abril 14, 2009

D.O.C - fora de controle



No passeio do domingo, almoçamos neste restaurante que dizem tratar-se do primeiro restaurante semi-aquático do Douro e que fica na estrada entre a Régua e o Pinhão, um dos percursos mais bonitos do país. O restaurante tem uma esplanada sobre as águas do rio, com vista para os vinhedos e montes de xisto, características paisagísticas da região. Como se pode ver, clicando no título, o lugar é lindo e chic, "cozinha de autor" e outros requintes, mas ao cabo de alguns minutos nos demos conta de que estávamos desconfortáveis no ambiente por conta do nervosismo e da correria dos atendentes. Tensos, desenfreados e barulhentos saiam da cozinha aos tropeções e praticamente corriam entre as mesas. Uma equipe desafinada e mal treinada que não combinava com as pretensões da casa. Resolvemos comunicar ao gerente nosso mal estar e este, para nossa surpresa, chamou alguns até nossa mesa para dizê-los que estávamos incomodados. Foi um tanto constrangedora a sua falta de tato para lidar com a situação mas nos pareceu que deixaram de correr e passaram a agir com mais calma e menos barulho que já era acentuado por uma música num volume inadequado
Enfim, uma ótima cozinha numa paisagem deslumbrante
um com serviço de churrascaria de rodízio. Como se não bastasse, os depósitos de lixo e de material na entrada principal.

abril 13, 2009

POEMA GEOLÓGICO

O Alto Douro ou Alto Douro Vinhateiro é uma área do nordeste de Portugal com mais de 26 mil hectares, classificada pela UNESCO, como Património da Humanidade, na categoria de paisagem cultural. Esta região, banhada pelo Rio Douro, faz parte do chamado Douro Vinhateiro, produz vinho há mais de 2000 anos, entre os quais, o mundialmente célebre vinho do Porto.
"O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta." (Miguel Torga, Diário XII - Miguel Torga é o pseudónimo literário do médico Adolfo Correia da Rocha, nascido em S. Martinho de Anta - Trás-os-Montes. “Torga”é uma planta transmontana, urze campestre, cor de vinho, com as raízes muito agarradas e duras, metidas entre as rochas. Tão agarrada à terra quanto ele foi.)

P I N H Ã O

"As margens do Douro cobriram-se de vinha que viriam a originar o fantástico vinho do Porto, mas só a partir de 1678 é que surgiu essa designação por iniciativa dos primeiros ingleses que chegaram à região. O Pinhão tornava-se no inicio do século XX num importante entreposto de Vinhos Finos que escoava o produto até Gaia pelos barcos rabelos. O Vinho do Porto, principal fonte de desenvolvimento desta freguesia do concelho de Alijó, surgiu, quando em 1638, Cristiano Kopke, cidadão alemão, resolveu fundar, no Porto, uma empresa ligada à exportação de vinhos. A região do Alto Douro começou, então, a crescer do ponto de vista vinícola. Os conflitos que ocorreram, no século XVII, entre ingleses e franceses, por causa dos vinhos, permitiram à produção vinícola duriense afirmar-se no mercado britânico, inicialmente com designações “Red Portugal” ou “Lisbon Wine” e, a partir de 1678, como “Vinho do Porto”. O primeiro registo oficial de exportações de vinho pela Alfândega do Porto remonta a 1678, tendo saído de Portugal, nesse ano, 400 pipas de vinho. Nessa época, para além da “Kopke”, faziam já negócio no Douro a “Warre” e a “Croft”."

"Arroz do mesmo"

No retorno do périplo em Braga e Guimarães fomos jantar no Aleixo. Dias atrás andei falando aqui em 'cozinha de fusão '. Hoje, para começo de conversa , devo mencionar a chamada 'cozinha de autor', só para não pensarem que a ignoro, mas me interessa falar de outra cozinha, a tradicional e, no caso, a portuguesa. Conheço poucos, mas a Casa Aleixo, no Porto, me parece o mais adoravelmente conservador dos restaurantes que tenho frequentado ultimamente, o que vejo como uma excentricidade a ter em conta (talvez por ser eu mesma um tanto conservadora nesta área). Situado perto da Estação da Campanhã, o ambiente é muito acolhedor, tem as paredes de pedra cobertas por fotografias, o balcão de mármore e o chão é calçada portuguesa, como a cozinha, onde os sabores são todos inspirados nos pratos típicos. O certo é que no Aleixo não paira qualquer ameaça à nossa estabilidade emocional e gastronómica. Tendo os bolinhos de bacalhau como entrada, para mim as variações tem ficado entre os filetes de pescada ( uma lenda na casa ) ou filetes de polvo “com arroz do mesmo! Como dizem eles: "Resulta e me sabe muito bem!"

