outubro 27, 2013

Lemon Tree, um filme com duas dimensões


"Com vários anos de atraso, vi Lemon Tree(2008), filme do diretor israelense Eran Riklis (A noiva Síria). O longa conta a história deSalma Zidane(Hiam Abbass), uma viúva palestina que vive do cultivo de limões na fronteira entre Israel e a Cisjordânia. Sua vida é completamente transformada quando o ministro da Defesa de Israel, Israel Navon (Doron Tavory) se torna seu vizinho. Por ordem dos serviços de segurança, a Justiça militar israelense determina a destruição dos limoeiros, e Salma recorre à Justiça de Israel para reverter a decisão.
O filme é muito interessante pois é possível perceber suas duas dimensões. Ao mesmo tempo em que conta a bizarra história (baseada na história real do ex-ministro Shaul Mofaz), Lemon Tree é uma representação do conflito como um todo. Cada personagem encarna uma das partes.
Salma Zidane é o povo palestino, que sofre em qualquer circunstância. Seu advogado, Ziad Daud (Ali Suliman), é o palestino que ama seu povo, mas que está pronto para integrar o establishment local. Abu Kamal (Makram Khoury) é o líder deste establishment e representa a liderança palestina, capaz de oferecer apenas opressão social e nenhuma perspectiva para seu povo.
O agente de segurança Gilad (Liron Baranes) é a representação dos serviços secretos israelenses, que agem e “preferem não pensar”. A mulher do ministro, Mira Navon (Rona Lipaz-Michael) representa o israelense comum, que se sente culpado e lastima o drama palestino, mas que não faz nada para mudar isso e, eventualmente, deixa o país.
Israel Navon, o ministro, é Israel, o Estado. Ele age de forma truculenta, sem pensar na repercussão que suas ações terão diante do povo palestino e, segundo as palavras de sua mulher, “já matou muitos palestinos”. A manifestação mais clara de que Israel Navon é o Estado de Israel é a frase proferida por ele durante diálogo com sua mulher: “Você sabe, é como meu pai dizia: ‘Israel só terá paz quando seus vizinhos tiverem esperança’”. É, no meu entendimento, uma alusão ao pensamento de David Ben-Gurion, um dos “pais” do Estado de Israel, cujo legado é envolto em debate e polêmicas, mas que entendia a ligação dos árabes com aquela terra e defendia a cooperação entre os dois povos".

Um comentário:

Marlei Caardoso Pinheiro da Costa disse...

Gostaria d ever o filme.


Li a " Cicatriz de Davi" conta sobre o conflito dos dois povos.

Desejo domeu coraçao= A terra é suficiente para os dois povos = enquanto eles brigam = enriquecem outros povos. Judeus+Palestinos= Dois povos indestrutiveis.