Lendo os blogs da BRAVO! onde, dentre outros, se encontra o do Paulo Roberto Pires, deparei-me com esta que bateu comigo de imediato. Guardo um monte de "caderninhos" aos quais se juntam agendas de todos os tipos, feitios e temas...Resistem a todas as "sessões desapego" que promovo. Aparece sempre uma gavetinha disponível para eles. Todos meio usados. Quando comecei o blog cheguei a pensar que eles desapareceriam naturalmente, por desnecessários. Ledo ivo engano. Não posso prescindir do Moleskine onde tenho anotações preciosas para viagens (atuais e futuras), o de telefones (mesmo tendo a agenda no cel) e endereços (gosto de surpreender meus amigos com um cartão ou um mimo enviado pelo correio). Em outro, faço anotações de alguns aniversários (tenho que cuidar para não repetir os presentes!), registro títulos de livros e filmes que preciso ver, pensamentos, frases...Este ano ganhei da W. com imagens do Vetriano e com aquele elástico fechando! No meu caso, anotar não é vício, mas necessidade. Se tiro o caderninho da bolsa, acabo me valendo até de guardanapos. A propósito, estou com um fixado no painel em que está escrito "amarando" "amarandano". A falta que faz um caderninho..."O que leva um ser humano a ter em casa uma gaveta cheia, entupida, de caderninhos em branco? Moleskines, é claro, mas nunca suas imitações, quase sempre deprimentes. Outros sem grife (nem pretensão, o que é fundamental), mas cheios de personalidade. Alguns lindos e péssimos para escrever; outros meio feiosos e muito úteis. É muita página em branco mas, sinceramente, tenho gostado tanto delas, imaculadas, quanto das tantas outras, cheias, com que convivo diariamente.
O fascínio pelo caderninho é ambíguo. Ele representa sempre a possibilidade de escrever alguma coisa. Mas, às vezes, pode intimidar: um daqueles caderninhos clássicos, capa dura, fechada com elástico, sugere que se escreva nele algo de alguma forma “importante”. Por isso, pelo menos para mim, eles vão envelhecendo, amarelando, virgens como vieram o mundo.
Joan Didion, que ao que tudo indica vem usando bem os seus há muitos anos, lembra que, mais importante do que aquilo que se anota, é o próprio vício de anotar. Diz ela no delicioso “Sobre manter um caderninho de notas”: “O impulso de anotar coisas é particularmente compulsivo, inexplicável para quem não compartilha dele, útil apenas acidentalmente, apenas secundariamente, assim como toda compulsão tenta se justificar”.
O caderninho é, sempre, um caderno incompleto. Abre-se um novo, por exemplo, quando se sai em viagem. Ali podem ir dicas, telefones e endereços, listas de presentes. Eventualmente, anota-se algo em um museu (embora para mim seja um mistério o que tanto essa gente escreve numa exposição), mata-se um tempo morto rabiscando ou, até, quem sabe, nasce ali algo que preste. O problema é que, ao voltar para casa, constata-se que ainda faltam umas 40 páginas para o bichinho acabar. Na dúvida entre misturar uma lista de supermercado com temas supostamente mais nobres, lá vai para a gaveta mais um “meio usado”.
Nunca fui de anotar em livro meu nome, data e lugar onde comprei. Mas acho que seria divertido fazer isso nos caderninhos desde que passei a visitar tantas papelarias quanto livrarias. Fico imaginando toda uma prateleira cheia de cadernos vazios, tendo como epígrafe estas estranhas informações – e só. Paul Valéry dizia que um escritor se mede também pelo que não publica; penso que também poderia se avaliar pelo que não escreve. Assim sendo, já tenho prontinhas as minhas obras completas."
Um comentário:
Haaaa !!!! Zelinha....que delícia ler o seu blog.
As mensagens são como perolas raras no meu dia a dia tão árido e por isso ávido de cultura e de boa leitura.
Você escolheu uma ocupação preciosa, pelo menos para mim. Os e-mails, nem sempre consigo abrir mas o blog leio e releio toooodinho.
Hoje me marcou a merecida citação ao pai da Beatriz. A propósito, você vai ao casamento do filho dela em Curitiba ? Estou pensando em ir. Será um boa oportunidade para rever todos.
rebeca
Postar um comentário