“Futilidades” passou a ser um dos marcadores do blog desde que necessitei classificar assuntos que envolviam moda, etiqueta, cor de batom, modelo de carro, grife etc e que não “cabiam” nos já existentes. Pretendia trazer mais “leveza” aos temas e já que vivemos num mundo em que ser fútil é quase um mandamento de como deve funcionar a vida , pensei haver encontrado a expressão que traduzia o que não é sérío. Sim, porque fútil, frívolo se opõe a sério. Aqui e alhures.
Fútil (futilis significa o que não tem utilidade) seria o que se opõe ao útil e não tem nada a ver com as utilidades das coisas inúteis. Se algo é útil para determinada pessoa, ela passa a ser o oposto de fútil. Com isto não se está querendo justificar o valor do que não tem valor ou reduzindo a importância das coisas sérias.
Mas quem não se encanta com alguma futilidade? Não é uma resposta fácil como parece.
Fútil , como invejoso, é sempre o outro. Quem se admite fútil o faz em tom de ironia ou brincadeira, querendo mostrar o contrário. O fútil esnobe coloca o estilo de vida acima de tudo e passa a viver em nome de rituais vazios de sentido em torno de produtos de grifes, valores estéticos ou pequenos prazeres elevados à condição de essenciais.
Sócrates, que não via nada de bom na futilidade, para falar dela usou um termo que significa algo colorido, faiscante, luminoso, que produz um encantamento enganador. Fútil era, e ainda é, quem se encanta e se deixa seduzir pelo brilho e aparência. A futilidade passa a ser perigosa, na medida em que pode produzir um apego que não vale a pena, captura a consciência e se opõe ao auto conhecimento e a autocrítica sobre modos de ser e de agir.
O fútil, como o invejoso, tem uma percepção distorcida de si mesmo.
“A futilidade seria uma vaidade, o contrário de autoconhecimento.” (M.Tiburi)
Quando dizemos que o outro é fútil tentamos parecer que não somos. Isso de exigir das pessoas atitudes e comportamentos que não temos é uma tentativa de convencer que somos melhores e, pela crítica, tentarmos parecer melhores para não vir a ser o alvo dela. Na inveja funciona sendo nós sempre os invejados.
A futilidade, mesmo não sendo um pecado, também se esconde .
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