FERNANDA E FRANCISCO
"Os aplausos não cessam. Ela já se curvou uma, duas, diversas vezes, e as pessoas não se cansam, aplaudem cada vez mais forte e emocionadamente.
Emoção pouca, se comparada com a dos olhos da mulher no palco, olhos negros que, sobretudo no trecho final da peça, emitiram um fulgor absurdamente cativante e enternecedor.
Finalmente, abraçando a si mesma como se abraçasse cada um dos espectadores que a aplaudem freneticamente na plateia do tradicional Teatro Anchieta, de São Paulo, Fernanda Montenegro deixa a cena.
Deixa a cena sem deixar de ocupar seu lugar, sua cadeira cativa na história do teatro, das artes deste país.
Foi uma hora inteira num monólogo de tirar o fôlego, este "Viver Sem Tempos Mortos", em que Fernanda dá voz a cartas e notas autobiográficas de Simone de Beauvoir (1908-1986), a eterna companheira de Jean-Paul Sartre (1905-1980), ambos pensadores e pioneiros da modernidade contemporânea.
Mais que toda a carga intelectual e emocional e libertária transmitida a partir dos textos de Simone, em sua vida-cruzada em nome da aventura de viver a vida não sendo mulher, mas tornando-se uma, o que fascina naquele palco totalmente escuro é aquela mulher elegantemente magra e iluminada por um único facho de luz.
Como se precisasse, porque ali, e quase sempre quando ela está no palco, bastaria a luz própria de Fernanda Montenegro para iluminar a cena e a constatação irrefutável: aqui se faz o grande teatro.
Uma hora de monólogo, sem titubeios ou gaps, já seria fantástico numa atriz de 80 anos.
Mas o que sobre-encantou a todos, o que fez com que um verdadeiro frisson percorresse toda a plateia, foi a carga de sensibilidade aflorada de quem, com as palavras de Beauvoir, despede-se de um amor de toda uma vida. O relato da morte e do funeral de Sartre marejou os olhos de Fernanda, certamente a sentir a ausência de seu recentemente falecido Fernando Torres.
O clima que se impôs arrebatou a todos os que ali se encontravam, tendo o privilégio de ver e ouvir a maior atriz brasileira. Numa palavra, inesquecível.
Seria de se recomendar a todos o espetáculo, sem dúvida alguma. Mas, pelo menos em São Paulo, a temporada está com todos os ingressos esgotados. No mês de agosto, no entanto, ela volta à cena, no Rio de Janeiro.
*
Rio de Janeiro que remete, agora, a outro gênio, que neste momento de sua carreira alcança a senhoridade como escritor, no domínio do texto de forma tal que exige respeito.
Rio de Janeiro é o cenário da trajetória de um fracasso que dura 100 anos, no relato de um velho moribundo criado e dado à vida pelas palavras do Francisco que coloquei no título para rimar com Fernanda. No caso, Chico Buarque de Hollanda.
Trata-se também de um monólogo, seu "Leite Derramado" (Cia. Das Letras, 195 págs., cerca de R$ 30).
O relato de um velho que, abandonado no leito do hospital público, mescla realidade e fantasia ao rememorar uma vida de perdas, sobretudo da mulher amada, a qual ele busca melancolicamente ao longo de toda sua odisseia, sem deixar claro se ela o abandonou, morreu ou ficou louca.
O que permeia e dá fio condutor à trajetória, no entanto, são os valores morais a que narrador se apega de forma ferrenha, tão idiossincráticos quanto por vezes ridículos.
A família, as posses, o poder político, a autoridade, a classe, o garbo e o glamour. Insistentemente o personagem tenta resgatar estes valores, em situações reais ou imaginária, dentro do seu quadro de visível delírio senil, como se eles pudessem fornecer um mínimo de dignidade à sua morte que se avizinha banal e vazia.
Há um fundo histórico, que vai da República Velha ao tráfico dos morros cariocas, passando pelas lutas libertárias dos anos 60 e pelas transformações descaracterizantes a que foi submetido o Rio de Janeiro.
Mas tudo observado como que por uma lente de distorção, que são as lembranças falhas e confusas do velho, em sua quixotesca tentativa de compor um interminável livro de memórias.
É uma história triste, mas de certa forma encantadora, de um tempo longo (100 anos...) e de uma vida que quase sempre está para acontecer, para vingar, para ser, mas que sucumbe inexoravelmente ao peso de sua própria impotência perante o destino.
Um admirável exercício de literatura."
por Luiz Caversan, para a Folha Online
junho 02, 2009
junho 01, 2009
CHICO
Quem não é uma das “mulheres” do Chico desconhece o fenômeno mulheres-amam-chico-buarque e, provavelmente, não vai entender que eu esteja tão ansiosa para ler o Leite Derramado. Enquanto isto não acontece, me deleito com o video dele lendo o primeiro capítulo...
