maio 01, 2009

Divagações

Ao me instalar aqui, acreditava que (como nas vezes anteriores), teria acesso a uma rede aberta, ainda que “ não segura” de internet. Resolvidas as questões domésticas, liguei o laptop e tentei me conectar. Não tive sucesso. Como era noite, deixei o assunto para o dia seguinte. Tive que resolver algumas pendências e ir ao aeroporto receber a minha amiga. Chegada do Brasil com o natural cansaço de uma noite de vôo e a defasagem de fuso-horário, saímos para o que seria o seu almoço e o meu jantar, seguido daquele primeiro contato com a cidade (para mim, o Sena é obrigatório). Os dias já estão longos . O por do sol acontece em torno das 9 horas.... Ah! como sinto não experimentar mais certas emoções. Deslumbramento é uma delas (não consigo recuperar esta sensação que, como tantas outras, se perderam). Voltamos para casa passando pela pirâmide do Louvre que fotografei naquele crepúsculo que nem ouso descrever (v.posts anteriores).
A impossibilidade de conexão era mencionada como um problema menor e só passou a ter um maior siginficado pela necessidade que as pessoas tem de enviar notícias “para casa”. Um referencial temporariamente (?) perdido: “casa” . Faz um tempo que estou tentando definir o que e onde devo considerar “ minha casa” . Hoje é aqui. Como foi, ultimamente, Floripa, Curitiba, Bayonne, Matosinhos... Como será Barcelona e depois Fortaleza....
Então, não sendo para se comunicar com a “ casa”, por que me faz falta a internet? Nunca estive sequestrada, presa, isolada num claustro ou numa UTI, nem perdida na floresta nem vagando em um barco à deriva, mas são estas situações que me ocorrem diante da sensação de isolamento por não ter conexão.
Pronto falei! que não venham agora me apontar os nomes das síndromes e as terapias aplicáveis. Estou longe de ficar como a da fotografia. Acalmem-se!
Não sou dependente de notícias. Dos jornais leio somente determinados colunistas. Leio muitos blogs de jornalistas, escritores, publicitários e de mortais comuns que também pensam e tem o que dizer. A propósito de blogs, aqui na França, cada político tem o seu. Afinal, além de serem alfabetizados, eles têm compromissos com os que os elegeram, a quem prestam contas de seus atos. Através de seus blogs são acompanhados e respondem as questões que lhes são colocadas.
Bom, sem conexão, fica difícil até sair de casa. É preciso ligar a TV e esperar um boletim da Meteo. Vamos para onde? Programações, horários, ingressos estão na internet. Não se vê mais uma revistinha que se chamava Pariscope que trazia tudo isto....
Tenho uma pendência no La Poste. Um collis que não chegava e que foi entregue sabedeus a quem. Só se resolve pela internet. Vamos a Giverny? Quais os horários do trem e o dia da semana que a Fundação Monet não abre? Só se sabe pela internet....
E para não ir mais longe. A clé internet que comprei para me conectar é recarregável (pago por hora). O atendente da SFR diz para fazer pela internet . Ora, só posso recarregar quando terminam os créditos que devem ser pagos na boutique SFR e com os créditos zerados como posso acessar para recarregar? Eles sempre ficam impacientes diante deste questionamento. Outro dia uma atendente me passou para o colega, dizendo que eu a levara ao seu limite... Até onde vai a burrice humana ou o quanto não se quer pensar, deixando tudo por conta das máquinas? Ontem, tive um rasgo típico de velhinha, dei um beijo na bochecha do rapazinho que compreendeu imediatamente a situação e recarregou a clé, sem maiores explicações...

abril 30, 2009

Encanto de jarra...

e suas múltiplas funções. Inclusive a de espelho!

Qualquer imagem...


Tulherias
Champs de Mars
Porto do Sena

No escuro

Como toda cidade grande, Paris tem seus lugares insólitos e/ou bizarros. Um deles me pareceu dos mais ...(não esquecendo, bien sûr, os que são impublicáveis). Imagine jantar na escuridão total, ser guiada ao entrar e ser servida por uma equipe de non-voyants! Isto mesmo, cegos! O restaurante propõe esta experiência inédita com o objetivo de ressaltar os outros sentidos. O “conceito” já fez escola em Londres, Moscou e Varsóvia. Quem se interessar, é clicar no título.

