janeiro 13, 2009
E la nave va
Fragmento do filme de Fellini - de 1983 - em que se interpreta Schubert em copos de cristal. Leia mais clicando no título da postagem.
HOMEM SEM BARRIGA
Este texto me foi enviado por um amigo fofinho que tem esta imprescindível barriguinha, cujo melhor efeito é nos dispensar de ir a extremos lutando contra a nossa.
Namore um barrigudinho!
Tenho um conselho valioso para dar aqui: se você acabou de conhecer um rapaz, ficou com ele algumas vezes e já está começando a imaginar o dia do seu casamento e o nome dos seus filhos, pare agora e me escute! Na próxima vez que encontrá-lo, tente disfarçadamente descobrir como é sua barriga.
Se for musculosa, torneada, estilo `tanquinho´, fuja! Comece a correr agora e só pare quando estiver a uma distância segura. É fria, vai por mim. Homem bom de verdade precisa, obrigatoriamente, ostentar uma barriguinha de chopp.
Se não, não presta. Estou me referindo àqueles que, por não colocarem a beleza física acima de tudo (como fazem os malditos metrossexuais), acabaram cultivando uma pancinha adorável. Esses, sim, são pra manter por perto. E eu digo por quê. Você nunca verá um homem barrigudinho tirando a camisa dentro de uma boate e dançando como um idiota, em cima do balcão.
Se fizer isso, é pra fazer graça pra turma e provavelmente será engraçado, mesmo. Já os `tanquinhos´ farão isso esperando que todas as mulheres do recinto caiam de amores - e eu tenho dó das que caem.
Quando sentam em um boteco, numa tarde de calor, adivinha o que os pançudos pedem pra beber? Cerveja! Ou coca-cola, tudo bem também. Mas você nunca os verá pedindo suco. Ou, pior ainda, um copo com gelo, pra beber a mistura patética de vodka com `clight´ que trouxe de casa.
E você não será informada sobre quantas calorias tem no seu copo de cerveja, porque eles não sabem e nem se importam com essa informação.
E no quesito comida, os homens com barriguinha também não deixam a desejar. Você nunca irá ouvir um ah, amor, `Quarteirão´ é gostoso, mas você podia provar uma `Mc Salada´ com água de coco. Nunca! Esses homens entendem que, se eles não estão em forma perfeita o tempo todo, você também não precisa estar.
Mais uma vez, repito: não é pra chegar ao exagero total e mamar leite condensado na lata todo dia! Mas uma gordurinha aqui e ali não matará um relacionamento. Se ele souber cozinhar, então, bingo! Encontrou a sorte grande, amiga.
Ele vai fazer pra você todas as delícias que sabe, e nunca torcerá o nariz quando você repetir o prato. Pelo contrário, ficará feliz.
Outra coisa fundamental: homens barrigudinhos são confortáveis!
Experimente pegar a tábua de passar roupas e deitar em cima dela. Pois essa é a sensação de se deitar no peito de um musculoso besta. Terrível!
Gostoso mesmo é se encaixar no ombro de um fofinho, isso que é conforto. E na hora de dormir de conchinha, então? Parece que a barriga se encaixa perfeitamente na nossa lombar, e fica sensacional.
Homens com barriga não são metidos, nem prepotentes, nem donos do mundo.
Eles sabem conquistar as mulheres por maneiras que excedem a barreira do físico.
E eles aprenderam a conversar, a ser bem humorados, a usar o olhar e o sorriso pra conquistar.
É por isso que eu digo que homens com barriguinha sabem fazer uma mulher feliz.
C. MOURA
Psicóloga e Terapeuta de casais.
Namore um barrigudinho!
Tenho um conselho valioso para dar aqui: se você acabou de conhecer um rapaz, ficou com ele algumas vezes e já está começando a imaginar o dia do seu casamento e o nome dos seus filhos, pare agora e me escute! Na próxima vez que encontrá-lo, tente disfarçadamente descobrir como é sua barriga.
Se for musculosa, torneada, estilo `tanquinho´, fuja! Comece a correr agora e só pare quando estiver a uma distância segura. É fria, vai por mim. Homem bom de verdade precisa, obrigatoriamente, ostentar uma barriguinha de chopp.
Se não, não presta. Estou me referindo àqueles que, por não colocarem a beleza física acima de tudo (como fazem os malditos metrossexuais), acabaram cultivando uma pancinha adorável. Esses, sim, são pra manter por perto. E eu digo por quê. Você nunca verá um homem barrigudinho tirando a camisa dentro de uma boate e dançando como um idiota, em cima do balcão.
Se fizer isso, é pra fazer graça pra turma e provavelmente será engraçado, mesmo. Já os `tanquinhos´ farão isso esperando que todas as mulheres do recinto caiam de amores - e eu tenho dó das que caem.
Quando sentam em um boteco, numa tarde de calor, adivinha o que os pançudos pedem pra beber? Cerveja! Ou coca-cola, tudo bem também. Mas você nunca os verá pedindo suco. Ou, pior ainda, um copo com gelo, pra beber a mistura patética de vodka com `clight´ que trouxe de casa.
E você não será informada sobre quantas calorias tem no seu copo de cerveja, porque eles não sabem e nem se importam com essa informação.
E no quesito comida, os homens com barriguinha também não deixam a desejar. Você nunca irá ouvir um ah, amor, `Quarteirão´ é gostoso, mas você podia provar uma `Mc Salada´ com água de coco. Nunca! Esses homens entendem que, se eles não estão em forma perfeita o tempo todo, você também não precisa estar.
Mais uma vez, repito: não é pra chegar ao exagero total e mamar leite condensado na lata todo dia! Mas uma gordurinha aqui e ali não matará um relacionamento. Se ele souber cozinhar, então, bingo! Encontrou a sorte grande, amiga.
Ele vai fazer pra você todas as delícias que sabe, e nunca torcerá o nariz quando você repetir o prato. Pelo contrário, ficará feliz.
Outra coisa fundamental: homens barrigudinhos são confortáveis!
Experimente pegar a tábua de passar roupas e deitar em cima dela. Pois essa é a sensação de se deitar no peito de um musculoso besta. Terrível!
Gostoso mesmo é se encaixar no ombro de um fofinho, isso que é conforto. E na hora de dormir de conchinha, então? Parece que a barriga se encaixa perfeitamente na nossa lombar, e fica sensacional.
Homens com barriga não são metidos, nem prepotentes, nem donos do mundo.
Eles sabem conquistar as mulheres por maneiras que excedem a barreira do físico.
E eles aprenderam a conversar, a ser bem humorados, a usar o olhar e o sorriso pra conquistar.
É por isso que eu digo que homens com barriguinha sabem fazer uma mulher feliz.
C. MOURA
Psicóloga e Terapeuta de casais.
A poética da biologia
Em que pese me encontrar na cidade recomendada pelo NYT , passei os últimos tres dias na janela para o mundo, que é o meu laptop, ou na Barcelona maldita e misteriosa d ' O Jogo do Anjo que começa assim:
“Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita algumas moedas ou um elogio em troca de uma história...
Um escritor está condenado a recordar esse momento porque, a partir daí, ele está perdido e sua alma já tem um preço.”
A encomenda do “anjo” é um livro com potencial de influenciar milhões de vidas. Dentre muitos, escolhi este diálogo entre o anjo e o escritor, a propósito da fé:
“....
- Gostaria de começar perguntando o que é a fé para você?
Refleti alguns instantes.
- Nunca fui uma pessoa religiosa. Mais do que acreditar ou não acreditar, tenho dúvidas. A dúvida é minha fé.
- Muito prudente e muito burguês. Mas jogando a bola para fora não se ganha a partida. Que explicação daria para o fato de crenças de todo tipo aparecerem e desaparecerem ao longo da história ?
- Não sei. Suponho que serão os fatores sociais, econômicos e políticos . Está falando com alguém que deixou de frequentar a escola aos 10 anos. História não é o meu forte.
