janeiro 31, 2009

Revolutionary Road



Não faça descabidas comparações com Beleza Americana e esqueça o par romântico do Titanic. Foi apenas um sonho é outro filme.
Preste atenção nos diálogos iniciais que, de um certo modo, já definem a trama. Na década de 50, jovens interessantes se conhecem e se apaixonam, na mesma noite . Na cena seguinte já formam um casal que mora num subúrbio de Connecticut (arredores de NY). O título em inglês diz respeito ao nome da rua onde moram e a tensão se dá exatamente pela distância entre a "via da revolução" e o cotidiano pequeno-burguês de quem vive ali. O marido viaja de trem todas as manhãs, para trabalhar em um escritório em Manhattan, enquanto ela é a típica “rainha do lar" .
E é para fugir desse "vazio sem esperança " que ela o convence a sair dali, buscar seus sonhos. No caso dele, descobrir o que gostaria de ser ou de fazer. Decidem se mudar para Paris, onde ela trabalharia como secretária e ele ficaria livre para estudar, viver e descobrir algo que o agrade verdadeiramente. Estão convencidos de que a vida pode ter mais sentido e ser menos limitada.
Curioso detalhe do enredo é ser o personagem que tem sérios problemas psiquiátricos o único a, não só ver com naturalidade, mas vibrar com o sonho do casal, entender suas buscas e necessidades, diferentemente dos demais conservadores e acomodados amigos/vizinhos. A desilusão que os domina não pode ser atribuída nem a uma determinada geração nem reduzida a algo particular que ocorre a quem se aproximou pelos motivos certos e se manteve junto pelos errados. O sonho que se corrói e desgasta é algo atemporal e universal. Disto ninguém se safa, nem no filme nem na vida, alguns apenas não tem consciência...
Como não é raro acontecer, mudaram o título para "Foi Apenas um Sonho". Se por um lado poupa o espectador do mínimo esforço intectual, caso não compreenda o sentido da história, por outro se perde a ironia do original "Revolutionary Road".
Fazer o que? A cena final é sensacional!

V ó r t i c e s



Recebi este filme com um texto que trazia uma séria prescrição:“para ser lido antes de ver o filme.” Minha veia transgressora, embora há muito inativa, não está morta. Vi antes o filme, enquanto imaginava qual explicação científica, (claro!), estariam dando para aquela tarefa em que se empenhavam os golfinhos. Construir anéis prateados de ar, lindos, sem a menor utilidade, nem para eles próprios, nem para a sua espécie, nem para a humanidade.Para ninguém e para nada! Só para brincar? Adorei!
Como supus, no texto vinha algo sério: “Uma provável explicação de como eles fazem estes anéis prateados de ar é que estes são vórtices. Invisíveis vórtices giratórios são gerados a partir das costas do golfinho quando ele se move rapidamente e em seguida se volta. Quando os golfinhos partem a linha, as pontas são atraídas para um anel fechado; o fluido de alta velocidade à volta do centro do vórtice está a uma pressão mais baixa do que o fluido que circula mais distante. É injetado ar nos anéis através das bolhas que são liberadas pelo orifício por onde o golfinho expele o ar. A energia do vórtice de água é suficiente para evitar que as bolhas subam, durante os segundos que duram as brincadeiras.”
Ninguém precisa saber disto. Ou precisa?

JOHN UPDIKE


TERRORISTA é o livro mais vendido de John Updike. Foi escrito depois do 11 de setembro. É a história de um adolescente de origem árabe que vive entre dois mundos: a pequena burguesia americana e o Oriente Médio que ele não conhece mas o fascina. Filho de um intercambista egípcio e de uma americana de origem irlandesa que o criou sozinha após ser abandonada pelo marido, o jovem constrói para si próprio uma identidade islâmica, manipulado pelo imã da mesquita que frequenta.
Até onde cheguei o autor faz a análise psicológica dos EUA atual, das questões de segurança que os levam a recrutar funcionários entre as minorias étnicas, o que despertaria " o gigante adormecido do racismo, agora que os afro-americanos e hispânicos ganharam a autoridade de revistar, interrogar, conceder ou negar o direito de entrar num prédio ou embarcar num avião". São aspectos relevantes que o autor conhece e desenvolve muito bem. É inevitável atualizar-se suas reflexões acrescentando a elas o dado novo: a eleição do Obama.
Ainda estou pela metade do livro...
Na TV Estadão o crítico literário do Caderno 2 fala sobre o escritor (falecido esta semana) e sua obra. Um vídeo a que se acessa clicando o título desta postagem. Bem interessante!

