abril 30, 2009
No escuro
Como toda cidade grande, Paris tem seus lugares insólitos e/ou bizarros. Um deles me pareceu dos mais ...(não esquecendo, bien sûr, os que são impublicáveis). Imagine jantar na escuridão total, ser guiada ao entrar e ser servida por uma equipe de non-voyants! Isto mesmo, cegos! O restaurante propõe esta experiência inédita com o objetivo de ressaltar os outros sentidos. O “conceito” já fez escola em Londres, Moscou e Varsóvia. Quem se interessar, é clicar no título.
abril 26, 2009
Couples
Domingo passado, nas andanças por Montmartre, encontrei Couples (Casais ) - as mais célebres histórias de amor (Bárbara Sichtermann). Entre os casais, estão Rimbaud e Verlaine, Gerturde Stein e Alice Toklas, Lou Salomé e Rainer Maria Rilke passando por casais mais convencionais, nem Adão e Eva foram esquecidos. O livro, ricamente ilustrado, traz casais históricos ou fictícios, criados pela literatura, poesia, ópera ou cinema que demonstram toda a aventura e incertitudes do amor. Neste momento, leio a respeito da descoberta de um arqueólogo que alardeia que Cleópatra e Marco Antonio foram enterrados juntos. O adeus de Marco Antonio à Cleópatra celebrizado por Shakespeare foi imortalizado no cinema – por Elizabeth Taylor e o seu eterno Marco Antonio e muitas vezes marido Richard Burton.
Cleópatra morreu faz 2.039 anos. Foi a última rainha do Egito e mãe do filho único do homem mais poderoso do seu tempo, Julio Cesar. Depois de seu assassinato, teve mais três filhos com Marco Antonio. Foi a maternidade que lhe assegurou o trono de um reino decadente mas a sua fama perdura por atributos distintos dos que fazem grandes os personagens históricos. Bela e sedutora, ao saber da morte de Marco Aurélio teria induzido uma serpente venenosa a morder-lhe o seio. Na verdade, não se sabe se suicidou-se, foi feita prisioneira ou se foi assassinada. O certo é que, como as mulheres inteligentes, Cleópatra era perigosa e valeu-se da promiscuidade e virilidade para conseguir reconciliar culturas distintas e seus interesses. Morreu por amor, como uma Julieta qualquer.
Tragédias da paixão acompanharam e inspiraram a humanidade. Cleópatra, ao que tudo indica, foi protagonista de uma das mais famosas. Agora cabe à arqueologia a tarefa de fornecer provas para transformar a lenda em realidade. A eventual descoberta seria o maior achado arqueológico desde 1923, quando foi encontrada a múmia do Faraó Tutancamon com seus 3.500 pertences intactos.
La Defense
Este centro econômico, onde se encontram as sedes de muitas empresas francesas e multinacionais, centros comerciais etc., está situado no subúrbio de Paris, no prolongamento do axe historique que começa no Louvre, prossegue pelos Champs-Élysées, Arco do Triunfo, se projeta até à ponte de Neuilly e termina no Grande Arche. Nem o colorido das esculturas (a da foto é Miró), a água dançante da fonte ou a singeleza do corrossel quebram a aridez do ambiente vitrificado. Na área residencial a população é de imigrantes, na maioria árabes.





abril 25, 2009
Joyeux Anniversaire !
Hoje comemoramos o aniversário da Irlei no restaurante Au pied de cochon que ela escolheu pela beleza das luminárias, quando passávamos a caminho de casa, depois de ouvir (de mim) que, dificilmente, uma escolha nesta área dá errado neste país onde gastronomia é quase uma religião. 
De perto, as luminárias em forma de fruteiras são ainda mais lindas.

Este porquinho pequeno era um suspiro que acompanhava a minha sobremesa...
De perto, as luminárias em forma de fruteiras são ainda mais lindas.
COCO avant CHANEL
O filme foi lançado dia 22 e a campanha publicitária estava por toda a cidade.
Em que pese os franceses continuarem fumando enlouquecidamente, ontem ouvi no rádio que o poster oficial do filme foi censurado com base na lei que proibe qualquer incentivo, direto ou indireto, ao fumo em campanhas publicitárias. Coco era fumante inveterada. Dizem que chegava a fumar 50 cigarros por dia. Deve ser verdade pois é quase impossível encontrar uma foto em que ela não esteja com o cigarrinho na mão. Como aqui decisão judicial é para ser cumprida (apesar de o próprio ministro da saúde considerá-la um pouco extremada), outro poster está sendo providenciado.
