abril 22, 2011

Ourivesaria portuguesa

"Os ouros no peito da minhota não são apenas um enfeite ou uma vaidade - são o seu melhor símbolo de riqueza. É um esplendor, porque “o peito da minhota é um céu estrelado”. De tal modo assim é que D. António da Costa, em “No Minho”, afirma: “Pode falar-se em inscrições, em acções de bancos, em emprestar dinheiro a juros, em enterrá-lo no quintal, que tudo isso é falar-lhe grego. O coração da minhota adora o seu namorado; a imaginação da minhota, sonha com o seu ouro.” 
As peças de ouro popular com antepassados mais longínquos são as contas. Nas civilizações muito antigas e primitivas, em que se desconhecia a tecnologia do metal, usavam-se os colares com as mais variadas pedras e pérolas - estas, não tanto pela sua beleza, mas pela forma esférica. Posteriormente, irão aparecer contas maciças dos mais variados metais. A mais antiga conta em ouro maciço encontrada em território português data do 3º milénio a. C. e foi descoberta na zona de Sintra. As actuais contas de Viana - ocas, e que antigamente ainda eram bem mais leves - são descendentes directas das gregas, fenícias, romanas e etruscas, sendo estas últimas as que mais se assemelham às de agora. A granulação ou polvilhado e a filigranação envolvente não passavam dum mero adorno, pois o que sempre prevaleceu foi a sua forma esférica e arredondada. Esta forma é encontrada, para além das contas, nos brincos parolos ou de chapola. O colar de contas era adquirido pela mulher de Viana antes do tão desejado cordão. Era muitas vezes comprado conta a conta à custa das poucas economias dessas jovens, em geral provenientes da venda de ovos ou do comércio de frangos. As contas usavam-se em número variável, consoante a localidade, mas nunca, como agora, a rodear completamente o pescoço. As contas iam só até ao meio do pescoço ligadas por um fio de correr. Podia aumentar ou diminuir-se o colar consoante a necessidade, e este terminava na parte de trás com um “pompom”. O fio era feito manualmente, em algodão, e poderia ser vermelho, amarelo ou azul. Os “pompons” eram das mesmas cores ou com fios mesclados. O colar de contas raramente era usado sem uma “pendureza”, normalmente uma borboleta, uma cruz de canovão raiada com resplendor de filigrana ou uma custódia. 
Veja mais no  Museu da Ourivesaria seguindo por   aqui ou visite-o em  Viana do Castelo. Uma linda cidade!!!

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