A sombra de Vinicius


"Diminutivos servem para identificar, como se sabe, coisas de pequeno porte ou, por extensão, coisas pelas quais temos carinho. Em certo sentido, as duas formas se conjugam no equívoco que fez com que Vinicius de Moraes passasse à história da literatura brasileira como "poetinha". Quase como a dizer: gostamos muito dele, de seus versos sobre o amor e a paixão - mas poetas sérios, "poetões" mesmo, são os outros. Para certa crítica acadêmica, o existencialismo prosaico de Carlos Drummond de Andrade, o lirismo de Manuel Bandeira e os versos duros da poesia engajada de João Cabral de Melo Neto encerram tudo o que de melhor e mais diverso o modernismo poderia produzir. A verdade, contudo, é que o cânone modernista não tinha como enquadrar a poesia de Vinicius, construída numa trajetória absolutamente singular, que foi das formas mais tradicionais da poesia ao trabalho como letrista da bossa nova". (BRAVO! de janeiro - clic no título).
Na mesma edição José Castelo escreve Uma Alma Duplicada:
"Oscilando entre o prazer e o desamparo, Vinicius viveu os seus nove casamentos como um “escravo da paixão”, para quem o amor, mais que alegria, era fardo
Vinicius de Moraes, o poeta da paixão, foi também o poeta do desespero. Sob a máscara do artista feliz, em eterno galanteio com a vida, escondeu-se, durante 67 anos, um homem atormentado, para quem o amor foi não só alegria, mas fardo, e a vida, uma sucessão de decepções.
........"
Todo mundo gosta do " poetinha" e de uma certa maneira, pensava conhecer a sua alma!

janeiro 30, 2009

Pas sur la bouche


Pas sur la Bouche” é um musical baseado no libreto de uma opereta que foi sucesso em 1925, de autoria de André Barde, com música de Maurice Yvain, um dos mestres do gênero nas década de 1920 e 1930.
Dirigida por Alain Resnais que de tão fascinado por música sempre dá um jeito de incorporá-la na própria matéria de seus filmes, neste "Beijo na Boca, Não!" (2003) ele retoma esse namoro. Tudo se passa em dois belos cenários, vistosamente decorados. E, como é próprio do gênero, as canções são engraçadas e tem letras de duplo sentido. Resulta numa agradável e elegante comédia musical. O elenco não podia ser melhor!

Geri' s Game

Política e politesse: cotidiano e vida urbana

"A convivialidade na Ágora antiga era presidida por Afrodite, a “deusa dos sorrisos”, com o que os gregos reuniam política e graça. Entre a moral e o direito, as boas maneiras nascem da necessidade de atenção ao Outro e consistem em uma “arte da convivência”.

As maneiras,os modos, a “boa-educação” constituem um Ideal de Ego referido à vida em comum, conformado na palavra politesse. Cortesia, amabilidade, delicadeza e atenção estabeleciam o convívio no espaço que define a coabitação e a cidade. Vida política é vida na polis. Se há a vida rude, o ruralis e a rusticitas, a vida na polis é polida, é civitas e urbanitas. Por isso, a convivialidade na Ágora antiga era presidida por Afrodite, a “deusa dos sorrisos”, com o que os gregos reuniam política e graça. A charis grega é “atratividade e beleza”, “serenidade e reconhecimento”. Daqui derivam “grato” e “ingrato”, a inclinação para “fazer o bem”, de um lado; a designação daquele que “não merece reconhecimento”, de outro."
....
A autora Olgária Mattos é filósofa, professora titular da Universidade de São Paulo. Acesso ao texto integral clicando no seu título.

janeiro 29, 2009

E S T R É I A

Quem me conhece sabe de minhas limitações (dentre outras) no manuseio de equipamentos, máquinas e aparelhos em geral. Foram-se os filmes de bobina sem que eu aprendesse a colocá-los na máquina. Controles remotos e eu não fomos feitos um para o outro. E as incompatibilidades se estendem aos alarmes, segredos e travas que se incorporaram à nossa vida. De uns tempos para cá, como todo mundo, vivo às voltas com esta parafernália de cabos... Certas operações já se faz sem eles. A estas ainda estou resistindo, mas não vou longe, preciso me garantir. Ainda vibro a cada avanço e descoberta. As coisas nunca me parecem tão óbvias como para quem tem um "chip" que penso faltar na minha cabeça. Ou ela é embotada mesmo.
Esta foi uma primeira (e solitária) tentativa de, juntando audio (Imprevisível - na voz de Mafalda Sacheti) e imagens (Vila do Conde), montar meu primeiro filme. Como se pode ver, ainda tenho muito a aprender...Mas gostei da brincadeira.

