janeiro 26, 2009

A S E C R E T A R I A


Assiti este filme ontem à noite e hoje fui ler sobre ele. Dizem de tudo: q ue o casal é excêntrico/bizarro, que é um filme de "perversão" para quem gosta de perversão. E eu que tinha ido dormir pensando ser um conto de fadas em que a mocinha encontra o seu príncipe...O filme conta uma bela e original história de amor entre pessoas atormentadas pelos seus fetiches. Mas acaba que a relação entre a secretária e o advogado funciona, eles se completam. Não é isto o que se busca? Ambos sofrem muito com suas tragédias pessoais até, finalmente, descobrirem que foram feitos um para o outro. Ela é maso e ele sado. Existe casal mais perfeito?

Yulia Tymoshenko

Ela parece ser a mais bonita premier hoje no mundo. Tem 49 anos, é casada e, além de ser a primeira primeira-ministra mulher da Ucrania, lançou este penteado que fez moda em seu país e é a sua marca registrada.
Já esteve na terceira colocação numa lista da Forbes das mulheres mais poderosas do mundo, atrás apenas da Condoleezza Rice e da Wu Yi (vice-primeira-ministra da China). O Putin na reunião para a qual foi pronto para negar todas as suas reivindicações, "não resistiu ao primeiro farfalhar das suas pestanas".
Acesso clicando no título. É bem interessante.

Serão mais felizes os (as) que vivem sem saber quem é Jude Law?

Neo-mauricinhos

O neologismo scuppie se aplica às pessoas que desejam "viver bem enquanto fazem o bem". Scuppie é um acrônimo resultante da expressão "socially conscious upwardly-mobile person" que siginifica algo como pessoa ambiciosa socialmente consciente. É a nova filosofia de vida.
Segundo o manifesto scuppie (www.scuppie.com ) eles são pessoas abastadas que gastam conscientemente: usam roupas orgânicas ( 100% algodão produzidas por empresas livres dos circuitos de exploração); alimentam-se de forma saudável, amam a soja pura e o arroz integral e respeitam o meio ambiente sem sentir que "sacrificam" sua vida por um paraíso verde. E tudo isso sem renunciar a gastar.
Reciclam, usam sacolas de papel ou pano - nunca de plástico - e não desperdiçam água. Dá para reconhecer um scuppie ao entrar em sua casa, olhar a disposição da mesa de trabalho e saber o menu que prepara. É possível distingui-lo pelos meios de transporte que utiliza, o modo de encarar sua profissão ou o destino de suas férias. Um scuppie nunca dará rosas tingidas de azul, lençóis de poliéster ou produtos reconhecidos como tóxicos. Educa seus filhos com um conhecimento universal e alguma filosofia para economizar, mesmo que continue vivendo com mais do que precisa.
O casal Angelina Jolie e Brad Pitt com filhos biológicos e adotados, grandes desafios profissionais e familiares, um compromisso social público e contínuo é o típico scuppie . Estão envolvidos em campanhas de ajuda social, mas instalados no bem-estar. O Bono Vox é outro scuppie "de carteirinha".
Seja um deles!

janeiro 25, 2009

PRAZER PELA METADE

Este texto já circulou ano passado e voltei a recebê-lo por email. Hoje ele me caiu muito bem. Estou odiando ser politicamente correta, ter sentimento de culpa por ter comido tanto fruto do mar...Não poder beijar o Jude Law só completa o quadro.
"Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido - uma só. Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano. A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade. A gente sai pra jantar, mas come pouco. Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons. Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil'). Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta. Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo. Tem vontade de
ficar em casa vendo um DVD,esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar. E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação... Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão. Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado' - deixar de lado a régua, o compasso, a
bússola, a balança e os 10 mandamentos. Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: 'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'.
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete,bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado. Um dia a gente cria juízo. Um dia. Não tem que ser agora. Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de coco, um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order', uma caixa de trufas bem macias e o Jude Law (neste ponto fiz uma adaptação ao meu gosto) embrulhado pra presente - não necessariamente nessa ordem. Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago".

