abril 26, 2009

Couples

Domingo passado, nas andanças por Montmartre, encontrei Couples (Casais ) - as mais célebres histórias de amor (Bárbara Sichtermann). Entre os casais, estão Rimbaud e Verlaine, Gerturde Stein e Alice Toklas, Lou Salomé e Rainer Maria Rilke passando por casais mais convencionais, nem Adão e Eva foram esquecidos. O livro, ricamente ilustrado, traz casais históricos ou fictícios, criados pela literatura, poesia, ópera ou cinema que demonstram toda a aventura e incertitudes do amor.
Neste momento, leio a respeito da descoberta de um arqueólogo que alardeia que Cleópatra e Marco Antonio foram enterrados juntos. O adeus de Marco Antonio à Cleópatra celebrizado por Shakespeare foi imortalizado no cinema – por Elizabeth Taylor e o seu eterno Marco Antonio e muitas vezes marido Richard Burton.
Cleópatra morreu faz 2.039 anos. Foi a última rainha do Egito e mãe do filho único do homem mais poderoso do seu tempo, Julio Cesar. Depois de seu assassinato, teve mais três filhos com Marco Antonio. Foi a maternidade que lhe assegurou o trono de um reino decadente mas a sua fama perdura por atributos distintos dos que fazem grandes os personagens históricos. Bela e sedutora, ao saber da morte de Marco Aurélio teria induzido uma serpente venenosa a morder-lhe o seio. Na verdade, não se sabe se suicidou-se, foi feita prisioneira ou se foi assassinada. O certo é que, como as mulheres inteligentes, Cleópatra era perigosa e valeu-se da promiscuidade e virilidade para conseguir reconciliar culturas distintas e seus interesses. Morreu por amor, como uma Julieta qualquer.
Tragédias da paixão acompanharam e inspiraram a humanidade. Cleópatra, ao que tudo indica, foi protagonista de uma das mais famosas. Agora cabe à arqueologia a tarefa de fornecer provas para transformar a lenda em realidade. A eventual descoberta seria o maior achado arqueológico desde 1923, quando foi encontrada a múmia do Faraó Tutancamon com seus 3.500 pertences intactos.

La Defense

Este centro econômico, onde se encontram as sedes de muitas empresas francesas e multinacionais, centros comerciais etc., está situado no subúrbio de Paris, no prolongamento do axe historique que começa no Louvre, prossegue pelos Champs-Élysées, Arco do Triunfo, se projeta até à ponte de Neuilly e termina no Grande Arche. Nem o colorido das esculturas (a da foto é Miró), a água dançante da fonte ou a singeleza do corrossel quebram a aridez do ambiente vitrificado. Na área residencial a população é de imigrantes, na maioria árabes.





abril 25, 2009

Joyeux Anniversaire !

Hoje comemoramos o aniversário da Irlei no restaurante Au pied de cochon que ela escolheu pela beleza das luminárias, quando passávamos a caminho de casa, depois de ouvir (de mim) que, dificilmente, uma escolha nesta área dá errado neste país onde gastronomia é quase uma religião.
De perto, as luminárias em forma de fruteiras são ainda mais lindas.

Este porquinho pequeno era um suspiro que acompanhava a minha sobremesa...

Uma homenagem

COCO avant CHANEL

O filme foi lançado dia 22 e a campanha publicitária estava por toda a cidade.
Em que pese os franceses continuarem fumando enlouquecidamente, ontem ouvi no rádio que o poster oficial do filme foi censurado com base na lei que proibe qualquer incentivo, direto ou indireto, ao fumo em campanhas publicitárias. Coco era fumante inveterada. Dizem que chegava a fumar 50 cigarros por dia. Deve ser verdade pois é quase impossível encontrar uma foto em que ela não esteja com o cigarrinho na mão. Como aqui decisão judicial é para ser cumprida (apesar de o próprio ministro da saúde considerá-la um pouco extremada), outro poster está sendo providenciado.

