julho 20, 2009

Catherine

"LEMBRO-ME DO impacto que o livro "Morro dos Ventos Uivantes", de E. Bronte, teve em mim. Amantes que nem a morte foi capaz de curar a paixão infernal de um pelo outro. Vi as versões que o livro teve no cinema inúmeras vezes. Dormi noites inteiras com Catherine Earnshaw Linton (heroína do romance). Esta é a forma de imortalidade em que acredito, não a do paraíso raso das belas almas.
As irmãs Bronte são parte do período romântico (século 19), a primeira ressaca com a modernidade. Almas rasgadas pela nostalgia do mundo perdido, atormentadas por um passado transformado em fantasma. Feitas da mesma matéria das sombras, andam nuas pelas ruas de uma Europa dilacerada pelo espólio das guerras napoleônicas. Almas acuadas pelo materialismo científico nascente vingam-se na forma de assombração.
A alma romântica habitando um corpo moderno enfrentará o mundo devastado pela arrogância idiota dos modernos, pela objetividade morta da ciência, pelo niilismo do dinheiro, pela certeza cética da inutilidade da verdade. Em uma palavra, será uma exilada.
Guardo uma certa simpatia pelo romantismo. Dirá o leitor: "Já suspeitava disso". Por isso, delicia-se o leitor, minha incapacidade de lidar com um mundo onde as pessoas "escolhem tudo o tempo todo". Suspeito da mentira que cala fundo neste blábláblá da escolha livre de tudo. Todavia, não se engane o leitor que gargalha em seu sofá cercado pela vitória definitiva da arrogância idiota dos adolescentes, da inércia burocrática, da objetividade do dinheiro, do cinismo histriônico e do ceticismo chique.
Românticos aprendem a falar a língua do mundo banal. Se você o encontrar num desses jantares inteligentes, o confundirá com a espécie mais cínica de pós-moderno que é possível imaginar. Ele rirá do amor, defenderá bebês fabricados pela indústria farmacêutica, afirmará a vitória do relativismo elegante de quem sempre viaja de primeira classe, enfim, ele manipulará, como quem manipula vermes, os códigos da vida devastada.
Não esqueça, caro leitor, que o romântico não é propriamente um idiota nostálgico, o romântico é um sobrevivente, sente-se como uma espécie caçada, um mutante que já nasceu num habitat hostil. Às vezes, esse tipo de ser é mais perigoso do que você, que ri tranquilo, cercado pela crença boçal de que o mundo seja seu. Os melhores entre eles aprenderam a dissimular a lágrima, mudar de assunto, fazer uma piada inteligente, fechar a porta do quarto. Quem se sabe desde o inicio derrotado, detém uma forma de poder invisível que o torna perigoso, justamente porque não combate pela vitória, mas sim porque sua natureza é não ter futuro.
"Mas combateria por quê?" Pergunta típica da fraqueza que move os vencedores. Resistir é nesta alma uma primeira natureza. Talvez combatam porque esta seja a natureza de quem já nasceu num mundo que não é seu ou porque não conheça outra forma de se comportar num mundo onde há muitas esperanças, mas não para eles. Todo cuidado é pouco diante de quem não tem nenhuma expectativa.Não há como mudar a máquina que põe em movimento o mundo moderno: a ciência é sua fé, a estupidez burocrática é parte essencial da inteligência administrativa, a velocidade do dinheiro é mola motora das relações, o controle crescente da respiração é destino numa sociedade que nada mais é do que a geometria das utilidades. O desencanto do romantismo é uma forma de inteligência sem função. O romântico é uma espécie de contradição insolúvel no progresso definitivo da vida calculada. São caçados como uma praga. E com razão: são inimigos de uma vida perfeita. Diante deles, babamos como predadores famintos.
O desafio para um romântico é aprender a lidar com suas sensações num mundo em que elas não significam nada. Mas, a chave é perceber que nos momentos em que elas se tornam incontroláveis, ele deve correr para a escuridão, porque românticos são animais da lua e não do sol, se alimentam da sombra.
Quando Fernando Pessoa diz que "se o coração pensasse, pararia de bater", é do coração romântico que ele fala. Ao encontrá-lo, devemos ter por ele o respeito que merecem as espécies em extinção.
Espero que esta coluna de hoje seja a menos lida. Quem a ler, esqueça-a, jogue fora. Se encontrar comigo em algum lugar, não me pergunte sobre ela. Não a discutirei em público, trate-a como um segredo que você tem entre as mãos."