(Leila Ferreira)

Witold, o Lord



O "Lord" fica por conta da Ale Haro que fez as fotos e editou o filme. Quem o conhece vai concordar que ele tem mesmo uma pose "aristocrática" e, segundo o Astrocats, odeia barulho, vulgaridade e mau gosto. Além de gostar de atenção e de ser mimado. Mas disto não precisa ser gato para gostar...

janeiro 24, 2009

A mulher como medida

Nunca confie num homem que não respeita a mulher.
Esta frase, com a qual há de se concordar inteiramente, é do jornalista Caco Barcellos. Foi dita durante uma entrevista a Marília Gabriela no final do ano passado e é absolutamente coerente com o caráter do rapaz, talvez o repórter mais sério, dedicado e correto da TV brasileira, um batalhador incansável pela justiça, tendo o jornalismo como arma, o que lhe valeu inúmeras perseguições e desafetos, sobretudo dentre quem usa outros tipos de armas, muito mais efetivas.
Caco não se referia ao homem que respeita apenas a sua própria mulher, embora tivesse ele mesmo motivo de sobra para isso, posto que é casado com a maravilhosa estilista Bibi Barcellos, uma fada das tesouras especialista em noivas. Não, quis dizer que não se deve confiar no homem que não respeita mulheres, o gênero como um todo, com o que se deve concordar mais ainda.
O desrespeito, muitas vezes derivado do despeito, com que tantos homens (des) tratam mulheres, seja por meio do simples desprezo, de ofensas sexistas ou, infelizmente também frequentemente, por meio da violência, é revelador de fraqueza de caráter e pequenez da alma.
Daí ser entristecedor observar uma realidade em que seja tão usual esse tipo de comportamento, só não mais hediondo do que a ofensa a crianças e idosos, também trivial e repetitivo nos dias de hoje.
Já estava para escrever sobre a frase do Caco, linda e das que devem ser registradas, mas faltava oportunidade ou o chamado "gancho" --ou seja, a motivação jornalística que leva alguém a escrever alguma coisa.
E o gancho veio no dia da posse de Barack Obama. Já havia observado o clima de total cumplicidade e intimidade que permeia o relacionamento público dele e Michele. Olho no olho, atenção permanente, sorriso franco. Ambos sempre lado a lado, nunca o homem na frente da mulher. Isso eu já havia percebido em inúmeras outras aparições públicas do casal, mas ficou muito mais evidente nas diversas oportunidades em que os dois foram flagrados, tão elegantes, cordiais e cordatos, durante as longas cerimônias da posse, das quais participaram também merecendo atenção e carinho, as duas mocinhas filhas de ambos.
É encantador o olhar que Obama sempre dedica à sua mulher, seus gestos delicados e sua deferência. A se fiar no paradigma do Caco Barcellos, este comportamento revela alguém em que se pode confiar.
Um querido amigo, a quem fiz essa observação outro dia, preferiu o ceticismo e lembrou a música de David Bowie dos anos 70, na qual ele afirma "I`m afraid of americans" ("Eu tenho medo de americanos").
Ok, motivos há, basta ter lido o noticiário relativo a eles nos últimos 20 anos.
Nunca, porém, tinha visto naquele posto tão poderoso, não apenas um negro, um jovem multicultural, um político com idéias tão atraentes, mas sobretudo alguém tão respeitoso e delicado com mulheres.
Prefiro, até segunda ordem, portanto, fazer um voto de confiança.

Luiz Caversan, na Folha online

janeiro 23, 2009

L O O K



Todos falam de, escrevem sobre, pensam em: PARIS.
Cada um diz do que viu ou ouviu, do que mostram cinemas e revistas, do que vivenciou quando lá esteve, da cidade de seus sonhos, do que pensa em encontrar ao visitá-la . O certo é que todo mundo faz uma idéia e, ao mesmo tempo, alimenta certos mitos. Dentre eles, alguns são verdadeiros. De que os franceses são arrogantes, de que as pessoas não olham umas para outras por exemplo. O que pode ser um traço deles não é exclusividade ( vide curitibanos). Resta saber quem é parisiense naquela babel. Outro mito é o de que lá todo dia tem uma greve (nem sempre), de que os queijos quanto mais fedidos melhores (eca!) e de que se come iogurte como sobremesa (o que é ótimo!alguém no mundo faz melhores?)
Mas tem um mito imbatível que é o que de as pessoas se vestem bem, são chics e elegantes. Sempre tentei explicar que não era bem assim, que como em todas as cidades, tem de tudo. Mas não ia (nem podia) sair por aí fotografando o povo para sustentar o que afirmava. Um parentese: às vezes recomendo não usar tenis para sair. Afinal, tenis não é calçado para fazer atividades físicas? Neste ponto a chata sou eu mesma. O que não siginifica que se tenha que usar scarpins...Tudo isto é para dizer que achei um site com título em ingles! (os franceses realmente não são mais os mesmos), que mostra a moda de rua em Paris e outras coisitas relacionadas. Quer ver? Clique no título da postagem ! Será que tenho que dizer que para ver o corpo inteiro se deve clicar duas vezes no nome e que sobre acessórios os títulos estão à direita? Pronto, tá dito!

