junho 26, 2009

Michael Jackson

1958-2009

"Ben, nós dois não precisamos mais procurar
Nós dois achamos o que estávamos procurando
Com um amigo para chamar de meu
Nunca estarei sozinho
E você, meu amigo, verá
Que tem um amigo em mim

Ben, você está sempre correndo aqui e ali
Você sente que não é querido em lugar algum
Se algum dia você olhar para trás
E não gostar do que você achar
Há algo que você deveria saber
Você tem um lugar para ir

Eu costumava dizer "eu" e "eu"
Agora é nós, agora é nós
Ben, a maioria das pessoas mandaria você embora
Eu não escuto uma palavra do que eles dizem
Eles não vêem você como eu vejo
Eu gostaria que eles tentassem
Tenho certeza de que eles pensariam novamente
Se eles tivessem um amigo como o Ben
Como o Ben"

Sem regressos nem partidas

“.... chegar e partir
são só dois lados da mesma viagem.
O trem que chega
é o mesmo trem da partida
A hora do encontro
é também despedida
A plataforma dessa estação
é a vida desse meu lugar
é a vida...”

(Encontros e despedidas, Milton Nascimento Fernando Brant)
Não vou dizer que vou ali e já volto, nem que cheguei para ficar. Não sou de despedidas nem de regressos. Chego de vez em quando, para partir quase em seguida. Desta vez, vou para uma temporada que promete ser mais longa....Só isto. Mas esta, digamos, volta (depois de quase vinte anos) é a confirmação de que amizade não dá a mínima para a geografia, de que 'próximo' não significa junto, de que ter um oceano separando não quer dizer estar 'distante'. Tudo é uma questão de afinidade, cumplicidade, compreensão e por que não? de bem-querer. Esta saudável reciprocidade de bons afetos que não exige presença constante nem a sufocante exclusividade do amor ! Sem obrigação ou compromisso, o prazer do (re) encontro e da boa conversa. Meus amigos (as) estão espalhados por todo lado... Infringi a regra de que depois de uma certa idade não se faz novos. Gente muito especial entrou para a minha vida, ultimamente, como se nela nunca tivesse deixado de estar. Desde que desisti do amor (ou ele desistiu de mim), é com amigos(as) que reparto meus afetos, me renovo e me enriqueço, ao mesmo tempo em que tenho me divertido à beça!
Mas houve um momento em que perdi essa perspectiva, quando estive deprimida. Mas saí dessa para descobrir (!) que a vida é rica demais para lhe voltarmos as costas. Ao retomá-la, passei um filtro e eliminei o que (e quem), por qualquer razão, não valia a pena continuar 'carregando'. A vida ficou mais leve, embora, às vezes (poucas), lembre com saudade de certas passagens...
De uns tempos para cá, fiquei ainda mais livre (com tempo) e dei para 'retornar' e a permancer mais demoradamente. O que se entende por 'minha casa' passou a ser, para mim, o lugar onde me encontro. E assim, deixei de ter regressos ou partidas. Entre tantos 'até breve', nenhum destes lugares é para mim mais importante ou melhor. Percebo, no entanto, ser impossível : regressar. Permanecer, criar raiz, ficar plantada passa a ter o mesmo sentido de tédio, monotonia, mesmice, rotina e semgracice...
Como se não bastasse a dolorosa certeza de que a viagem da vida, para a qual compramos bilhete só de ida, e em que todos os dias são dias de partida para lugar nenhum, terminará. Que esta, pelo menos, seja sem despedidas!

junho 25, 2009

Veja esta!

Era só o que faltava! Mas é tanta gente a me pedir o que seria o "meu endereço". Como cogito não retonar para ele (diga-se en passant custa o dobro deste), resolvi ficar atenta ao que existe de oferta por lá. Estas são imagens de um studio bem situado, na rue Guisarde, "no coração de Saint Germain". A proprietária é brasileira e o aluga durante os meses que passa no Brasil (?). Encontrei o “anúncio” no blog Conexão Paris.
O studio fica no quinto andar, sem elevador, é "pequeno e aconchegante", com a "limpeza tipo brasileira o que quer dizer, muito limpo". No fundo (ou seria frente?) tem um cantinho- cama, uma pequena mesa para as refeições (pelo visto qdo aberta a porta não abre) , um cantinho- cozinha ( micro ondas, forno e duas placas elétricas). Banheiro com banheira antiga, para ficar de molho recuperando das andanças e das cinco escadas ... A locação mensal: 900 euros. Para saber mais, inclusive o preço por quinzena ou por semana, o contato com a proprietária é através do email: marcia@carrilho.net. Taí a "dica" !