- A História é onde a biologia deságua, Mártin.
- Acho que não fui à aula no dia que deram essa lição.
- Essa lição não se aprende ma escola, Mártin. Ela nos é dada pela razão e pela observação da realidade. Essa é a lição que ninguém quer aprender e, portanto, a que devemos analisar melhor para poder fazer nosso trabalho direito. Toda oportunidade de negócio tem seu ponto de partida na incapacidade de uma outra pessoa para resolver um problema simples e inevitável.
- Estamos falando de religião ou de economia?
- Pode escolher a nomenclatura.
- Se entendi bem, está sugerindo que a fé, o ato de acreditar em mitos, ideologias ou lendas sobrenaturais, é consequência da biologia.
- Nem mais nem menos.
- Uma visão um tanto cínica para um editor de livros religiosos - comentei.
- Uma visão profissional e desapaixonada - amenizou Corelli. - O ser humano acredita como respira, para sobreviver.
- Essa teoria é sua?
- Não é uma teoria, é uma estatística.
- Ocorreu-me que tres quartos do mundo, pelo menos, estariam em desacordo com essa afirmação – comentei.
- Claro. Se estivessem de acordo, não seriam crentes potenciais. Não se convence ninguém da verdade de alguma coisa na qual não precisa acreditar por imperativo biológico.
- Está sugerindo então que viver na ilusão faz parte de nossa natureza?
- Sobreviver faz parte de nossa natureza . A fé é uma resposta instintiva a certos aspectos da existência que não podemos explicar de outra forma , seja isso o vazio moral que percebemos no universo, a certeza da morte, o mistério da origem das coisas ou o sentido da própria vida, ou ainda a completa ausência dele. São aspectos elementares e de extraordinária simplicidade, mas nossas próprias limtações nos impedem de responder de modo compreensível a tais perguntas e por isso criamos, como defesa uma resposta emocional. É pura e simples biologia."
E por aí vai...
Ainda não terminei. Ontem, para desenferrujar, andei quatro kms e puxei os ferros na academia.
“Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita algumas moedas ou um elogio em troca de uma história...
Um escritor está condenado a recordar esse momento porque, a partir daí, ele está perdido e sua alma já tem um preço.”
A encomenda do “anjo” é um livro com potencial de influenciar milhões de vidas. Dentre muitos, escolhi este diálogo entre o anjo e o escritor, a propósito da fé:
“....
- Gostaria de começar perguntando o que é a fé para você?
Refleti alguns instantes.
- Nunca fui uma pessoa religiosa. Mais do que acreditar ou não acreditar, tenho dúvidas. A dúvida é minha fé.
- Muito prudente e muito burguês. Mas jogando a bola para fora não se ganha a partida. Que explicação daria para o fato de crenças de todo tipo aparecerem e desaparecerem ao longo da história ?
- Não sei. Suponho que serão os fatores sociais, econômicos e políticos . Está falando com alguém que deixou de frequentar a escola aos 10 anos. História não é o meu forte.
- A História é onde a biologia deságua, Mártin.
- Acho que não fui à aula no dia que deram essa lição.
- Essa lição não se aprende ma escola, Mártin. Ela nos é dada pela razão e pela observação da realidade. Essa é a lição que ninguém quer aprender e, portanto, a que devemos analisar melhor para poder fazer nosso trabalho direito. Toda oportunidade de negócio tem seu ponto de partida na incapacidade de uma outra pessoa para resolver um problema simples e inevitável.
- Estamos falando de religião ou de economia?
- Pode escolher a nomenclatura.
- Se entendi bem, está sugerindo que a fé, o ato de acreditar em mitos, ideologias ou lendas sobrenaturais, é consequência da biologia.
- Nem mais nem menos.
- Uma visão um tanto cínica para um editor de livros religiosos - comentei.
- Uma visão profissional e desapaixonada - amenizou Corelli. - O ser humano acredita como respira, para sobreviver.
- Essa teoria é sua?
- Não é uma teoria, é uma estatística.
- Ocorreu-me que tres quartos do mundo, pelo menos, estariam em desacordo com essa afirmação – comentei.
- Claro. Se estivessem de acordo, não seriam crentes potenciais. Não se convence ninguém da verdade de alguma coisa na qual não precisa acreditar por imperativo biológico.
- Está sugerindo então que viver na ilusão faz parte de nossa natureza?
- Sobreviver faz parte de nossa natureza . A fé é uma resposta instintiva a certos aspectos da existência que não podemos explicar de outra forma , seja isso o vazio moral que percebemos no universo, a certeza da morte, o mistério da origem das coisas ou o sentido da própria vida, ou ainda a completa ausência dele. São aspectos elementares e de extraordinária simplicidade, mas nossas próprias limtações nos impedem de responder de modo compreensível a tais perguntas e por isso criamos, como defesa uma resposta emocional. É pura e simples biologia."
E por aí vai...
Ainda não terminei. Ontem, para desenferrujar, andei quatro kms e puxei os ferros na academia.
janeiro 12, 2009
Floripa no New York Times
The Place to Be: Florianópolis, Brazil Florianópolis é um dos melhores destinos para 2009, segundo o The New York Times. O único destino no Brasil, de acordo com a publicação, Floripa representa o local mais badalado para se visitar. E para quem ficou curioso para saber quais são os outros 43 locais para se fazer roteiros culturais, gastronômicos, familiares, ecológicos, luxuosos e até econômicos, pode conferir clicando no título da postagem.
Souvenir
Fiquei alegremente surpreendida por haver encontrado esta foto!
Passei uns dias lamentando que, não só ela como outras também interessantes, estivessem no meu cel perdido/roubado no fim do ano. Não estavam...É que tinha escolhido esta imagem do banheiro, o suprassumo do kitsch, como símbolo da casa alugada na praia da Daniela, onde temos passado (Ro,Cris,André, Juju, Ted, Juca, Ale, Artur e Wania) ótimos momentos, sempre em dezembro.
Saudades...
A MULATA DO GOIS
Obama coisa nenhuma. Ela vai salvar o mundo
"Eu quero a mulata do Gois, a mais radical de todas, que do alto de seu salto plataforma dez, nota dez, sapateie no tamborim do juízo que ainda me resta e, sem dó, orgulhosa de sua superioridade, de sua beleza tremebunda, não deixe trema sobre trema, despreze todos os hifens acadêmicos e promova no âmago amargo, na minha triste correção ortográfica, um sacode de alegria.
Que arrepie o salgueiro.
Que grite chegou a hora, mocidade! Que promova a reforma da língua, buliverse os costumes e fundemos, mestre-sala e portabandeira de uma nova civilização, a vida pautada no descontrole das sensações.
A mulata do Gois, é disso que se precisa. Poesia numa hora dessas. Voto nela, com todo o respeito.
A mulata do Gois é a contrapartida brasileira aos mísseis do Hammas. Talvez não seja exatamente o que se compreenda — base de torpedos sensuais, furacão dois mil — como um projeto de paz na Terra. Mas é tudo de bom quando cai, explode o coração na maior felicidade, entre os homens de boa vontade.
Obama sabe do que estou falando. Ela rima, dá sentido ao enredo de 2009 e levanta a arquibancada democrata, judaica ou palestina.
É ecumênica. Respeita a Convenção de Genebra, não estoura o tempo de desfile e quer dizer apenas o que está em seu baticumbum miraculoso.
Seja feliz. Ela não finge discursos, não desfila alegorias proustianas. Diz no pé.
Finalmente a graça de uma mulher sem subtexto intelectual. Direto ao que interessa.
Ela veio do cais dourado da velha Bahia, subiu mais de 1.800 colinas, até balançar todos os chocalhos em nossas retinas cansadas de brancaranas azedas, branquelas anoréxicas desfilando um eterno Fashion Rio de tédio e depressão. A alegria é a prova dos nove, a carne é o alimento dos homens. Sinto que a mulata do Gois vai saber compreender — aquelas sandálias romanas subindo pelas coxas da imaginação nacional — quando eu lhe sussurrar no ouvido o mantra da espécie macha que ela invoca: "Chora, cavaco".