LUIZ FELIPE PONDÉ

Na Lua


"Este é um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade
" (Neil Armstrong). No dia 20 de julho de 1969, no mundo inteiro milhões de pessoas assistiram ao vivo a transmissão pelo rádio e pela televisão do que seria a chegada do homem à Lua. Há quem sustente haver sido a fraude do século.

desconstruindo

Um celular é muito mais do que um simples telefone. Não me refiro ao fato de os modernos aparelhos oferecerem outras utilidades : fotos, músicas, videos etc...mas ao modo como se introduziu em nossas vidas. Tenho visto serem mantidos celulares específicos para os diversos tipos de contatos. Eu mesma, no momento, tenho dois. Por um deles devo ser alcançada para assuntos de trabalho. Há quem tenha um número de celular para uso somente nos fins de semana. Outros filtram as chamadas pelo som. Ouvi o tema do assustador 'plantão globo' no celular de uma amiga para as chamadas do filho! Hoje pela manhã fui avisada – através de torpedo: estou desligando o celular por algumas horas.
O mundo segue assim: se não toca o nosso, toca o do vizinho, o que algumas vezes importa num incômodo ainda maior. O certo é que ele se infiltrou de modo espantoso em nosso mundo e parece que não dá para viver sem ele. Parece.
No meu novo trabalho, apenas um dos meus colegas não era conhecido/ amigo. Já descobri ter muito o que conversar com ele, fora dos assuntos de trabalho, trocas interessantes...Apesar de minha carência de interlocutores ser inegável, será com ele que vivenciarei a experiencia de não estar conectada.
Segundo a psicanalista com quem tenho encontro marcado às quinta-feiras (no Equilíbrio da FSP) esse estado de permanente disponibilidade afeta não só a estruturação de nossa intimidade como também a expressividade. Enquanto, na era pré-celular, estávamos “conectados” durante algumas atividades, depois nossa mente tinha folga para elaborar, agora, tudo se sobrepõe à eterna possibilidade de sermos encontrados e nossa 'elaboração', essência do humano, vai minguando.
Outra observação interessante feita pela psicanalista ANNA VERONICA MAUTNER é a de que “ O exercício de esperar - algo essencial para que se institua o espaço do pensamento- é afetado pelo aparelho. Enquanto esperamos, fantasiamos e pensamos. Quando sentimos falta de uma pessoa, surge a centelha que dá espaço para o imaginário. Tendo tudo a tempo, não pensamos. Esperar põe em contato o que se percebe e a memória e é o passo inicial para um dos primeiros "insights" da vida: saber se algo é conhecido ou não.”
Este mergulho na instantaneidade dos contatos, decreta o fim da saudade. Tudo está ali no celular, ao alcance de um gesto...

julho 18, 2009

Mente quem disser que não se interessa pela vida dos outros. Sempre gostei de ler confissões, autobiografias, diários, cartas e memórias. Era interessante conhecer o dia a dia dos famosos, saber de suas preocupações, angústias e diiculdades que os faziam gente, gente como nós, os anônimos.
No passado, eram comuns os diários íntimos mesmo de pessoas anônimas. Estes diários eram recheiados de segredos que jamais eram divulgados e, se acontecesse, ficavam restritos à esfera familiar. Tal comportamento rendeu ótimos roteiros de cinema (lembrei As Pontes de Madison...mas tem outros). O que levaria alguém a manter durante anos, às vezes décadas, um diário secreto? Na mitologia, Mnemósine, a deusa grega da memória, a mãe das nove musas, a guardiã do passado, patrocinou a maioria desses diários contra as forças do Letes, o rio do esquecimento.
Em toda minha vida jamais mantive um diário. Nunca tive paciência ou gosto para anotar as banalidades do quotidiano ou reflexões sobre a vida ... Sobre isto não se escrevia. Conversava-se. E muito. De preferência, nos bares da vida, sem necessidade de registrar por escrito a nossa versão dos fatos, relevantes ou não, a nossa visão do mundo e o que íamos fazer com ele ... Não existia a preocupação em não esquecer eventos , nomes, datas, tristezas e alegrias.
Do diário íntimo, trancafiado em gaveta, passou-se ao blog, aberto ao mundo. Através dele, o menos importante dos seres humanos pode despertar o voyeurismo de todos nós. Para quem tem um blog, é leitor de muitos ou as duas coisas, a simples idéia de que existem pessoas completamente desinteressadas por essa contemporânea forma de comunicação, soa estranhíssima.É que o mundo e a própria blogosfera parecem muitas vezes se confundir. Afinal os blogs estão aí, ditando o comportamento, informando, entretendo, irritando...
A possibilidade de interação com o “visitante”, que pode deixar seu comentário no final do post , é um recurso característico dos blogs. E, embora se permita uma enorme liberdade opinativa, o blog tem seu conteúdo sujeito às mesmas regras legais de outras mídias e seu autor sempre pode ser responsabilizado juridicamente pelo que escreve.
Outro aspecto do blog é a ligação que tem com outras fontes de informação disponíveis na rede e, mais intensamente, com outros blogs. Daí a lista de blogs com um link direto para os seus endereços. Tais listas representam um excelente meio de avaliação dos interesses e preferências dentro da blogosfera, com os quais o blogueiro compartilha e revela sua personalidade e ideologia.
Todo este blablabla tem a ver com o fato de haver sido colocado um contador de visitas que tem me feito pensar no que siginifica toda esta brincadeira.....

julho 17, 2009

O diabo usa Prada


"...por uma nova ordem financeira mundial, guiada pela ética, pela dignidade e pela busca do bem comum..."
Então tá!

