As quaresmeiras não estão nem aí para o calendário e já tingiram de lilás a Serra do Mar. Na cidade, a paisagem não mostra nenhum vestígio da estação. Nem sinal de sol. As "polaquinhas", encapotadas ( algumas de botas altas), desfilam suas roupas escuras pela Comendador em direção ao calçadão, à praça Osório ou dispersando-se por suas travessas. Hora do almoço. Da sobreloja do Edficio Asa observei este ir e vir, enquanto lembrava de outros verões. Desci para o café da esquina da Cândido Lopes. Novo posto de observação e de relembranças... As férias nos meses de janeiro/fevereiro eram muito disputadas. Acabavam sendo definidas através de sorteios. Mas sempre optei por férias nas meias estações. Eram mais adequadas aos meus interesses... Ir para Matinhos ou Guaratuba nunca foi meu sonho de consumo.
Ao meio dia a temperatura chegou a vinte e dois graus. Pelo sim, pelo não, ninguém se arrisca a por pernas ou pés de fora. À tardinha, invariavelmente, volta a esfriar, isto se, pra completar, não acabar chovendo. Até hoje mantenho o hábito e trago sempre um guarda chuva na bolsa. Essa é Curitiba.
Naquele tempo circulava uma piadinha infame. Dizia-se que as estações seriam duas: o inverno e a rodoferroviária. Ficou desatualizada .
Curitiba perdeu mais do que isto. Da tal da qualidade de vida tão alardeada pelos que diziam pretender fazer dela uma cidade de “ primeiro mundo” , nem que fosse à custa de devolver os pobres que chegavam sem moradia e emprego, resta pouco. No trajeto que fiz até o centro encontrei umas tres ou quatro pessoas dormindo na rua. O “ resgate social” não existe mais ou não dá conta de recolhê-las ? Havia ainda a “linha do sopão” que passava, bem mais tarde, distribuindo sopa (inclusive para os garis) e recolhia os semtetos (não sei se escreve assim) mais resistentes para o albergue. O frio não era para brincadeira ...
Por algum tempo, acreditei que aqueles propósitos de fazer de Curitiba uma cidade habitável, também não eram de brincadeira. Hoje a cidade ficou igual as outras. Só o provincianismo dos curitibanos faz com que insistam em acreditar que a cidade em alguns aspectos não seja , hoje, até pior do que muitas.
Melhor nem comentar....
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