Falando nele, saiu também o filme Budapeste -
Falando nele, saiu também o filme Budapeste -
maio 30, 2009
LA POSTE
Numa língua em que ponte, bola, cama e geladeira são palavras masculinas, não é de se estranhar que mar, carro, vestido, quarto e árvore, sejam tão femininas quanto os Correios, que chamam de “la poste”. Alguém um dia me disse que “ La Poste” é tida como a segunda empresa mais admirada pelos franceses (embora esse mesmo alguém não soubesse me dizer qual era a primeira). Seja como for, “ La Poste” é para os franceses muito mais do que uma empresa que entrega cartas. É uma instituição. Na França, apenas em teoria se pode solucionar qualquer problema (inclusive com o próprio La Poste) por telefone ou internet. Não basta relatar o caso ou registrar a reclamação. Eles dizem para enviar uma carta. Uma carta! Isto mesmo. Os franceses arranjam sempre mais funções e utilidades para La Poste. Soube que até um pedido de demissão só é aceito se você enviar uma correspondência à empresa.É certo que medidas como esta contribuem para a manutenção dos postos de trabalho. Uma neura entre eles. Tenho uma amiga que faz a sua parte, reenviando os envelopes prefranqueados com que La Poste entope sua bôite aux lettres , colocando dentro dentro deles folders estranhos, do tipo "enlarge your penis".
O que acho mais curioso é que eles escrevem cartas segundo um modelo «à la française» para cada assunto e com uma formalidade que beira ao exagero tantas são as fórmulas de politesse,.
Apesar de ter saído da França, continuo com La Poste na cabeça pois nunca recebi um paquet que me foi enviado em abril de Bayonne para Paris. Remeti a "carta" solicitada, segundo o modelito exigido, juntei cópia de meu passaporte, informei os meus endereços ( atual e futuro). Por estas alturas, estou pagando para ver se este affair terá uma solução ou se o que dirão não irá além de:“Désolé, madame”!
Sobre viajar....
"Viajar é multiplicar a vida.
De país em país, de costumes em costumes,
o homem que nasceu com propensão e gosto para isso,
renova-se e transforma-se." (Machado de Assis)
“Viajar expande a nossa capacidade de simpatia, redemindo-nos da reclusão e da modorra dos limites da nossa personalidade.” (José E. Rodo)
“Viajamos para nos livrarmos de nós mesmos, mais do que para nos livrarmos dos outros.” (William Hazlitt)
“Quem viajou muito pode mentir com impunidade.”(provérbio francês)
“Viajo para voltar.” (William Trevor)
“Só começamos a gostar de uma viagem três semanas depois de ter voltado.” (George Ade)
“A Patagônia convém à minha imensa tristeza. A Patagônia e os Mares do Sul.” (Blaise Cendrars)
“Viajar é uma coisa brutal. Perdemos o conforto do lar e dos amigos, somos forçados a confiar em estranhos. Estamos sempre fora do nosso equilíbrio.” (Cesar Pavese)
“A viagem é uma sequência de desaparecimentos irreparáveis.” (Paul Nizan)
“Viajar é conversar com os séculos.”
“Viajar não é necessário, a não ser para as imaginações limitadas.” (Colette)
“Viajou. Conheceu a melancolia dos navios, o aturdimento das paisagens e das ruínas, a amargura das simpatias interrompidas. Voltou.” (Gustave Flaubert)
“Partir é morrer um pouco.” (E. Haraucourt)
“Se é terça-feira, isto deve ser a Bélgica.” (título de filme)
“Todos os caminhos levam a Roma, mas cada dia o engarrafamento é pior.” (Millôr Fernandes)
“Quem viaja por terras estranhas vê o que quer - e o que não quer.” (Guimarães Rosa)
“Não viajamos só pelo prazer de ver, mas pelo prazer de contar.” (G. K. Chesterton)
“O viajante vê o que vê, o turista vê o que veio ver. (G.K. Chesterton)
“Como todos os grandes viajantes, vi mais do que lembro e lembro mais do que vi.” (Benjamin Disraeli)
“O mundo é um livro. Quem não viaja só lê uma página.” (Santo Agostinho)
“Viajar instrui - afirmam. Basta olhar para o turista para verificar a extensão dessa balela.” (Mário da Silva Brito)
“Existem duas categorias principais de viajantes: os que viajam para fugir e os que viajam para buscar.” (Érico Veríssimo)
“O homem não precisa viajar para crescer; ele traz consigo a imensidão.” (François-René de Chateaubriand)
De país em país, de costumes em costumes,
o homem que nasceu com propensão e gosto para isso,
renova-se e transforma-se." (Machado de Assis)
“Viajar expande a nossa capacidade de simpatia, redemindo-nos da reclusão e da modorra dos limites da nossa personalidade.” (José E. Rodo)
“Viajamos para nos livrarmos de nós mesmos, mais do que para nos livrarmos dos outros.” (William Hazlitt)
“Quem viajou muito pode mentir com impunidade.”(provérbio francês)
“Viajo para voltar.” (William Trevor)
“Só começamos a gostar de uma viagem três semanas depois de ter voltado.” (George Ade)
“A Patagônia convém à minha imensa tristeza. A Patagônia e os Mares do Sul.” (Blaise Cendrars)
“Viajar é uma coisa brutal. Perdemos o conforto do lar e dos amigos, somos forçados a confiar em estranhos. Estamos sempre fora do nosso equilíbrio.” (Cesar Pavese)
“A viagem é uma sequência de desaparecimentos irreparáveis.” (Paul Nizan)
“Viajar é conversar com os séculos.”
