão faltando 20 linhas e não sei como vou terminar". Seria uma decepção.
Ou nos atiramos de cabeça para o que der e vier, e é assim que, dizem, se deve viver, ou guardamos uma certa distância das coisas e, sobretudo das pessoas, para poder continuar preservando alguma ilusão diante da vida, Mas será por aí? E será que vale a pena? "

Danuza Leão na FSP de hj

julho 24, 2009

Da necessidade dos truques

"DE UNS tempos para cá, tornou-se comum o camarada morrer e não saber. Evidente, os outros "sabem", menos o próprio, que em tese e na prática devia ser o principal interessado no assunto. Vai daí, de repente descobri que um dos meus truques é fazer justamente ao contrário do que ficou estabelecido pelos atos, posturas, leis, decretos e regulamentos em vigor.
Por isso, decidi que morri no dia 1º de dezembro de 1981. Pode ser que muita gente acredite que morri antes desta feliz data para a humanidade, mas, para efeito pessoal, eu mesmo me decretei morto a partir daquele radioso dia de final de ano, lembro que fazia um sol que o Nelson Rodrigues classificaria como digno de rachar catedrais.
Em linhas gerais, e para fins particulares, estou morto e alguns ainda não sabem: amigos, parentes, credores e candidatos à Academia Brasileira de Letras, que são muitos e têm faro especial para essas coisas.
Pode parecer truque macabro, de péssimo gosto, mas tem lá suas vantagens. Não recebi qualquer tipo de homenagem, dessas que comumente se prestam aos defuntos. Não provoquei nenhuma lágrima pela minha ausência, nenhuma prece pela minha alma (e de nada adiantarão as rezas pela minha salvação), não mereci a módica linha impressa no obituário das folhas.
Aparentemente, tudo continuou como antes, mas eu sei que estou morto. Não tenho mais nada a ver com o que aí está, a vida, o mundo, as mulheres, o inverno, onde enterraram Michael Jackson, a crise no Senado, a faina humana e inglória. Bem verdade que os estabelecimentos bancários não aceitam essa morte de moto próprio, embora aceitem a hipótese de eu me espatifar por aí dirigindo minha própria moto. Moto que por sinal não tenho, justamente para não morrer de moto próprio.
Qual a vantagem de ter um truque? "Quid prodest?" -perguntariam os latinos. Respondo: é uma sensação tranquila essa da gente se saber morto, clandestino morto, insuspeitado morto na tripulação do mundo. Não me sinto mais comprometido com nada -mas continuo como testemunha do espetáculo, não mais cúmplice nem vítima.
Enquanto vivi, evidente que vi eventos extraordinários que se transformaram em ordinários. Um deles foi me tornar cronista de jornal sendo obrigado a dizer coisas quase todos os dias e sem ter nada a dizer em meu interesse ou no interesse dos outros. Isso sem falar no remoto ano em que levei originais mal datilografados a um editor e ele me disse: "Eu topo!".
Bem verdade que então era ainda vivo mas suspeitava que a minha vida entrava na fase vegetativa.
Lembro um episódio da vida de Napoleão. Quando foi coroado na Notre Dame, tendo obrigado o papa a se deslocar para Paris a fim de presidir a solenidade, sua mãe Letícia ocupava um camarote ao lado do altar-mor.
Ela viu aquela pompa toda, aquele absurdo, seu obscuro rebento nascido na distante Ajácio sendo sagrado imperador do mundo.Virou-se para sua filha Paulina e comentou: "Se o pai de vocês visse isso!"
Carlo Buonaparte já havia morrido de fato, não teve vida bastante para assistir às estripulias do filho. Mas se visse?
Taí a chave do truque. Ao contrário do pai de Napoleão, continuo pagando imposto de renda e demais posturas federais, estaduais e municipais, vendo muita coisa interessante sem a obrigação de tomar partido, de gostar ou de desgostar, de sofrer ou de encontrar prazer com a desdita ou a glória dos outros.
Dessa forma, me aproximarei, concretamente, daquele personagem de Gorki que muito gosto de citar. Era um bêbado que falava demais ou ficava calado demais. Um dia explicou: "Eu me aborreço em voz alta e me distraio em silêncio".
Aliás, essa necessidade de ter um truque vem também de Gorki: um personagem que, ao se suicidar, deixou um bilhete para o colega de quarto, um vagabundo tão miserável quanto ele, explicando por que se matava: "Faltou-me um truque".
Sem truque, é difícil, quase impossível aguentar a barra da vida. Com meu truque, não só aguentarei a barra da vida -pesadíssima- como a barra da própria morte -com seu diáfano peso de nada".