Quero a mulata do Gois au grand complet, na língua nagô, com tudo que lhe for harmonia, paio, evolução e bateria.
A trufa branca do Gero, o azul-piscina do Copacabana Palace, o verde do dólar, o quarteirão amarelo-ouro da H. Stern em Ipanema.
Tudo bobagem. Meu reino, todas as cores do meu grêmio recreativo, pela mulata do Gois.
Voto na que tenha o óbvio mais ululante e o apresente alvissareiro, da cor do pecado, da jabuticaba, entre os tantãs do meu sambódromo já tão devagar, tão devagarzinho. Que atravesse o samba dessa vida tão segundo grupo, chegue na apoteose de mim, ó pedaço arrancado de mim, e volte tudo de novo com os propósitos mais terríveis e antigos. Bagunce o coreto do velho. Bote o barraco abaixo.
Eu nasci cem anos atrás, no ventre de uma revista "Fon-Fon", e não tem nada desta galeria de belezas que me seja de mais espanto.
Havia o footing da avenida, na porta da Colombo — e eu estava lá. Vestido de almofadinha, cofiando os bigodes ao lado de Bilac, eu vi passar, saiote acima do joelho, as melindrosas do J. Carlos — e ele atrás delas, entre outras preces, também fazia fiu-fiu.
Eu vi as polacas do Noel, as escurinhas do Geraldo Pereira e as prostitutas do Jorge Amado. Quero a mulata do Gois aos meus pés.
Quarenta anos depois, eu ainda estava lá, coração aos pulos, degrau em degrau, e subi ao estúdio do fotógrafo Valentim. Eternamente boquiaberto com a capacidade de elas se reinventarem, vi as certinhas do Lalau serem eternizadas de frente, de costas e de perfil para as páginas da "Última Hora". Dançamos o hully-gully. Depois fui à redação de "O Cruzeiro", na Praça Mauá, ver as garotas do Alceu.
Passei pela porta do Instituto de Educação para carimbar as cadernetas e entronizar as normalistas no panteon das curvas nacionais.
Tomamos uma vaca-preta no Bob's.
Dei um banho de cuba-libre no violão das vedetes que rebolavam na Tiradentes, ofereci o frontispício como alvo para que as chacretes arredondadas mirassem o bacalhau do velho guerreiro. Todas inesquecíveis, azeitonas verdes, cebolas louras, servidas com um fio de azeite português.
As boletes paulistas, as deusas safadinhas da pornochanchada, as coelhinhas ora glabras, ora com florestas amazônicas, as cocotas, as uvas, os aviões, as cachorras, as estagiárias de calcanhar sujo da PUC e a Miss Brasil 2000.
A todas essas musas acompanhei neste século e lá vai fumaça de alucinações calipígias, decotes abissais e espartilhos atochados. Saudades sinceras. Hoje derramo todo o meu capilé de alumbramento aos pés, ao lombo e às curvas da estrada que vai dar no avarandado, no puxadinho da mulata do Gois. Ela não deixa dúvidas. Felicidade, passou no vestibular do novo padrão de beleza. A saúde venceu. É a mulher de volta aos básicos instintos do paraíso divino. A mulata do Gois convoca os da sua espécie para celebrar a alegria de estar vivo e, depois de concentrados em tamanha euforia, sair por aí, batendo tambor num novo carnaval de êxtases e sabores.
Quero a mulata do Gois até o fim do meu período, a chave-de-ouro do texto, o filé idem do meu banquete magro, o marrom-glacê desta quarta-feira de cinzas. Quero, repito, bato o pé e reclamo, a mais tremebunda de todas, aquela que não deixa qualquer dúvida sobre seus despropósitos para com nós outros, tristes escravos de sua alegria. Ela vai acabar com a guerra na Faixa de Gaza, equilibrar o mercado financeiro, dar um choque de ordem na Rio Branco.
Depois, jamais extenuada, ela cuidará de quem mais precisa. Quando eu achar que acabou a crônica, a mulata do Gois vai afinar o reco-reco, pegar no ganzê, pegar no ganzá, e dar um choque de desordem, instaurar a sua Sapucaí de delícias na minha cidade ortográfica tão arrumadinha. Urge. Careço. Preciso.
Quero a mulata do Gois, suas redondilhas, seus adereços e, "delira, meu povo", seu maravilhoso grito de libertação."
Joaquim Ferreira dos Santos
(O Globo de hoje)
"Eu quero a mulata do Gois, a mais radical de todas, que do alto de seu salto plataforma dez, nota dez, sapateie no tamborim do juízo que ainda me resta e, sem dó, orgulhosa de sua superioridade, de sua beleza tremebunda, não deixe trema sobre trema, despreze todos os hifens acadêmicos e promova no âmago amargo, na minha triste correção ortográfica, um sacode de alegria.
Que arrepie o salgueiro.
Que grite chegou a hora, mocidade! Que promova a reforma da língua, buliverse os costumes e fundemos, mestre-sala e portabandeira de uma nova civilização, a vida pautada no descontrole das sensações.
A mulata do Gois, é disso que se precisa. Poesia numa hora dessas. Voto nela, com todo o respeito.
A mulata do Gois é a contrapartida brasileira aos mísseis do Hammas. Talvez não seja exatamente o que se compreenda — base de torpedos sensuais, furacão dois mil — como um projeto de paz na Terra. Mas é tudo de bom quando cai, explode o coração na maior felicidade, entre os homens de boa vontade.
Obama sabe do que estou falando. Ela rima, dá sentido ao enredo de 2009 e levanta a arquibancada democrata, judaica ou palestina.
É ecumênica. Respeita a Convenção de Genebra, não estoura o tempo de desfile e quer dizer apenas o que está em seu baticumbum miraculoso.
Seja feliz. Ela não finge discursos, não desfila alegorias proustianas. Diz no pé.
Finalmente a graça de uma mulher sem subtexto intelectual. Direto ao que interessa.
Ela veio do cais dourado da velha Bahia, subiu mais de 1.800 colinas, até balançar todos os chocalhos em nossas retinas cansadas de brancaranas azedas, branquelas anoréxicas desfilando um eterno Fashion Rio de tédio e depressão. A alegria é a prova dos nove, a carne é o alimento dos homens. Sinto que a mulata do Gois vai saber compreender — aquelas sandálias romanas subindo pelas coxas da imaginação nacional — quando eu lhe sussurrar no ouvido o mantra da espécie macha que ela invoca: "Chora, cavaco".
Quero a mulata do Gois au grand complet, na língua nagô, com tudo que lhe for harmonia, paio, evolução e bateria.
A trufa branca do Gero, o azul-piscina do Copacabana Palace, o verde do dólar, o quarteirão amarelo-ouro da H. Stern em Ipanema.
Tudo bobagem. Meu reino, todas as cores do meu grêmio recreativo, pela mulata do Gois.
Voto na que tenha o óbvio mais ululante e o apresente alvissareiro, da cor do pecado, da jabuticaba, entre os tantãs do meu sambódromo já tão devagar, tão devagarzinho. Que atravesse o samba dessa vida tão segundo grupo, chegue na apoteose de mim, ó pedaço arrancado de mim, e volte tudo de novo com os propósitos mais terríveis e antigos. Bagunce o coreto do velho. Bote o barraco abaixo.
Eu nasci cem anos atrás, no ventre de uma revista "Fon-Fon", e não tem nada desta galeria de belezas que me seja de mais espanto.
Havia o footing da avenida, na porta da Colombo — e eu estava lá. Vestido de almofadinha, cofiando os bigodes ao lado de Bilac, eu vi passar, saiote acima do joelho, as melindrosas do J. Carlos — e ele atrás delas, entre outras preces, também fazia fiu-fiu.
