março 13, 2009
Limeuil
Aqui é a confluência do "la Vézère" e de "la Dordogne" (rio é uma palavra feminina). O site desta pequena cidade é lindo. Quer ver? Clica no título desta postagem...
Enquanto minha amiga subiu para visitar a cidade medieval onde se encontra uma capela (St.Martin) construída em 1194, preferi descansar à beira dos rios.



Depois do vinho no almoço em Lalinde (teve torta de ruibarbo como sobremesa!)...desfrutar do silêncio quebrado apenas pelo movimentos dos patos e cisnes na água era tudo que eu precisava.
As fotos de Limeuil feitas pela Beatrice.
Bergerac
Reeditei para incluir este album com as fotos que não faziam parte da postagem original. É daqui o narigudo Cyrano imortalizado no cinema pelo Depardieu. Este personagem saiu da imaginação de Rostand e simboliza o gosto da cidade pela audácia e pela generosidade.
A pombinha distraída apareceu para beber água e eu dei um clic.
O mapa da cidade faz destaque em marrom para a vieille ville.
As gabarres fazem promenade pela Dordogne
La Dordogne num fim de tarde com a ponte e seus reflexos ao fundo.
Esta cidade é considerada o fruto do casamento feliz entre a terra e a água. É famosa não só pelos sports náuticos, promenades en gabarres, mas é também considerada coeur du vignoble. São 13 appellations contrôlées em Bergerac.
Esta cidade é considerada o fruto do casamento feliz entre a terra e a água. É famosa não só pelos sports náuticos, promenades en gabarres, mas é também considerada coeur du vignoble. São 13 appellations contrôlées em Bergerac.
março 12, 2009
Saint Foy la Grande
Saint-Emilion
Depois de voar uma noite atravessando o oceano, fizemos conexão (com algum atraso), em Madri para Bordeaux. Lá chegando, pegamos o carro que minha amiga havia deixado estacionado no aeroporto, antes de ir para o Brasil. Partimos em direção à Saint Emilion onde chegamos quando já anoitecia. Estávamos, como costumo dizer, com a "beleza cansada". Felizmente não demoramos muito a encontrar um charmoso hotel. Mas a experiência de chegar numa cidade estranha, numa noite de inverno, no interior da França é a de que a cidade foi evacuada. Não se encontra uma "viva alma". Dia frio e ensolarado. Bem ao meu gosto. Saímos a pé para conhecer a cidade que é " patrimônio da humanidade", cujo valor monumental é incontestável.
Da fachada de uma das muitas lojas de vinho, algumas com degustação ou visita à cave.
É recomendável evitar sapatos com saltos para caminhar em suas ruas...
Este é a simpática brasserie onde almoçamos, à moda deles, sob o sol...
Toda cidade francesa tem seu monumento aos "enfants" mortos pela pátria...
O "vignoble" situado no jardim do restaurante é uma amostra da paisagem local.
A minha amiga não teve companhia para visitar as catacumbas. Em compensação fizemos descobertas impensáveis como a da fãbrica de facas Laguiole. Uma faca, segundo fiquei sabendo, é um objeto que quase todo frances carrega consigo. Afinal, me disseram, a qualquer momento podem precisar dela, pois adoram "picniquer".
Então tá! Comprei uma para minha amiga que ao recebê-la pareceu bem feliz, mas veio imediatmente me dar uma moeda. Aprendi outra coisa: não se presenteia com faca, porque isto faz cortar a amizade. Mas o recebimento da moeda funciona como neutralizador.
La Juridiction de Saint-Emilion, son vignoble et ses paysages sont inscrits au patrimoine mondial de l'humanité par l'UNESCO depuis 1999 au titre de "paysages culturels". Seule une poignée de sites remarquables méritent cette distinction !
C' est un lieu unique ! Do site que pode ser visto clicando no título
março 11, 2009
A ALMA NÃO PRECISA DE OMEGA 3
As noites de insônia, em pleno verão que aprisiona a cidade na onde calor, não costumam ser profícuas. Ao contrário, geralmente estendem-se lânguidas e vagarosas sobre a cama do estio, fitando o céu sem estrelas, à espera do dia seguinte. Há certas noites, como a de hoje , por exemplo, quando me sento para escrever a crônica, em que tudo é silêncio . Não há vento e a cidade parece ressentir-se do calor extremo . Não há nada , nem ninguém nas ruas. Na varanda, olhos os mistérios do cosmos e penso no quão facilmente nos esquecemos de que nosso velho planeta não ocupa o centro dele. Como se a razão entendesse Copérnico , mas a emoção continuasse rendida ao geocentrismo de Ptolomeu. Enfim, divagações solitárias madrugada a dentro , frutos de uma mente que não consegue operar as inúmeras funções necessárias para que, simplesmente eu consiga adormecer.