CONY na FSP de hoje

julho 23, 2009

Centenário

Estive no Theatro Municipal num fim de semana em que se comemorava os seus noventa e alguns anos. Para o evento, o Theatro estava aberto ao público (sem bilheteria) durante todo o dia e os mais diversos tipos de espetáculos se sucediam, a cada duas ou tres horas. Por iniciativa e interesse próprio, jamais ficaria na fila que se formava em torno do teatro, mas estava acompanhada de amigos e um deles fazia questão de entrar para conhecê-lo. Enquanto se esperava, aconteceu de tudo. Não era diferente das filas para compra de ingresso para o sambódromo, jogo no maracanã ou matrículas nas escolas públicas que a TV mostra...enfim, estávamos no Rio de Janeiro. Observando aquela gente, passei a temer pelo teatro: uma vez lá dentro, como se comportariam? Depois de mais de uma hora de espera, entramos calmamente sem atropelos. Acomodados, fez-se o mais absoluto silêncio e o ballet Romeu e Julieta (com Ana Botafogo) parecia estar sendo apresentado para a mais educada das platéias. Não sei de qual espetáculo gostei mais: do ballet ou do comportamento dos cariocas. No Rio existem umas "ilhas" onde se revelam vestígios de uma civilização ainda não " dominada". O metrô é uma delas. Nunca vi mais limpo, em lugar nenhum do mundo. Devem existir outras que não conheço, pois pelas razões comuns à maioria, evito a cidade.

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro fez cem anos

e, mesmo fechado para reformas, comemorou o seu centenário em grande estilo, com um concerto que trouxe as duas das vozes mais incensadas das últimas décadas: o tenor argentino Marcelo Álvarez ( em cena na ária Pourquoi me reveiller, do ato III da ópera Werther, de Jules Massenet. Montagem de 2005 da Ópera de Viena, regida por Armin Jordan. Como Charlotte, mezzo-soprano Elina Garanca)
e a soprano coreana Sumi Jo
em bela interpretação da ária Je veux vivre, da ópera Roméo et Juliette, de Charles Gounod. Concerto realizado em Seul, 2003, com a Janacek Philharmonic Orchestra regida por Paolo Olmi.
O repertório do concerto, dirigido pelo maestro Roberto Minczuk à frente do Coro e da Orquestra Sinfônica do Theatro, foi integralmente francês e brasileiro. Sumi Jo e Marcelo Álvarez interpretaram as árias e duetos de óperas de Gounod (a florida Je veux vivre, para soprano, da ópera Roméo et Juliette), Massenet (a apaixonada ária para tenor Pourquoi me réveiller, da ópera Werther), Bizet (Carmen) e Carlos Gomes (Lo Schiavo e Il Guarany). Orquestra e Coro executaram Francisco Mignone, Bizet, Ravel e os hinos nacionais brasileiro e francês (La Marseillaise na versão orquestral de Hector Berlioz). O Balé do Theatro e seus principais bailarinos participam de coreografias de Dalal Achcar para a Floresta Amazônica, de Villa-Lobos, e para a Fête Polonaise, de Chabrier.
O link da obra de Eliseu Visconti vc acessa clicando no título.