abril 12, 2009

Guimarães

Situada no distrito de Braga, Guimarães é conhecida como "O Berço da Nação Portuguesa", em razão de seu papel fundamental na sua formação. Foi a então Vimaranes sede do Condado Portucalense de D. Henrique e de seu filho D. Afonso Henriques.
Sua importância histórica decorre da Batalha de São Mamede, travada na periferia da cidade em 24 de Junho de 1128, decisiva para a formação da nacionalidade.
Ainda que as necessidades da Reconquista e de proteção de territórios ao sul tenham levado essa mesma sede para Coimbra em 1129, os "vimaranenses" são orgulhosamente tratados por "conquistadores", fruto dessa herança histórica. Atualmente é uma das mais importantes cidades históricas do país, seu centro histórico é considerado Património Cultural da Humanidade, o que a tornou um dos maiores polos turísticos da região. As suas ruas e monumentos respiram história que a cidade soube preservar e conciliar com o dinamismo das cidades modernas.

Bracara Augusta

Bracara Augusta é como se chamava Braga, a mais antiga cidade portuguesa. Sua construção pelos romanos, se deu no decurso do século II a.C., tendo recebido esta designação em homenagem ao imperador Cesar Augusto. Situada no norte de Portugal, no coração do Minho, Braga tem mais de 2000 anos de história, sendo portanto a mais antiga das cidades portuguesas e uma das cidades cristãs mais antigas do mundo. A Sé de Braga, a mais antiga do país, foi a maior referência religiosa em Portugal ao longo dos séculos. Em Portugal há um dito popular "mais velho do que a Sé de Braga", para referir alguma coisa com muito tempo. Embora a industrialização e a Universidade tenham contribuido muito para o desenvolvimento atual da cidade, esta se mantem fiel à tradição religiosa secular, revivida intensamente durante as solenidades da Semana Santa. Antes de chegarmos ao centro histórico de Braga visitamos o Santuário de Sameiro, cuja construção se iniciou em 1863. É tido como o centro de maior devoção mariana em Portugal, depois de Fátima,
e de lá se tem uma bela vista de Braga
No Santuário do Bom Jesus se encontra um escadório por onde passa a Via Sacra do Bom Jesus. Serviu de inspiração para construção da igreja do Bom Jesus de Congonhas/MG. Outras imagens de Braga e dos santuários...
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abril 10, 2009

Matosinhos

As boas vindas ao Hugo não poderiam ser diferentes nem melhores do que saboreando o bacalhau do Engenho da Panela (av. da Circunvalação). De lá, saímos para um passeio por Matosinhos contando com as, ainda frescas, explicações “apanhadas” pela Bea, no tour Porto Vintage que fizera à tarde.
Na igreja matriz, “dotada da mais elegante e exemplar linguagem barroca”, acontecia cerimônia religiosa relativa à Páscoa. Com a igreja aberta em plena noite, tivemos oportunidade de apreciar a iluminação de seus altares renovados no século XVII, graças ao ouro vindo do Brasil. O seu interior é constituído por três naves separadas por cinco arcos quinhentistas de volta perfeita, assentando em colunas e sustentando uma cobertura de madeira.


Prosseguindo no matosinhos by night, depois das piscinas naturais (intervenções do arquiteto Siza Vieira no mar), passamos por uma das mais belas rotundas do país, onde se encontra esta escultura da americana Janet Echelman. Como bem observa o Antonio, a cada vez que nos faz admirar esta obra, é preciso deixar correr o vento ou as brisas para que nosso olhar melhor se delicie com as danças desta gigantesca metáfora das redes de pesca. Uma escultura diferente se apresenta em cada minuto. Sua estrutura é suportada por três postes metálicos pintados de vermelho e branco, um deles com 60 metros de altura. A rede,nas mesmas cores, está suspensa num anel de 42 metros de diâmetro, é feita de material sintético especial. Os postes não se limitam a sustentar a rede, assumem uma decisiva intervenção nos jogos de luzes. Dedicada aos pescadores de Matosinhos, foi da comunidade local que surgiu a designação que a identifica: Anémona.