Deixei as estrelas e vim para o computador , onde naveguei um pouco, atrás da inspiração para a crônica . Buscando a palavra, a história ou a saudade que me tome pela mão e me leve ao mundo das palavras.
Visitei alguns poetas de que gosto, outros que conheço pouco e que ainda quero conhecer. Deveríamos todos ler um poema por dia . As escolas deveriam iniciar seus trabalhos com um poema antes da maratona de aulas . Faz bem ao coração. Durante anos alimentei a fantasia de que as cidades deveriam operar emergências poéticas. Estabelecimentos que nos devolvessem a capacidade de sonhar e de adivinhar novos mundos, e que existiriam em cada bairro , abertos noite e dia, devolvendo humanidade aos pacientes . Na falta desta utopia , a internet é uma boa opção para quem, como eu, gosta de visitar a poesia regularmente.
Enfim, já tarde, acabei visitando Christina Rossetti, poetisa romântica inglesa que nos deixou uma obra delicada , de devoção e entrega. Rossetti foi deixada de lado pela onda modernista , mas na década de 70, o feminismo a trouxe de volta ao panteão das letras.
Cometi a heresia de traduzir um soneto dela, porque senti vontade de dividi-lo com vocês e porque trabalhar me ajuda a atravessar a noite, sem a desagradável sensação de ser o único ser acordado na cidade. A tradução não é grande coisa, mas a intenção é das melhores. De modo que a última página de hoje , para os leitores, encerra-se com poesia e, nos dias que correm, acreditem, a poesia é tão importante como o ômega 3 . O corpo vai deteriorar-se mais cedo ou mais tarde, mas as centelhas de inspiração avançam pelo tempo, como a luz acesas pelo poeta. Ao soneto, então:
Aqui pensando, em tudo o que perdi,
No que teria sido e jamais será,
Tua excelência vem me assegurar,
Que não sou merecedora de ti.
A mágoa é minha, que teimo em cair,
Que teimo em morrer, que teimo em deitar,
Querendo encolher, querendo chorar
Fitando a parede pra não mais fugir
E ainda assim, porque há esperança,
Rasgando a noite, o amor avança
E luta até que amanheça o dia ,
Quando, enfim, esgotada entrego o poder
E assisto ao meu coração florescer,
Pronta a aceitar que por ti morreria.
Miguel Falabella
na Isto É
Deixei as estrelas e vim para o computador , onde naveguei um pouco, atrás da inspiração para a crônica . Buscando a palavra, a história ou a saudade que me tome pela mão e me leve ao mundo das palavras.
Visitei alguns poetas de que gosto, outros que conheço pouco e que ainda quero conhecer. Deveríamos todos ler um poema por dia . As escolas deveriam iniciar seus trabalhos com um poema antes da maratona de aulas . Faz bem ao coração. Durante anos alimentei a fantasia de que as cidades deveriam operar emergências poéticas. Estabelecimentos que nos devolvessem a capacidade de sonhar e de adivinhar novos mundos, e que existiriam em cada bairro , abertos noite e dia, devolvendo humanidade aos pacientes . Na falta desta utopia , a internet é uma boa opção para quem, como eu, gosta de visitar a poesia regularmente.
Enfim, já tarde, acabei visitando Christina Rossetti, poetisa romântica inglesa que nos deixou uma obra delicada , de devoção e entrega. Rossetti foi deixada de lado pela onda modernista , mas na década de 70, o feminismo a trouxe de volta ao panteão das letras.
Cometi a heresia de traduzir um soneto dela, porque senti vontade de dividi-lo com vocês e porque trabalhar me ajuda a atravessar a noite, sem a desagradável sensação de ser o único ser acordado na cidade. A tradução não é grande coisa, mas a intenção é das melhores. De modo que a última página de hoje , para os leitores, encerra-se com poesia e, nos dias que correm, acreditem, a poesia é tão importante como o ômega 3 . O corpo vai deteriorar-se mais cedo ou mais tarde, mas as centelhas de inspiração avançam pelo tempo, como a luz acesas pelo poeta. Ao soneto, então:
Aqui pensando, em tudo o que perdi,
No que teria sido e jamais será,
Tua excelência vem me assegurar,
Que não sou merecedora de ti.
A mágoa é minha, que teimo em cair,
Que teimo em morrer, que teimo em deitar,
Querendo encolher, querendo chorar
Fitando a parede pra não mais fugir
E ainda assim, porque há esperança,
Rasgando a noite, o amor avança
E luta até que amanheça o dia ,
Quando, enfim, esgotada entrego o poder
E assisto ao meu coração florescer,
Pronta a aceitar que por ti morreria.