Eu vi as polacas do Noel, as escurinhas do Geraldo Pereira e as prostitutas do Jorge Amado. Quero a mulata do Gois aos meus pés.
Quarenta anos depois, eu ainda estava lá, coração aos pulos, degrau em degrau, e subi ao estúdio do fotógrafo Valentim. Eternamente boquiaberto com a capacidade de elas se reinventarem, vi as certinhas do Lalau serem eternizadas de frente, de costas e de perfil para as páginas da "Última Hora". Dançamos o hully-gully. Depois fui à redação de "O Cruzeiro", na Praça Mauá, ver as garotas do Alceu.
Passei pela porta do Instituto de Educação para carimbar as cadernetas e entronizar as normalistas no panteon das curvas nacionais.
Tomamos uma vaca-preta no Bob's.
Dei um banho de cuba-libre no violão das vedetes que rebolavam na Tiradentes, ofereci o frontispício como alvo para que as chacretes arredondadas mirassem o bacalhau do velho guerreiro. Todas inesquecíveis, azeitonas verdes, cebolas louras, servidas com um fio de azeite português.
As boletes paulistas, as deusas safadinhas da pornochanchada, as coelhinhas ora glabras, ora com florestas amazônicas, as cocotas, as uvas, os aviões, as cachorras, as estagiárias de calcanhar sujo da PUC e a Miss Brasil 2000.
A todas essas musas acompanhei neste século e lá vai fumaça de alucinações calipígias, decotes abissais e espartilhos atochados. Saudades sinceras. Hoje derramo todo o meu capilé de alumbramento aos pés, ao lombo e às curvas da estrada que vai dar no avarandado, no puxadinho da mulata do Gois. Ela não deixa dúvidas. Felicidade, passou no vestibular do novo padrão de beleza. A saúde venceu. É a mulher de volta aos básicos instintos do paraíso divino. A mulata do Gois convoca os da sua espécie para celebrar a alegria de estar vivo e, depois de concentrados em tamanha euforia, sair por aí, batendo tambor num novo carnaval de êxtases e sabores.
Quero a mulata do Gois até o fim do meu período, a chave-de-ouro do texto, o filé idem do meu banquete magro, o marrom-glacê desta quarta-feira de cinzas. Quero, repito, bato o pé e reclamo, a mais tremebunda de todas, aquela que não deixa qualquer dúvida sobre seus despropósitos para com nós outros, tristes escravos de sua alegria. Ela vai acabar com a guerra na Faixa de Gaza, equilibrar o mercado financeiro, dar um choque de ordem na Rio Branco.
Depois, jamais extenuada, ela cuidará de quem mais precisa. Quando eu achar que acabou a crônica, a mulata do Gois vai afinar o reco-reco, pegar no ganzê, pegar no ganzá, e dar um choque de desordem, instaurar a sua Sapucaí de delícias na minha cidade ortográfica tão arrumadinha. Urge. Careço. Preciso.
Quero a mulata do Gois, suas redondilhas, seus adereços e, "delira, meu povo", seu maravilhoso grito de libertação."
Joaquim Ferreira dos Santos
(O Globo de hoje)
Sorriso difícil
Veja a que ponto chegamos: deu no NYTimes que o sorriso está em falta .
Quando tudo vai mal na economia, além das guerras, as catástrofes, inclusive as pessoais, os ânimos em baixa, não há como sair por aí sorrindo.
"Alegria ou tristeza, arrependimento ou expectativa, triunfo ou constrangimento, afeto ou maldade, o importante -e o mais difícil hoje em dia- é continuar sorrindo".
Para melhorar o humor dos motoristas, na Tailândia os policiais-motociclistas passaram a usar um sorriso vermelho pintado sobre a habitual máscara branca contra a poluição, enquanto Cingapura promoveu uma campanha Quatro Milhões de Sorrisos e, no Japão, onde a seriedade da vida pode ser esmagadora, os trabalhadores estão sendo treinados para segurar os "hashis" nos dentes de modo a simular um rosto risonho.
Com a queda das Bolsas, muitos se divertem com a desgraça alheia e fazem piadas com os poderosos e suas perdas. Mas não está fácil sorrir. Há gente buscando na plenitude da ioga uma oportunidade para rir. Os instrutores estariam dando uma ajudinha, imprimindo mais leveza a esta prática que é sempre solene. "A verdade está lá no fundo daquele lugar que ri."
Talvez seja justamente nesse lugar que o mundo precisaria estar agora.
Rir é saudável, a alegria é saudável, um pouco de patetice faz bem.
Quando tudo vai mal na economia, além das guerras, as catástrofes, inclusive as pessoais, os ânimos em baixa, não há como sair por aí sorrindo.
"Alegria ou tristeza, arrependimento ou expectativa, triunfo ou constrangimento, afeto ou maldade, o importante -e o mais difícil hoje em dia- é continuar sorrindo".
Para melhorar o humor dos motoristas, na Tailândia os policiais-motociclistas passaram a usar um sorriso vermelho pintado sobre a habitual máscara branca contra a poluição, enquanto Cingapura promoveu uma campanha Quatro Milhões de Sorrisos e, no Japão, onde a seriedade da vida pode ser esmagadora, os trabalhadores estão sendo treinados para segurar os "hashis" nos dentes de modo a simular um rosto risonho.
Com a queda das Bolsas, muitos se divertem com a desgraça alheia e fazem piadas com os poderosos e suas perdas. Mas não está fácil sorrir. Há gente buscando na plenitude da ioga uma oportunidade para rir. Os instrutores estariam dando uma ajudinha, imprimindo mais leveza a esta prática que é sempre solene. "A verdade está lá no fundo daquele lugar que ri."
Talvez seja justamente nesse lugar que o mundo precisaria estar agora.
Rir é saudável, a alegria é saudável, um pouco de patetice faz bem.
janeiro 11, 2009
GUEVARA
"Não disparem. Sou Che. Valho mais vivo do que morto." No dia 8 de outubro de 1967, essa frase foi gritada por um guerrilheiro maltrapilho e sujo metido em uma grota nos confins da Bolívia. Nunca mais foi lembrada. Seu esquecimento deve-se ao fato de que o pedido de misericórdia, o apelo desesperado pela própria vida e o reconhecimento sem disfarce da derrota não combinam com a aura mitológica criada em torno de tudo o que se refere à vida e à morte de Ernesto Guevara Lynch de la Serna, argentino de Rosário, o Che, que antes, para os companheiros, era apenas "el chancho", o porco, porque não gostava de banho e "tinha cheiro de rim fervido".
(Veja, outubro/2007 - acessar clicando o título desta postagem).
CHE foi transformado numa lenda para os jovens como símbolo de "rebeldia". E, assim, o revolucionário socialista mais famoso do século XX, virou POP, passando a ser mais um " produto" que gera dinheiro para muitos, inclusive para a indústria cinematográfica hollywoodiana.
O retrato de Che feito por Alberto Korda em 1960 é agora uma imagem de múltiplos significados: é pop no biquíni da Cia. Marítima vestido por Gisele Bündchen e uma manifestação de truculência e mau humor nas tatuagens de Maradona e Mike Tyson
No video abaixo, Paquito D'Rivera e Kai Chen, fugitivos do comunismo, sobre o aspecto nefasto do marketing em torno de figuras como Che Guevara e Mao Tsé-Tung.
(Veja, outubro/2007 - acessar clicando o título desta postagem).
CHE foi transformado numa lenda para os jovens como símbolo de "rebeldia". E, assim, o revolucionário socialista mais famoso do século XX, virou POP, passando a ser mais um " produto" que gera dinheiro para muitos, inclusive para a indústria cinematográfica hollywoodiana.