“Viajar não é necessário, a não ser para as imaginações limitadas.” (Colette)
“Viajou. Conheceu a melancolia dos navios, o aturdimento das paisagens e das ruínas, a amargura das simpatias interrompidas. Voltou.” (Gustave Flaubert)
“Partir é morrer um pouco.” (E. Haraucourt)
“Se é terça-feira, isto deve ser a Bélgica.” (título de filme)
“Todos os caminhos levam a Roma, mas cada dia o engarrafamento é pior.” (Millôr Fernandes)
“Quem viaja por terras estranhas vê o que quer - e o que não quer.” (Guimarães Rosa)
“Não viajamos só pelo prazer de ver, mas pelo prazer de contar.” (G. K. Chesterton)
“O viajante vê o que vê, o turista vê o que veio ver. (G.K. Chesterton)
“Como todos os grandes viajantes, vi mais do que lembro e lembro mais do que vi.” (Benjamin Disraeli)
“O mundo é um livro. Quem não viaja só lê uma página.” (Santo Agostinho)
“Viajar instrui - afirmam. Basta olhar para o turista para verificar a extensão dessa balela.” (Mário da Silva Brito)
“Existem duas categorias principais de viajantes: os que viajam para fugir e os que viajam para buscar.” (Érico Veríssimo)
“O homem não precisa viajar para crescer; ele traz consigo a imensidão.” (François-René de Chateaubriand)
maio 29, 2009
Palau de la Musica Catalana
Ontem visitamos esta que é considerada uma das principais casas de espetáculos musicais do mundo. Sua arquitetura única foi obra de um dos expoentes do modernismo catalão Lluís Doménech i Montaner. Sua construção é do início do séc. XX. Foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1997..Situado numa rua bem estreita não foi possível com a minha câmara amadora fazer tomadas de sua fachada. As fotos acima são de cartões postais por mim scaneados
Em Barcelona
Mil razões fazem de BCN a mais extraordinária cidade da Espanha e um incontornável destino para quem gosta de lazer, cultura, arquitetura... Mais do que apaixonados pelo Barça, o time de futebol da cidade que acaba de ganhar o campeonato europeu, os barceloneses são encantados e orgulhosos da arte e história catalã . Temas em que minha ignorância é imensurável. Ontem visitei uma exposição do artista plástico Josep Mompou(1888-1968) na Casa Milá ( "La Pedrera"). Consolou-me saber que Mompou foi apresentado como «el gran olvidado, el perfecto desconocido» da pintura catalã, pelo diretor de cultura da Obra Social de Caixa Catalunya, que promove esta ampla exposição de suas obras, abrangendo desde 1907, ano de sua primeira exposição coletiva até 1957, quando pintou «Venús Negra. Venús Blanca», sua última obra.
Esta é uma das peças centrais da exposição «Dancing», que seria o seu quadro mais conhecido onde ele aparece em segundo plano. Atualmente faz parte do acervo do Museu Reina Sofía de Madrid.
Em 1936, justo quando seu nome começava a ter força na França e nos EUA , sua carreira foi truncada pelo diagnostico de tuberculose. Sua convalescência foi seguida da Guerra Civil que também o manteve impedido de pintar e da Segunda Guerra Mundial que o impediu de retomar suas conexões internacionais. É assim que explicam o fato de haver sido esquecido e criam esta "oportunidad para situarlo en el lugar que se merece". .


Esta é uma das peças centrais da exposição «Dancing», que seria o seu quadro mais conhecido onde ele aparece em segundo plano. Atualmente faz parte do acervo do Museu Reina Sofía de Madrid.

Em 1936, justo quando seu nome começava a ter força na França e nos EUA , sua carreira foi truncada pelo diagnostico de tuberculose. Sua convalescência foi seguida da Guerra Civil que também o manteve impedido de pintar e da Segunda Guerra Mundial que o impediu de retomar suas conexões internacionais. É assim que explicam o fato de haver sido esquecido e criam esta "oportunidad para situarlo en el lugar que se merece". .

