Com esta tão velha e tão nova crônica da Raquel de Queiroz penso haver encerrado as postagens deste ano. Que venha 2009!!!!
"Pergunta-me com muita seriedade uma moça jornalista qual é o meu maior desejo para o ano de 1950. E a resposta natural é dizer-lhe que desejo muita paz, prosperidade pública e particular para todos, saúde e dinheiro aqui em casa. Que mais há para dizer?
Mas a verdade, a verdade verdadeira que eu falar não posso, aquilo que representa o real desejo do meu coração, seria abrir os braços para o mundo, olhar para ele bem de frente e lhe dizer na cara: Te dana!
Sim, te dana, mundo velho. Ao planeta com todos os seus homens e bichos, ao continente, ao país, ao Estado, à cidade, à população, aos parentes, amigos e conhecidos: danem-se! Danem-se que eu não ligo, vou pra longe me esquecer de tudo, vou a Pasárgada ou a qualquer outro lugar, vou-me embora, mudo de nome e paradeiro, quero ver quem é que me acha.
Isso que eu queria. Chegar junto do homem que eu amo e dizer para ele: Te dana, meu bem! Dora em vante pode fazer o que entender, pode ir, pode voltar, pode pagar dançarinas, pode fazer serenatas, rolar de borco pelas calçadas, pode jogar futebol, entrar na linha de Quimbanda, pode amar e desamar, pode tudo, que eu não ligo!
Chegar junto ao respeitável público e comunicar-lhe: Danai-vos, respeitável público. Acabou-se a adulação, não me importo mais com as vossas reações, do que gostais e do que não gostais; nutro a maior indiferença pelos vossos apupos e os vossos aplausos e sou incapaz de estirar um dedo para acariciar os vossos sentimentos. Ide baixar noutro centro, respeitável público, e não amoleis o escriba que de vós se libertou!
Chegar junto da pátria e dizer o mesmo: o doce, o suavíssimo, o libérrimo te dana. Que me importo contigo, pátria? Que cresças ou aumentes, que sofras de inundação ou de seca, que vendas café ou compres ervilhas de lata, que simules eleições ou engulas golpes? Elege quem tu quiseres, o voto é teu, o lombo é teu. Queres de novo a espora e o chicote do peão gordo que se fez teu ginete? Ou queres o manhoso mineiro ou o paulista de olho fundo? Escolhe à vontade - que me importa o comandante se o navio não é meu? A casa é tua, serve-te, pátria, que pátria não tenho mais.
Dizer te dana ao dinheiro, ao bom nome, ao respeito, à amizade e ao amor. Desprezar parentela, irmãos, tios, primos e cunhados, desprezar o sangue e os laços afins, me sentir como filho de oco de pau, sem compromissos nem afetos.
Me deitar numa rede branca armada debaixo da jaqueira, ficar balançando devagar para espantar o calor, roer castanha de caju confeitada sem receio de engordar, e ouvir na vitrolinha portátil todos os discos de Noel Rosa, com Araci e Marília Batista. Depois abrir sobre o rosto o último romance policial de Agatha Christie e dormir docemente ao mormaço.
Mas não faço. Queria tanto, mas não faço. O inquieto coração que ama e se assusta e se acha responsável pelo céu e pela terra, o insolente coração não deixa. De que serve, pois, aspirar à liberdade? O miserável coração nasceu cativo e só no cativeiro pode viver. O que ele deseja é mesmo servidão e intranqüilidade: quer reverenciar, quer ajudar, quer vigiar, quer se romper todo. Tem que espreitar os desejos do amado, e lhe fazer as quatro vontades, e atormentá-lo com cuidados e bendizer os seus caprichos; e dessa submissão e cegueira tira a sua única felicidade.
Tem que cuidar do mundo e vigiar o mundo, e gritar os seus brados de alarme que ninguém escuta e chorar com antecedência as desgraças previsíveis e carpir junto com os demais as desgraças acontecidas; não que o mundo lhe agradeça nem saiba sequer que esse estúpido coração existe. Mas essa é a outra servidão do amor em que ele se compraz - o misterioso sentimento de fraternidade que não acha nenhuma China demasiado longe, nenhum negro demasiado negro, nenhum ente demasiado estranho para o seu lado sentir e gemer e se saber seu irmão.
E tem o pai morto e a mãe viva, tão poderosos ambos, cada um na sua solidão estranha, tão longe dos nossos braços.