O retrato de Che feito por Alberto Korda em 1960 é agora uma imagem de múltiplos significados: é pop no biquíni da Cia. Marítima vestido por Gisele Bündchen e uma manifestação de truculência e mau humor nas tatuagens de Maradona e Mike Tyson No video abaixo, Paquito D'Rivera e Kai Chen, fugitivos do comunismo, sobre o aspecto nefasto do marketing em torno de figuras como Che Guevara e Mao Tsé-Tung.
janeiro 10, 2009
Retorno à barbárie
"Desde criança fui acostumado a ver os judeus sob duas óticas. A mais antiga estava ligada ao cristianismo conservador que atribuía, erroneamente, a morte de Jesus Cristo aos judeus. Daí o verbo que ainda hoje empregamos no Nordeste: "deixe de judiar com essa criança!". A outra visão, construída a partir do holocausto, mostrava figuras esquálidas de judeus depositados em campos de concentração nazista. Seres humanos reduzidos a farrapos. Desastradamente despedaçados pela ira de Hitler e seus seguidores... As fotos ainda hoje chocam a consciência humana: como é que aquilo foi possível?
Agora, sou tomado de igual surpresa diante da barbárie cometida – pelos mesmos judeus? – em relação ao povo palestino. O olhar desesperado de crianças sendo perseguidas pelos destruidores foguetes israelenses. O grito dilacerado de mães aflitas..
Será que a humanidade não mudou? Será que o ser humano é mesmo mau? O silêncio, quase cúmplice, das grandes nações chega a ser insultante. Por que nos calamos?
A argumentação mais imediata seria a de afirmar que os árabes também praticam iguais atrocidades... Ora, não estou interessado nas razões geopolíticas que possam motivar essas atitudes. A única evidência, que dilacera a humanidade, é a de que o ser humano mata intencionalmente o ser humano. Que as diferenças não podem ser resolvidas numa mesa de negociação, com diálogo e tolerância.
Essas bombas e foguetes, que caem dos dois lados, são atestados contundentes que ainda precisamos evoluir muito para chegar à condição de humanos. Não, esse combate não é glorioso, nem sábio. Nem mesmo uma defesa. Nem caminho para a justiça. A morte não pode ser a contabilidade possível das diferenças entre seres humanos...
Isso é o retorno à barbárie..."
Antonio Mourão Cavalcante - Médico e antropólogo.
O Povo -10 Jan 2009
Agora, sou tomado de igual surpresa diante da barbárie cometida – pelos mesmos judeus? – em relação ao povo palestino. O olhar desesperado de crianças sendo perseguidas pelos destruidores foguetes israelenses. O grito dilacerado de mães aflitas..
Será que a humanidade não mudou? Será que o ser humano é mesmo mau? O silêncio, quase cúmplice, das grandes nações chega a ser insultante. Por que nos calamos?
A argumentação mais imediata seria a de afirmar que os árabes também praticam iguais atrocidades... Ora, não estou interessado nas razões geopolíticas que possam motivar essas atitudes. A única evidência, que dilacera a humanidade, é a de que o ser humano mata intencionalmente o ser humano. Que as diferenças não podem ser resolvidas numa mesa de negociação, com diálogo e tolerância.
Essas bombas e foguetes, que caem dos dois lados, são atestados contundentes que ainda precisamos evoluir muito para chegar à condição de humanos. Não, esse combate não é glorioso, nem sábio. Nem mesmo uma defesa. Nem caminho para a justiça. A morte não pode ser a contabilidade possível das diferenças entre seres humanos...
Isso é o retorno à barbárie..."
Antonio Mourão Cavalcante - Médico e antropólogo.
O Povo -10 Jan 2009
JUVENTUDE
"Domingos, Aderbal e Paulo: o elixir da eternidade
Todo mundo falava de "Fatal" ("Elegy"), filme de Isabel Coixet baseado em novela de Philip Roth, como novo suprassumo da filmografia sobre os dilemas do homem velho que se vê diante de um amor jovem. O romance do personagem vivido por Ben Kingsley com a aluna encarnada em Penélope Cruz, contudo, não convence na dramaturgia, e, por falar em drama, é em dramalhão que termina a trama.
Muito melhor é a farsa armada por Domingos de Oliveira em "Juventude", onde o diretor contracena com Paulo José e Aderbal Freire Filho. Transfigurados em personagens ficcionais (Paulo é um ricaço dividido entre a ex-esposa e uma mulher mais jovem; Aderbal, um médico outrora garanhão, hoje solitário na tentativa de salvar a filha do vício em heroína; Domingos, um dramaturgo profundamente amado e atormentado por uma princesa de 20 anos), os três setentões, no decorrer de um longo regabofe, percorrem suas trajetórias, suas agruras existenciais e, sobretudo, seu pânico de que a velhice afaste, no frigir dos ovos, esses quitutes tardios de amor que cismam em enfeitar a vida dos coroas. Instigante no filme é que as jovens mulheres e a filha viciada jamais aparecem em cena.
Suas vozes sequer são ouvidas quando estão ao telefone com os seus velhos. Como se eles estivessem já numa espécie de purgatório terreno, e lhes restasse aquele encontro para resolverem suas questões pendentes: abandonar antes de ser abandonado ou entregar-se aos estertores da lascívia? Dar uma última guinada na vida? Escrever o livro que jamais se escreveu? Pedir dinheiro emprestado para dedicarse à filha doente?
O filme começa num clima de ensaio, ou de um aquecimento de jogo de tênis. A gente tem certeza de que vai ser um documentário, de que é a vida desses três atores e criadores que vamos espreitar na tela, ansiamos até que seja isso. Mas, à medida que a ação se desenrola, os personagens vão se insinuando sorrateiramente e levando o espectador, por ora, à ilusão de jamais tê-los visto. A direção é difícil de classificar, se é que houve uma direção formal. A impressão que se tem é de que, ainda que decorado, o texto passa por um filtro de improviso, o improviso das emoções, o improviso da alma, a inquietação de devorar o texto e o tempo como uma última oportunidade.
Deve ser por isso que as falas são tão velozes e as dicções desmoronam sobre si: é preciso dizer tudo antes que seja tarde, antes que a morte venha e roube o que resta do vinho, o derradeiro suflê, a baforada final, o último pudim.
Como se Paulo, Domingos e Aderbal fossem aprisionados pelo filme e aqueles 72 minutos deliciosos, de repente, se convertessem na reserva do tanque: junto com a fita, acaba a vida; junto com a lâmpada, apaga-se a chama; e a tela branca é o vazio, sendo as próximas sessões meras reproduções, portarretratos em movimento de vidas que já se foram. Esta fala rápida, se por um lado pode confundir os ouvidos em algumas passagens, cria, por outro, uma aura de naturalidade que seria impossível num texto mais cadenciado, numa projeção mais empostada das falas.
Nesse corre-corre vocal, a personalidade dos três atores acaba por se desnudar, deixa o corpo dos personagens como num exorcismo involuntário: paralelamente à ficção, passa, em outra banda, o tal documentário que o filme promete no subtexto, a ponto de muita gente que sai do cinema achar, de novo, que é, no duro, uma tripla biografia em que a gente leva de brinde uma trama ficcional.
Que confusão! Que doce confusão! Quanto humor e quanta amargura esses homens escoam, quanta sacanagem, quanta putaria, quanta grandeza, quanta sordidez, quanto amor, quanta amizade, quanto despeito, quanto maujeito, quanta destreza, quanta decrepitude, quanta beleza, quanta juventude, desde uma radiante manhã na serra até o amanhecer incrédulo após uma noite que se faz súbito sombria e traz a morte a espreitar os corações em polvorosa. Da projeção de "Juventude" saí, assim, com a estranha sensação de que meus 43 anos são mais velhos que os quase 210 vividos por aquelas três expressões de uma arte maior.
Pois a arte é vida eterna."
