fevereiro 02, 2009

O Oscar vai para....

Faz mais de uma semana que vi o filme. Comentei com alguns amigos, separadamente, que havia sido feito para concorrer a prêmios.E ganhá-los. É daqueles filmes que reunem todos os elementos da fórmula que os velhinhos (sempre penso que são velhinhos) jurados do Oscar adoram. Debite-se a esta opinião uma boa dose de minha incurável (ops!)resistência ao cinema americano. Sobretudo quando leio a propósito, que certos diretores justificam as obviedades que introduzem nos seus trabalhos por terem sido feitos pensando no público americano. Para mim, isto é demais. Fico com as sutilezas do cinema europeu , especialmente os ingleses.
Chegando do cinema (onde entrei meio por acaso) ouvi de minha filha que o filme era indicado para mais de 10 Oscars. Procurei nos contos do Fitzgerald aquele que havia inspirado o filme. Constatei não fazer parte do livro que tenho. Fiquei aliviada. Se fizesse eu havia lido e não me lembrar seria muito grave ( o que passa a a ser objeto de preocupação depois de...uma certa idade!).
Não pretendia comentar o filme. Ia terminar por dizer que algumas cenas podiam ser suprimidas, que o filme continuaria interessante com 30 minutos a menos de duração e o que mais já ouviram os que conversaram comigo depois daquele dia .
Ocorreu-me, o que não é raro, de ler o blog do Daniel Piza, onde encontrei este comentário ao qual não preciso tirar nem por para, como se diz, " assinar em baixo". Apenas os grifos serão meus.
Passagens de Benjamim
É num conto de Scott Fitzgerald que se inspira o ótimo filme O Curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher. Só que no conto o pai do bebê que nasce velho tenta escondê-lo e o final é muito diferente. No filme, o pai o deixa nos fundos de uma pensão de idosos em Nova Orleans e ele é adotado sem conflitos por uma mulher negra. Mais tarde, enquanto rejuvenesce, Benjamin (Brad Pitt) conhece Daisy (Cate Blanchett), que será o amor de sua vida e estará com ele ao fim. Como em Fitzgerald, a história corre como se fosse realista, capaz de nos envolver e comover mesmo quando inverossímil, e não como uma fábula ou alegoria – e essa linha narrativa é mantida com muita habilidade. Isso, sim, é adaptar literatura, em vez de parasitá-la.
O filme tem todos os itens de supercandidato ao Oscar. A produção é suntuosa, com bela fotografia, trilha sonora e recriação de épocas; os atores estão muito bem; há momentos líricos e cômicos, guerras e acidentes, além dos acréscimos demagógicos (como as reaparições do beija-flor). O recado do filme não é nada mais que aproveite a vida em suas distintas fases em vez de esperar que ela passe”. Mas o que nos prende por quase três horas? Não é só esse capricho todo, o desenrolar do enredo ou a beleza dos atores e das paisagens postais – Brad Pitt como um modelo de grife em um veleiro ao pôr-do-sol. Acho que é justamente a delicadeza com que tudo é tratado; Benjamin e sua mãe adotiva não sofrem por antecipação, anseiam pelo próximo passo mas não se alienam a ele. Não importa a ordem dos fatos, a vida é sempre imprevisível.“
 

Um comentário:

Anônimo disse...

Achei enfadooooonho. Melhoraria com redução de pelo menos 45 minutos a 1 hora. Achei tb muito condescendente e indulgente.
E no aspecto narrativo, uma mistura requentada de Titanic e Forrest Gump. A idéia original do conto foi totalmente mal-aproveitada (ainda não sei se o hífen caiu aqui;-)
Vicente