abril 07, 2009

Cozinha de fusão

Domingo jantamos num restaurante chamado Bhuda-chill, em Amorim- Póvoa de Varzim (pronunciando afrancesado, povoá de la varzin, fica mais chic!). Abaixo do nome do restaurante se lê 'cozinha de fusão'. Talvez se a expressão estivesse em frances não me soasse estranha, sobretudo no tema gastronomia. Mas assim, em portugues...Pelo sim pelo não, quando cheguei em casa não só abri o site do restaurante (lindíssimo, vejam clicando o título), como aproveitei para me informar. Pois não é que os portugueses são - ou se consideram - os criadores da “cozinha de fusão”! Sobre o tema, fiquei sabendo que o termo cozinha de fusão é utilizado desde que haja misturas de produtos ou técnicas de regiões ou países diferentes. Não seria tanto uma combinação e uma mistura de ingredientes, mas especialmente um encontro de culturas que cria pratos naturalmente novos. Esta mistura de culturas manifesta-se de tempos a tempos em criações culinárias verdadeiramente novas e exultantes. Mas o mais importante, e ainda mal inventariado, são as receitas que perduram, que entram na tradição, independentemente da consciência ou contribuição direta para os conceitos de cozinha de fusão. A cozinha de fusão seria um dos processos naturais pelos quais as cozinhas evoluem que, apesar de “propagandeada”, nem sempre tem a "retaguarda cultural" que o assunto merece. Li ainda que um grande cozinheiro francês que se instalou no Brasil e esteve em Portugal "a apresentar" a sua cozinha de fusão, disse haver sido o primeiro a divulgá-la entre o Brasil e a Europa (querendo dizer a França). Os portugueses não só não concordaram com esta afirmação como pediram explicações. Pelo que pude concluir, não só na França o assunto gastronomia é levado a sério...
O cardápio (que aqui se chama ementa) está disponível no site. Pedimos fondues de frutos do mar e de carne. As entradas eram qualquer coisa de maravilhosas e a bebida foi sangria. De champagne, bien sûr!
Isto é que é (con) fusão!

2 comentários:

Unknown disse...

Ser o pai ou mãe da história é sempre o que se quer. Falar em cozinha de fusão, aquela assinada por chefes que se esmeram ao juntar culturas, mais do que ingredientes, me faz lembrar da culinária brasileira, verdadeiramente fundida por três diferentes origens culturais, africana, europeia e amerindia, que delícia... Vai um acarajé ai?
Bjão.

Anônimo disse...

Pois é, Sebas tem razão. E ao mesmo tempo, temos de nos lembrar mesmo da contribuição que os portugas trouxeram, com suas mil e uma descobertas, trazendo e levando costumes. Antes da irritante Glória Peres[arrrrgh], eles já haviam descoberto espaços na Índia, no Japão, no atual Timor Leste, e certamente ajudaram a fazer a difusão e a confusão da fusão. Mas outros povos também fizeram isso, creio eu. Os árabes por exemplo. [Não se pode dizer o mesmo dos ingleses, com sua triste culinária...] Mas o que é bom mesmo é comer bem. Ou simplesmente comer. Tenho muita pena de quem não tem o que comer.