Amores e mudanças

"QUANDO A VIDA da gente está emperrada (o que não é raro), será que faz sentido esperar que um encontro, um amor, uma paixão se encarreguem de nos dar um novo rumo? Provavelmente, sim -no mínimo, é o que esperamos: afinal, o poder transformador do encontro amoroso faz o charme de muitos filmes e romances.
Os especialistas validam nossa esperança. Jacques Lacan, o psicanalista francês, dizia, por exemplo, que o amor é o sinal de uma "mudança de discurso", ou seja, na linguagem dele, de uma mudança substancial na nossa relação com o mundo, com os outros e com nós mesmos. Claro, resta a pergunta: o que significa "sinal" nesse caso?
Duas possibilidades: o amor surge quando está na hora de a gente se transformar ou, então, é por amor que a gente se transforma. Não é necessário tomar partido: talvez as duas sejam verdadeiras.
Seja como for, volta e meia, alguém me pede uma receita: como esbarrar num amor que nos transforme? A resposta trivial diz que os encontros acontecem a cada esquina: difícil é enxergá-los e deixar que eles nos transformem, ou seja, difícil é ter a coragem de vivê-los. Aqui vai um exemplo.
O filme "Tinha que Ser Você", escrito e dirigido por Joel Hopkins, além de ser uma pequena dádiva, oferece uma "dica" preciosa sobre as condições que fazem que um amor "engate". É a história de um encontro ao qual os protagonistas tentam dar uma chance -a chance de transformar suas vidas.
Parêntese. Harvey (Dustin Hoffman) está na casa dos sessenta, e Kate (Emma Thompson) na dos cinquenta. É possível ver no filme uma parábola em prol da ideia de que nunca é tarde demais para deixar que um amor nos dê um novo rumo.
O título original, "Last Chance Harvey" (última chance Harvey), iria nessa direção: é agora ou nunca. Pode ser, mas talvez toda chance que a vida nos dá seja mesmo a nossa última.
Fora isso, o filme começa nos mostrando que a vida de Harvey é tão emperrada quanto a de Kate. Em ambos, há uma certa decepção por não conseguir (ou não ter conseguido) aventurar-se a viver seus sonhos -ser pianista de jazz para Harvey, e romancista para Kate. Os dois estão sozinhos e conformados com uma certa mediocridade afetiva: Kate se encaminha para ser a filha que cuidará para sempre da velha mãe, e Harvey já desistiu de ser o pai da filha de quem ele se distanciou, muitos anos antes, no divórcio que o separou da mãe dela.
Em suma, Harvey e Kate estão precisando de uma mudança.
Por que o encontro de Harvey e Kate teria mais sucesso do que os encontros às escuras que Kate se permite, de vez em quando? Por que eles não balbuciariam apenas a estupidez inibida que é habitual nesses casos? Simples, mas crucial: a conversa deles começa com uma sinceridade quase cínica. A "cantada" inicial de Harvey é o oposto do fazer de conta que é a regra das relações sociais, pois Harvey se apresenta confessando o fracasso de sua vida.
Logo, Harvey e Kate passeiam por Londres discorrendo e se conhecendo. Os espectadores descobrirão se eles saberão dar uma chance ao encontro ou, então, voltarão cada um para seu "conforto".
O passeio pela cidade evoca dois filmes de Richard Linklater, que estão entre meus preferidos, "Antes do Amanhecer", de 1995, e "Antes do Pôr-do-sol", de 2004.
No primeiro, Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy) encontram-se, passam um dia nas ruas de Viena e, enfim, separam-se. No segundo, eles se encontram de novo, em Paris, nove anos depois, e, também passeando, imaginam, de alguma forma, a outra vida que poderia ter sido a deles se, no fim daquele dia em Viena, eles tivessem apostado no futuro de seu encontro.
Aqui, uma recomendação prosaica que emana dos três filmes: se você procura um grande encontro amoroso, sempre use calçados confortáveis, porque nunca se sabe por quantos quilômetros se estenderão suas deambulações amorosas.
Brincadeira à parte, os filmes de Linklater talvez sejam mais tocantes -entre outras coisas, porque eles conferem uma beleza melancólica a uma desistência que é muito parecida com as renúncias às quais nos resignamos a cada dia. Mas o filme de Hopkins, "Tinha que Ser Você", é mais generoso, porque ele nos deixa com uma sugestão: o diálogo que leva ao amor, que dá a cada um a vontade de se arriscar, não surge da sedução e do charme, mas da coragem de nos apresentarmos por nossas falhas, feridas e perdas."