Estar ou não a fim: o sexo na cidade
"Sex and the City, de Candace Bushnell, e Bridget Jones, de Helen Fielding, são expoentes do "chick lit" (algo como "literatura das garotas"), gênero literário criado pelo mercado editorial dos Estados Unidos. Supostamente, tal gênero aborda a problemática da mulher pós-feminista, não mais lutando por sua liberdade sexual ou pela igualdade de direitos diante dos homens, mas usufruindo dos ganhos da conquista e pagando seus ônus. O problema é que a "chick lit" banaliza e diminui as vitórias do feminismo, reduzindo-as a uma troca inconsequente de parceiros amorosos e a um frenesi pelo consumo de alto luxo. Afinal, no universo ali descrito, todo mundo é chique, civilizado e mora em lugares de muito bom gosto. Paradoxalmente, ao mostrar as mulheres como românticas cujo único objetivo na vida é encontrar um bom partido, a "chick lit" termina por reforçar estereótipos contra os quais o próprio feminismo tanto lutou. Não é difícil ver, debaixo das sandálias Manolo Blahnik e das bolsas Louis Vuitton, as mesmas jovens sonhadoras que povoavam os livros de M. Delly.
É esse cenário que vamos encontrar no filme Ele Não Está Tão a Fim de Você (He?s Just Not That Into You, 2009), dirigido Ken Kwapis e com um estrelado elenco (Ben Affleck, Jennifer Aniston, Drew Barrymore, Jennifer Connelly e Scarlett Johansson). O filme se baseia num livro que vendeu dois milhões de exemplares nos Estados Unidos, escrito por Greg Behrendt e Liz Tuccillo, roteiristas do Sex and the City, o seriado de televisão gerado pelo best-seller de Candace Bushnell.
Tendo como eixo central as desventuras de Gigi, uma empedernida ingênua às voltas com o enganoso mundo dos homens, desfilam no enredo alguns casais com diversos problemas amorosos. Preocupadas em atrelar sua sexualidade ao casamento, as mulheres são doces, amoráveis e vítimas dos homens, quase todos empenhados em seduzir e abandonar - com as exceções que confirmam a regra.
Vê-se que atrás da aparência moderninha que procura ostentar ao tratar da condição da mulher e dos relacionamentos amorosos nos dias de hoje, o filme se revela convencional e conservador. A própria heroína, a inacreditável Gigi, parece ter saído direto de algum volume da antiga Biblioteca das Moças.
As decorrências da liberdade sexual e da liberação da mulher observadas nas grandes metrópoles ocidentais parecem muito mais bem retratadas no excelente Closer - Perto Demais (2004) , dirigido por Mike Nichols, baseado na peça premiada de Patrick Marber, com Natalie Portman, Julia Roberts, Jude Law e Clive Owen.
O que Closer - cujos personagens não poderiam ser mais "cool" - mostra é que a liberdade sexual, a ausência de entraves religiosos e preconceitos sociais não eliminam os "antigos" conceitos de traição ou desilusão amorosa. Na verdade, poderíamos acrescentar, eles estarão sempre presentes, pois, na medida em que se ama, é impossível não correr os riscos da perda e seus desdobramentos em termos de sofrimentos.
Assim, Closer parece dizer que a pós-modernidade não nos isenta das dores do amor. O que ela faz é facilitar as defesas contra estas dores, possibilitando, em função da liberdade sexual e do "ethos" narcisista que impregna atualmente a cultura, a prática do sexo casual.
Ao ver Closer, entendemos que sexo casual ou o "estar a fim" são práticas que satisfazem basicamente o narcisismo de cada um dos envolvidos. É como uma masturbação a dois. Não tem nada a ver com um relacionamento amoroso, pois este implica uma superação do narcisismo, o estabelecimento de uma relação objetal, a construção de um vínculo afetivo, a temeridade de lançar-se no voo cego de uma entrega confiante no outro, sem nada a garantir o sucesso da empreitada.
Ele Não Está Tão a Fim de Você e Closer se inscrevem em diferentes registros. O primeiro é mero entretenimento, o segundo é uma obra de arte. O entretenimento pretende primordialmente divertir e, para tanto, evita abordar a dimensão trágica da vida. Uma posição radicalmente diferente da arte, que não se recusa a integrar em seu interior todas as contingências da existência humana, inclusive seu inevitável caminhar para a morte, ao mesmo tempo em que oferece o prazer estético, que ameniza e torna mais palatável seus fortes conteúdos.