Arnaldo Bloch (jornal O Globo de hoje)
janeiro 09, 2009
Dançando na chuva
MOMENTOS INCRIVELMENTE MÁGICOS DO CINEMA e uma bela representação do que faz um apaixonado. Andar nas nuvens é pouco...Quando Gene Kelly estava filmando essa cena se encontrava com febre de 39/40 graus. Dá para imaginar que a versão final foi uma dentre as múltiplas tentativas em busca da perfeição. Já vi mil vezes e nunca canso.
"IPSO FACTO"
PORTUGAL CURVA A ESPINHA
"O mais espantoso no acordo ortográfico celebrado entre o Brasil, Portugal e os outros seis países em que se fala o português, que por aqui acaba de entrar em vigor (embora ainda haja prazo até 2012), é que os portugueses tenham concordado em assinálo. Por um motivo simples: é que o assim chamado português de Portugal (quanto à versão escrita do idioma, não haverá mais razão para tal referência, pois agora as ortografias se fundem artificialmente) sai muito mais machucado da reforma do que o português do Brasil. Por isso, Portugal resistiu a aderir ao acordo durante quase vinte anos, mas, de repente, inexplicavelmente, curvou a espinha e perdeu toda a dignidade, digamos, filológica (eu ia dizer mais corretamente "linguística", porém a palavra sem trema é insuportável, soa a linghística).
Um exemplo simples de como Portugal perdeu muito mais: no Brasil jamais se dirá que alguém "foi à festa com seu fato mais elegante". Se o bom leitor ouvir essa frase em alguma boca, pode-se ter certeza rigorosa de que a ouviu vazada no belo sotaque português. Nenhum brasileiro usa tal forma de expressão, pois aqui a palavra "fato" significa apenas "acontecimento". Só em estado de dicionário, como dizia o velho Drummond, poderá ser encontrada como sinônimo de "terno" (embora há muito tempo as peças sejam só duas, pois o colete caiu de moda, a roupa masculina manteve a designação).
Já em Portugal, para designar "acontecimento", o termo é, sempre foi, "facto" — e ninguém, nos últimos cem anos (ou quase isso, pois a ortografia portuguesa ora alterada não sofria qualquer mudança substancial desde 1911, quando entrou em vigor, após trabalho inestimável do foneticista Gonçalves Viana, trabalho que acabou com a balbúrdia ortográfica), pensou em eliminar o "c" medial que no Brasil há muito deixou de existir. Na grafia portuguesa, entretanto, foi mantido porque sempre soou de maneira claríssima na pronúncia, correspondendo ao significado único de "acontecimento".
Pergunta-se: ainda que a equivocada mudança tenha botado abaixo o "c" da palavra "facto", os portugueses deixarão de pronunciá-lo? É de duvidar-se, pois a língua falada, que é a língua primitiva, original, mãe da outra, tem uma força muito superior à da língua escrita (verdade que a atual mudança anticientífica não levou em consideração).
Por essas e por outras é que se disse que o português de Portugal, tal como foi usado no último século, fica muito mais prejudicado graficamente do que o português do Brasil. Não apenas em relação à citada palavra "facto". Lá eles escrevem — e pronunciam, eis o dado básico — "acto", "actor", "director" e dezenas de outras palavras nas mesmas condições.
Entretanto, também os brasileiros sofremos. Nossa "idéia" e muitas palavras com final semelhante perdem o acento gráfico para deixar tudo igual e sem caráter por lá e por aqui. Que diabo, o acento servia exatamente para mostrar que a palavra tem um jeito, um sabor especial aqui e outro lá (em Portugal a pronúncia é muito próxima de algo como idaia)! Assim, eram roupagens diferentes para palavras diferentes com pronúncias rigorosamente diferentes, mas agora enfiaram tudo numa trituradora brutalizante.
Os burocratas que trabalharam pelo acordo insensato sabem muito bem que, na prática, ele é irrealizável. Não se passarão cinquenta (a pronúncia seria cinkenta?) anos para que se reclame a volta do bom senso. No momento a situação é esta: telefono para a responsável pelo setor de revisão de uma grande editora. Minha amiga, competente e habitualmente tranquila, parece perder a respiração, afogada entre hifens que surgem como visita incômoda ou caem como fruta madura. E toda a sua equipe lembra a casa de orates do Dr. Simão Bacamarte, no caso apenas atrás de pulgas que nascem numas palavras e morrem noutras.
Que desejam afinal os autores do acordo? Simples. Querem é impedir nosso prazer de ler Eça e Camilo ou, entre os atuais, Saramago e Miguel Sousa Tavares. Prazer que, entre outras coisas, vem das pequeninas diferenças ortográficas, que não atrapalham em nada o idioma único, mas nos fazem sentir o prazer de ler os portugueses como portugueses. E eles se autodefinem a partir da ortografia. Ou se autodefiniam.
Querem acabar aos poucos com cada um dos nossos pequenos prazeres.
Acabam de matar mais um."
Marcos de Castro (Jornal O Globo, 9.1.2009)
"O mais espantoso no acordo ortográfico celebrado entre o Brasil, Portugal e os outros seis países em que se fala o português, que por aqui acaba de entrar em vigor (embora ainda haja prazo até 2012), é que os portugueses tenham concordado em assinálo. Por um motivo simples: é que o assim chamado português de Portugal (quanto à versão escrita do idioma, não haverá mais razão para tal referência, pois agora as ortografias se fundem artificialmente) sai muito mais machucado da reforma do que o português do Brasil. Por isso, Portugal resistiu a aderir ao acordo durante quase vinte anos, mas, de repente, inexplicavelmente, curvou a espinha e perdeu toda a dignidade, digamos, filológica (eu ia dizer mais corretamente "linguística", porém a palavra sem trema é insuportável, soa a linghística).
Um exemplo simples de como Portugal perdeu muito mais: no Brasil jamais se dirá que alguém "foi à festa com seu fato mais elegante". Se o bom leitor ouvir essa frase em alguma boca, pode-se ter certeza rigorosa de que a ouviu vazada no belo sotaque português. Nenhum brasileiro usa tal forma de expressão, pois aqui a palavra "fato" significa apenas "acontecimento". Só em estado de dicionário, como dizia o velho Drummond, poderá ser encontrada como sinônimo de "terno" (embora há muito tempo as peças sejam só duas, pois o colete caiu de moda, a roupa masculina manteve a designação).
Já em Portugal, para designar "acontecimento", o termo é, sempre foi, "facto" — e ninguém, nos últimos cem anos (ou quase isso, pois a ortografia portuguesa ora alterada não sofria qualquer mudança substancial desde 1911, quando entrou em vigor, após trabalho inestimável do foneticista Gonçalves Viana, trabalho que acabou com a balbúrdia ortográfica), pensou em eliminar o "c" medial que no Brasil há muito deixou de existir. Na grafia portuguesa, entretanto, foi mantido porque sempre soou de maneira claríssima na pronúncia, correspondendo ao significado único de "acontecimento".
Pergunta-se: ainda que a equivocada mudança tenha botado abaixo o "c" da palavra "facto", os portugueses deixarão de pronunciá-lo? É de duvidar-se, pois a língua falada, que é a língua primitiva, original, mãe da outra, tem uma força muito superior à da língua escrita (verdade que a atual mudança anticientífica não levou em consideração).
Por essas e por outras é que se disse que o português de Portugal, tal como foi usado no último século, fica muito mais prejudicado graficamente do que o português do Brasil. Não apenas em relação à citada palavra "facto". Lá eles escrevem — e pronunciam, eis o dado básico — "acto", "actor", "director" e dezenas de outras palavras nas mesmas condições.
Entretanto, também os brasileiros sofremos. Nossa "idéia" e muitas palavras com final semelhante perdem o acento gráfico para deixar tudo igual e sem caráter por lá e por aqui. Que diabo, o acento servia exatamente para mostrar que a palavra tem um jeito, um sabor especial aqui e outro lá (em Portugal a pronúncia é muito próxima de algo como idaia)! Assim, eram roupagens diferentes para palavras diferentes com pronúncias rigorosamente diferentes, mas agora enfiaram tudo numa trituradora brutalizante.