MUGUETS

Existe uma tradição na França de oferecer muguets às pessoas queridas no primeiro de maio para desejar-lhes boa sorte! O muguet é tido como símbolo de renovação, da primavera e do amor. Foi Charles IX que, em 1561, instaurou na França esta tradição. Um costume que já vinha dos povos celtas para quem o 1o. de maio marcava o início do ano novo. Na antiguidade, o 1o de maio era a data em que os navegadores retornavam ao mar. Os camponeses franceses também tinham o costume de celebrar a chegada da primavera na noite do dia trinta de abril para o dia primeiro de maio e já na Idade Média, maio era tido como o mês dos noivados. Falta uma semana para o primeiro de maio, mas ontem à noite já se viam vendedores de flores oferecendo muguets nos cafés e restaurantes da cidade. Ganhei muguets arranjados como um colar salpicado de uma florzinha vermelha. Chegando em casa, o perfume se espalhou pelo quarto. Um pequeno gesto que deixou o dia muuuuito mais gostoso!

abril 24, 2009

I love Susan Boyle

"NA TERÇA-FEIRA, eu estava com minha coluna pronta (escrevo entre domingo e segunda) e, ao abrir o jornal, descobri que João Pereira Coutinho, neste mesmo espaço, também tinha-se apaixonado por Susan Boyle.
Tudo bem, não sou ciumento. Mesmo assim, por um momento, pensei escrever, na última hora, outra coluna. Mas, lendo Coutinho, percebi que a gente pode se apaixonar pela mesma pessoa por razões diferentes. Aqui vai.
Em poucos dias, dezenas de milhões de pessoas, pelo mundo afora, assistiram ao vídeo de Susan Boyle cantando "I Dreamed a Dream" (eu sonhei um sonho). Assistiram e choraram lágrimas comovidas.
Acesse a internet e veja uma das versões (por exemplo, www.youtube.com/watch?v=8OcQ9A-5noM). Se quiser mais, assista à entrevista de Susan Boyle à rede americana CBS, durante a qual Boyle canta um trecho da música a capela (watching-tv.ew.com/2009/04/susan-boyle-cbs.html).
Provavelmente, Susan Boyle gravará um CD, e o comprarei. Talvez, um dia, ela venha ao Brasil, e estarei no show, mesmo a preço de cambista. Mas nada disso se comparará com o momento extraordinário registrado no vídeo que está hoje no YouTube. Por quê?
Vamos com calma. Susan Boyle se qualificou nas preliminares para participar de "Britain's Got Talent" (a Grã-Bretanha tem talento), que é mais uma versão (inglesa) de "American Idol", o programa de televisão que começou nos EUA e foi repetido em vários países -no Brasil, "Ídolos", na TV Record. Trata-se, a cada ano, de premiar um cantor ou uma cantora, descobrindo novos talentos.
Na verdade, a seleção para chegar até à final talvez seja o que mais diverte as plateias, nos teatros de gravação ou em casa: o vexame da maioria dos concorrentes funciona como um bálsamo para todas as covardias que nos impedem de correr atrás de nossos sonhos. Algo assim: "Olhe o que aconteceu com quem ousou. Ainda bem que eu não fui!".
Susan Boyle entrou no palco como uma espécie de anticlímax; ela era tudo o que não se espera de uma aspirante a estrela: quase 48 anos, solteirona, desempregada, vestida (disse um amigo estilista) como a rainha Elizabeth se ela fosse pobre, "gordinha" e "feinha". Os diminutivos indicam que sua aparência não era extraordinária nem negativamente, mas a tornava transparente: aquela figura papel de parede, de quem ninguém se lembra se ela estava na festa ou não. Para completar, respondendo às perguntas de Simon Cowell (que preside o júri), ela pareceu quase tola e um tanto vulgar, balançando os quadris para dar mostra de sua juventude de espírito.
Quando Susan Boyle anunciou que seu sonho era ser cantora como Elaine Page (a inesquecível Grizabella de "Cats", em Londres, em 1981), o júri e a plateia não esconderam seu desdém.
Aí Susan Boyle começou a cantar. A performance foi propriamente incrível; por um instante, pensei que Boyle estivesse apenas mexendo os lábios enquanto tocava uma gravação: uma voz forte, limpa, segura e expressiva, fiel às emoções que se alternam ao longo das letras.
Também a música que Susan Boyle escolheu (letras de Alain Boublil) contribuiu para transformar sua performance numa espécie de exemplo moral: fala de um sonho antigo, sonhado quando "a esperança falava alto e a vida valia a pena", na época em que "os sonhos são criados, usados e desperdiçados"; mas há "tempestades" que "transformam nossos sonhos em vergonha", e, no fim, em regra, a vida massacra os sonhos que sonhamos. Então, qual é a moral da performance?
Para Coutinho, a moral é que, na vida, não basta se esforçar: é preciso ter sorte. Entendo assim: Susan, até aqui, não teve sorte, a gente se comove porque é tarde demais ou porque, enfim, o destino a encontrou em sua aldeia perdida.
Para mim, a moral é outra. Não sei se Susan teve sorte ou não. Cuidar longamente da mãe doente e cantar com os amigos no karaokê da vila é uma vida que pode valer a pena, talvez mais do que uma vida nas luzes da ribalta. O que me comoveu tem mais a ver com a coragem e a resistência de seu sonho.
Os entrevistadores da CBS perguntaram a Susan Boyle como ela conseguiu se concentrar e cantar, embora percebesse que o júri e a plateia não a levavam a sério e já estavam antecipando a zombaria. Ela respondeu, com simplicidade: "É a gente que tem de se levar à sério".