Coisas da literatura

Terminei de ler O Jogo do Anjo com a impressão de que vai ser levado ao cinema e de que será um filme sombrio, sinistro, que não me agradará, mesmo tendo gostado tanto do livro. Ou exatamente por isto. Talvez o que tenha me levado a esta idéia não tenha sido nem a história em si,que é muito boa, mas o fato de saber que o Zafon vive de fazer roteiros para cinema, em Los Angeles. Não sei em que medida a mesma pessoa que escreve ficção em literatura consegue adaptá-la para a linguagem do cinema. Há coisas que a literatura tem e o cinema não.
Estes trechos colhi, aleatoriamente, do livro : :
“Abri os olhos. Colinas de pedras grossas como árvores ascendiam na penumbra até uma abóboda nua. Agulhas de luz poeirenta caíam em diagonal e delineavam fileiras intermináveis de caminhas miseráveis. Pequenas gotas d´água se desprendiam das alturas como lágrimas negras , que explodiam em eco ao tocar no chão . A penumbra cheirava a mofo e unidade.
.....
Quando o primeiro suspiro da aurora roçou a janela, abri os olhos e encontrei a cama vazia.
......
Percebia-se sempre a noção da existência terrena como uma espécie de estação de passagem que convidava à docilidade e à aceitação da própria vida edas normas da tribo, pois a recompensa sempre estava num além que prometia paraísos transbordantes de tudo aquilo que havia faltado na vida corpórea.
......
Ao voltar para a casa da torre, tinha aprendido a olhar com outros olhos aquele que tinha sido meu lar e minha prisão durante tantos anos. Entrei pelo portão sentindo que atravessava a goela de um ser de pedras e sombras. Subi a escadaria como se penetrasse em suas entranhas e abri a porta do andar principal para me deparar com um corredor escuro que se perdia na penumbra e que, pela primeira vez, parecia ser a ante-sala de uma mente medrosa e envenenada.
...
Quando saí à rua , fui surpreendido por uma brisa fria e cortante que varria as ruas com impaciência e fiquei sabendo que o outono tinha entrado em Barcelona na ponta dos pés. Na praça Plaácio , peguei um bonde que esperava vazio como uma grande ratoeira de ferro batido.
.......
......encontrei uma porta metálica encaixada no muro de pedra . Um batedor reposusava sobre a lâmina de ferro, soldado por lágrimas de ferrugem...Os vidros refletiam a passagem silenciosa das nuvens.
...
Saí de casa depois do amanhecer. Nuvens escuras se arrastavam sobre os telhados e roubavam a cor das ruas. Estava atravessando o Parque Ciudadela quando vi as primeiras gotas batendo nas folhas das árvores e estalando no caminho, levantando espirais de poeira como se fossem balas. Do outro lado do parque , um bosque de fábricas e torres de gás multiplicava-se até o horizonte, a poeira de carvão de suas chaminés diluindo-se naquela chuva negra que desmoronava do céu em lágrimas de alcatrão.
...
Cristina virou a cabeça e olhou para mim. Tinha a expressão devastada , como se tivessem quebrada sua alma a marteladas.


São imagens que só as palavras qualificam....

janeiro 22, 2009

G E S T O


Gesto é o nome do blog do Rogerio Bessa Gonçalves finalmente instalado no endereço: http://rogbessa.blogspot.com/. Com tanto para mostrar (e dizer), o Rogério não podia se manter fora da blogosfera. Não tanto quanto a Cris, que se declara lindamente envolvida " do dedão do pé até o fio de cabelo", sou suspeita para falar dele. Mas como vcs terão oportunidade de constatar, o Rogério dispensa comentários e conhecer o seu trabalho nos proporciona imenso deleite. Para acessar o seu blog, comece por clicar o título desta postagem que ilustrei com esta amostra de seu talento, neste desenho feito num café, entre muitos papos, em Sampa em nov/2008. O seu perfil no blog:

"Sou arquiteto, ilustrador, gravurista e fotógrafo. Todo ser humano se expressa por algum veículo; música, gastronomia, desenho, canto, filmes, fotografia. A expressão é um caminho de duplo sentido uma vez que toda pessoa só se expressa quando há um interlocutor. Ele é parte da obra tanto quanto o criador. Ele é responsável pelo diálogo entre à obra e o observador. É ele que dá sentido a criação, é quem completa o ciclo da expressão. Uma obra sem o interlocutor não possui razão de ser. Foi esta afirmativa que me conduziu a apresentar o que faço. Sempre desenhei e esta forma de expressão me conduziu à arquitetura, gravura, ilustração e à fotografia. Se meu leitor puder observar, todos os elementos destas minhas formas de expressão poderão perceber que possuem uma forte tendência na busca da linha, superfícies e texturas. Consiste em influências do expressionismo alemão, e da cultura japonesa; especificamente da arquitetura tradicional desse país".

Floripa na moda!

Quando me mudei para Curitiba a cidade ficou na moda. Só dava Curitiba. Era o início da década de 90. Agora a Santa (e bela) Catarina, minha terra por adoção (e, tomara! a definitiva) não sai da mídia. Felizmente, não mais por tragédias como as de novembro. Nem porque os termômetros marcam 7 graus na serra e 16 em Floripa, em pleno verão, como aconteceu esta manhã. Mas por outros bons motivos.
Veja o que diz o Cacau no seu blog hoje:
"Seis catarinenses vão disputar, sábado, em São Paulo, a semifinal do concurso Menina Fantástica, o Avaí já está na semifinal da Copa São Paulo de Futebol Juniores, cujo atual campeão é o Figueirense; o garoto de São Bento do Sul saiu da Bolha e vai disputar com a Carolina do Estreito o prêmio milionário do Big Brother Brasil 9; o New York Times diz que Floripa é a melhor parada para baladas da América Latina e a nossa taxa de emprego foi a mais alta de dezembro. Porque os cães ladram e a caravana passa."

PS: Nada a ver com o assunto, mas esta frase final é um bordão do antigo colunista do RJ, Ibrahim Sued, que é autor ainda de: "De leve", "Sorry periferia", "Depois eu conto", "Bola Branca", "Bola Preta", "Ademã que eu vou em frente", "Olho vivo, que cavalo não desce escada", dentre outras. Ibrahim Sued, em 1993, deixou o jornalismo diário e passou a publicar apenas uma coluna dominical no "O Globo". Faleceu dois anos mais tarde, aos 72 anos de idade.

