maio 17, 2009

Sobre pães e outras

Um povo que come pão no café da manhã, no almoço e no jantar tem mesmo que valorizar os seus artisans boulangers . La Ville de Paris promove todo ano o Grand Prix de la Baguette e premia com 4000 euros o vencedor. A festa acontece em março e este ano o vencedor foi Franck Tombarel de 38 anos que, além de boulanger, é pâtissier no Le Grenier de Félix.
O pão é festejado por toda a França numa festa que acontece no meio do mês de maio. Segundo eles, a idéia é “ fazer 7 dias de honras a este produto são, natural e que acompanha, cotidianamente, cada uma de nossas refeições”. Assim, a Fête du Pain começa na segunda feira que precede o dia 16 de maio, dia de Saint-Honoré , patrono dos padeiros, e termina no domingo seguinte . Este ano o evento acontece entre os dias 11 e 17. Cada padeiro põe cartazes anunciando sua participação e anima sua padaria ao seu gosto: faz promoções, degustações, visitas aos fornos, confecção de uma especialidade...
O pão daqui tem qualidades nutricionais excepcionais. Um estudo sobre a sua composição nutricional recomenda o consumo diário de 250 gr em média. Os nutricionistas aconselham aumentar o consumo dos glicidios complexos, contidos no pão, para evitar a obesidade. O consumo da quantidade recomendada de pão (na França) por dia retarda o retorno da sensação de fome e, sem nos darmos conta, diminuimos o consumo de açucar e gorduras!
Ah! tem mais uma coisa. Aqui, não é qualquer pessoa que pode ser chamado “boulanger” nem qualquer venda de pão pode ser considerada padaria. O uso do nome é regulamentado e só pode ser utilizado por quem é profissional e assegura a fabricação tradicional do pão no mesmo lugar da venda.
Ainda no tema padaria: quando estou na fila (que anda rapidissima) fico escutando aquele festival de “bonjour”, “merci”, “au revoir” e “bonne journée” ( repetidos maquinalmente, mas considerados uma sagrada questão de politesse), enquanto observo - já sem espanto - que, em meio a tanta civilização, a mão que recebe o dinheiro é a mesma que pega nos pães e en passant, faz carinho no chien da cliente que, enquanto a madame conversa, fuça e baba no pão que ela recebeu, invariavelmente, desembrulhado. Como não é caso para a vigilância sanitária, vou para casa feliz comer o meu croissant, com sabor de euros.
Em tempo: o que disse acima, não se aplica ao croissant. Que engorda!

Nenhum comentário: