maio 11, 2009

Echarpes, cachecois e afins

Estive lendo o blog do Daniel Piza onde ele menciona a chegada do outono e os termômetros a menos de 20 graus que dariam lugar ao aparecimento de cachecóis, echarpes, lenços, foulards e xales enrolados no pescoço, de todas as cores, desenhos, tamanhos, tecidos e modos de usar. Segundo ele, (fico espantada de que se ocupe disto) os adereços têm sido típicos da meia-estação nos últimos anos, mas a cada temporada vêm com mais força e variedade e, agora, misturados a roupas leves como sandálias, camisetas e até decotes.
No hemisfério norte, onde a meia estação se encaminha para o verão, não se percebe o uso destes acessórios como modismo, mas como um recurso para proteção do colo e do pescoço. As temperaturas, ainda um tanto baixas nos inícios das manhãs, voltam a cair no fim das tardes cada vez mais longas.
Em comum com o fenômeno que se observa nos trópicos, apenas a multiplicidade de cores, estampas, texturas e modos de usar, uma vez que a necessidade deste acessório está muito longe de poder ser encarada como “ tendência” ou “ estilo”. Para concordar com o que afirmo é só clicar no título desta postagem.
Assim, visto daqui, fica curioso que se considere cobrir o pescoço tão atraente quanto exibir as pernas. Do mesmo modo, não vem ao caso a questão de as mulheres se vestirem para si mesmas ou para os homens. Pode até ser mesmo uma coisa e outra. E daí?

Sutilezas

Desprovida de moralismos falsos, achei curiosa esta notícia do NYT : Um site dos EUA que tem como slogan "a vida é curta, tenha um caso", oferece namoro para casados e já atraiu milhões de assinantes. Na cena do comercial , um casal celebra o aniversário de casamento. Estão em um restaurante à luz de velas, mas a noite não é nada romântica. Na metade do tempo, o marido fala de negócios ao telefone; na outra metade, lança olhares lascivos para a garçonete, usa a faca como espelho para limpar os dentes e sugere que a parceira vai engordar se comer sobremesa. O que ela deve fazer? Partir para o adultério, sugere abertamente.
O sucesso só não foi maior do que a comoção causada entre os defensores da “fidelidade”. Na verdade, um site como este apenas serve a um comportamento já existente e não será um comercial que vai convencer alguém a ter um caso, quem se encarrega disto é o próprio marido. A gente sabe que a maioria das mulheres não busca sexo. Não que sejam santas, mas algumas talvez até se contentem com uma pessoa mais interessante e divertida para jantares, drinks e conversas inteligentes, enquanto a maioria dos homens só quer sexo mesmo. Na França, onde há muita “ infidelidade”, a taxa de preservação de casamentos é muito maior do que a dos EUA com o seguinte detalhe: os franceses são mais sutis, não abrem mão dos jogos de sedução, que são a melhor parte...

maio 10, 2009

Frasco de perfume de outros tempos

“Se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude.” A frase é do sobrinho Tancredi Falconeri ao tio, o principe Fabrizo Salina — ambos personagens do magnifico romance O Gattopardo, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, duque de Parma. Ninguém enunciou o postulado de forma tão encantadora e impenetrável quanto o ator francês Alain Delon na obra-prima cinematográfica de Luchino Visconti, a história dos tormentos de um príncipe da nobreza siciliana durante a tomada do poder pelos revolucionários do Risorgimento na Sicília.
A colônia masculina Eau Sauvage, da Dior, continua igual desde que foi criada pelo perfumista Edmond Roudnistka em 1966. Naquele ano, Alain Delon tinha 31 anos, era considerado o James Dean francês, bonito (beau gosse) como Brigitte Bardot de calças. Desde então, a aparência do ator de 74 anos — quando refere-se a ele mesmo faz como o mito vivo Pelé, na terceira pessoa — mudou muito.
Para que tudo continue como está, ou seja, o clássico Eau Sauvage, mudou o rosto do seu garoto propaganda. Doravante ele é Alain Delon. Mas com uma fotografia do ator feita por Jean-François Périer no balneário de Saint Tropez… em 1966. Algumas mudanças foram feitas na imagem original para adaptar aos novos tempos. Ela perdeu a cor. Virou preto e branco para dar uma ar de nostalgia. O cigarro entre os dedos do galã desapareceu.
A Dior explica a escolha da imagem de Delon para vender o perfume, usado também pelo pai deste blogueiro, que se lembra da fragrância como uma espécie de madalene de Proust: “A imagem não envelheceu, vai nos permitir atrair tanto homens que lembram do Delon na época quanto aos consumidores jovens, seduzidos pelo ar rebelde e irreverente.” Na França, há boa chance de funcionar e além das suas fronteiras? Você sabe quem é o Delon, meu jovem leitor? Se não é o caso, veja O Samurai para começar.
A jogada marqueteira da Dior é alvissareira para ícones destronados pela ação do tempo e chegada de novas beldades. O baú pode conter prosperidade. Condição: não seguir uma moda atual, o puro deleite visual sem nenhum significado além da forma. Delon era bonito, mas tinha conteúdo, mesmo. Hoje, ele equivale a um frasco de perfume de outros tempos."

Do Blog do Antonio Ribeiro, de Paris

Mães

maio 09, 2009

Saint-Malo



Vingança normanda

Dizem que quando as notícias do país e do mundo não são boas e resta estreita margem a hedonismos de circunstância, a melhor vingança é um bom vinho e uma boa refeição... Então tá!


Mont-Saint-Michel

O Mont-Saint-Michel foi um lugar de peregrinação ao longo da Idade Média. Hoje, mil e trezentos anos depois de sua fundação, desde que passamos a combater nossos “dragões” com outras armas, o culto ao arcanjo São Miguel anda meio em baixa. Ainda assim, o lugar continua sendo muito visitado
O chamado “turismo de massa” ( maior indústria da França) traz, nos 365 dias do ano, centenas de ônibus com gente de todas as procedências e idades. Milhares de pessoas, pouco interessadas em sua história, armadas com câmerass digitais se atropelam pelas estreitas ruelas, entre lojas de souvenirs e outras “armadilhas”. A visita à abadia não é acessível à qualquer "joelho”. Decidi poupar o meu. Afinal não tinha nenhuma promessa para pagar.
Os restaurantes, antes do menu, anunciam a vista para a baía, cujas marés se encarregam de modificar a paisagem, garantindo o espetáculo. Ontem a previsão era de que a maré encheria a partir das 18 hs. O fenômeno não importa mais no isolamento da Abadia como em outros tempos.

Atrás de nosso hotel passava o rio e da sacada de nosso quarto se tinha vista para a abadia e, em primeiro plano, uma eclusa.

maio 07, 2009

tem de tudo...

Ahmadinejad e Foucault

"O PRESIDENTE do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, adiou sua visita ao Brasil. Melhor assim. Ele é uma das figuras mais sinistras da praça política mundial: uma encarnação do ódio assassino como solução para o fato de que sempre há outros que vivem, pensam e sentem de uma maneira diferente da nossa.
Há um problema no Oriente Médio? Simples, basta acabar com os judeus e aniquilar o Estado de Israel. Isso lhe lembra algo que já aconteceu? Não se preocupe: o genocídio é uma invenção sionista. Há iranianos que pulam a cerca? Simples, basta massacrar as adúlteras, mesmo que tenham sido estupradas. Há iranianos homossexuais? Eventualmente, "tinha" - já não tem mais. E por aí vai, para todos os dissidentes, externos e internos.
Ultimamente, em Genebra, quando Ahmadinejad falou, os diplomatas ocidentais deixaram a sala. Os brasileiros apenas emitiram uma nota de repúdio. Três razões:
1) O Irã é um bom comprador no Oriente Médio, e dinheiro não tem cheiro. Discordo desse argumento neoliberal: o dinheiro tem cheiro, sim, sobretudo quando vem numa mala de carniças.
2) Ahmadinejad extrapola porque está em campanha e se endereça à sua base eleitoral. Quer dizer que ele se sustenta numa base que pensa como ele? Pior ainda.
3) Campeão da coexistência de diferenças (étnicas, religiosas e infelizmente econômicas), o Brasil pode ser um valioso mediador de conflitos. Ótimo, mas o que significa mediar? Por uma limitação da qual não quero me desfazer, eu não consigo ponderar os problemas do mundo sem pensar nos indivíduos. E, conversando com Ahmadinejad, seria assombrado pela visão de uma mulher tremendo de medo, num porão, incapaz de invocar seu deus porque, segundo lhe ensinaram, ele está inteiramente com um grupo de barbudos que, sentados no quarto de cima, tomam chá e decidem quando ela será apedrejada. É um pensamento que me dá nojo.
Reli os artigos que Michel Foucault escreveu para o "Corriere della Sera", durante duas viagens ao Irã, em 1978, no começo da "Revolução" Iraniana (em "Dits et Ecrits vol. 2, 1976-1983", Gallimard, e, em inglês, "Foucault and the Iranian Revolution", University of Chicago).
Foucault me ensinou a enxergar a mão furtiva do poder, mesmo nas sociedades aparentemente "livres". Como foi que ele escreveu uma apologia entusiasta do que já prometia ser um regime totalitário como poucos na história?
No sábado passado, neste espaço, Antônio Cicero também voltou a esses escritos de Foucault -talvez inspirado pela visita iminente. Cicero argumentou que o relativismo libertário (a ideia de que não temos o direito de julgar regimes de verdade diferentes do nosso) levou Foucault a defender um fundamentalismo que não reconhece nenhuma verdade que não seja a dele. Concordo. O relativismo só faz sentido se ele for uma exceção à sua própria regra: todos os regimes de verdade são respeitáveis, salvo os que não respeitam a verdade dos outros.
Mas o que mais me impressionou, relendo Foucault, foi que, naquelas viagens, ele não ouviu nenhuma voz de dissenso. Só percebeu a perfeita unanimidade de um povo desejoso de se refundar "espiritualmente", além de suas diferenças políticas. Talvez ele tenha saído de Paris já decidido a encontrar, na "Revolução" Iraniana, o protótipo de uma nova esperança coletiva.
Aparentemente, vale também para Foucault: sermos indivíduos é uma tarefa árdua, que suscita a nostalgia permanente de uma coletividade em que poderíamos, enfim, descansar. Algo assim: que venha a "vontade geral" com a qual sonhava Rousseau e nos permita renunciar por um tempo a nossas responsabilidades singulares!
Pois bem, Ahmadinejad nos lembra que a "vontade geral" se constrói sempre sobre os cadáveres dos que não concordam.
Foucault achava que a psicanálise, levando-nos a falar sobre os desejos sexuais, abre a porta para que o poder se insinue em nossa vida privada. Pode ser, mas, para mim, o legado irrenunciável da psicanálise é sobretudo a necessidade de pensar nas pessoas uma por uma, sem ilusões e entusiasmos coletivos, ou seja, sem esquecer aquela mulher que, no porão, ainda está esperando para saber a que horas será apedrejada.
Presidente Lula, caso Ahmadinejad seja reeleito e venha ao Brasil, na hora da foto oficial, peço-lhe, por favor, que o senhor pense nessa mulher e se abstenha de sorrir."
CONTARDO CALLIGARIS

maio 06, 2009

O triunfo dos porcos

"Fantasiamos há muito tempo a nossa própria destruição coletiva; nossa histeria é incurável
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DESISTI DE fazer terapia no dia em que comecei a sentir-me culpado por não me sentir culpado. O analista esperava confissões pungentes sobre horrores vários e infantis. Nada tinha para lhe dizer. E essa ausência de esqueletos no armário começou a alimentar uma angústia sem nome. Eu era um caso dramático de ansiedade por falta de ansiedade.
Ainda sou. E assim se entende o meu estado de espírito sempre que o ano avança e não existe nenhum apocalipse pronto para exterminar a raça humana. Os meses passavam: janeiro, fevereiro, março. E as autoridades mundiais não lançavam gritos lancinantes sobre uma doença, uma anomalia técnica, um vírus descontrolado e mortal. Nem sequer um espirro! Sei do que falo. Vocês, leitores, também. Nos últimos dez, 15 anos, praticamente não tivemos sossego. Basta consultar "Scared to Death", um livro notável que Christopher Booker e Richard North publicaram recentemente no Reino Unido.
Antes mesmo do século 21 começar, os perigos estavam nas vacas e na carne delas. A doença tinha nome divertido ("doença da vaca louca") e consequências menos divertidas: uma doença neurológica degenerativa e incurável que prometia condenar meio milhão de seres humanos a uma morte precoce e terrível.
Lembro-me bem: imagens de vacas trémulas, a dançar o twist; a matança de milhares delas, com ou sem sintomas; e os criadores de gado arruinados. Muitos optaram pelo suicídio. Pobrezinhos. Ainda hoje está por provar que a encefalopatia espongiforme bovina seja a causa da doença de Creutzfeldt-Jacob nos seres humanos.
Veio o milênio. E, com o milênio, vieram novos perigos. Não de origem animal. Mas humana. Ou, se preferirem, tecnológica. Na virada de 1999 para 2000, um "bug" informático iria paralisar as cidades, os transportes, o sistema bancário e financeiro. Aviões cairiam do céu. Milhões de doentes não resistiriam à paragem das máquinas. Os países mais desenvolvidos gastaram US$ 300 bilhões de dólares (estimativa conservadora) para evitarem o colapso. Quando a meia-noite soou, o mundo, inexplicavelmente, continuou. Suspirou-se de alívio. Ou de desilusão? Os suspiros duraram pouco tempo. Se a humanidade resistira ao "bug" informático, não iria sobreviver à "gripe das aves". A Organização Mundial de Saúde garantia que 7 milhões de pessoas estavam condenadas. As Nações Unidas, não contentes com 7 milhões, falavam já em 150 milhões. Especialistas vários preferiam dizer 350 milhões. Moral da história?
Morreram 200 pessoas, sobretudo na Ásia rural, onde a pobreza e a desnutrição não ajudam. Morreram incomparavelmente menos pessoas do que as vítimas normais que a gripe normal provoca todos os anos, em todos os países do mundo.
Eis a verdade: andamos há muito tempo a fantasiar a nossa própria destruição coletiva. São as vacas. As aves. O "bug" informático. A pneumonia atípica. A catástrofe ecológica e climatérica que nos espera. Ou, para sermos mais atuais, uma gripe de origem suína e mexicana que, nas palavras de Margaret Chan, diretora-geral da Organização Mundial de Saúde, coloca toda a humanidade em risco. Que essa "gripe suína" esteja sobretudo confinada ao México, pouco importa. Que as vítimas do México sejam praticamente insignificantes quando comparadas com as vítimas regulares de gripe regular, também não. E que os infectados fora do México estejam a responder aos medicamentos disponíveis, muito menos. A realidade dos fatos não altera a nossa histeria. E não altera porque a nossa histeria é profunda e incurável. Hoje, vivemos mais. Hoje, vivemos melhor. Mas apesar disso, ou sobretudo por causa disso, entramos em pânico sempre que a morte, ou mesmo a mera possibilidade da morte, ameaça o nosso único deus: o corpo, o nosso corpo, e a "Religião da Saúde" que substituiu todas as outras teologias tradicionais. Tememos a nossa destruição física. Mas, como em qualquer temor, recriamos e até desejamos essa mesma destruição, como se isso redimisse a radical solidão dos homens de hoje. Tão modernos que somos. E tão entediados que nos sentimos.
Um conselho: nada nesta vida se faz sem perseverança. Quem sabe? Se desejarmos muito que algo aconteça, talvez um dia alguém lá cima se lembre de responder às nossas preces."
JOÃO PEREIRA COUTINHO