Uma outra característica do entretenimento é o uso abundante de clichês e estereótipos, que proporcionam ao grande público um tranquilizador sentimento de reconhecimento e familiaridade com o que lhe é apresentado. Mais uma vez, situação bem diferente daquela proposta pela criação artística, com sua preferência pelo inusitado, pelo inédito, pelo desafio do novo. É verdade que mesmo bons artistas, como Woody Allen, vez por outra apelam ao chavão para garantir uma boa bilheteria. É o que acontece em Vicky Cristina Barcelona (2008). Num ininterrupto desfile de lugares-comuns, duas jovens norte-americanas vão passar o verão em Barcelona, na casa de um rico compatriota. Envolvem-se numa série de imbróglios amorosos e tudo se acaba com o verão, quando as duas voltam para seu país, "enriquecidas" com suas novas experiências. Há os "artistas" e os "burgueses". Há os "espanhóis", com seu sangue latino caliente, e há os "americanos" e "ingleses", comedidos, sofisticados e irônicos. Os "artistas" têm um temperamento excessivamente "original", criando "obras de arte" a todo instante. Penélope Cruz, num papel que lhe deu o Oscar (!), como a pintora genial e geniosa, explosiva e imprevisível, é a própria encarnação da artista "espanhola". Os ricos "burgueses", como era de se esperar, nada mais fazem que langorosamente lutar contra o tédio, em meio a festas, iates e pequenas traições.
Abordada de forma leve e estereotipada ou com a complexidade que ela exige, o fato é que a eterna luta entre os sexos é um tema da maior importância, tratado anteriormente por inúmeros cineastas. Para citar alguns, lembramos Bergman, especialmente em Cenas de Um Casamento (1974) e seu dilacerante epílogo, Sarabanda (2003); Ridley Scott em Thelma e Louise (1991), um dos mais pungentes filmes sobre os impasses da condição feminina em nossos tempos; e Almodóvar em Volver (2006), onde disfarçado no tom de comédia, transparece a visão trágica de dois mundos fechados - o masculino e o feminino - que, ao se aproximarem, não produzem o amor e a criação, e sim o incesto, a violência, o assassinato.
"Anatomia é o destino", disse Freud. Com isso apontava para o fato de ser a diferença anatômica entre os sexos um referencial incontornável na realidade humana, estabelecendo lugares e papéis específicos culturalmente determinados.
O embate entre homens e mulheres, no qual cada sexo usa de suas armas e estratagemas, toma feições diversas em função do tempo e do lugar na história. É inegável que, durante séculos e na maioria das culturas, o falicismo prevaleceu, fazendo com que as mulheres fossem submetidas ao poder dos homens. E assim ainda ocorre com vastas parcelas da população mundial.
Somente com Freud foi possível obter uma compreensão acurada dos aspectos mais profundos e inconscientes do falo e da castração, e de seus efeitos na organização dos grupos humanos. É irônico que o feminismo, que tanto deve a Freud, se tenha voltado, num determinado momento, contra a psicanálise, ignorando ter sido ela o que tornou possível entender o caráter fantasmático que sustentava (e ainda sustenta) a pretendida superioridade masculina sobre as mulheres."
Sérgio Telles é psicanalista e escritor.
Do Estadão de 12.04.09
É esse cenário que vamos encontrar no filme Ele Não Está Tão a Fim de Você (He?s Just Not That Into You, 2009), dirigido Ken Kwapis e com um estrelado elenco (Ben Affleck, Jennifer Aniston, Drew Barrymore, Jennifer Connelly e Scarlett Johansson). O filme se baseia num livro que vendeu dois milhões de exemplares nos Estados Unidos, escrito por Greg Behrendt e Liz Tuccillo, roteiristas do Sex and the City, o seriado de televisão gerado pelo best-seller de Candace Bushnell.
Tendo como eixo central as desventuras de Gigi, uma empedernida ingênua às voltas com o enganoso mundo dos homens, desfilam no enredo alguns casais com diversos problemas amorosos. Preocupadas em atrelar sua sexualidade ao casamento, as mulheres são doces, amoráveis e vítimas dos homens, quase todos empenhados em seduzir e abandonar - com as exceções que confirmam a regra.
Vê-se que atrás da aparência moderninha que procura ostentar ao tratar da condição da mulher e dos relacionamentos amorosos nos dias de hoje, o filme se revela convencional e conservador. A própria heroína, a inacreditável Gigi, parece ter saído direto de algum volume da antiga Biblioteca das Moças.
As decorrências da liberdade sexual e da liberação da mulher observadas nas grandes metrópoles ocidentais parecem muito mais bem retratadas no excelente Closer - Perto Demais (2004) , dirigido por Mike Nichols, baseado na peça premiada de Patrick Marber, com Natalie Portman, Julia Roberts, Jude Law e Clive Owen.
O que Closer - cujos personagens não poderiam ser mais "cool" - mostra é que a liberdade sexual, a ausência de entraves religiosos e preconceitos sociais não eliminam os "antigos" conceitos de traição ou desilusão amorosa. Na verdade, poderíamos acrescentar, eles estarão sempre presentes, pois, na medida em que se ama, é impossível não correr os riscos da perda e seus desdobramentos em termos de sofrimentos.
Assim, Closer parece dizer que a pós-modernidade não nos isenta das dores do amor. O que ela faz é facilitar as defesas contra estas dores, possibilitando, em função da liberdade sexual e do "ethos" narcisista que impregna atualmente a cultura, a prática do sexo casual.