E tem a pátria que é coisa que ninguém explica, e tem o Ceará, valha-me Nossa Senhora, tem o velho pedaço de chão sertanejo que é meu, pois meu pai o deixou para mim como o seu pai já lho deixara e várias gerações antes de nós, passaram assim de pai a filho.
E tem a casa feita pela nossa mão, toda caiada de branco e com janelas azuis, tem os cachorros e as roseiras.
E tem o sangue que é mais grosso que a água e ata laços que ninguém desata, e não adianta pensar nem dizer que o sangue não importa, porque importa mesmo. E tem os amigos que são os irmãos adotivos, tão amados uns quanto os outros.
E tem o respeitável público que há vinte anos nos atura e lê, e em geral entende e aceita, e escreve e pede providências e colabora no que pode. E tem que se ganhar o dinheiro, e tem que se pagar imposto para possuir a terra e a casa e os bichos e as plantas; e tem que se cumprir os horários, e aceitar o trabalho, e cuidar da comida e da cama. E há que se ter medo dos soldados, e respeito pela autoridade, e paciência em dia de eleição. Há que ter coragem para continuar vivendo, tem que se pensar no dia de amanhã, embora uma coisa obscura nos diga teimosamente lá dentro que o dia de amanhã, se a gente o deixasse em paz, se cuidaria sozinho, tal como o de ontem se cuidou.
E assim, em vez da bela liberdade, da solidão e da música, a triste alma tem mesmo é que se debater nos cuidados, vigiar e amar, e acompanhar medrosa e impotente a loucura geral, o suicídio geral. E adular o público e os amigos e mentir sempre que for preciso e jamais se dedicar a si própria e aos seus desejos secretos.
Prisão de sete portas, cada uma com sete fechaduras, trancadas com sete chaves, por que lutar contra as tuas grades?
O único desabafo é descobrir o mísero coração dentro do peito, sacudi-lo um pouco e botar na boca toda a amargura do cativeiro sem remédio, antes de o apostrofar: Te dana, coração, te dana!"
Rachel de Queiroz
dezembro de 1949.
Do livro:Um alpendre, uma rede, um açude.
dezembro 31, 2008
D E S B U N D E
Estou fechando 1968 sobre o qual muito se falou, aqui e alhures, com a última do Ruy Castro em que registra o início do desbunde...
Ligado no dane-se
À zero hora de 1969, todos os quartos do Solar da Fossa estavam iluminados. Havia 80 festas de Réveillon ardendo ao mesmo tempo. Em várias, a música que saudou o ano novo foi "Also Sprach Zarathustra", de Richard Strauss, famosa por "2001 - Uma Odisséia no Espaço", o filme do ano. O fornecedor da trilha sonora era eu, levando o LP de quarto em quarto e assuntando o universo feminino de cada um.
O Solar era um lindo casarão colonial em Botafogo, perto da igrejinha do Túnel Novo. No século 19, fora um convento. Mas, em 1968, seus moradores -aspirantes a artistas, poetas e jornalistas, como Gal Costa, Paulinho da Viola, Betty Faria, Itala Nandi, Paulo Leminsky, Maria Gladys- não eram muito religiosos. Nem Zé Kéti, o único já famoso.
Quase ninguém tinha televisão -não se perdia tempo assistindo-a. Toca-discos, sim, nem que fosse uma vitrolinha Sonata. No meu hit parade particular estavam "Vou te Contar (Wave)", com o Quarteto 004, e "Light My Fire", com José Feliciano. Para fins imorais, o Modern Jazz Quartet era perfeito -abafava o som ambiente e não perturbava os vizinhos.
Naquela última noite de 1968, o AI-5 ainda não completara três semanas. Vários amigos estavam presos; outros tinham se escondido e só então começavam a reaparecer. Que eu saiba, não ocorreu aos homens dar uma batida no Solar. Ainda bem -90% dos inquilinos eram inimigos do regime.
Mas, mesmo ali, 1969 seria outra história. Bertrand Russell ficaria out; Herman Hesse, in. Passeatas na avenida Rio Branco dariam lugar a idas a Arembepe, na Bahia. Peritos em coquetéis Molotov passariam a ferver cogumelos. Uma palavra tomou conta: desbunde. Surgia um mundo novo, irreconhecível e, bem ao contrário de 1968, ligado no dane-se e movido a cada um na sua.
