abril 20, 2009

Delírios em Chartres

Depois de 10 anos, retorno à Chartes. Tinha vindo com minha filha ainda adolescente, agora retorno com amigos. Dentre eles o Hugo para quem esta seria a catedral, cuja construção, ocorrida na Idade Média , teria inspirado Os Pilares da Terra (Ken Follet), um romance de que também gosto muito. (não faz tempo foi relançado na Espanha, presenteei a um amigo, mas nunca soube se o leu ...) Em Chartres se encontra um centro internacional de vitrais e são justamente eles os grandes destaques de sua catedral . Situada a apenas uma hora de Paris, nesta cidadezinha tranquila se mora melhor por menos. A frequência e o conforto dos trens permite pensar em viagens diárias...Neste sábado em que a visitamos acontecia a exposição Delírios em livros
Além das indicacões para o Caminho de Compostela (Chartres é uma passagem), há um circuito turístico por suas ruas medievais. Há momentos em que o rio passa sob as casas .

Paris

Esta foto fiz ontem voltando para casa após um por de sol lindíssimo, a paritr da Pont des Arts, a minha preferida.
Houve um tempo em que me apavorou a idéia de operar um joelho. Só não fui à benzedeira, mas fiz de tudo para escapar da imobilidade a que estaria condenada por algumas semanas (ou seriam meses?). Entre apavorada e deprimida, entrei para uma comunidade virtual de pessoas que tinham o joelho “podre”. Busquei consolo nos casos de jovens, fiquei informada sobre as muitas e variadas razões para se ter o joelho avariado. E, sobretudo, de que não seria mais um achaque decorrente da idade. Relembro tudo isto para fazer uma reconsideração: permanecer de cama por uns tempos pode nem ser tão ruim se temos acesso ao mundo pela web.
A “ imobilidade” que experimento é mais grave e vem acompanhada de uma síndrome da abstinência sobre a qual um dia ainda irei escrever.
Por enquanto, tenho Paris a minha espera....e é primavera!
Ontem, acompanhei minha “parceira” (que é como se chama, em Portugal, a sogra do filho (a) – a parceria deve ser nos netos...Vai entender a lógica deles! ) numa flanerie, no seu primeiro dia na cidade. Mesmo quem não conhece Paris sabe o quanto a primavera lhe cai bem.
Mas a vida não são só flores...
A Europa expandida se tornou ainda mais multi étnica/ multi racial e multi cultural. Não é mais a figura do simpático clochard o símbolo da exclusão social, em Paris. Sem pretensões de entrar no mérito, observo que os asiáticos (orientais de origens diversas, que temos uma tendência a classificar como “japas”), estão integrados e trabalham silenciosos parecendo não querer atrair a atenção para eles. O chamado “quartier chinois” (13 arr.) aponta a mais baixa estatística de “fait divers” ( como se chama o caso de polícia por aqui). Os árabes (muçulmanos ou não) representam a herança colonial que a França (bem ou mal) tenta administrar. Tem ainda os africanos, que não são poucos. Numa observação (apressada e superficial) percebo os do leste europeu como os mais desvalidos, pois nenhum dos outros são vistos pedindo esmolas.

abril 17, 2009

A R R I V É E

De coração partido e deixando muitos pedaços em Portugal, estamos em Paris. Fim de tarde, trânsito meio caótico, os parisienses, como em qualquer cidade, tentam retornar para suas casas. A interminável festa sobrevive apenas na fantasia dos que vem de passagem e com a cabeça prenhe de literatura e de cinema.. A vida dos parisienses é mesmo: metro+boulot+dodo (leia-se: metrô, bulô e dodô= metrô, trabalho e cama) . O glamour dos cafés e do eterno ócio é só para alguns, privilegiados e igualmente enfastiados que “bufam” da mesma maneira e encontram sempre alguma coisa de que reclamar.
Largamos as malas em casa e fomos imediatamente ao mercado (que não são super e nem ficam abertos noite afora) , onde presenciamos, à moda francesa (como se nada estivesse acontecendo), uma discussão entre dois africanos que brigavam por um boné. Deu até polícia dentro da loja. Os franceses se mantiveram alheios. E nós também.
Jantamos em casa, depois de eu arrastar alguns móveis. A disposição deles parece sempre seguir a lógica da última pessoa a ocupar o apartamento e que nunca coincide com a minha. Gostaria de ter retornado o espelho para cima da lareira, mas tive medo de não conseguir. Vai ficar o quadro horroroso que colocaram lá e o espelhão acima da minúscula escrivaninha do vestíbulo me incomodando...De novo, uma cadeira em lona vermelha (com cara de Ikea) que trouxe para frente da TV e uma máquina de lavar roupa, cujo manual de instrução é quase um larrousse.
Daqui a pouco terei lido e a faço funcionar. Sempre na cozinha pois não ocorre, nem aos arquitetos novos, pensar num espaço óbvio que é uma área de serviço.
O problema, no momento, pois espero encontrar solução, é o de como me conectar.Estou postando de um lugar público, mas gostaria de estar mesmo era na minha cama....

abril 14, 2009

D.O.C - fora de controle



No passeio do domingo, almoçamos neste restaurante que dizem tratar-se do primeiro restaurante semi-aquático do Douro e que fica na estrada entre a Régua e o Pinhão, um dos percursos mais bonitos do país. O restaurante tem uma esplanada sobre as águas do rio, com vista para os vinhedos e montes de xisto, características paisagísticas da região. Como se pode ver, clicando no título, o lugar é lindo e chic, "cozinha de autor" e outros requintes, mas ao cabo de alguns minutos nos demos conta de que estávamos desconfortáveis no ambiente por conta do nervosismo e da correria dos atendentes. Tensos, desenfreados e barulhentos saiam da cozinha aos tropeções e praticamente corriam entre as mesas. Uma equipe desafinada e mal treinada que não combinava com as pretensões da casa. Resolvemos comunicar ao gerente nosso mal estar e este, para nossa surpresa, chamou alguns até nossa mesa para dizê-los que estávamos incomodados. Foi um tanto constrangedora a sua falta de tato para lidar com a situação mas nos pareceu que deixaram de correr e passaram a agir com mais calma e menos barulho que já era acentuado por uma música num volume inadequado
Enfim, uma ótima cozinha numa paisagem deslumbrante
um com serviço de churrascaria de rodízio. Como se não bastasse, os depósitos de lixo e de material na entrada principal.