As fotos maravilhosas são do Antonio Neves. Umas poucas são minhas. As que não são maravilhosas.

Cheirinho de livro

Há algum tempo anunciam que os livros de papel irão se acabar. Exagero ou catastrofismo, a afirmação ganha mais peso quando parte de uma das maiores livrarias do mundo (Amazon), que está apostando ser uma questão de tempo para que os livros virtuais substituam inteiramente os de papel. Alguns arautos profetizam que os livros “ físicos” , como fazem com os discos de vinil, serão mantidos apenas por um valor emocional.
As próximas gerações irão ler num aparelho do tamanho de um livro pequeno onde serão armazenadas muitas obras ao mesmo tempo. O e-book dispõe de um teclado, possibilitando que se faça anotações como num bloco, ou que se marque alguma página do livro virtual, dentre outras “vantagens” em relação ao papel. As outras seriam: aproximar mais os leitores dos autores e tornar a leitura mais agradável (!?).
Privar o leitor do manuseio do livro, da experiência sensorial de tocá-lo e cheirá-lo, é a principal ressalva que faço à leitura digital. Ler é uma experiência muito diferente de ouvir música. Troquei a fita cassete pelo CD e este por um iPod, mais portátil e capaz de baixar músicas da web, sem problemas. Até filme assisto aqui na telinha. Mas enquanto existir alternativa, darei preferência ao livro tradicional.
Com direito a toque e cheirinho.

janeiro 28, 2009

um mundo de todas as cores

Paz, liberdade, dignidade, justiça, terra. Como os desejos e quereres unem-se numa só frente humana. Um e todos. Todos em um. Um lugar de toda gente.
Índios, negros, brancos, amarelos, azuis, furta-cores. Um balaio que cabe todo o mundo: brasileiros com as batucadas, americanos com bermudas cáqui e camisa estampada, africanos com roupas tipicamente belas e coloridas, palestinos com os característicos keffieh brancos e preto, japoneses com suas máquinas fotográficas…
A cidade das mangueiras assistiu ontem, dia 27 de janeiro, uma mescla de cores, que chuva nenhuma conseguiu desbotar. Mais de 100 mil gostos, sabores, cores, gentes juntaram-se na marcha de abertura da nona edição do Fórum Social Mundial – Belém 2009. Uniram-se em torno de um só querer: um mundo melhor.
Bandeiras, faixas, gritos de guerra, informativos, performances, rezas, cantigas e fantasias retratavam os objetivos e desejos mundiais: paz, liberdade, justiça e ética; igualdade de gêneros . direitos iguais aos gays; libertação do capital e do imperialismo; economia solidária e sustentável; defesa do meio ambiente; garantia dos direitos sociais, culturais, humanos,e conômicos;
Os gritos de protesto, as músicas de alegria e graça, o silêncio. Diferentes formas de expressar uma busca diversa, mas comum aos povos. Mais do que uma dimensão política, o Fórum Social Mundial mostra e grita a humanidade. Humano, por isso político.

Carolina Gutierrez no Le Monde Diplomatique

E x i s t ê n c i a

Basta uma simples fotografia (já estou digitalizando as de 1998). Certas coisas retornam e ficam, por ali, pairando...
Tenho andado em ebulição. Memórias se destamparam, tenho entrado em contato com meus mistérios, com meus sonhos esquecidos. O que eu queria era conversar com as pessoas, explorar o mundo e, se soubesse que teria que optar por algo que me exigisse longos períodos a sós comigo mesma, certamente teria eleito as palavras. Estudei direito e as palavras com que me ocupei foram todas limitadas pelas cercas desse saber. Quando iniciei a faculdade , pensava que seria apenas um meio para outro fim, acabei gostando. A liberdade não pude ver, romanticamente, como “ uma calça velha azul e desbotada”. Para mim era, antes de qualquer outra coisa, independência financeira (com estabilidade). Assim equipada, podia ter me dedicado a compreender melhor a existência humana e a mim mesma. Ter tentado descobrir nexos e siginificados que, se não teriam mudado a minha realidade, quem sabe teriam me levado a fazer outras escolhas...Não queria ser séria demais e acabei sendo. Tenho refeito certos caminhos...a alma nos prega peças quando não a ouvimos. Somos mesmo insondáveis, tanto quanto são insondáveis os nossos destinos.