Ligado no dane-se
À zero hora de 1969, todos os quartos do Solar da Fossa estavam iluminados. Havia 80 festas de Réveillon ardendo ao mesmo tempo. Em várias, a música que saudou o ano novo foi "Also Sprach Zarathustra", de Richard Strauss, famosa por "2001 - Uma Odisséia no Espaço", o filme do ano. O fornecedor da trilha sonora era eu, levando o LP de quarto em quarto e assuntando o universo feminino de cada um.
O Solar era um lindo casarão colonial em Botafogo, perto da igrejinha do Túnel Novo. No século 19, fora um convento. Mas, em 1968, seus moradores -aspirantes a artistas, poetas e jornalistas, como Gal Costa, Paulinho da Viola, Betty Faria, Itala Nandi, Paulo Leminsky, Maria Gladys- não eram muito religiosos. Nem Zé Kéti, o único já famoso.
Quase ninguém tinha televisão -não se perdia tempo assistindo-a. Toca-discos, sim, nem que fosse uma vitrolinha Sonata. No meu hit parade particular estavam "Vou te Contar (Wave)", com o Quarteto 004, e "Light My Fire", com José Feliciano. Para fins imorais, o Modern Jazz Quartet era perfeito -abafava o som ambiente e não perturbava os vizinhos.
Naquela última noite de 1968, o AI-5 ainda não completara três semanas. Vários amigos estavam presos; outros tinham se escondido e só então começavam a reaparecer. Que eu saiba, não ocorreu aos homens dar uma batida no Solar. Ainda bem -90% dos inquilinos eram inimigos do regime.
Mas, mesmo ali, 1969 seria outra história. Bertrand Russell ficaria out; Herman Hesse, in. Passeatas na avenida Rio Branco dariam lugar a idas a Arembepe, na Bahia. Peritos em coquetéis Molotov passariam a ferver cogumelos. Uma palavra tomou conta: desbunde. Surgia um mundo novo, irreconhecível e, bem ao contrário de 1968, ligado no dane-se e movido a cada um na sua.
dezembro 30, 2008
Fim de ano
Ninguém escapa de fazer um balanço do que foi o ano nem de fazer promessas que não serão cumpridas: emagrecer , ler mais, reencontrar velhos amigos, fazer longas caminhadas...
Nas revistas, as listas de sempre com os melhores disso e daquilo e as entediantes retrospectivas.
Nos e-mails, as repetidas mensagens de fé e otimismo para sobreviver ao próximo ano. Desta vez não responderei a nenhum. Os amigos serão poupados de mais clichês e lugares comuns traduzindo os óbvios votos de felicidade.
Mais uma vez tentarei, na contra mão (saber se é junto ou separado, se tem hífen é assunto para 2009), fazer com que a passagem de ano seja apenas um período a ser aproveitado para ir à praia, rever amigos, ganhar presentes, não ir à academia, comer e beber mais à vontade...
Prazeres da vida, assim simples. Sem o compromisso de vestir branco, assistir a queima de fogos, pular ondas ou comer lentilhas.
Quanto a se “desestressar” que parece ser a palavra de ordem, qualquer olhar realista sobre 2009 não se deixa iludir....
No momento, convencer as pessoas de que a noite de amanhã pode ser igual a de hoje é a grande dificuldade que será , felizmente, superada com a inevitável chegada do dia primeiro. Ufa!
Depois é ter paciência para a xaropada que prossegue até quando o carnaval também passar...
Coisas que acontecem cada vez mais como sempre.
Nas revistas, as listas de sempre com os melhores disso e daquilo e as entediantes retrospectivas.
Nos e-mails, as repetidas mensagens de fé e otimismo para sobreviver ao próximo ano. Desta vez não responderei a nenhum. Os amigos serão poupados de mais clichês e lugares comuns traduzindo os óbvios votos de felicidade.
Mais uma vez tentarei, na contra mão (saber se é junto ou separado, se tem hífen é assunto para 2009), fazer com que a passagem de ano seja apenas um período a ser aproveitado para ir à praia, rever amigos, ganhar presentes, não ir à academia, comer e beber mais à vontade...
Prazeres da vida, assim simples. Sem o compromisso de vestir branco, assistir a queima de fogos, pular ondas ou comer lentilhas.
Quanto a se “desestressar” que parece ser a palavra de ordem, qualquer olhar realista sobre 2009 não se deixa iludir....
No momento, convencer as pessoas de que a noite de amanhã pode ser igual a de hoje é a grande dificuldade que será , felizmente, superada com a inevitável chegada do dia primeiro. Ufa!
