Numa língua em que ponte, bola, cama e geladeira são palavras masculinas, não é de se estranhar que mar, carro, vestido, quarto e árvore, sejam tão femininas quanto os Correios, que chamam de “la poste”. Alguém um dia me disse que “ La Poste” é tida como a segunda empresa mais admirada pelos franceses (embora esse mesmo alguém não soubesse me dizer qual era a primeira). Seja como for, “ La Poste” é para os franceses muito mais do que uma empresa que entrega cartas. É uma instituição. Na França, apenas em teoria se pode solucionar qualquer problema (inclusive com o próprio La Poste) por telefone ou internet. Não basta relatar o caso ou registrar a reclamação. Eles dizem para enviar uma carta. Uma carta! Isto mesmo. Os franceses arranjam sempre mais funções e utilidades para La Poste. Soube que até um pedido de demissão só é aceito se você enviar uma correspondência à empresa.É certo que medidas como esta contribuem para a manutenção dos postos de trabalho. Uma neura entre eles. Tenho uma amiga que faz a sua parte, reenviando os envelopes prefranqueados com que La Poste entope sua bôite aux lettres , colocando dentro dentro deles folders estranhos, do tipo "enlarge your penis".
O que acho mais curioso é que eles escrevem cartas segundo um modelo «à la française» para cada assunto e com uma formalidade que beira ao exagero tantas são as fórmulas de politesse,.
Apesar de ter saído da França, continuo com La Poste na cabeça pois nunca recebi um paquet que me foi enviado em abril de Bayonne para Paris. Remeti a "carta" solicitada, segundo o modelito exigido, juntei cópia de meu passaporte, informei os meus endereços ( atual e futuro). Por estas alturas, estou pagando para ver se este affair terá uma solução ou se o que dirão não irá além de:“Désolé, madame”!
Um comentário:
O desfecho:
La Poste não recuperou a minha caixa. Com as desculpas, enviou um cheque de 161 euros.
É isto!
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