Ao ver Closer, entendemos que sexo casual ou o "estar a fim" são práticas que satisfazem basicamente o narcisismo de cada um dos envolvidos. É como uma masturbação a dois. Não tem nada a ver com um relacionamento amoroso, pois este implica uma superação do narcisismo, o estabelecimento de uma relação objetal, a construção de um vínculo afetivo, a temeridade de lançar-se no voo cego de uma entrega confiante no outro, sem nada a garantir o sucesso da empreitada.
Ele Não Está Tão a Fim de Você e Closer se inscrevem em diferentes registros. O primeiro é mero entretenimento, o segundo é uma obra de arte. O entretenimento pretende primordialmente divertir e, para tanto, evita abordar a dimensão trágica da vida. Uma posição radicalmente diferente da arte, que não se recusa a integrar em seu interior todas as contingências da existência humana, inclusive seu inevitável caminhar para a morte, ao mesmo tempo em que oferece o prazer estético, que ameniza e torna mais palatável seus fortes conteúdos.
Uma outra característica do entretenimento é o uso abundante de clichês e estereótipos, que proporcionam ao grande público um tranquilizador sentimento de reconhecimento e familiaridade com o que lhe é apresentado. Mais uma vez, situação bem diferente daquela proposta pela criação artística, com sua preferência pelo inusitado, pelo inédito, pelo desafio do novo. É verdade que mesmo bons artistas, como Woody Allen, vez por outra apelam ao chavão para garantir uma boa bilheteria. É o que acontece em Vicky Cristina Barcelona (2008). Num ininterrupto desfile de lugares-comuns, duas jovens norte-americanas vão passar o verão em Barcelona, na casa de um rico compatriota. Envolvem-se numa série de imbróglios amorosos e tudo se acaba com o verão, quando as duas voltam para seu país, "enriquecidas" com suas novas experiências. Há os "artistas" e os "burgueses". Há os "espanhóis", com seu sangue latino caliente, e há os "americanos" e "ingleses", comedidos, sofisticados e irônicos. Os "artistas" têm um temperamento excessivamente "original", criando "obras de arte" a todo instante. Penélope Cruz, num papel que lhe deu o Oscar (!), como a pintora genial e geniosa, explosiva e imprevisível, é a própria encarnação da artista "espanhola". Os ricos "burgueses", como era de se esperar, nada mais fazem que langorosamente lutar contra o tédio, em meio a festas, iates e pequenas traições.
Abordada de forma leve e estereotipada ou com a complexidade que ela exige, o fato é que a eterna luta entre os sexos é um tema da maior importância, tratado anteriormente por inúmeros cineastas. Para citar alguns, lembramos Bergman, especialmente em Cenas de Um Casamento (1974) e seu dilacerante epílogo, Sarabanda (2003); Ridley Scott em Thelma e Louise (1991), um dos mais pungentes filmes sobre os impasses da condição feminina em nossos tempos; e Almodóvar em Volver (2006), onde disfarçado no tom de comédia, transparece a visão trágica de dois mundos fechados - o masculino e o feminino - que, ao se aproximarem, não produzem o amor e a criação, e sim o incesto, a violência, o assassinato.
"Anatomia é o destino", disse Freud. Com isso apontava para o fato de ser a diferença anatômica entre os sexos um referencial incontornável na realidade humana, estabelecendo lugares e papéis específicos culturalmente determinados.
O embate entre homens e mulheres, no qual cada sexo usa de suas armas e estratagemas, toma feições diversas em função do tempo e do lugar na história. É inegável que, durante séculos e na maioria das culturas, o falicismo prevaleceu, fazendo com que as mulheres fossem submetidas ao poder dos homens. E assim ainda ocorre com vastas parcelas da população mundial.
Somente com Freud foi possível obter uma compreensão acurada dos aspectos mais profundos e inconscientes do falo e da castração, e de seus efeitos na organização dos grupos humanos. É irônico que o feminismo, que tanto deve a Freud, se tenha voltado, num determinado momento, contra a psicanálise, ignorando ter sido ela o que tornou possível entender o caráter fantasmático que sustentava (e ainda sustenta) a pretendida superioridade masculina sobre as mulheres."
Sérgio Telles é psicanalista e escritor.
Do Estadão de 12.04.09
maio 28, 2009
Ainda Paris
A GEOGRAFIA DO BEIJO NA FRANÇA
Pedras e cogumelos
"Houve um tempo em que a pedra foi símbolo de civilização, conforto e segurança. Era mais idolatrada que as árvores, considerada avanço sobre a indomável, caprichosa e ameaçadora natureza. A beleza urbana de Paris são suas construções, contrário a cidades como Rio e São Francisco, admiradas pelas topografias. Paris se preservou pela pedra talhada, a unidade de formas arquitetônicas harmônicas, respeitosas da proporção humana. Por que? Porque a capital francesa foi das primeiras cidades européias onde a pedra substituiu a madeira. Porque a pedra sobrevive ao incêndio, inimigo devastador das metrópoles antigas. A madeira incentiva, propaga as labaredas. Mas a ausência da pedra criou o berço de ouro de um dos produtos mais apreciados à mesa: o cogumelo. O champignon de Paris, o fungo de sabor único entre mais de 10.000 tipos catalogados — cientistas estimam que 1,5 milhão de outras espécies restam no reino do desconhecido.