Em que pese os franceses continuarem fumando enlouquecidamente, ontem ouvi no rádio que o poster oficial do filme foi censurado com base na lei que proibe qualquer incentivo, direto ou indireto, ao fumo em campanhas publicitárias. Coco era fumante inveterada. Dizem que chegava a fumar 50 cigarros por dia. Deve ser verdade pois é quase impossível encontrar uma foto em que ela não esteja com o cigarrinho na mão. Como aqui decisão judicial é para ser cumprida (apesar de o próprio ministro da saúde considerá-la um pouco extremada), outro poster está sendo providenciado.
MUGUETS
abril 24, 2009
I love Susan Boyle
"NA TERÇA-FEIRA, eu estava com minha coluna pronta (escrevo entre domingo e segunda) e, ao abrir o jornal, descobri que João Pereira Coutinho, neste mesmo espaço, também tinha-se apaixonado por Susan Boyle.
Tudo bem, não sou ciumento. Mesmo assim, por um momento, pensei escrever, na última hora, outra coluna. Mas, lendo Coutinho, percebi que a gente pode se apaixonar pela mesma pessoa por razões diferentes. Aqui vai.
Em poucos dias, dezenas de milhões de pessoas, pelo mundo afora, assistiram ao vídeo de Susan Boyle cantando "I Dreamed a Dream" (eu sonhei um sonho). Assistiram e choraram lágrimas comovidas.
Acesse a internet e veja uma das versões (por exemplo, www.youtube.com/watch?v=8OcQ9A-5noM). Se quiser mais, assista à entrevista de Susan Boyle à rede americana CBS, durante a qual Boyle canta um trecho da música a capela (watching-tv.ew.com/2009/04/susan-boyle-cbs.html).
Provavelmente, Susan Boyle gravará um CD, e o comprarei. Talvez, um dia, ela venha ao Brasil, e estarei no show, mesmo a preço de cambista. Mas nada disso se comparará com o momento extraordinário registrado no vídeo que está hoje no YouTube. Por quê?
Vamos com calma. Susan Boyle se qualificou nas preliminares para participar de "Britain's Got Talent" (a Grã-Bretanha tem talento), que é mais uma versão (inglesa) de "American Idol", o programa de televisão que começou nos EUA e foi repetido em vários países -no Brasil, "Ídolos", na TV Record. Trata-se, a cada ano, de premiar um cantor ou uma cantora, descobrindo novos talentos.
Na verdade, a seleção para chegar até à final talvez seja o que mais diverte as plateias, nos teatros de gravação ou em casa: o vexame da maioria dos concorrentes funciona como um bálsamo para todas as covardias que nos impedem de correr atrás de nossos sonhos. Algo assim: "Olhe o que aconteceu com quem ousou. Ainda bem que eu não fui!".
Susan Boyle entrou no palco como uma espécie de anticlímax; ela era tudo o que não se espera de uma aspirante a estrela: quase 48 anos, solteirona, desempregada, vestida (disse um amigo estilista) como a rainha Elizabeth se ela fosse pobre, "gordinha" e "feinha". Os diminutivos indicam que sua aparência não era extraordinária nem negativamente, mas a tornava transparente: aquela figura papel de parede, de quem ninguém se lembra se ela estava na festa ou não. Para completar, respondendo às perguntas de Simon Cowell (que preside o júri), ela pareceu quase tola e um tanto vulgar, balançando os quadris para dar mostra de sua juventude de espírito.
Quando Susan Boyle anunciou que seu sonho era ser cantora como Elaine Page (a inesquecível Grizabella de "Cats", em Londres, em 1981), o júri e a plateia não esconderam seu desdém.
Aí Susan Boyle começou a cantar. A performance foi propriamente incrível; por um instante, pensei que Boyle estivesse apenas mexendo os lábios enquanto tocava uma gravação: uma voz forte, limpa, segura e expressiva, fiel às emoções que se alternam ao longo das letras.
Também a música que Susan Boyle escolheu (letras de Alain Boublil) contribuiu para transformar sua performance numa espécie de exemplo moral: fala de um sonho antigo, sonhado quando "a esperança falava alto e a vida valia a pena", na época em que "os sonhos são criados, usados e desperdiçados"; mas há "tempestades" que "transformam nossos sonhos em vergonha", e, no fim, em regra, a vida massacra os sonhos que sonhamos. Então, qual é a moral da performance?
Para Coutinho, a moral é que, na vida, não basta se esforçar: é preciso ter sorte. Entendo assim: Susan, até aqui, não teve sorte, a gente se comove porque é tarde demais ou porque, enfim, o destino a encontrou em sua aldeia perdida.
Para mim, a moral é outra. Não sei se Susan teve sorte ou não. Cuidar longamente da mãe doente e cantar com os amigos no karaokê da vila é uma vida que pode valer a pena, talvez mais do que uma vida nas luzes da ribalta. O que me comoveu tem mais a ver com a coragem e a resistência de seu sonho.