Depois é ter paciência para a xaropada que prossegue até quando o carnaval também passar...
Coisas que acontecem cada vez mais como sempre.
dezembro 29, 2008
D E U S
"...
A doença não implica necessariamente incapacidade. Pelo contrário, a desordem fisiológica pode abrir portas para percepções incomuns. As religiões antigas bem o sabem, com seus jejuns, poções "mágicas", mantras, orações intermináveis, música, vigílias no deserto e na solidão. Tudo visando estados alterados de consciência. Há uma dimensão da vida que está distante da banalidade cotidiana, e isso nada tem a ver com essa coisa barata chamada "espiritualidade quântica".
Tem gente que jura que Deus morreu. Tentativas de matar Deus foram feitas, e por gente muito capaz. Nietzsche tentou nos convencer que quem crê em Deus tem medo da vida. Ressentimento é a palavra. O horror cósmico faria de nós covardes. E mais: Deus nos tiraria o Eros, o desejo pela vida. Mas você pode ser um brocha diante da vida e ser ateu. Freud quis provar que crer em Deus revela o retardado assustado que vive no adulto. Mas Freud bem sabia que ateus e crentes retardados desfilam pelas ruas em busca dessa coisa superestimada chamada "felicidade". Marx jurou que ganham dinheiro com a fé em Deus. Mas se ganha dinheiro com tudo, amor, sexo, ódio, arte, basta dar sorte, enganar os outros ou trabalhar com afinco.
Infelizmente, há muita teologia que ajuda a matar Deus. Deus me livre da teologia de vanguarda. Se, na arte, a "vanguarda" serviu pra justificar quem não sabia pintar, escrever ou fazer filmes, na teologia, serviu para fazer de Jesus um personagem de novela das oito. Nada contra a teologia, ao contrário, julgo-a uma disciplina essencial para nos ensinar a ver o invisível. Mas, como disse Heine em relação aos teólogos de sua época, "só se é traído pelos seus".
Fernando Pessoa, em seu desassossego, diz que não aderiu ao culto da Humanidade, essa mania dos modernos, porque sendo ela, a humanidade, nada além do que uma espécie animal, adorá-la é adorar um conjunto de corpos humanos com cabeça de bicho. Portanto, uma reles forma de paganismo. Dizia o poeta que sendo Deus improvável, adorá-lo é sempre menos ridículo.
Outro grande escritor português disse recentemente que a Bíblia é um livro ruim e que não deve ser lido. Bobagens desse tipo, cheias de glamour, são repetidas ao sabor da ignorância comum. Mas devemos ter paciência com ele, afinal ninguém precisa entender de tudo.
Mesmo em pessoas inteligentes, Deus se mistura com todo tipo de trauma infantil ou raiva do pai ou da mãe ou do patrão.
Muita gente grande fica com cara de criança brava e mal amada quando se fala de Deus. No fundo é a velha carência humana gritando contra a indiferença cósmica se revelando em "crítica a Deus" e não em "fé em Deus", como diriam os nietzschianos de plantão. Outro erro comum: Deus faz os homens matarem. Mentira: matamos porque gostamos de matar. O século 20 provou de modo cansativo que Deus não é necessário para matarmos milhares de pessoas, basta uma "boa causa".
A teologia feminista diz que "a Deusa" existe para punir o patriarcalismo. A teologia bicha (Queer Theology) se pergunta: por que Jesus viveu entre rapazes, hein? Alguns latino-americanos vêem Nele um primeiro Che, hippies viam um primeiro Lennon, outros, um consultor de sucesso financeiro. Ufólogos espíritas dizem ser Ele um extraterrestre carinhoso.
Prefiro o cristianismo antigo (prefiro sempre as religiões velhas). Um Deus que sente dor e morre por amor a quem não merece é um maravilhoso escândalo ético. O Cristo antigo é um clássico. Melhor do que essas invenções da indústria teológica de vanguarda, feitas para o consumo moderno".
LUIZ FELIPE PONDÉ na FSP hoje
A doença não implica necessariamente incapacidade. Pelo contrário, a desordem fisiológica pode abrir portas para percepções incomuns. As religiões antigas bem o sabem, com seus jejuns, poções "mágicas", mantras, orações intermináveis, música, vigílias no deserto e na solidão. Tudo visando estados alterados de consciência. Há uma dimensão da vida que está distante da banalidade cotidiana, e isso nada tem a ver com essa coisa barata chamada "espiritualidade quântica".