Os burocratas que trabalharam pelo acordo insensato sabem muito bem que, na prática, ele é irrealizável. Não se passarão cinquenta (a pronúncia seria cinkenta?) anos para que se reclame a volta do bom senso. No momento a situação é esta: telefono para a responsável pelo setor de revisão de uma grande editora. Minha amiga, competente e habitualmente tranquila, parece perder a respiração, afogada entre hifens que surgem como visita incômoda ou caem como fruta madura. E toda a sua equipe lembra a casa de orates do Dr. Simão Bacamarte, no caso apenas atrás de pulgas que nascem numas palavras e morrem noutras.
Que desejam afinal os autores do acordo? Simples. Querem é impedir nosso prazer de ler Eça e Camilo ou, entre os atuais, Saramago e Miguel Sousa Tavares. Prazer que, entre outras coisas, vem das pequeninas diferenças ortográficas, que não atrapalham em nada o idioma único, mas nos fazem sentir o prazer de ler os portugueses como portugueses. E eles se autodefinem a partir da ortografia. Ou se autodefiniam.
Querem acabar aos poucos com cada um dos nossos pequenos prazeres.
Acabam de matar mais um."
Marcos de Castro (Jornal O Globo, 9.1.2009)
F L O R I P A
janeiro 08, 2009
Revista Cult

Revista Cult: "A partir do dia 12 de janeiro de 2009, o conteúdo integral da revista CULT estará disponível na internet. Com isso, estará aberto para pesquisa um dos mais completos acervos do país de textos nas áreas de filosofia, literatura e ciências sociais. Criada em 1997, a revista CULT publica, mensalmente, dossiês sobre pensadores e temas de alta relevância cultural, escritos por estudiosos reconhecidos em âmbito internacional. Para facilitar a dinâmica de navegação, foi estruturado um novo serviço de busca. Além disso, todos os textos têm assinatura do autor, proporcionando credibilidade à pesquisa do conteúdo."
Maysa
Não devia falar de televisão, já que não assisto, mas fiquei sabendo da minisérie (ainda não estou segura se junto ou separo) que o Monjardim fez sobre a cantora Maysa , sua mãe. Estreou esta semana e está sendo muito criticada. Sejam quais forem os problemas apontados, não se pode abstrair que fazer dramaturgia tendo como personagem a própria mãe, não é para qualquer um. Só muito profissionalismo para, sendo filho, conseguir ter o “distanciamento” necessário para contar a história desta mulher que na conservadora década de 50, teve coragem de deixar o marido milionário para dedicar-se exclusivamente à sua carreira como cantora . O filho ficou com o pai e passou grande parte de sua infância interno num colégio na Espanha. Depois de muito tempo sem visitá-lo, a mãe o encontrou doente. Não teria lhe abraçado/beijado com medo de contagio, já que a gripe comprometeria a sua voz. Esta foi a mãe que ele teve.
Maysa viveu um momento importante na história da música brasileira que foi a transição do samba-canção para a moderna MPB. Na sua vida pessoal, além dos problemas que teve com a bebida, a imprensa vivia lhe atribuindo casos tórridos. Como todo mundo, teve seus bons e maus momentos, suas alegrias e suas dores. Foi uma mulher que ousou romper com o bom-mocismo e os preconceitos de sua época. Quaisquer que tenham sido as razões e circiunstâncias, não cabe aqui analisar, o certo é que o filho sempre esteve em segundo plano na sua vida. A maysa- mãe será, a meu ver, o aspecto mais delicado da história que está sendo contada por Monjardim. O que não significa que ele não possa projetar na personagem a mãe que ele gostaria de ter tido.
Afinal , arte e catarses nunca foram incompatíveis...
Clicando no título vc pode ler sobre a sua biografia.
Maysa viveu um momento importante na história da música brasileira que foi a transição do samba-canção para a moderna MPB. Na sua vida pessoal, além dos problemas que teve com a bebida, a imprensa vivia lhe atribuindo casos tórridos. Como todo mundo, teve seus bons e maus momentos, suas alegrias e suas dores. Foi uma mulher que ousou romper com o bom-mocismo e os preconceitos de sua época. Quaisquer que tenham sido as razões e circiunstâncias, não cabe aqui analisar, o certo é que o filho sempre esteve em segundo plano na sua vida. A maysa- mãe será, a meu ver, o aspecto mais delicado da história que está sendo contada por Monjardim. O que não significa que ele não possa projetar na personagem a mãe que ele gostaria de ter tido.
Afinal , arte e catarses nunca foram incompatíveis...
Clicando no título vc pode ler sobre a sua biografia.
Meio assim...
Assim...meio sem saber o porque de continuar...como a “arrumar o quarto do filho que já morreu”...Assim, atípica, segue a estação... nem calor faz. Chove uma chuva que também tem vindo para ficar ....não vem como “chuva de verão”...esta metáfora tão boa para as coisas que passam... E eu, meio assim, sem conseguir terminar nada... minha agenda se foi com o celular ... as fotos, mensagens não respondidas. ... quem não tem nada, não tem o que perder... a vida é assim...Alguns sem entender o meu silêncio...não vou me esforçar para explicar...agora seria um esforço...tenho o ano todo ou o resto da vida... quanto da vida? Não concluo nada ...nem pensamentos...abandono os filmes nos primeiros minutos ...os livros nas primeiras folhas...desconcentrada. Penso em televisão...sentar na frente dela...não exige nada...todos gostam...deve ser bom. Impossível! são tantos os horrores que ela mostra...(estou enganada ou acontece sempre nesta mesma época? )...não me faz bem ... me obriga a lembrar que o mundo não tem solução...guerra (de novo ou ainda?) estupidez...muitas crianças ...tragédias...(seriam respostas da natureza?) e a “crise”! (não vou tentar entender.) E agora?
Resta tentar retornar aos mistérios de Barcelona... aos cenários do cemitério dos livros esquecidos...Esquecer, melhor esquecer, tentar esquecer... já quis, não era uma rima mas podia ser uma solução ...hoje dá medo ...esquecer - oublier - dimenticare - olvidar - forget...assim, de várias maneiras.
Se “ler um romance é como passar férias no cérebro do autor" como disse o Zafón, estou indo...embora um pouco assim...
A gente tenta...
Resta tentar retornar aos mistérios de Barcelona... aos cenários do cemitério dos livros esquecidos...Esquecer, melhor esquecer, tentar esquecer... já quis, não era uma rima mas podia ser uma solução ...hoje dá medo ...esquecer - oublier - dimenticare - olvidar - forget...assim, de várias maneiras.
Se “ler um romance é como passar férias no cérebro do autor" como disse o Zafón, estou indo...embora um pouco assim...
A gente tenta...
janeiro 07, 2009
Uma história de amor

Já aconteceu de você, ao olhar pessoas da sua idade, pensar: não posso estar assim tão velho(a)?!!!Comigo já aconteceu de encontrar não só colegas, mas também ex-alunos e os achar muito velhos. E eu, me considerando uma menina, vou saindo de fininho tentando não ser alvo da mesma avaliação.
Esta historinha cruel foi uma amiga que me contou:
"Estava sentada na sala de espera para a minha primeira consulta com um novo dentista, quando observei que o seu diploma estava dependurado na parede. Estava escrito o seu nome e, de repente, recordei de um moreno alto, que tinha esse mesmo nome. Era da minha classe do colegial, uns 30 anos atrás, e eu me perguntava:
Poderia ser o mesmo rapaz por quem eu tinha me apaixonado à época?
Quando entrei na sala de atendimento imediatamente afastei esse pensamento do meu espírito. Este homem grisalho, quase calvo, gordo, com um rosto marcado, profundamente enrugado, era demasiadamente velho para ter sido o meu amor secreto.
