maio 28, 2009

Ainda Paris

A GEOGRAFIA DO BEIJO NA FRANÇA

Pedras e cogumelos
"Houve um tempo em que a pedra foi símbolo de civilização, conforto e segurança. Era mais idolatrada que as árvores, considerada avanço sobre a indomável, caprichosa e ameaçadora natureza. A beleza urbana de Paris são suas construções, contrário a cidades como Rio e São Francisco, admiradas pelas topografias. Paris se preservou pela pedra talhada, a unidade de formas arquitetônicas harmônicas, respeitosas da proporção humana. Por que? Porque a capital francesa foi das primeiras cidades européias onde a pedra substituiu a madeira. Porque a pedra sobrevive ao incêndio, inimigo devastador das metrópoles antigas. A madeira incentiva, propaga as labaredas. Mas a ausência da pedra criou o berço de ouro de um dos produtos mais apreciados à mesa: o cogumelo. O champignon de Paris, o fungo de sabor único entre mais de 10.000 tipos catalogados — cientistas estimam que 1,5 milhão de outras espécies restam no reino do desconhecido.
Por ordem do imperador Napoleão III, sobrinho de Bonaparte, o Barão Georges-Eugène Haussmann comandou entre 1853 e 1870 a maior remodelação urbana de Paris. Além de embelezar e tornar Paris mais imponente, o “artista demolidor” organizou a simetria de residências e comércios, mudou a geometria das ruas, antes sinuosas e estreitas. Ao traçar largos bulevares, os grandes eixos da capital até hoje, ele possibilitou o uso de canhões contra as revoltas populares e complicou o uso de barricadas. Durante a empreitada de 17 anos, o Barão Haussmann precisou de pedras. Muitas. A retirada do mineral em pedreiras dos arredores de Paris, deixou nos seus lugares, cavernas e grutas, onde a temperatura entre 14 e 16 graus Celsius e 80% de umidade relativa são constantes durante todas as estações.
As grutas se tornam abrigos para animais de criação. Muitas delas foram convertidas em cavalariças naturais. E cavalo não vive bem sem feno. E cavalo faz suas necessidades fisiológicas sem respeitar as regras de higiene dos seus criadores. Quer dizer, imediatamente seguido da vontade e por toda parte, inclusive em cima do feno. A terra do interior das grutas, rica em calcário, os excrementos misturados com o feno, a temperatura constante, a umidade elevada e a ausência da luz solar, todos juntos são os genitores do champignon de Paris.
Tortulhos comestíveis podem crescer em outros ambientes, mas são nas pedreiras abandonadas que o cultivo do champignon de Paris, de rara força aromática, pode ser feito de maneira extensiva e controlada. É o caso da Champignoniere Du Clos du Roi, em Montigny Les Cormelles, 50 quilômetros ao norte de Paris. Lá, Gregory Spinelli, de 36 anos, comanda 14 braços para extrair diariamente uma tonelada de cogumelos cujo quilo é vendido a 5 euros nas feiras livres de Paris. A França, quarto produtor mundial, colhe 200.000 toneladas por ano — 6 em cada 10 cogumelos consumidos no mundo é de origem chinesa..."

História da pedra e do cogumelo do blog do Antonio Ribeiro

AZ
Brasileiros tem fama de descobrir coisas boas pelos quatro cantos do mundo por onde andam. Tenho amigos que, mesmo não sendo brasileiros, dizem ficar sabendo de lugares bons para compras, restaurantes etc. através das “dicas” dos brasileiros que não só vão (neste dia tinha brasileiros lá) como gostam de contar que foram. Olha eu aqui!
Mas é que o Alcazar é tão bonito e diferente do tradicional parisiense que me deu vontade de comentar. Além de a cozinha ser ótima, a decoração do restaurante no térreo e do bar que fica no mezzanino é linda e os quadros bem ousados. Sem contar as projeções em preto e branco dos clássicos românticos do cinema. Muito inspiradas e inspiradoras ("C' est beau l' amour a Paris!") Depois que o bar fecha, o que por aqui nunca acontece muito tarde, a festa começa no subsolo. No dia em que lá estivemos seria uma noite de salsa. Não ficamos para dançar, para tristeza da Bia.

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