Ontem amanheci leve, saltitante como um passarinho. Eu que andava meio perdida, acordei depois de um sonho muito bom. Alguém me levando pela mão para um lugar que eu não precisava me preocupar qual seria . Assim, simplesmente, indo, me deixando levar como nunca me permiti. Uma sensação de entrega, confiança naquela mão que me conduzia. Não sou dada a buscar interpretações para sonhos. Acho isto uma bobagem. Mas o sonho me fez pensar que se eu tivesse alguma vez cedido o controle e me deixado levar.... quem sabe não me sentiria melhor. Responsável pelas decisões seria quem me levou ou deixou de me levar. Não sempre eu, sozinha, arcando com as consequências delas, pagando o preço pelos erros. Os últimos dias foram muito atípicos e cheios de sentimentos confusos. A minha autocomiseração chegou a níveis bem elevados. A luz vermelha acendeu quando me lembraram de voltar à terapia .
Tenho que admitir que uma parte do que aconteceu tem a ver com a maneria como conduzo meus relacionamentos, com a necessidade de me sentir querida e com esta busca de felicidade como ideal. Tudo isto junto. E ainda tenho a pretensão de achar que entendo alguns processos e sentimentos, que sei lidar com eles. Continuo, equivocadamente, buscando alternativas fora de mim. Acreditando que os outros é que dão sentido e complementam a minha vida...
Ficando mal por não ter “um projeto” de vida, tenho me esquecido de, simplesmente , viver. Acho que é disto que eu gostaria.Viver!
3 comentários:
Que goste daquilo que escreveu
Que seja o início do gostar de uma mudança
Atendendo ao que escreveu:
“com a necessidade de me sentir querida e com esta busca de felicidade como ideal.”
Acho que o seu mal não vai por aí.
Muita gente a estima e admira.
Na minha leiga e modéstia opinião
O cerne da questão pode passar por aqui
“ Alguém me levando pela mão para um lugar que eu não precisava me preocupar qual seria . “
Vejo nesta frase uma fenda no granito ( quanto à possibilidade da existência do outro, entenda-se) desse seu eu,
O que acho óptimo,
Apesar de no final do texto, continuar a interrogação se os outros “Continuo, equivocadamente, buscando alternativas fora de mim. Acreditando que os outros é que dão sentido e complementam a minha vida...”
Podem não dar na plenitude, mas que ajudam um pouco, ajudam.
Já que surgiu essa fenda, a hipótese de alguém entrar na sua vida,
Seja permissiva à intrusão, não exija muito , o muito já é a minha amiga,
Mas deixe-se pura e simplesmente , nem que seja em sonho, ser conduzida!
Viva com quem vive
Ame com que vive
E beije como quem vive
Eu quero-a viva e feliz como no sonho
Um viva à sua nova vida
Muitos beijos
Eu não acho, também, que sonhos precisem sempre ter um significado a ser buscado com uma ânsia louca, mas eles também podem fazer desencadear algum processo novo na gente, bom ou ruim. Eu, infelizmente, apesar de certamente sonhar, raramente lembro de meus sonhos. Acho que é a porra do meu lado racional que é tão forte que joga uma capa espessa sobre essa memória. E eu adoro sonhos, sabe, aqueles em que tudo se passa de modo tão real que a gente acorda cheio de uma saudade gostosa, com vontade de que a história ainda tivesse prosseguido? Como naqueles filmes que a gente vê e depois, no filme, queria ter visto a continuação?
De qualquer modo, sou meio metido e vou falar em realidade. Não acho que devias manter essa postagem no teu blog. Acho muita exposição desses teus momentos que deveriam ficar mais recônditos, p.ex. com amigas ou amigos com quem quisesses compartilhá-los, mas não no blog. Falo de algumas afirmações fortes [e verdadeiras] que há no teu texto. A questão da autocomiseração, p.ex., ou o modo como conduzes teus relacionamentos, o valor dos outros na tua vida.
Claro que esta preocupação que tive, pelo fato de teres postado esses temas, não é a preocupação maior. A grande mesma é saber como estás, o que estás fazendo. O que quer que seja, acho ótimo escreveres sobre o equívoco de buscares alternativas fora de ti, reconhecendo, mesmo, que a busca tem de ser em ti mesmo. Eu já cometi várias vezes o erro de não apenas buscar nos outros como de culpar os outros pelas coisas que saem errado. Quando, muitas vezes, o negócio é comigo mesmo.
Apenas acho que os outros podem, sim, nos ajudar a dar um sentido ou um complemento a nossa vida, só que eles deverão ser coadjuvantes, e não o artista principal. É muito comum deixarmos o papel do vilão ou da vilã para um outro, só querendo ficar com o papel de artista principal...Bom, torno a dizer: preferia ter visto teu tema numa conversa [ou que o tivesses levado a qualquer amigo teu].
Por que é que a senhora, com tanta estrada rodada, não põe na cabeça que, igual a qualquer mortal, gosta de se sentir importante, necessária, desejada, até indispensável, sob múltiplas visões: um careca, aqui; meia dúzia de gays, ali; amigas (inutilmente) possessivas, mais adiante; e um bocado de amigos, simplesmente?
E se - não é difícil checar! - essas possibilidades se mostrarem razoáveis, quase palpáveis pegue o crédito de tudo isso, aumente seu teor cotidiano de passarinho saltitante, e largue a mania de frescar com habitualidade, ok? Eu, um dos inúmeros visionários
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