Depois que ele examinou o meu dente, perguntei-lhe se ele estudou no Colégio "X".
- Sim, respondeu-me.
- Quando se formou? perguntei.
- 1965 . Por que esta pergunta? Respondeu.
- É que... bem... você era da minha classe, eu exclamei.
E então, aquele velho horrível, cretino, careca, barrigudo, flácido, encarquilhado, lazarento, me perguntou:
- A senhora era professora de quê???"
COMO ARRANJAR UM MARIDO
Quem não viveu no tempo em que estas eram as regras recomendadas pode até não acreditar. No entanto, posso assegurar que era assim mesmo que as coisas funcionavam! Estou entre considerar trágico ou hilário...
As " normas " abaixo não foram publicadas em qualquer revista feminina, mas na Folha de S.Paulo, num domingo, 12 de setembro de 1965, como um tema da maior relevância.
"Como arranjar um marido. Eis um tema que tem apaixonado todos os quadrantes da terra e ocupado longas paginas em revistas, jornais e publicações femininas, de todos os paises. O que uma mulher deve fazer para encontrar um marido, as situações que deve evitar e as ocasiões que não deve perder são, em linhas gerais, o conteudo dessas publicações que interessam às solteiras - jovens ou velhas.
Na verdade existe uma serie de normas que toda a mulher desejosa de casar-se deveria seguir. São elas, em linhas gerais, as seguintes:
1 - Quando uma mulher deseja casar-se não deve ficar ansiosa e sair aflita à caça de um marido. Deve, isso sim, aumentar o mais possivel suas relações sociais. Deve frequentar reuniões, ir a festas, aumentar seus circulos de amigos. Se possivel, oferecer reuniões em sua casa frequentemente.
2 - Para uma mulher solteira é preferivel conhecer dez pessoas do que cinco, melhor conhecer cinquenta do que dez. Assim não só ela terá oportunidade de poder fazer uma justa seleção, como poderá ser mais facilmente cortejada e terá condições para uma boa escolha. Uma moça com um circulo de amizades muito restrito, que conheceu apenas o filho de sua vizinha, acaba por apaixonar-se por ele, porque foi o unico pretendente que surgiu em seu caminho.
3 - Uma jovem que deseja casar-se deve cuidar de sua aparencia e beleza. Deve estar sempre impecavelmente vestida e maquilada. Isso não quer dizer que se apresente "embonecada" todo o tempo. Mas não poderá negligenciar seu aspecto fisico, que deverá ser o melhor possivel. Uma jovem com um simples vestido de algodão e uma sandalia aberta poderá estar linda e impecavel, se sua pele estiver cuidada, seus cabelos penteados e seus pés tratados. Os pequenos detalhes são importantíssimos para despertar o interesse de um admirador. Mãos e unhas bonitas, cabelos de corte elegante e penteado correto, rosto sugestivo, valorizado por uma maquilagem perfeita, vestidos simples mas elegantes, dentes impecaveis.
4 - Uma jovem desejosa de casar-se não se deve comprometer com o primeiro pretendente que aparece. Isso seria um grave erro e uma imprudencia. Lembrem-se de que os noivados repentinos raramente resultam em casamento. E se isso acontece, mais raramente ainda resultarão em casamentos felizes.
5 - Quando uma mulher sentir em seu coração o desabrochar de um terno sentimento por um homem e compreender que o mesmo acontece com ele, espere. Não se precipite. Mesmo que o seu desejo de casar seja grande, não se comprometa, fale-lhe francamente e com serenidade, pois todo o homem fica feliz, quando finalmente encontra uma mulher que lhe fala sinceramente de seus sentimentos sem se agarrar a ele com unhas e dentes, aflita por arrastá-lo ao casamento. Uma mulher que deseja esperar para poder bem aquilatar o seu amor é coisa tão rara que até parecerá um milagre e isso o fará admirá-la e querê-la ainda mais.
Essa espera sem compromisso é excelente e necessaria por um motivo especial. Se com o tempo os dois verificam grandes incompatibilidades que não surgiram nos primeiros arroubos, a mulher poderá deixar partir o namorado, sem ter o ar de que foi abandonada. E poderá então aceitar a corte de um terceiro, sem ser tachada de leviana.
Quando falamos aqui em casamento falamos em casar, bem e não em casar a qualquer custo, apenas para não ficar solteira."
As " normas " abaixo não foram publicadas em qualquer revista feminina, mas na Folha de S.Paulo, num domingo, 12 de setembro de 1965, como um tema da maior relevância.
"Como arranjar um marido. Eis um tema que tem apaixonado todos os quadrantes da terra e ocupado longas paginas em revistas, jornais e publicações femininas, de todos os paises. O que uma mulher deve fazer para encontrar um marido, as situações que deve evitar e as ocasiões que não deve perder são, em linhas gerais, o conteudo dessas publicações que interessam às solteiras - jovens ou velhas.
Na verdade existe uma serie de normas que toda a mulher desejosa de casar-se deveria seguir. São elas, em linhas gerais, as seguintes:
1 - Quando uma mulher deseja casar-se não deve ficar ansiosa e sair aflita à caça de um marido. Deve, isso sim, aumentar o mais possivel suas relações sociais. Deve frequentar reuniões, ir a festas, aumentar seus circulos de amigos. Se possivel, oferecer reuniões em sua casa frequentemente.
2 - Para uma mulher solteira é preferivel conhecer dez pessoas do que cinco, melhor conhecer cinquenta do que dez. Assim não só ela terá oportunidade de poder fazer uma justa seleção, como poderá ser mais facilmente cortejada e terá condições para uma boa escolha. Uma moça com um circulo de amizades muito restrito, que conheceu apenas o filho de sua vizinha, acaba por apaixonar-se por ele, porque foi o unico pretendente que surgiu em seu caminho.
3 - Uma jovem que deseja casar-se deve cuidar de sua aparencia e beleza. Deve estar sempre impecavelmente vestida e maquilada. Isso não quer dizer que se apresente "embonecada" todo o tempo. Mas não poderá negligenciar seu aspecto fisico, que deverá ser o melhor possivel. Uma jovem com um simples vestido de algodão e uma sandalia aberta poderá estar linda e impecavel, se sua pele estiver cuidada, seus cabelos penteados e seus pés tratados. Os pequenos detalhes são importantíssimos para despertar o interesse de um admirador. Mãos e unhas bonitas, cabelos de corte elegante e penteado correto, rosto sugestivo, valorizado por uma maquilagem perfeita, vestidos simples mas elegantes, dentes impecaveis.
4 - Uma jovem desejosa de casar-se não se deve comprometer com o primeiro pretendente que aparece. Isso seria um grave erro e uma imprudencia. Lembrem-se de que os noivados repentinos raramente resultam em casamento. E se isso acontece, mais raramente ainda resultarão em casamentos felizes.
5 - Quando uma mulher sentir em seu coração o desabrochar de um terno sentimento por um homem e compreender que o mesmo acontece com ele, espere. Não se precipite. Mesmo que o seu desejo de casar seja grande, não se comprometa, fale-lhe francamente e com serenidade, pois todo o homem fica feliz, quando finalmente encontra uma mulher que lhe fala sinceramente de seus sentimentos sem se agarrar a ele com unhas e dentes, aflita por arrastá-lo ao casamento. Uma mulher que deseja esperar para poder bem aquilatar o seu amor é coisa tão rara que até parecerá um milagre e isso o fará admirá-la e querê-la ainda mais.
Essa espera sem compromisso é excelente e necessaria por um motivo especial. Se com o tempo os dois verificam grandes incompatibilidades que não surgiram nos primeiros arroubos, a mulher poderá deixar partir o namorado, sem ter o ar de que foi abandonada. E poderá então aceitar a corte de um terceiro, sem ser tachada de leviana.
Quando falamos aqui em casamento falamos em casar, bem e não em casar a qualquer custo, apenas para não ficar solteira."
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