CONTARDO CALLIGARIS

junho 24, 2009

Bach in Brazil - Camerata Brazil



Este CD maravilhoso atravessou o oceano duas vezes: uma para ir e outra para voltar de Portugal. Recebi de presente de um amigo querido na semana passada e foi a "trilha sonora" que embalou a minha viagem à Curitiba. No tempo do vinil se dizia que alguém quase "fura o disco" de tanto que ouviu. Foi o caso. Neste momento ele está a caminho de Fortaleza, onde estará à minha espera. Coloquei o link do cliquemusic que vc. acessa pelo título desta postagem e pode ouvir um pouco de cada uma das outras músicas que compõem o disco. Só um gostinho de tudo que ele tem de bom!

Fragmentos

junho 23, 2009

Foulard

Dicas de como usar lenço de forma bem chic, ainda que não seja um Hermés. Uma das tarefas que considero das mais difíceis e que as francesas BCBG (pronuncia-se bêcêbêgê), que não ligam para modismos e detestam vulgaridade, dominam com muita maestria e naturalidade. A propósito esta expressão, que reune as iniciais de Bon Chic Bon Genre, está se tornando pejorativa e vem sendo empregada no sentido de burguesa boba e sem imaginação. Sem contar as novas versões engraçadas como beau cul belle gueule (bela bunda bela cara) e beau chequier beau gosse (belo cheque belo rapaz). Mas isto já é outra estória. As imagens reduzidas não permitem ver bem os detalhes de como usar o lenço, mas clicando no título são visíveis imagens em tamanhos maiores. Se tiver tempo, dê um passeio na Hermés e veja a beleza.






