junho 08, 2009

IR E VOLTAR

Houve um tempo em que a idéia de viajar era libertária. A “ estrada” simbolizava o “ não lugar”, em que graças ao deslocamento se escapava das regras e convenções. Ainda que viajar tenha perdido grande parte deste significado e, consequentemente, de seu charme, o fato de ir a um lugar distinto do habitual provoca grande expectativa no ânimo de quem viaja.
Mas os tempos são bem outros. Depois que se descobriu no turismo um bom negócio, parece que o mundo inteiro está sempre se deslocando de um lugar para o outro, em bandos, hordas, um “gado” por assim dizer, sob às ordens de um guia. A minha natureza de "ovelhadesgarrada" não se adapta bem a isto.
Mas seja por prazer, fuga ou necessidade, só ou com amigos, viajar segue tendo o seu fascínio. E a viagem começa muito antes. Começa quando escolhemos o (s) destino (s), quer seja um lugar novo a descobrir, o retorno a um já visitado ou mesmo “aquele” para o qual, não importa a razão (já que às vezes nem sabemos), sempre retornamos.
Basta a idéia, o projeto de trocar uma cidade por outra ou de mudar de país , ver uma paisagem diferente, para animar nosso espirito diante do imprevisivel, do novo!
Este impulso ao desconhecido não nos leva a um mero afastamento geográfico, não se vai apenas de um lugar para outro, se vai além, na medida em que viajar nos torna capaz de perceber novas perspectivas, de ver o mundo de outro modo, de adotar um outro ponto de vista ... Vivemos e fazemos coisas que não faríamos, vamos a lugares que no nosso dia a dia não frequentamos, vivemos outras vidas de outros modos que não correspondem ao que fazemos na nossa massacrante e empobrecedora rotina. Viajar permite viver outras vidas não só fora, mas dentro de nós mesmos . O percurso acontece em ambos os universos e o melhor roteiro de que a gente pode se valer é ver pelos olhos dos que ali vivem (ou viveram) as suas vidas: nas ruas, nos cafés, nos passeios, nos parques ou em suas casas. Nem que sejam as vidas de personagens literários, estas também nos levam a uma viagem ao nosso interior....Seja qual for o tipo de viagem ou o motivo que nos leve a partir, uma coisa não falha, para o bem ou para o mal, não regressamos tal como fomos .
Um kir royal para brindar o reencontro com amigas, num café da rive gauche. Linda tarde de um domingo primaveril...

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