A leitura deste romance não me despertou maior interesse pela guerra colonial portuguesa tanto quanto por sua autora LIDIA JORGE. Sobre este romance já se disse tudo. Foi objeto de inúmeros trabalhos acadêmicos, além de haver sido adaptado para o cinema. A Costa dos Murmúrios é de 1988, mas não é o seu primeiro romance. A sua primeira obra foi O Dia dos Prodígios, uma alegoria ao que era Portugal sob o regime anterior à revolução de Abril de 1974. Depois deste, a sua rica produção literária vem sendo reconhecida, premiada e traduzida em diversas línguas. Os seus romances mantêm uma grande variedade temática, mas estão ligados sobretudo aos problemas do povo português, às circunstâncias históricas e mudanças da sociedade após o 25 de Abril, assim como à problemática da mulher. Um trecho da análise d' A Costa dos Murmúrios por Fernanda Massebeuf:
"Lídia Jorge pode ser considerada transgressora quando dá a palavra aos marginais da História Portuguesa, protagonizada por homens, e quando põe em causa a visão histórica tradicional da guerra colonial portuguesa na obra A Costa dos Murmúrios. O leitor vai tomar conhecimento da guerra a partir do olhar periférico e subalterno de uma mulher que não a viveu diretamente, mas que tem dela idéias bem específicas, p.80: pobres daqueles que, tendo vocação para imitarem alguém, nunca encontraram o modelo na vida. Hibridez, duplicidade, ambiguidade são inerentes ao relato que tenta desmisticar os fatos ocorridos em Moçambique.
A autora cofessa ser muito jovem na época em que se deparou pela primeira vez com a guerra, a morte e violência extremas e que tudo isso fez dela a mulher na qual se transformou"....
(a continuação clicando no título)
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