Privacidade Zero

No fim do ano passado perdi (ou roubaram) o meu celular. Com ele, se foi minha agenda, mensagens, (as de natal ainda não respondidas), fotos e músicas. Minha avó não acreditaria.Naquela coisinha minúscula tinha tudo isto e também um telefone! Na véspera, o meu contrato de fidelidade tinha completado um ano, o que me daria direito à troca por outro mais completo (que tivesse rádio!). Cancelei no momento em que dei pela falta e no dia seguinte fui fazer a substituição. Começou que fiquei com o mesmo número, apesar de o chip ser outro. Se era possível, ótimo!!! Pouco a pouco fui refazendo a minha agenda. Cada dia (na praia), ia fazendo um pouco a partir da agenda de papel de que nunca me desfiz. Uma trabalheira, mas tudo podia ser pior.... E foi. Um belo dia, sem que soubesse como, nem porque, na minha agenda os telefone estavam duplicados. A diferença é que os “novos” traziam o código da operadora, o que é só um detalhe. Mas não ficou por aí. Mais tarde, apareceram os arquivos que acreditava terem desaparecido com o aparelho extraviado. E mais. Vieram as mensagens que me foram enviadas entre o momento do extravio/ cancelamento e a aquisição do novo aparelho. Para isto também não encontrei explicação....O que se pode concluir é que as empresas de telefonia armazenam nossos dados pessoais. E, naquela ciscunstância, eles me foram devolvidos.... Sem contar que a operadora sabe sempre onde estamos. Cada vez que mudei de país, recebi um torpedo da operadora dizendo que estava comigo em .....
As empresas de cartão de crédito também seguem o nosso rastro. Aconteceu de sair de Curitiba pela manhã, abastecer o carro, almoçar pelo meio do caminho e fazer compras em outra cidade. Chegando em Floripa no mesmo dia, recebi uma ligação do cartão de crédito pedindo a confirmação de que eu tinha passado em tal e tal cidade e se estava em Florianópolis, onde tinha jantado. Não sei se “controlam” aleatoriamente, o certo é que aquele foi o meu dia de ser monitorada. Foi como se usando o cartão eu tivesse deixado pegadas. “Para minha segurança e proteção” eles precisavam confirmar a minha passagem por aqueles locais. Não perdi o sono por isto. É como funciona o mundo e é nele que estou vivendo. Mas não tenho dúvida de que nossos padrões e hábitos de consumo alimentam um banco de dados valioso. É provável que saibam se, e quando, irei viajar novamente e para onde. Devem saber, por exemplo, que não frequento motéis, não uso roupa de grife, não fiz uma plástica e que não tenho idade para encarar uma troca de senha. Isto não!
Na internet, por sua vez, o Google seria quem mais vasculha nossos movimentos. E vai mais longe: censura! Um blog muito interessante, crítico e criativo, que faz parte da minha lista (veja no pé da página), teve o seu nome suprimido e substituído por uma advertência. Isto porque algum hipócrita, que deve ler o blog todo dia mordendo os dedos de inveja, denunciou. Ao acessar o blog aparece:"Alguns leitores deste blog entraram em contato com o Google porque acreditam que o conteúdo do blog é questionável. Em geral, o Google não revisa nem endossa o conteúdo deste ou de qualquer outro..." E pergunta se a gente quer continuar. Pode e deve continuar! A censura ao blog não tem qualquer fundamento. Enquanto isto, pornografia, pedofilia e um monte de lixo que a estupidez humana não cansa de produzir, circula livremente na web. O Google ocupa o primeiro lugar entre as empresas que mais coletam dados sobre as nossas atividades online e que utilizam os dados sobre nossos comportamentos para transformá-los em conhecimento e informação estratégica em várias áreas: política, medicina, relacionamento e até segurança nacional.
Responder tudo que a gente quer saber não ia mesmo sair de graça...

junho 22, 2009

Escolas sem armário


Escolas sem armário” é o lema da Parada Gay de Madri que acontecerá em 04 de julho. Num país como a Espanha em que as leis permitem casamento entre pessoas do mesmo sexo, adoção de menores por casais gays, ajuda aos transexuais para mudança de sexo -os gays agora pretendem provocar uma revolução nas salas de aula. Exigem mudanças no sistema educativo para incluir nas escolas disciplinas ou temáticas que abordem a homossexualidade. A organização do evento usou como referência relatórios que concluíram que a discriminação contra menores de idade gays provoca marginalidade, problemas de saúde e até abandono escolar. O informe sobre homofobia e discriminação na União Europeia, divulgado em março de 2009 pela Agência Europeia de Direitos Fundamentais, mostrou exemplos de rejeição nos colégios onde alunos são ridicularizados, marginalizados e perseguidos por causa de sua orientação sexual. Segundo a pesquisa feita em 18 países da UE, existe uma “situação de isolamento dos estudantes gays” e os professores “raramente são treinados, preparados ou inclinados a discutir sobre o tema da sexualidade”. O relatório indicou ainda que há instituições religiosas e esportivas em que o tema homossexualidade é um assunto tratado como tabu. O poeta espanhol Federico García Lorca, assassinado durante a guerra civil espanhola, acusado de ser subversivo e homossexual, será o homenageado da parada gay deste ano, “porque sua condição de homossexual marcou sua vida, obra e morte . Durante décadas, essa opção sexual foi invisível para muita gente, não aparecia em nenhuma biografia. O que fazemos agora é uma reparação histórica porque o mundo precisa de referências como ele.”
Do site da BBC.