Opinião


Do blog Frases Ilustradas...(no título)

O k t a p o d i


No dia 22 de fevereiro, Oktapodi estará disputando o Oscar na categoria Curta Metragem de Animação. Os seus criadores são jovens estudantes da Escola de Desenhos Animados de Gobelins em Paris (acesso clicando o título).
Oktapodi, que levou sete meses para ser realizado, é historia de um casal de polvos apaixonados que vive em um aquário, em uma ilha do Arquipélago das Cíclades, no sul do Mar Egeu. Um peixeiro compra a fêmea para vender a um cozinheiro local. O macho tenta salvar a namorada do destino trágico. A ação se desenrola nas ruelas e escadarias brancas da ilha grega, tal qual nas perseguições de filmes à la James Bond. Vejam como é bonitinho!

Brasil-Brasis

Acabei de ganhar de um amigo O BRASIL DOS CORRESPONDENTES, uma coleção de textos e imagens que relatam fragmentos de nossa história nos últimos 30 anos pelo olhar dos correspondentes estrangeiros. Desde Pero Vaz de Caminha que olhares forasteiros se espantam com nossa singularidade e multiculturalismo e soltam suas veias de cronistas para mostrar os aspectos que mais os impressionam. O livro, publicado pela ACE- Assoociação dos Correespondentes Estrangeiros, mostra aspectos interessantes e curiosos de nosso comportamento em todos os setores da sociedade, sob a ótica deles. Um visão descomprometida. Muito bom!

A crônica é de hoje e revela mais um desses olhares...

MEU PIRÃO PRIMEIRO
O olhar estrangeiro costuma enxergar o que nem sempre a gente vê. Algumas das melhores observações sobre o Brasil foram feitas pelos viajantes que têm passado por aqui desde o século XVI. Os forasteiros modernos são os correspondentes e enviados especiais, com muito a nos ensinar sobre nós mesmos.
Conversei com um deles recentemente, o britânico Andrew Downie, que trabalha para duas importantes publicações americanas: a revista "Time" e o jornal "Christian Science Monitor". Com oito anos no país, ele só não é quase brasileiro porque é capaz de chegar para a entrevista com dez minutos de antecedência. Vocês conhecem algum repórter nosso que faz isso? O humor também é típico: "Você esquece que sou inglês?" Ele veio sentir a mudança dos ventos, ver como os governos locais estão trabalhando para pôr ordem na casa (como Downie trocou o Rio por SP por não suportar mais a nossa bagunça, é meio cético).
O papo acaba girando em torno do caráter do brasileiro. Ele defende a tese de que muitas de nossas características se devem ao individualismo, "a começar pelo futebol". Segundo esse representante da terra que inventou o esporte, somos os craques do personalismo dentro e fora de campo. Da mesma maneira que decidimos uma partida num lance individual — um drible desconcertante, uma jogada implausível, um chute que transforma a bola numa folha seca — tentamos resolver todos os problemas dando um jeitinho particular.
Como se fosse um Calazans, passei a falar do que não entendo. Disse para ele que uma de nossas mais criativas invenções era a bicicleta — não a de duas rodas, mas a de duas pernas. Um jogador faz tudo ao contrário: de costas para o gol lança o corpo para cima, dá uma ou duas pedaladas no ar e, quando cai, a bola está no fundo da rede. Seria mais simples ficar de pé e de frente, deve ter pensado um pobre de espírito ao ver pela primeira vez o malabarismo. Só que não teríamos tido Leônidas da Silva, um genial crioulo como tantos outros: Pelé, Didi, Garrincha, Zizinho, Ronaldinho, Robinho.
O individualismo, no entanto, tem também seu lado nocivo, ao preconizar que se leve vantagem em tudo. No domingo mesmo O GLOBO noticiou em manchete: "Judiciário ignora crise e quer mais R$ 7,4 bi para pessoal." Belo exemplo de uma modalidade de individualismo, o corporativo, muito comum onde impera a ética do "farinha pouca, meu pirão primeiro". O mais sintomático é a alegação de um dos líderes do movimento reivindicatório.
Prevendo resistências por causa da situação econômica, ele foi logo avisando: "Não fomos nós que fizemos a crise."
Nem nós. O que se espera das instituições, porém, é que contribuam senão para aliviar a crise, pelo menos para não agravá-la.


