janeiro 19, 2008

Isabel Allende - Afrodite


Afrodite : contos, receitas e outros afrodisíacos
O apetite de Isabel Allende

Depois de se arrepender de todas as guloseimas que rejeitou por vaidade e as oportunidades de fazer amor que rechaçou por atitude puritana ou outros compromissos, a escritora chilena Isabel Allende tenta se redimir com seu livro Afrodite: contos, receitas e outros afrodisíacos. A escritora, famosa por romances como A casa dos espíritos e De amor e de sombras, muito bem aceitos pelo público, conta as coisas que aconteceram em sua vida de nômade com doses cavalares de fantasia. E assim, em suas obras, desfilam avós etéreas que se comunicam com fantasmas, tias virando anjos e tios que decidem que é melhor ser faquir, dentre outras personagens, que seriam membros de sua família.

Mas o Afrodite é meio diferente. Depois de um longo período de luto pela morte de sua filha Paula, Isabel foi retirada de seu casulo de tristeza por uma série de sonhos estranhos, em que nadava em piscinas cheias de arroz con leche ou comia Antônio Banderas bem temperado e enrolado em uma tortilla mexicana. Decidiu-se então por um exorcismo diferente, nesse delicioso apanhado de contos, curiosidades e receitas, com sua escrita agradável unindo apetite e sexo, segundo ela os responsáveis por propagar e preservar a espécie e provotar cantos e guerras.
Pesquisas primorosas sobre o tema resultaram em descrições de aromas e sabores de uma infinidade de alimentos que são, ou já foram, considerados responsáveis pelo aumento do desejo. Explicações minunciosas sobre o uso de ervas e um bom punhado de dicas (que podem ser divertidas e fáceis ou impraticáveis) transformam o livro num interessante manual para amantes da gastronomia e do erotismo.
Mesmo afirmando que o único afrodisíaco infalível é o amor, Isabel consegue que o livro sozinho acenda os desejos, uma bonita ponte entre gula e luxúria, os dois pecados mais tipicamente brasileiros entre os sete (isso descontando a preguiça, que já é outra história). E no caso de a quantidade de informações confundir as cabeças por aí, deve-se aproveitar o conselho que a escritora recebeu de sua mãe, Doña Panchita, para resolver as emoções que o livro faz aflorar: melhor correr para um psiquiatra ou um cozinheiro. É provável que o segundo se mostre muito mais útil.





"...o único afrodisíaco verdadeiramente infalível é o amor. Nada consegue deter a paixão. Não importam os achaques da existência, o furor dos anos, o envelhecimento físico ou a mesquinhez das oportunidades - os amantes dão um jeito de se amarem porque, por definição, esse é o seu destino."

"Arrependo-me dos pratos deliciosos rejeitados por vaidade, tanto como lamento as oportunidades de fazer amor que deixei passar para me dedicar a tarefas pendentes ou por virtude puritana", já que a " sexualidade é um componente da boa saúde, inspira a criação e é parte do caminho da alma... Infelizmente, demorei trinta anos para descobrir isto".

"Não sei, o que acontece com os homens, mas com as mulheres nenhum afrodisíaco tem serventia sem o ingrediente indispensável da simpatia que, em seu estado de perfeição, é amor. Espero que não me falte no futuro. E quando não puder mais fazer amor, não por indiferença minha, mas por que é difícil encontrar quem deseje fazê-lo com uma bisavó, espero continuar desfrutando pelo menos da comida e das recordações ..."

Curiosidades:
(colhidas aqui e ali)

A OSTRA contém zinco que, segundo consta, aumenta a produção de testosterona. Casanova era fã das ostras: comia 50, todas as manhãs, na banheira, em companhia da mulher em quem estava interessado no momento.

MAÇÃ, símbolo máximo da tentação desde que Eva seduziu Adão, tem propriedades estimulantes. Sua fama entre os rituais eróticos e de sedução é universal, era usada em inúmeras poções mágicas, filtros de amor e encantamentos.

A UVA é uma fruta associada ao prazer, à fertilidade, a Dinonísio (Baco), Príapo e todos os deuses alegres existentes em todas as tradições. Dionísio não era apenas o deus do vinho mas também da fertilidade e da procriação. Atribui-se propriedades estimulantes as uvas não fermentadas e, além disso, eram presença obrigatória em orgias e bacanais na Grécia.
AMÊNDOA é uma semente fundamental na culinária árabe pois é considerada um dos ingredientes mais sensuais, associada à paixão e à fertilidade.

O MORANGO, essa fruta delicada, de cor intensa, é presença fundamental nos rituais de sedução - melhor se acompanhados de champanhe. Também ficam saborosíssimos com chocolate.

PÊSSEGO e DAMASCO são consideradas frutas sensuais principalmente pelo seu perfume, sua textura suave e suculenta e sua cor. O pêssego tem sua origem na China, onde é cultivado há mais de dois mil anos. Segundo o Feng-shui, a cor pêssego estimula os sentidos e o fruto, a luxúria.

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