CONTARDO CALLIGARIS
(clique no título para conhecê-la)

Gostoso demais

abril 22, 2009

Jardins de Monet

Esta é a gare Saint Lazare pintada por Monet. Era nela que embarcava para Vernon e de lá para Giverny onde morava. Fizemos este percurso para visitar a sua casa que hoje é a sede da Fundação Monet, circundada pelos jardins que se imortalizaram na sua obra

Não foi fácil fotografar com a multidão que visitava os jardins.

abril 21, 2009

Basílica de Saint- Denis

Louis XVI - Marie Antoinette

Hoje estive em Saint-Denis, situada nos arredores de Paris. Visitei, mais precisamente, a Basílica que figura entre os grandes monumentos da Idade Média européia.
É nela que, desde o século V, vem sendo enterrados os aristocratas franceses.
No século XII, a catedral de Saint-Denis tornou-se símbolo da arquitetura gótica.
No século XIII, sob o reino do rei Saint-Louis, tornou-se oficialmente o lugar de sepultura da monarquia francesa. Permanece hoje o maior museu de escultura funerária em França, com os túmulos de mais de 70 reis e rainhas.

Encontro na Quinta

Tem uma frase do Vinicius que já está bem gastinha mas não deixa de ser expressiva: a vida é a arte do encontro embora haja tantos desencontros pela vida... Encontro é coisa boa. Momentos especiais como este, nesta Quinta do Encontro, em Portugal, são inesquecíveis. Situada em S. Lourenço/Anadia, além de ter um design sui generis, é bonita e simpática a partir do próprio nome que deve à sua localização próxima da Cruz do Encontro. A sua forma cilíndrica permite ter uma perspectiva do meio circundante, em plena harmonia com a natureza. Um lugar com muito charme e ótima cozinha do circuito do enoturismo que vale a pena ser visitado, nem que seja virtualmente acessando através do título.

Buçaco

Desde Portugal que pretendia registrar a minha passagem por este lugar...

"O Palácio Real, do Buçaco, situado na Mata do Buçaco, concelho da Mealhada, foi projectado no finais do século XIX, pelo arquitecto italiano, Luigi Manini, mas também teve intervenções dos arquitectos, Nicola Bigaglia, Manuel Joaquim Norte Júnior e José Alexandre Soares.
Classificado como Imóvel de Interesse Público, em 1996, está integrado num conjunto arquitectónico e paisagístico considerado único na Europa, e o hotel nele instalado tem classificação ao nível dos mais belos hotéis históricos do mundo.
A arquitectura do palácio é caracterizada por um misto de elementos recolhidos em monumentos como, a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos ou o Convento de Cristo em Tomar, está decorado no seu interior com painéis de azulejos, frescos e quadros, alusivos aos descobrimentos portugueses.
Estas obras são todas de grandes mestres portugueses, os azulejos de Jorge Colaço, as esculturas de António Gonçalves e de Costa Mota, as telas de João Vaz, os frescos de António Ramalho e as pinturas de Carlos Reis.
O conjunto de mobiliário, constitui também um valioso património, com peças portuguesas, indo-portuguesas e chinesas e também tapeçarias. Mas a beleza deste palácio é completada pelos jardins do parque que o envolve.
Pertença do Convento de Santa Cruz do Buçaco, da Ordem dos Carmelitas Descalços, fundado em 1634, estes jardins passaram para a posse do Estado, quando esta ordem foi extinta em 1834, mas a obra legada é considerada como o mais vasto conjunto arquitectónico edificado desde sempre por esta ordem.
Ao longo da mata do Buçaco, para além do convento, foram construídas 11 ermidas, destinadas à oração, das quais apenas duas estão em bom estado de conservação, quatro capelas, um percurso da Via Sacra, com cerca de três quilómetros, um genial aproveitamento da muita água existente, levou à construção de fontes, lagos e uma cascata, tudo enquadrado numa diversificada vegetação, que é também um importante património."