Canção do amor impossível

" Como não te perderia
se te amei perdidamente
se em teus lábios eu sorvia
néctar quando sorrias
se quando estavas presente
era eu que não me achava
e quando tu não estavas
eu também ficava ausente
se eras minha fantasia
elevada a poesia
se nasceste em meu poente
como não te perderia"
Antonio Cicero
em A Cidade e os Livros

O sexo da vovó

"No interior do Brasil nasciam os quatro rios do Jardim do Éden de Adão e Eva e, como cantou o filho Chico com as lições que aprendeu do pai, Sérgio, não havia pecado do lado de baixo do Equador. O mundo repressor e reprimido cristão só lambia, então, a beira da praia. Não entrava terra adentro. Lá bem longe, embrenhando-se mata adentro, corria a história, havia uma terra generosa em riquezas, prazeres e eterna juventude. Nem um nem dois, foram muitos os europeus que, fugindo da repressão, sumiram no sertão, morrendo ou virando “índios”. A ilusão, porém, não haveria de durar. A cultura da cana, a descoberta do ouro e a consequente extensão dos braços do Estado escravista e da Igreja para os interiores da terra carregou junto os olhos punitivos dos padres e dos soldados. O Brasil que era o Éden, o paraíso na Terra, ficou cada vez mais distante, restrito ao folclore, ao Carnaval, aos anúncios do Ministério do Turismo. O prazer ficou lá longe, ora longe no espaço, ora longe no tempo.
Num mundo que foi ficando cada vez mais repressor e reprimido, nos acostumamos a ver o prazer real com desconfiança e a cultivar uma ideia abstrata de prazer inalcançável, porque distante e irreal. O melhor lugar do mundo, você já ouviu muitas vezes, nunca é o aqui e agora. É aquela nostalgia típica dos mais velhos, que não se cansam de repetir como eram melhores as coisas no tempo deles, mesmo que no tempo deles não achassem as coisas tão boas assim. Uma nostalgia, de qualquer forma, com um razoável poder de contaminação, e acabamos acreditando, muitas vezes, que o amor antes era mais verdadeiro, os relacionamentos mais duradouros, o sexo mais intenso, que o LP era melhor que o MP3. Será que as coisas “antes”, “lá longe”, eram mesmo melhores? Será que um tempo em que as mulheres eram obrigadas a casar virgens era melhor que hoje? É curioso como convivem, lado a lado, como as duas faces da mesma moeda fatalista, as ideias de que as coisas sempre melhoram e a ideia de que elas sempre pioram. Nem uma coisa nem outra, a verdade é que as coisas mudam.
A sexualidade e os prazeres a ela ligados, por exemplo, foram muito mais livres até o século 18 do que no século 19 e primeira metade do 20 quando, como escreveu Michel Foucault, foram aprisionados no cárcere privado do matrimônio burguês. A partir daí, especialmente após os anos 60, voltaram a ser gradativamente liberados. Ou seja, é difícil negar que a nossa vida sexual é melhor que a dos nossos avós. O que também não quer dizer grande coisa, pois a vida sexual de nossos avós foi das piores de todos os tempos. E não há garantias de que daqui para a frente as coisas irão automaticamente evoluir; a história não acabou, nunca andou em linha reta e não vai fazer isso agora.
Como hoje, em todas as épocas conviveram as forças da repressão e da liberação. Os olhares severos e vigilantes dos padres e dos soldados do rei podem ter sido trocados pela visão científica e politicamente correta dos médicos e dos policiais do colesterol, do cigarro e do bafômetro, mas o fato é que hoje, como antes, há sempre alguém dizendo a você o que pode e o que não pode, o que é prazer lícito e saudável e o que não é. E também, como sempre, tem gente que não se conforma e continua a procurar os quatro rios do Éden do prazer sem pecados, só que agora não se entra mais sertão adentro para isso (até porque hoje no sertão só há soja, gado, cana e Brasília). E como agora pelo menos a diversidade é respeitada, os quatro rios do Éden podem estar, para alguns, no Nepal, na ioga e no sexo tântrico. Para outros, numa conexão de internet rápida levando a um intenso, real e verdadeiro sexo virtual. Para outros, ainda. bem, você pegou a ideia."

André Caraumuru
na Trip - Prazer

julho 14, 2009

Hinos da França


Le 14 juillet en France ! Não hesite em clicar e escutar! O outro hino. Um hino ao amor...