Por ordem do imperador Napoleão III, sobrinho de Bonaparte, o Barão Georges-Eugène Haussmann comandou entre 1853 e 1870 a maior remodelação urbana de Paris. Além de embelezar e tornar Paris mais imponente, o “artista demolidor” organizou a simetria de residências e comércios, mudou a geometria das ruas, antes sinuosas e estreitas. Ao traçar largos bulevares, os grandes eixos da capital até hoje, ele possibilitou o uso de canhões contra as revoltas populares e complicou o uso de barricadas. Durante a empreitada de 17 anos, o Barão Haussmann precisou de pedras. Muitas. A retirada do mineral em pedreiras dos arredores de Paris, deixou nos seus lugares, cavernas e grutas, onde a temperatura entre 14 e 16 graus Celsius e 80% de umidade relativa são constantes durante todas as estações.
As grutas se tornam abrigos para animais de criação. Muitas delas foram convertidas em cavalariças naturais. E cavalo não vive bem sem feno. E cavalo faz suas necessidades fisiológicas sem respeitar as regras de higiene dos seus criadores. Quer dizer, imediatamente seguido da vontade e por toda parte, inclusive em cima do feno. A terra do interior das grutas, rica em calcário, os excrementos misturados com o feno, a temperatura constante, a umidade elevada e a ausência da luz solar, todos juntos são os genitores do champignon de Paris.
Tortulhos comestíveis podem crescer em outros ambientes, mas são nas pedreiras abandonadas que o cultivo do champignon de Paris, de rara força aromática, pode ser feito de maneira extensiva e controlada. É o caso da Champignoniere Du Clos du Roi, em Montigny Les Cormelles, 50 quilômetros ao norte de Paris. Lá, Gregory Spinelli, de 36 anos, comanda 14 braços para extrair diariamente uma tonelada de cogumelos cujo quilo é vendido a 5 euros nas feiras livres de Paris. A França, quarto produtor mundial, colhe 200.000 toneladas por ano — 6 em cada 10 cogumelos consumidos no mundo é de origem chinesa..."
História da pedra e do cogumelo do blog do Antonio Ribeiro
AZ
Brasileiros tem fama de descobrir coisas boas pelos quatro cantos do mundo por onde andam. Tenho amigos que, mesmo não sendo brasileiros, dizem ficar sabendo de lugares bons para compras, restaurantes etc. através das “dicas” dos brasileiros que não só vão (neste dia tinha brasileiros lá) como gostam de contar que foram. Olha eu aqui!
Mas é que o Alcazar é tão bonito e diferente do tradicional parisiense que me deu vontade de comentar. Além de a cozinha ser ótima, a decoração do restaurante no térreo e do bar que fica no mezzanino é linda e os quadros bem ousados. Sem contar as projeções em preto e branco dos clássicos românticos do cinema. Muito inspiradas e inspiradoras ("C' est beau l' amour a Paris!") Depois que o bar fecha, o que por aqui nunca acontece muito tarde, a festa começa no subsolo. No dia em que lá estivemos seria uma noite de salsa. Não ficamos para dançar, para tristeza da Bia.
Pedras e cogumelos
"Houve um tempo em que a pedra foi símbolo de civilização, conforto e segurança. Era mais idolatrada que as árvores, considerada avanço sobre a indomável, caprichosa e ameaçadora natureza. A beleza urbana de Paris são suas construções, contrário a cidades como Rio e São Francisco, admiradas pelas topografias. Paris se preservou pela pedra talhada, a unidade de formas arquitetônicas harmônicas, respeitosas da proporção humana. Por que? Porque a capital francesa foi das primeiras cidades européias onde a pedra substituiu a madeira. Porque a pedra sobrevive ao incêndio, inimigo devastador das metrópoles antigas. A madeira incentiva, propaga as labaredas. Mas a ausência da pedra criou o berço de ouro de um dos produtos mais apreciados à mesa: o cogumelo. O champignon de Paris, o fungo de sabor único entre mais de 10.000 tipos catalogados — cientistas estimam que 1,5 milhão de outras espécies restam no reino do desconhecido.
