Ontem não visitei St Jean de Luz. Fui protelando para depois de meio dia, argumentando (para meus botões) que St Jean estará onde sempre esteve, acabei ficando. Não fui para lugar nenhum. É para o que serve não ter compromisso com nada nem com ninguém. Só para isto. O que não é uma grande vantagem.
Fiquei lendo os jornais em que, fora as mesmices de sempre, tinha a coluna que postei (abaixo), a propósito da controvertida figura que foi o Clodovil e, de quebra, comenta o monólogo do meu queridinho Contardo, que acaba de estrear em Sampa.
No jantar da véspera, tinha ouvido uma descriçao tão apaixonada das “corridas” que, se fosse temporada, ia fazer tudo para comparecer a uma plaza de toros . Nunca teve qualquer significado para mim as cenas que até hoje só vi no cinema ou, en passant, na TVE. Nunca alcancei o sentido que podia existir num "espetáculo" que fascinava pessoas como Picasso, Hemingway (cujas narrações, para mim, não foram tão envolventes) ou aqueles anônimos (a maioria homens) que se vê nos bares “temáticos” em Madri. Vidrados nas telas das TVs, estrategicamente posicionadas, me levavam a pensar como os homens tem mesmo certos comportamentos esquisitos....
Mas a emocionante descrição das corridas a que me refiro foi feita por uma mulher. É certo que não se tratava de qualquer mulher, nem de uma mulher qualquer, a se referir à corrida de toros como uma luta ferrenha e mortal “entre a razâo e a emoção”. E ela o fazia com tanta empolgação que só não consegui abstrair que os envolvidos eram um homem e um touro, porque a presença do sangue, muito sangue, não era omitida, mas a emoção se sobrepunha a tudo!
Foi um momento único, daqueles que merecia ter sido gravado. Não foi uma simples conversa. Coisa rara de acontecer, me mantive calada diante da expressiva descrição e a riqueza de simbologias e significados extraídos daquilo que para muitos não passa de uma brutalidade.
Para que não se perca na memória, registro que o assunto derivou para as corridas quando falávamos de filhos e emoções e ao que elas podem nos levar.
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