Os entrevistadores da CBS perguntaram a Susan Boyle como ela conseguiu se concentrar e cantar, embora percebesse que o júri e a plateia não a levavam a sério e já estavam antecipando a zombaria. Ela respondeu, com simplicidade: "É a gente que tem de se levar à sério".
CONTARDO CALLIGARIS
(clique no título para conhecê-la)
Tudo bem, não sou ciumento. Mesmo assim, por um momento, pensei escrever, na última hora, outra coluna. Mas, lendo Coutinho, percebi que a gente pode se apaixonar pela mesma pessoa por razões diferentes. Aqui vai.
Em poucos dias, dezenas de milhões de pessoas, pelo mundo afora, assistiram ao vídeo de Susan Boyle cantando "I Dreamed a Dream" (eu sonhei um sonho). Assistiram e choraram lágrimas comovidas.
Acesse a internet e veja uma das versões (por exemplo, www.youtube.com/watch?v=8OcQ9A-5noM). Se quiser mais, assista à entrevista de Susan Boyle à rede americana CBS, durante a qual Boyle canta um trecho da música a capela (watching-tv.ew.com/2009/04/susan-boyle-cbs.html).
Provavelmente, Susan Boyle gravará um CD, e o comprarei. Talvez, um dia, ela venha ao Brasil, e estarei no show, mesmo a preço de cambista. Mas nada disso se comparará com o momento extraordinário registrado no vídeo que está hoje no YouTube. Por quê?
Vamos com calma. Susan Boyle se qualificou nas preliminares para participar de "Britain's Got Talent" (a Grã-Bretanha tem talento), que é mais uma versão (inglesa) de "American Idol", o programa de televisão que começou nos EUA e foi repetido em vários países -no Brasil, "Ídolos", na TV Record. Trata-se, a cada ano, de premiar um cantor ou uma cantora, descobrindo novos talentos.
Na verdade, a seleção para chegar até à final talvez seja o que mais diverte as plateias, nos teatros de gravação ou em casa: o vexame da maioria dos concorrentes funciona como um bálsamo para todas as covardias que nos impedem de correr atrás de nossos sonhos. Algo assim: "Olhe o que aconteceu com quem ousou. Ainda bem que eu não fui!".
Susan Boyle entrou no palco como uma espécie de anticlímax; ela era tudo o que não se espera de uma aspirante a estrela: quase 48 anos, solteirona, desempregada, vestida (disse um amigo estilista) como a rainha Elizabeth se ela fosse pobre, "gordinha" e "feinha". Os diminutivos indicam que sua aparência não era extraordinária nem negativamente, mas a tornava transparente: aquela figura papel de parede, de quem ninguém se lembra se ela estava na festa ou não. Para completar, respondendo às perguntas de Simon Cowell (que preside o júri), ela pareceu quase tola e um tanto vulgar, balançando os quadris para dar mostra de sua juventude de espírito.
Quando Susan Boyle anunciou que seu sonho era ser cantora como Elaine Page (a inesquecível Grizabella de "Cats", em Londres, em 1981), o júri e a plateia não esconderam seu desdém.
Aí Susan Boyle começou a cantar. A performance foi propriamente incrível; por um instante, pensei que Boyle estivesse apenas mexendo os lábios enquanto tocava uma gravação: uma voz forte, limpa, segura e expressiva, fiel às emoções que se alternam ao longo das letras.
Também a música que Susan Boyle escolheu (letras de Alain Boublil) contribuiu para transformar sua performance numa espécie de exemplo moral: fala de um sonho antigo, sonhado quando "a esperança falava alto e a vida valia a pena", na época em que "os sonhos são criados, usados e desperdiçados"; mas há "tempestades" que "transformam nossos sonhos em vergonha", e, no fim, em regra, a vida massacra os sonhos que sonhamos. Então, qual é a moral da performance?
Para Coutinho, a moral é que, na vida, não basta se esforçar: é preciso ter sorte. Entendo assim: Susan, até aqui, não teve sorte, a gente se comove porque é tarde demais ou porque, enfim, o destino a encontrou em sua aldeia perdida.
Para mim, a moral é outra. Não sei se Susan teve sorte ou não. Cuidar longamente da mãe doente e cantar com os amigos no karaokê da vila é uma vida que pode valer a pena, talvez mais do que uma vida nas luzes da ribalta. O que me comoveu tem mais a ver com a coragem e a resistência de seu sonho.
Os entrevistadores da CBS perguntaram a Susan Boyle como ela conseguiu se concentrar e cantar, embora percebesse que o júri e a plateia não a levavam a sério e já estavam antecipando a zombaria. Ela respondeu, com simplicidade: "É a gente que tem de se levar à sério".
CONTARDO CALLIGARIS
(clique no título para conhecê-la)
Assinar:
Postagens (Atom)