Por ordem do imperador Napoleão III, sobrinho de Bonaparte, o Barão Georges-Eugène Haussmann comandou entre 1853 e 1870 a maior remodelação urbana de Paris. Além de embelezar e tornar Paris mais imponente, o “artista demolidor” organizou a simetria de residências e comércios, mudou a geometria das ruas, antes sinuosas e estreitas. Ao traçar largos bulevares, os grandes eixos da capital até hoje, ele possibilitou o uso de canhões contra as revoltas populares e complicou o uso de barricadas. Durante a empreitada de 17 anos, o Barão Haussmann precisou de pedras. Muitas. A retirada do mineral em pedreiras dos arredores de Paris, deixou nos seus lugares, cavernas e grutas, onde a temperatura entre 14 e 16 graus Celsius e 80% de umidade relativa são constantes durante todas as estações.
As grutas se tornam abrigos para animais de criação. Muitas delas foram convertidas em cavalariças naturais. E cavalo não vive bem sem feno. E cavalo faz suas necessidades fisiológicas sem respeitar as regras de higiene dos seus criadores. Quer dizer, imediatamente seguido da vontade e por toda parte, inclusive em cima do feno. A terra do interior das grutas, rica em calcário, os excrementos misturados com o feno, a temperatura constante, a umidade elevada e a ausência da luz solar, todos juntos são os genitores do champignon de Paris.
Tortulhos comestíveis podem crescer em outros ambientes, mas são nas pedreiras abandonadas que o cultivo do champignon de Paris, de rara força aromática, pode ser feito de maneira extensiva e controlada. É o caso da Champignoniere Du Clos du Roi, em Montigny Les Cormelles, 50 quilômetros ao norte de Paris. Lá, Gregory Spinelli, de 36 anos, comanda 14 braços para extrair diariamente uma tonelada de cogumelos cujo quilo é vendido a 5 euros nas feiras livres de Paris. A França, quarto produtor mundial, colhe 200.000 toneladas por ano — 6 em cada 10 cogumelos consumidos no mundo é de origem chinesa..."
História da pedra e do cogumelo do blog do Antonio Ribeiro
AZ
Brasileiros tem fama de descobrir coisas boas pelos quatro cantos do mundo por onde andam. Tenho amigos que, mesmo não sendo brasileiros, dizem ficar sabendo de lugares bons para compras, restaurantes etc. através das “dicas” dos brasileiros que não só vão (neste dia tinha brasileiros lá) como gostam de contar que foram. Olha eu aqui!
Mas é que o Alcazar é tão bonito e diferente do tradicional parisiense que me deu vontade de comentar. Além de a cozinha ser ótima, a decoração do restaurante no térreo e do bar que fica no mezzanino é linda e os quadros bem ousados. Sem contar as projeções em preto e branco dos clássicos românticos do cinema. Muito inspiradas e inspiradoras ("C' est beau l' amour a Paris!") Depois que o bar fecha, o que por aqui nunca acontece muito tarde, a festa começa no subsolo. No dia em que lá estivemos seria uma noite de salsa. Não ficamos para dançar, para tristeza da Bia.
La promenade plantée
Este jardim é um oásis no coração da cidade. Neste corredor verde que atravessa o 12 arr. encontra-se um cenário meio campestre e meio urbano. Chega-se a ele subindo as escadas que levam ao viaduto das artes. Assim, a poucos metros da Opera da Bastille a gente se vê cercada pela vegetação que alcança a altura dos balcões dos prédios. Ficamos esquecidos de que lá embaixo a agitação urbana prossegue.
maio 27, 2009
Pretextos
Lembra do tempo em que os que se amavam registravam nos troncos das árvores, em pedras ou mesmo nos muros seus nomes com desenho de corações atravessados pela flecha do cupido? Coisas do arco da velha...Vieram as declarações de amor em out doors ...as tatuagens com nome do(a) amado(a) pelo corpo (incompatíveis com a finitude dos sentimentos e tão dolorosas quanto). Mas a imaginação dos apaixonados não ficou por aí. Deparei-me com estes cadeados colocados nas grades de uma das pontes do Sena, por onde não transitam carros e os eternos namorantes parisienses aproveitam para a prática deste "esporte" que já teve seu apogeu. Ou seriam impressões equivocadas de uma não praticante? 


Na Pont des Arts

de "carona" no banco de uns
registrando o "momento" de outros


dos que demoram a chegar
ou não ficaram de vir...
Na Pont des Arts
de "carona" no banco de uns
registrando o "momento" de outros
dos que demoram a chegar
Hora verde
O projeto montre vert é uma experiência iniciada em Londres e NY que acaba de chegar em Paris. Tem em vista distribuir (leia-se, vender) milhares de relógios equipados com dispositivo que capta além do barulho, o nível de CO2. Mesmo numa cidade que tem a rede de transporte como a de Paris, tenho minhas dúvidas quanto à mudança de comportamento tão radical: consultar a qualidade do ar e o nível da poluição sonora, como fazem em relação à meteo, antes de sair de casa para decidir se deixam (ou não)o carro...Sei não...Este relógio, que também marca as horas, tem cara de ser mais um objeto de consumo dos modernos. Afinal ser “ eco” está na moda....
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