abril 09, 2009

1001 maneiras

Foram os portugueses os primeiros a introduzir bacalhau em sua alimentação. Este peixe precioso, universalmente conhecido e apreciado, segundo se diz, pode ser preparado de 1001 maneiras (site receitas no título).
No século XV, época das grandes descobertas, os portugueses necessitavam de produtos que não fossem perecíveis para serem consumidos ao longo das viagens que levavam, às vezes, mais de 3 meses. Foram feitas tentativas com vários peixes da costa portuguesa, mas o peixe ideal só foi encontrado perto do Polo Norte. O bacalhau foi imediatamente incorporado aos hábitos alimentares e é até hoje uma de suas principais tradições. Até meados do século XX, chegava à Portugal de várias formas, desde os perigosos mares da Terra Nova (Canadá) e já em 1596, no reinado de D. Manuel, era cobrado o dízimo da pescaria da Terra Nova nos portos de entre Douro e Minho. Atualmente, Portugal importa praticamente todo o bacalhau (salgado e seco) que consome e também importa o fresco que é salgado e curado nas suas próprias indústrias. Debaixo de uma insistente chuvinha, aceitamos a sugestão do motorista do autocarro , almoçamos no Bacalhoeiro, em Vila Nova de Gaia onde se encontram as vinícolas e se tem a vista mais linda da cidade do Porto. e a chuvinha continua

'Antiga muito nobre sempre leal e invicta cidade do Porto'

A Avenida dos Aliados é um dos espaços emblemáticos do Porto e foi por ela que comecei a mostrar a cidade à Beatriz. Não faz muito tempo, esta avenida passou por uma controvertida intervenção, relacionada à construção das estações do metro. As críticas vão da escolha dos arquitetos ("Por que é que o Siza Vieira há-de fazer tudo?") ao projeto em si que, dentre outras alterações, reduziu a escala dos canteiros e jardins. Mas de todas as modificações, a substituição do pavimento à portuguesa por cubos de granito em forma de cauda de pavão, pareceu-me ter sido a menos aceita pela população que se queixa de a obra não haver sido antecedida de uma discussão pública.
À margem das polêmicas, como meras turistas que somos, fizemos o percurso envolvidas pela mais variada arquitetura e belas esculturas. O que consta no título está inscrito no brazão da cidade.






D. Pedro IV

abril 08, 2009

O MAR E TU


Sentir em nós
Sentir em nós
Uma razão
Para não ficarmos sós
E nesse abraço forte
Sentir o mar,
Na nossa voz,
Chorar como quem sonha
Sempre navegar
Nas velas rubras deste amor
Ao longe a barca louca perde o norte.

Ammore mio
Si nun ce stess'o mare e tu
Nun ce stesse manch'io
Ammore mio
L'ammore esiste quanno nuje
Stamme vicino a Dio
Ammore

No teu olhar
Um espelho de água
A vida a navegar
Por entre o sonho e a mágoa
Sem um adeus sequer.
E mansamente,
Talvez no mar,
Eu feita espuma encontre o sol do teu olhar,
Voga ao de leve, meu amor
Ao longe a barca nua a todo o pano.

Ammore mio
Se nun ce stess'o mare e tu
Nun ce stesse manch'io
Ammore mio
L'amore esiste quanno nuje
Stamme vicino a Dio
Ammore
Ammore mio
Si nun ce stess'o mare e tu
Nun ce stesse manch'io
Ammo re mio
L'amore esiste quanno nuje
Stammo vicino a Dio
Ammore

A Palavra e o Som

"Numa cena do filme Invasões Bárbaras, um dos clássicos da primeira década do século 21, um grupo de professores de história elabora a teoria da "quantidade de inteligência". Segundo eles, por razões aleatórias, existem determinados momentos e lugares com alta concentração de gente talentosa, e essas pessoas fazem a diferença em suas épocas. São citadas no filme a Florença de Dante e Boccaccio e a Filadélfia dos "pais fundadores" da revolução americana. Aplicando a teoria à vida cultural brasileira, pode-se dizer que o país viveu uma espécie de auge nos anos 60 e 70, explosão criativa da música popular (e, por mais que se cunhem teorias pretensamente sociológicas — a mais famosa e absurda diz que a arte floresce em períodos de ditadura —, nada explica isso além da sorte). Primeiro veio a bossa nova de Tom Jobim e João Gilberto. Depois, a MPB surgida nos festivais, com Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Tom Zé e Gilberto Gil. Esses músicos têm em comum, além do talento, a carreira extremamente longa, que dura até os dias de hoje. Numa coincidência digna da teoria da inteligência aleatória de Invasões Bárbaras, dois desses artistas darão à luz novas criações neste mês de abril. Saem o novo CD de Caetano Veloso, Zii e Zie, e o novo romance de Chico Buarque, Leite Derramado. Disco e livro são pontos de chegada de trajetórias paralelas — e o lançamento simultâneo provoca reflexões sobre a cultura brasileira e sobre o caminho que ambos percorreram para chegar até aqui."
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É o que dizem Heitor Ferraz, José Flávio Júnior e João Gabriel de Lima em matéria da BRAVO! que vc ler clicando o título.