fevereiro 05, 2009

Não enviar

Atualmente, não é raro ouvir alguém dizer que gostaria de se “desconectar”, de não perder tanto tempo em frente ao computador. Para algumas dessas pessoas, que tem programas de estudos a cumprir, aconselho como primeira medida e declaro o meu apoio não lhe enviando e-mails desnecessários, dos que apenas irão roubar seu precioso tempo.
Não estou entre estas pessoas que precisam se desconectar. Sem que isto signifique contar vantagem, mesmo porque não é, tornei-me dona do meu tempo (um eufemismo para me referir ao meu ócio). “Internetar”, para quem é dona de seu tempo, é uma atividade que abrange desde a leitura de jornais, revistas, inclusive as eletrônicas, blogs variados, sinopses e trailers de filmes, ouvir músicas, planejar viagens e, por que não?, blogar o que me parecer interessante, ao ponto de querer “compartilhar” com os amigos que lêem o blog (muitos nem sabem dele ou não se interessam, o que não muda nada na nossa relação). E, finalmente, é via e-mail (não gosto do MSN) que mantenho contato com eles, os próximos e os mais distantes (valendo em todos os sentidos).
Mas será que enviar e-mail para alguém pode ser considerado como fazer-lhe uma visita?
Esta é a reflexão que está me “pegando”. Não sem razão. Fui comunicada por um desses amigos de que iria limitar os seus acessos à internet, reduzi-los a uma vez por semana....
Ou seja, não se pode "visitá-lo" à vontade. Mas como pedir licença para chegar? Como saber se o dia e hora estão adequados? Como não ser inoportuna e inconveniente?
Desde que se tornou viável (e massificado), o correio eletrônico é a melhor forma de “ corresponder-se” com alguém. Tomou o lugar das cartas, bilhetes, mensagens, que sempre existiram, postadas nos correios e que, se indesejadas, eram rasgadas simplesmente. Podia acontecer de não chegar, por qualquer razão se extraviar. Daí se poder alegar não haver recebido. Mas e-mail, em geral, chega e imediatamente.
Não resta dúvida de que houve um desvirtuamento da finalidade (ou seria uma ampliação do uso?) na medida em que pouco ou nada se escreve. O e-mail vem se prestando para o envio de anexos que podem ser filmes, fotos, msg de auto ajuda, de anjos e outras que vc deve enviar para tantas pessoas para não cair em desgraça.....
Quem não tem sua pequena coleção de correspondentes convencidos de que merecem a sua atenção para qualquer piada, inclusive as de mau gosto, ou a enésima denúncia de que os americanos já redesenharam o mapa da Amazônia ? E aquela mulher do câncer de mama que não pode parar de andar ? Quem não recebe todo dia alertas contra um novo golpe? E os manifestos que denunciam injustiças ou mais um escândalo do governo?
Não posso ser considerada uma dessas na lista de contatos do meu amigo.Isto é o que faz me sentir injustamente excluída....

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