Miguel Falabella
na Isto É
março 10, 2009
A Maquina de lavar

Pasmem! O jornal oficial do Vaticano (L’Osservatore Romano) na sua edição do dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, publicou um artgo (incomum num jornal religioso), louvando a máquina de lavar roupas.Criada na Alemanha em 1767, segundo o Vaticano, teria feito mais pela mulher no século XX do que a pílula anticoncepcional ou o acesso ao mercado de trabalho. O título da reportagem foi o seguinte: “A Maquina de lavar e a liberação das mulheres — ponha detergente, feche a tampa e relaxe.”
março 09, 2009
Aviso da lua que menstrua
Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos.
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente
Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofando
cozinhando, costurando e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão pr eocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!
Elisa Lucinda
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos.
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente
Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofando
cozinhando, costurando e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão pr eocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!
Elisa Lucinda
março 08, 2009
março 07, 2009
Rua das Etnias
A inauguração da Rua 24 Horas aconteceu dias depois da minha chegada à Curitiba. A primeira festa a que compareci na cidade foi num 14 juillet em que a data francesa foi comemorada numa festa em que as pessoas dançavam na Rua, toda decorada com as cores da França. Tive uma ótima impressão. Aquele povo dançando ao som das músicas francesas, como até então só tinha visto no cinema. Mas ficou por aí..."A Rua 24 Horas de Curitiba foi inaugurada com muita festa e disposição para que se transformasse em mais um ponto de referência da cidade. Realmente, aos poucos tornou-se um lugar de bom chope e muita conversa. Carecia de banheiros acessíveis, não oferecia recursos adequados para pessoas deficientes, mas isso não impediu, por exemplo, que os deficientes auditivos definissem aquele como sendo um local de reunião informal, o que acontecia com regularidade.
Por motivos que desconhecemos a Rua 24 Horas foi sendo abandonada. O policiamento precário e virando opção de grupos menos simpáticos ao povo mais do que conservador de Curitiba, caiu na desgraça da população mandante. A falta de cuidados com a manutenção fez o resto, levando a administração municipal a anunciar seu fechamento para reformas, algo anunciado até hoje em dois cartazes nas duas entradas principais. Lá vemos que a Rua “será” fechada em 10 de setembro de 2007 para reformas. Nada informa quando será reinaugurada.
Ouvimos do presidente da URBS, durante seu depoimento sobre a URBS na Câmara Municipal de Curitiba na tarde de 3 de março passado, a hipótese de mudar sua função. Uma idéia em discussão seria fazê-la a “Rua das Etnias”. Nada errado para as elites curitibanas, tão ciosas de suas origens. Incomoda, entretanto, o cheiro de racismo e a possibilidade dos “estrangeiros” mais recentes de se competir com aqueles que exibem a honra de serem descendentes dos primeiros que chegaram por aqui, deslocando os povos indígenas que viviam nessa terra. Pior ainda, a ênfase em detalhes biológicos e culturais perigosos.
Desconfiamos, acima de tudo, de preconceitos que deveríamos evitar. Eric Hobsbawm denuncia, explica, relata, demonstra em seus livros o que significou o nacionalismo tribal que passou a dominar a humanidade conduzida pelos grandes proprietários de terra e palácios europeus, assustados com os movimentos revolucionários de 1848 e a Comuna de Paris, o socialismo que surgia com força. Fala, inclusive, do terrorismo mais do que atual, escatológico, criado pelos ambientalistas quando dezenas de milhões de seres humanos vivem como refugiados políticos. Para não esquecermos o que foram aqueles tempos das raças puras, filmes recentes mostram o lado tenebroso do nazismo.
Vemos o receio de se revitalizar a Rua 24 Horas. Não estaria nisso um pouco da síndrome da Rua Castro, tão bem mostrada no filme “Milk – A voz da Igualdade”, título que talvez fosse melhor se falasse em voz da liberdade? Era idéia corrente entre os curitibanos referir-se a esse logradouro como lugar de homossexuais e prostitutas. E se fosse? Nada mais lógico, pois pensando apenas em termos percentuais Curitiba deve ter gente com opções sexuais e profissionais diferentes capazes de encher algumas ruas tão pequenas quanto aquela travessa.
Está na hora da capital paranaense ser mais democrática, livre. Infelizmente a tradição da cidade não era muito simpática. A Boca era lugar de agressões verbais a quem não agradasse aqueles que lá paravam para seus momentos de lazer e ...
Tradições, etnias, muitos costumes e comportamentos cheiram a vícios tribais e inquisitoriais. Vamos reinaugurar a Rua 24 Horas sem lhe impor padrões culturais? A liberdade é importante demais para se perder em meio a preconceitos mal confessados."João Carlos Cascaes
http://liberdadesempreco.blogspot.com/
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