Texto do guiadacidade. Clicar no título.

Nostalgia

Só podemos louvar a chamada "mobilidade sustentável" ou qualquer outro nome que se dê ao que tem sido feito no sentido de reduzir o número de veículos circulando dentro de grandes cidades. Em Barcelona não lembro como elas se chamam, aqui em Paris são denominadas VeLib. São milhares de modernas bicicletas que a Mairie de Paris colocou à disposição para aluguel e se encontram em pontos estratégicos onde podem ser devolvidas pelos usuários independente de onde as tenham pegado. Velo significa bicicleta e Lib liberdade e igualdade.Com a modernidade das velibs, bicicletinhas charmosas como esta que esperava por sua dona, em frente a um café no Marais onde estivemos ontem, já começam a ser raras...

abril 20, 2009

Delírios em Chartres

Depois de 10 anos, retorno à Chartes. Tinha vindo com minha filha ainda adolescente, agora retorno com amigos. Dentre eles o Hugo para quem esta seria a catedral, cuja construção, ocorrida na Idade Média , teria inspirado Os Pilares da Terra (Ken Follet), um romance de que também gosto muito. (não faz tempo foi relançado na Espanha, presenteei a um amigo, mas nunca soube se o leu ...) Em Chartres se encontra um centro internacional de vitrais e são justamente eles os grandes destaques de sua catedral . Situada a apenas uma hora de Paris, nesta cidadezinha tranquila se mora melhor por menos. A frequência e o conforto dos trens permite pensar em viagens diárias...Neste sábado em que a visitamos acontecia a exposição Delírios em livros
Além das indicacões para o Caminho de Compostela (Chartres é uma passagem), há um circuito turístico por suas ruas medievais. Há momentos em que o rio passa sob as casas .

Paris

Esta foto fiz ontem voltando para casa após um por de sol lindíssimo, a paritr da Pont des Arts, a minha preferida.
Houve um tempo em que me apavorou a idéia de operar um joelho. Só não fui à benzedeira, mas fiz de tudo para escapar da imobilidade a que estaria condenada por algumas semanas (ou seriam meses?). Entre apavorada e deprimida, entrei para uma comunidade virtual de pessoas que tinham o joelho “podre”. Busquei consolo nos casos de jovens, fiquei informada sobre as muitas e variadas razões para se ter o joelho avariado. E, sobretudo, de que não seria mais um achaque decorrente da idade. Relembro tudo isto para fazer uma reconsideração: permanecer de cama por uns tempos pode nem ser tão ruim se temos acesso ao mundo pela web.
A “ imobilidade” que experimento é mais grave e vem acompanhada de uma síndrome da abstinência sobre a qual um dia ainda irei escrever.
Por enquanto, tenho Paris a minha espera....e é primavera!
Ontem, acompanhei minha “parceira” (que é como se chama, em Portugal, a sogra do filho (a) – a parceria deve ser nos netos...Vai entender a lógica deles! ) numa flanerie, no seu primeiro dia na cidade. Mesmo quem não conhece Paris sabe o quanto a primavera lhe cai bem.
Mas a vida não são só flores...
A Europa expandida se tornou ainda mais multi étnica/ multi racial e multi cultural. Não é mais a figura do simpático clochard o símbolo da exclusão social, em Paris. Sem pretensões de entrar no mérito, observo que os asiáticos (orientais de origens diversas, que temos uma tendência a classificar como “japas”), estão integrados e trabalham silenciosos parecendo não querer atrair a atenção para eles. O chamado “quartier chinois” (13 arr.) aponta a mais baixa estatística de “fait divers” ( como se chama o caso de polícia por aqui). Os árabes (muçulmanos ou não) representam a herança colonial que a França (bem ou mal) tenta administrar. Tem ainda os africanos, que não são poucos. Numa observação (apressada e superficial) percebo os do leste europeu como os mais desvalidos, pois nenhum dos outros são vistos pedindo esmolas.