ANTÍGONA


"QUANDO NASCI, minha mãe deu à luz gêmeos: eu e meu irmão, o medo". Hobbes teria dito isso. Sofro deste sentimento. Tenho muitos medos. Um deles é bem moderno: o medo de não ter os preconceitos corretos. Quais seriam estes? Ora, repito o óbvio: contra o cristianismo, contra brancos heterossexuais, contra os EUA.
Assim como normalmente a "perua" é a mulher de saia curta que não é nossa amiga, "reacionários" são os que ousam discordar das nossas tiranias de estimação.
Às vezes me pergunto: afinal de contas, por que supor que se você for negro você será essencialmente mais justo? Ou se você for homossexual, você será essencialmente mais democrático? Por que travestis ou transexuais merecem ter silicone e cirurgias "de graça", enquanto diabéticos e pacientes renais morrem em filas?
Perguntas que não devem ser feitas à mesa de "pessoas de bem" no teatro ridículo da democracia contemporânea. Um bom exemplo é o culto ao "jovem". Por que supor que movimentos de jovens são sempre "coisas do bem"?
O "jovem" não é propriamente uma invenção do século 20. Quando pensamos em "jovens", temos em mente os jovens protestando nas ruas nos anos 60: hippies contra a guerra do Vietnã nos EUA, parisienses armando "barricadas do desejo" em maio de 68. Tanto num caso como no outro, ao final, todos voltaram pra casa, pedindo mesada ou procurando emprego. E por quê? Porque deixaram de ter 18 anos, tiveram filhos e contas a pagar. Mas esta não é toda a história, há mais do que isso, e esta história começa bem antes desses "espetáculos", que nos legaram calças jeans e sexo livre, supostamente de maior qualidade.
O que é esse "jovem"? Figura originariamente romântica (século 19), o "jovem" nasce da ideia falsa de que exista um "gênio" específico no jovem (pessoas de mais ou menos 15 a 25 anos) que o diferencie moralmente e politicamente do resto da humanidade. Não acho que pessoas de 15 a 25 anos tenham nenhuma reserva moral ou política: são capazes de agir de má fé como todo mundo.
Seu comportamento não guarda nenhuma evidência de boa qualidade em si, podem cometer atos de opressão e manipulação como qualquer outra pessoa.
Não acredito no "jovem". A forma mais certa de trairmos os mais jovens é deixá-los crer no "jovem". Outra forma é tomar suas ideias e movimentos políticos e sociais como sinônimos evidentes "de um mundo melhor". Seja como for, estes movimentos não são necessariamente defensores da liberdade.
Exemplos banais de como movimentos estudantis oprimem seus colegas e manipulam opiniões e esmagam diferenças enchem as páginas da paisagem histórica.
Ainda no século 19, o escritor russo Turguêniev, em seu livro "Pais e Filhos", imortalizou a imagem do jovem arrogante e cruel em seu estudante Bazarov, exemplo do jovem niilista russo, capaz de destruir tudo em nome de seu autoritarismo libertário e científico -ainda que Bazarov, ao final, tenha o destino comum de muitos homens, o de ser derrotado pelo amor não correspondido de uma mulher.
Sabemos que movimentos estudantis aderiram aos fascismos modernos, perseguindo colegas e professores nas universidades europeias em nome da "nova saúde política". Assim sendo, pergunto: por que devemos aceitar que exista uma "razão da idade" que faz alguém mais confiável só porque nasceu em 1990? A culpa, na maioria das vezes, é de seus professores (quando não dos pais que aderem a desculpas "da ciência da psicologia" para sua preguiça), muitas vezes pessoas amargas, orgulhosas e um tanto decadentes, que de dentro da sala de aula recriam um mundo à luz de suas pequenas manias teóricas.
Alguns dizem por aí que devemos "reformar a educação"; eu acho que a educação não funciona mesmo, por isso que a moda da "nova educação" sempre pega. Às vezes, milagres (gotas de consciência) ocorrem a partir da leitura de um livro ou da fala de um colega ou de uma professora, e normalmente estes milagres revisitam eternos dramas, por exemplo, o de Caim e Abel (a velha inveja) ou o de Antígona e Creonte (devemos ouvir a voz da consciência ou sucumbir ao medo da lei da polis?).
Sei que posso ser acusado de anti-intelectualista. Que assim o seja.
Prefiro me ver como aquilo que se chamava de "um homem de letras", pequeno herdeiro de uma grande tradição que reúne a Bíblia e os gregos como seus ancestrais, que tudo deve a eles, e que pouco ou nada sabe além deles.
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LUIZ FELIPE PONDÉ na FSP de hoje