Bons e maus odores

Primeiro fomos a Galerie Lafayette e só depois ao Le Grand Café Capucines. Ficou impossível suportar o mau cheiro das lindas recepcionistas e dos garçons. Em que pese a ótima cozinha, a cada vez que se aproximavam de nossa mesa tínhamos que prender a respiração. Mas deixavam o rastro...Impregnadas de bons perfumes, ficamos mais sensíveis aos maus odores. Lamentavelmente, não é lenda a fama de que eles não tomam banho...



maio 05, 2009

A Orelha do Van Gogh

"Um dos mais célebres dramas da história da arte que vem alimentando há mais de dois séculos o mito do gênio maldito e a loucura como elemento fundamental da pintura moderna pode ser pura lorota. Ela resume-se no que vai a seguir. Depois de calorosa discussão entre várias que travou com o pintor Paul Gauguin (1848–1903), em estado mental frágil e consciente de que seu sonho de criar uma comunidade de artistas em Arles era utopia irrealizável, Vincent Van Gogh (1853–1890) se auto-mutilou. Na noite do 23 de dezembro de 1888, no auge de crise depressiva, o pintor pós-impressionista holandês decepou a sua orelha esquerda com uma navalha.
Hans Kaufmann e Rita Wildergans, historiadores alemães do Museu de Arte de Bâle, na Suíça, acabam de publicar Van Goghs Ohr, Paul Gauguin und der Packt des Schweigens (A orelha de Van Gogh, Paul Gaugin e o pacto de silêncio), resultado de uma investigação feita durante 10 anos. O livro sustenta um golpe de sabre de Gaugin, excelente esgrimista, como causa do ferimento, presente em famosos — e caríssimos — auto-retratos de Van Gogh (veja a ilustração deste post). O holandês ruivo teria mantido silêncio para proteger o amigo cujo irmão, era seu galerista. Isto explicaria o retorno precipitado de Gauguin de Arles à Paris, depois de responder de forma coerente à um interrogatório enquanto Van Gogh divagou nas respostas à polícia.
A versão dominante até hoje, largamente baseada no testemunho de Gauguin, publicado no livro Avante et Aprés (Antes e Depois) publicado em 1903. Ele dá conta de que a discussão entre os artistas, a terceira em menos de 24 horas, se deu por questões acadêmicas. Van Gogh afirmava que se poderia criar através da fantasia e Gauguin rebatia vigorosamente. Para o francês, o processo criativo só era possível através da natureza. O pano de fundo do debate era os princípios da criação de uma eventual uma escola artística, uma espécie novo Pont-Aven sob o sol e cores do sul francês. Os historiadores alemães passaram pente fino nos relatórios da polícia e os confrontaram com notas de jornais locais da época. Eles sugerem que a causa da pendenga foi bem mais trivial: briga por mulher, a prostituta Raquel.
A navalha de Van Gogh nunca foi encontrada. O sabre de Gauguin teria sido jogado no rio Rhône. O holandês jamais confirmou a auto-mutilação. O francês tampouco presenciou o suposto ocorrido. Sabe-se que o lóbulo, enrolado em papel jornal, foi entregue a uma prostituta que preveniu a polícia. “Para se livrar de Van Gogh, que implorava ficar quando estavam em frente a casa de tolerância que frequentavam, Gaguin brandiu o sabre e a orelha caiu, não se sabe se o gesto foi acidental ou voluntário”, diz Kaufmann. “Depois, os protagonistas juraram nada dizer”, completa.
Van Gogh adorava Gauguin. Queria o amigo como parceiro no projeto de uma coletividade de artistas onde seriam fundadores. O francês via diferente: “Vincent ficou excessivamente brusco e barulhento e depois, silencioso.” Em 1992, o médico Wilfred Arnold, chegou à conclusão de que a doença de Van Gogh, mais que uma origem psicológica, procedia de uma descompensação de enzimas, a Porfiria Aguda Intermitente — AIP, na siga em inglês. Sete meses depois do caso da orelha decepada, Van Gogh suicidou-se. Gauguin refugiou-se no nas Ilhas Marquesas, morreu só e sifilítico."

Do Blog do Antonio Ribeiro, de Paris
(clique no título para ler mais)