abril 26, 2009

Couples

Domingo passado, nas andanças por Montmartre, encontrei Couples (Casais ) - as mais célebres histórias de amor (Bárbara Sichtermann). Entre os casais, estão Rimbaud e Verlaine, Gerturde Stein e Alice Toklas, Lou Salomé e Rainer Maria Rilke passando por casais mais convencionais, nem Adão e Eva foram esquecidos. O livro, ricamente ilustrado, traz casais históricos ou fictícios, criados pela literatura, poesia, ópera ou cinema que demonstram toda a aventura e incertitudes do amor.
Neste momento, leio a respeito da descoberta de um arqueólogo que alardeia que Cleópatra e Marco Antonio foram enterrados juntos. O adeus de Marco Antonio à Cleópatra celebrizado por Shakespeare foi imortalizado no cinema – por Elizabeth Taylor e o seu eterno Marco Antonio e muitas vezes marido Richard Burton.
Cleópatra morreu faz 2.039 anos. Foi a última rainha do Egito e mãe do filho único do homem mais poderoso do seu tempo, Julio Cesar. Depois de seu assassinato, teve mais três filhos com Marco Antonio. Foi a maternidade que lhe assegurou o trono de um reino decadente mas a sua fama perdura por atributos distintos dos que fazem grandes os personagens históricos. Bela e sedutora, ao saber da morte de Marco Aurélio teria induzido uma serpente venenosa a morder-lhe o seio. Na verdade, não se sabe se suicidou-se, foi feita prisioneira ou se foi assassinada. O certo é que, como as mulheres inteligentes, Cleópatra era perigosa e valeu-se da promiscuidade e virilidade para conseguir reconciliar culturas distintas e seus interesses. Morreu por amor, como uma Julieta qualquer.
Tragédias da paixão acompanharam e inspiraram a humanidade. Cleópatra, ao que tudo indica, foi protagonista de uma das mais famosas. Agora cabe à arqueologia a tarefa de fornecer provas para transformar a lenda em realidade. A eventual descoberta seria o maior achado arqueológico desde 1923, quando foi encontrada a múmia do Faraó Tutancamon com seus 3.500 pertences intactos.

La Defense

Este centro econômico, onde se encontram as sedes de muitas empresas francesas e multinacionais, centros comerciais etc., está situado no subúrbio de Paris, no prolongamento do axe historique que começa no Louvre, prossegue pelos Champs-Élysées, Arco do Triunfo, se projeta até à ponte de Neuilly e termina no Grande Arche. Nem o colorido das esculturas (a da foto é Miró), a água dançante da fonte ou a singeleza do corrossel quebram a aridez do ambiente vitrificado. Na área residencial a população é de imigrantes, na maioria árabes.





abril 25, 2009

Joyeux Anniversaire !

Hoje comemoramos o aniversário da Irlei no restaurante Au pied de cochon que ela escolheu pela beleza das luminárias, quando passávamos a caminho de casa, depois de ouvir (de mim) que, dificilmente, uma escolha nesta área dá errado neste país onde gastronomia é quase uma religião.
De perto, as luminárias em forma de fruteiras são ainda mais lindas.

Este porquinho pequeno era um suspiro que acompanhava a minha sobremesa...

Uma homenagem

COCO avant CHANEL

O filme foi lançado dia 22 e a campanha publicitária estava por toda a cidade.
Em que pese os franceses continuarem fumando enlouquecidamente, ontem ouvi no rádio que o poster oficial do filme foi censurado com base na lei que proibe qualquer incentivo, direto ou indireto, ao fumo em campanhas publicitárias. Coco era fumante inveterada. Dizem que chegava a fumar 50 cigarros por dia. Deve ser verdade pois é quase impossível encontrar uma foto em que ela não esteja com o cigarrinho na mão. Como aqui decisão judicial é para ser cumprida (apesar de o próprio ministro da saúde considerá-la um pouco extremada), outro poster está sendo providenciado.

MUGUETS

Existe uma tradição na França de oferecer muguets às pessoas queridas no primeiro de maio para desejar-lhes boa sorte! O muguet é tido como símbolo de renovação, da primavera e do amor. Foi Charles IX que, em 1561, instaurou na França esta tradição. Um costume que já vinha dos povos celtas para quem o 1o. de maio marcava o início do ano novo. Na antiguidade, o 1o de maio era a data em que os navegadores retornavam ao mar. Os camponeses franceses também tinham o costume de celebrar a chegada da primavera na noite do dia trinta de abril para o dia primeiro de maio e já na Idade Média, maio era tido como o mês dos noivados. Falta uma semana para o primeiro de maio, mas ontem à noite já se viam vendedores de flores oferecendo muguets nos cafés e restaurantes da cidade. Ganhei muguets arranjados como um colar salpicado de uma florzinha vermelha. Chegando em casa, o perfume se espalhou pelo quarto. Um pequeno gesto que deixou o dia muuuuito mais gostoso!