maio 03, 2009

Como um romance

Quando postei ontem (Daguerre) não pude mostrar o melhor, por conta da limitação na conexão. Um castigo! Faltou trazer o colorido das frutas, vieram apenas cerejas e os seus, quase gêmeos, tomates. Os lindos aspargos, as enormes alcachofras, os produtos do Périgord, o que se faz à base de mel/própolis, foram deixadas para trás.
Não mencionei também a pequena livraria, onde encontrei Comme un roman, do Daniel Pennac, de quem não se acha quase nada por aí e aqui tem muitos títulos. Como sempre irreverente, neste ele escreve sobre os direitos imprescritíveis do leitor: o direito de não ler, o direito de saltar páginas, o de não terminar um livro, o direito de reler, de ler qualquer coisa, de ler em qualquer lugar, de ler em voz alta... O direito de grappiller, que traduzo como beslicar, e que seria abrir o livro em qualquer página, mergulhar nele sem o risco de se decepcionar. Quem pratica sabe que existem alguns que se prestam muito bem a isto. Diz ele: “Afinal quando não se tem tempo nem meios para passar uma semana em Veneza, por que se recusar o direito de ficar por uns cinco minutos?”. É isto mesmo. Por que não?
Outro direito do leitor que ele aponta é o bovarysme, uma doença textualmente transmissível que seria, grosso modo, a satisfação imediata e exclusiva de nossos sentidos...
O livro me pegou no primeiro parágrafo que traduzo livremente:
“O verbo ler não suporta o imperativo. Aversão que compartilha com alguns outros: o verbo “amar”....o verbo “ sonhar”....A gente pode sempre tentar . “Ame-me!” , “ Sonhe!”, “Leia!”, “ Leia!” O resultado será nenhum....”
Troquei Versailles e o boudoir da Marie Antoinette, que está na moda desde o filme da Copolla, por ficar aqui, na minha cama, exercitando os meus sagrados direitos.

2 comentários:

Anônimo disse...

Quando vi o título da postagem, pensei logo em Daguerre e, é claro, em daguerreótipos. Estive, há muitos anos, no Musée Daguerre em Châlons-sur-Saône, e de lá ainda fui a uma inesquecível degustação de espumantes!!!!! Que saudades!!! Também de ti, é claro!!!!!!!! TL

Anônimo disse...

FINALMENTE V ENCONTROU ESTE LIVRO DO PENNAC!
EU JA HAVIA COMENTADO SOBRE ELE, LEMBRA-SE?
é GENIAL, NAO?
BIA