L I B E R A D A S



As mulheres de oitenta

Vinícius de Moraes, agora com 90 anos, poderia cantarolar “olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é uma velhinha que vem e que passa, no doce balanço, a caminho do lar”. Se ainda existe uma mulher do lar, ela tem oitenta anos. Principalmente no nosso lar.
Me responda: existe alguma coisa mais bonita do que ver uma senhora de oitenta anos, aqueles cabelos brancos (mulher honesta de oitenta não pinta mais os cabelos), caminhando pela rua de mãos dadas com o marido, bem mais trôpego do que ela? Quantas vidas existem naquelas duas mãos entrelaçadas? Quantos filhos, netos e bisnetos? Quanta vida, quanta história. Quanta gente aquela mulher de oitenta colocou no mundo? E agora lá vai ela, caminhando, sem pressa nenhuma, sabe lá pra onde. Ela e o homem dela. Eternos enquanto duraram.
É, já não se fazem mais mulheres como as de 80. Perdemos a fórmula e esquecemos, quase sempre, que elas existem. Mulher de um só amor, de uma só dedicação.
As mulheres de oitenta se dividem basicamente em três categorias: as ainda casadas (como sofreram com seus maridos há algumas décadas), as viúvas (como sofreram com o morte do marido) e as com o mal de Alzhaimer (que não sofrem, porque não sabem mais).
O incrível é que a gente olha para uma velhinha e pensa que ela não saca mais nada. Que está apenas sentada ali na porta esperando o próprio enterro passar. Lêdo e lerdo engano. Aquela que faz aniversário, com filhos, netos e bisnetos em volta. Olha ela lá, na dela, sentada na cadeira, olhando o nada. Engana-se, minha filha. Ela está percebendo tudo. Ela sabe o que está rolando na festinha da bisa. Sabe quem trai quem, quem deve pra quem, quem odeia quem, dentro de seus próprios descendentes. Mas ninguém da bola pra ela.
A mulher de oitenta é a mais sábia das mulheres.
Ela já teve trinta, achando que sabia de tudo. Chegou as quarenta pensando: agora é que eu sei. E aí foi indo até chegar ali. Cada vez conhecendo mais o mundo e as pessoas do mundo. Quando vê o Bush dizendo besteira na televisão, ninguém lhe pergunta o que achou. Têm certeza que ela vai dizer bobagem. Mas se ousarem vão ouvir uma frase curta, perfeita, exata. Quase filosófica. As mulheres de oitenta filosofam. Infelizmente ninguém as ouvem.
Você deve achar que uma velhinha não pensa em sexo. Imagina! Então me diga em que idade ela parou, se sempre pensou cada vez mais, durante os 20, 30, 40 etc. Será que chegou numa idade e ela disse para ela mesma: hoje vou parar de pensar em sexo. Negativo. Pensa, e muito. Tenho uma parente que morreu aos 87 anos se masturbando. Feliz e sem a menor culpa, apesar de ir todo domingo à missa. Sábia, descobriu que o prazer não pode ser pecado. Deve estar no céu, a danadinha. Cantando os anjos com ou sem trombetas.
Quanto àquelas que têm o mal de Alzhaimer (antigamente eram apenas caducas. Pioraram o nome e não arrumaram o remédio) não sabem o que está acontecendo no mundo. Sua mente não guarda nada do presente (o que tem lá suas vantagens), mas se lembram do passado como se fosse ontem. Pergunte sobre o baile de debutantes, como foi que ela conheceu o marido dela, daquela famosa quadrilha, das fofocas familiares dos anos 30. Um diário do passado vai invadir a sua cabeça e seus olhos vão ficar brilhando.
Ah, as mulheres de oitenta com seus cabelos brancos, seus óculos redondos, seu terço e sua caixinha de remédios. Sábias, filósofas, boas. Gente finíssima

Mário Prata

janeiro 21, 2009

M o r r e t e s


Lembra do que estava neste espaço? Resolvi substituir por este filme bem simpatiquinho editado pela Ale Haro com fotos que ela fez em Morretes/Pr, onde passou o reveillon com seus amigos. Vejam se não ficou legal!!! Ainda vou aprender a fazer isto!

Porque a gente é assim


Cazuza - Ney - Bom demais!!! Prescrição de amplo espectro, para todos os credos, sexos ou idade...

Pessimismo

Este é um trecho do artigo do MARCELO COELHO na FSP. Vejam como é isto mesmo.
Os Doutores do Pessimismo.
"NÃO É PRECISO ser um grande gênio para constatar que vivemos num mundo bárbaro.
Que o ser humano é capaz das maiores atrocidades. Que a vida é feita de competição, inveja, egoísmo e crueldade.
Ninguém precisa ter vivido num campo de prisioneiros na Sibéria nem ter sido moleque de rua no Capão Redondo para saber disso. Mas virou moda entre muitos intelectuais e jornalistas anunciar uma espécie de "visão trágica" do mundo, como se se tratasse da mais surpreendente novidade.
Com certeza, há nisso uma reação saudável contra o excesso de otimismo. Durante o século 20, grande parte da esquerda não quis ver as barbaridades cometidas por Stálin e Mao porque, em última instância, "tudo iria dar certo". Belas esperanças tornaram-se pretexto para atos de horror. Nada mais correto do que denunciar o horror.
O que me parece estranho é que, mais do que denunciar o horror, esses pensadores trágicos e jornalistas sombrios gostam de destruir as esperanças.
O reconhecimento do Mal, a crítica à violência da esquerda, a percepção de que ninguém é "bonzinho" e de que a realidade é uma coisa dura e feia vão se transformando em algo próximo do fascínio.
E, com diferentes níveis de elaboração e de cortesia pessoal, esses autores tendem a fazer do fascínio uma estratégia de choque.
Quanto mais chocarem o pensamento corrente (que considera ruim bombardear crianças e bom defender a Amazônia, por exemplo) mais ganharão em originalidade, leitura e cartas de protesto. Parece existir uma competição nas páginas dos jornais e na internet para ver quem conseguirá ser o mais "durão", o mais "realista", o mais desencantado.
....."