Zuenir Ventura
n'O Globo - hoje

janeiro 26, 2009

A S E C R E T A R I A


Assiti este filme ontem à noite e hoje fui ler sobre ele. Dizem de tudo: q ue o casal é excêntrico/bizarro, que é um filme de "perversão" para quem gosta de perversão. E eu que tinha ido dormir pensando ser um conto de fadas em que a mocinha encontra o seu príncipe...O filme conta uma bela e original história de amor entre pessoas atormentadas pelos seus fetiches. Mas acaba que a relação entre a secretária e o advogado funciona, eles se completam. Não é isto o que se busca? Ambos sofrem muito com suas tragédias pessoais até, finalmente, descobrirem que foram feitos um para o outro. Ela é maso e ele sado. Existe casal mais perfeito?

Yulia Tymoshenko

Ela parece ser a mais bonita premier hoje no mundo. Tem 49 anos, é casada e, além de ser a primeira primeira-ministra mulher da Ucrania, lançou este penteado que fez moda em seu país e é a sua marca registrada.
Já esteve na terceira colocação numa lista da Forbes das mulheres mais poderosas do mundo, atrás apenas da Condoleezza Rice e da Wu Yi (vice-primeira-ministra da China). O Putin na reunião para a qual foi pronto para negar todas as suas reivindicações, "não resistiu ao primeiro farfalhar das suas pestanas".
Acesso clicando no título. É bem interessante.

Serão mais felizes os (as) que vivem sem saber quem é Jude Law?

Neo-mauricinhos

O neologismo scuppie se aplica às pessoas que desejam "viver bem enquanto fazem o bem". Scuppie é um acrônimo resultante da expressão "socially conscious upwardly-mobile person" que siginifica algo como pessoa ambiciosa socialmente consciente. É a nova filosofia de vida.
Segundo o manifesto scuppie (www.scuppie.com ) eles são pessoas abastadas que gastam conscientemente: usam roupas orgânicas ( 100% algodão produzidas por empresas livres dos circuitos de exploração); alimentam-se de forma saudável, amam a soja pura e o arroz integral e respeitam o meio ambiente sem sentir que "sacrificam" sua vida por um paraíso verde. E tudo isso sem renunciar a gastar.
Reciclam, usam sacolas de papel ou pano - nunca de plástico - e não desperdiçam água. Dá para reconhecer um scuppie ao entrar em sua casa, olhar a disposição da mesa de trabalho e saber o menu que prepara. É possível distingui-lo pelos meios de transporte que utiliza, o modo de encarar sua profissão ou o destino de suas férias. Um scuppie nunca dará rosas tingidas de azul, lençóis de poliéster ou produtos reconhecidos como tóxicos. Educa seus filhos com um conhecimento universal e alguma filosofia para economizar, mesmo que continue vivendo com mais do que precisa.
O casal Angelina Jolie e Brad Pitt com filhos biológicos e adotados, grandes desafios profissionais e familiares, um compromisso social público e contínuo é o típico scuppie . Estão envolvidos em campanhas de ajuda social, mas instalados no bem-estar. O Bono Vox é outro scuppie "de carteirinha".
Seja um deles!

janeiro 25, 2009

PRAZER PELA METADE

Este texto já circulou ano passado e voltei a recebê-lo por email. Hoje ele me caiu muito bem. Estou odiando ser politicamente correta, ter sentimento de culpa por ter comido tanto fruto do mar...Não poder beijar o Jude Law só completa o quadro.
"Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido - uma só. Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano. A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade. A gente sai pra jantar, mas come pouco. Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons. Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil'). Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta. Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo. Tem vontade de
ficar em casa vendo um DVD,esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar. E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação... Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão. Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado' - deixar de lado a régua, o compasso, a
bússola, a balança e os 10 mandamentos. Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: 'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'.
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete,bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado. Um dia a gente cria juízo. Um dia. Não tem que ser agora. Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de coco, um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order', uma caixa de trufas bem macias e o Jude Law (neste ponto fiz uma adaptação ao meu gosto) embrulhado pra presente - não necessariamente nessa ordem. Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago".

(Leila Ferreira)

Witold, o Lord



O "Lord" fica por conta da Ale Haro que fez as fotos e editou o filme. Quem o conhece vai concordar que ele tem mesmo uma pose "aristocrática" e, segundo o Astrocats, odeia barulho, vulgaridade e mau gosto. Além de gostar de atenção e de ser mimado. Mas disto não precisa ser gato para gostar...