O 02 Neurônio ( Jô Hallack >> Nina Lemos >> Raq Affonso - http://02neuronio.blog.uol.com.br/) tem coluna semanal na folhateen . Talvez alguém se pergunte o que pode ter o 02 Neurônio a ver comigo. Tudo. Enquanto trabalhei no magistério, em contato com jovens, me espantava que a "problemática" das meninas continuasse a mesma da minha geração: os homens e o fato de eles não haverem acompanhado as transformações por que passaram as mulheres e, na esteira disso, o mundo. Apontar culpados não resolve, mas uma reflexão é inevitável: se são todos filhos da (de uma) mãe, que mulheres são estas que criam e educam filhos que repetem os mesmos comportamentos e valores de que elas próprias se dizem "vítimas"? por que os filhos homens continuam dotados de uma imaturidade quase insuperável?
Ainda hoje, da parte de várias mães (e de um pai!) registro a preocupação de que o filho ("perdido") encontre uma jovem que tenha mais "juízo" e maturidade do que ele.
Em pleno século XXI, o texto abaixo me faz desacreditar que alguma coisa realmente mudou...
Os homens "são assim"
A COMPLACÊNCIA da humanidade com os homens é uma coisa realmente irritante.
Com a revolução sexual, queima de sutiãs, pílula, luta pelo sufrágio universal etc., a mulher mudou seu lugar no mundo. Trabalhamos, não precisamos depender dos homens para sobreviver, temos filhos se quisermos e usamos calça. Parece espantoso, mas nem sempre foi assim. Claro que essas conquistas femininas também têm seu lado negativo. Trabalhamos demais, entramos no drama de ter ou não filhos, fazemos jornada quíntupla de trabalho e ainda lavamos mais a louça de casa do que os homens.
Contradições da vida. O mundo sempre em mudança. Esse tipo de coisa. Não ficamos nos lamuriando por aí. Lamúria, às vezes, é importante. Mas, como rotina, é bem chata. Sabemos que temos que ir à luta, que nem tudo é perfeito, que não existe mundo ideal e por aí vai. Por isso, todos os dias colocamos os óculos escuros e, com ou sem lágrimas, vamos trabalhar e nos divertir.
Os homens, por sua vez, muitas vezes se sentem mais por fora do que umbigo de mulata. Não conseguem se adaptar aos novos tempos, têm draminhas existenciais que são reflexo do mundo (ainda) machista em que vivemos, trocam os pés pelas mãos. E esse é o ponto: em vez de o comportamento masculino ser criticado, todo mundo entende que o homem se sinta perdido. "Ah, coitados, né, eles não sabem mais o que fazer." E perdoa. E sobra para quem? Para a mulher, que é OBRIGADA a entender e aceitar um comportamento "vintage" do alheio.
Claro que a humanidade não tem a mesma complacência com o lado de cá. Mulheres ganharam, com o tempo, fama de sem noção, histéricas e pegajosas. Se elas agem de um jeito bizarro porque realmente o mundo é muito louco -e, logo, às vezes as moças também surtam-, são tratadas como... doidas e malucas.
Enquanto escrevemos esta coluna, muitos homens, coitados, estão perdidos. E muitas mulheres estão sendo chamadas de malucas surtadas. E depois perguntam se a gente ainda tem motivos para ser um pouco feminista...
Revolución, chicas!
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