Tem gente que jura que Deus morreu. Tentativas de matar Deus foram feitas, e por gente muito capaz. Nietzsche tentou nos convencer que quem crê em Deus tem medo da vida. Ressentimento é a palavra. O horror cósmico faria de nós covardes. E mais: Deus nos tiraria o Eros, o desejo pela vida. Mas você pode ser um brocha diante da vida e ser ateu. Freud quis provar que crer em Deus revela o retardado assustado que vive no adulto. Mas Freud bem sabia que ateus e crentes retardados desfilam pelas ruas em busca dessa coisa superestimada chamada "felicidade". Marx jurou que ganham dinheiro com a fé em Deus. Mas se ganha dinheiro com tudo, amor, sexo, ódio, arte, basta dar sorte, enganar os outros ou trabalhar com afinco.
Infelizmente, há muita teologia que ajuda a matar Deus. Deus me livre da teologia de vanguarda. Se, na arte, a "vanguarda" serviu pra justificar quem não sabia pintar, escrever ou fazer filmes, na teologia, serviu para fazer de Jesus um personagem de novela das oito. Nada contra a teologia, ao contrário, julgo-a uma disciplina essencial para nos ensinar a ver o invisível. Mas, como disse Heine em relação aos teólogos de sua época, "só se é traído pelos seus".
Fernando Pessoa, em seu desassossego, diz que não aderiu ao culto da Humanidade, essa mania dos modernos, porque sendo ela, a humanidade, nada além do que uma espécie animal, adorá-la é adorar um conjunto de corpos humanos com cabeça de bicho. Portanto, uma reles forma de paganismo. Dizia o poeta que sendo Deus improvável, adorá-lo é sempre menos ridículo.
Outro grande escritor português disse recentemente que a Bíblia é um livro ruim e que não deve ser lido. Bobagens desse tipo, cheias de glamour, são repetidas ao sabor da ignorância comum. Mas devemos ter paciência com ele, afinal ninguém precisa entender de tudo.
Mesmo em pessoas inteligentes, Deus se mistura com todo tipo de trauma infantil ou raiva do pai ou da mãe ou do patrão.
Muita gente grande fica com cara de criança brava e mal amada quando se fala de Deus. No fundo é a velha carência humana gritando contra a indiferença cósmica se revelando em "crítica a Deus" e não em "fé em Deus", como diriam os nietzschianos de plantão. Outro erro comum: Deus faz os homens matarem. Mentira: matamos porque gostamos de matar. O século 20 provou de modo cansativo que Deus não é necessário para matarmos milhares de pessoas, basta uma "boa causa".
A teologia feminista diz que "a Deusa" existe para punir o patriarcalismo. A teologia bicha (Queer Theology) se pergunta: por que Jesus viveu entre rapazes, hein? Alguns latino-americanos vêem Nele um primeiro Che, hippies viam um primeiro Lennon, outros, um consultor de sucesso financeiro. Ufólogos espíritas dizem ser Ele um extraterrestre carinhoso.
Prefiro o cristianismo antigo (prefiro sempre as religiões velhas). Um Deus que sente dor e morre por amor a quem não merece é um maravilhoso escândalo ético. O Cristo antigo é um clássico. Melhor do que essas invenções da indústria teológica de vanguarda, feitas para o consumo moderno".
LUIZ FELIPE PONDÉ na FSP hoje
dezembro 28, 2008
Meus pés
dezembro 26, 2008
O "alemão" na área...
Três velhinhas estavam reunidas para um chá da tarde, quando a primeira falou: - Puxa, acho que estou ficando esclerosada. Ontem, me peguei com a vassoura na mão e não me lembrava se já tinha varrido a casa ou não.
- Isso não é nada - diz a segunda. Outro dia eu me vi de pé, ao lado da cama, de camisola, e não sabia se tinha acabado de acordar ou estava me preparando para dormir.
- Cruz credo! fez a terceira. Deus me livre ficar assim! Isola!
E deu três batidinhas na mesa: toc-toc-toc.
Olhou para a cara das outras e emendou:
- Esperem um pouco que eu já volto! Tem gente batendo na porta!
D U R A R
Fui presenteda pelo Artur Brito com A Vida Humana do A.Comte-SPONVILLE. O livro retrata doze etapas da vida humana ilustradas cada uma delas pelos desenhos de Sylvie Thybert que vem a ser a sua mulher. Do capítulo X (fls 86) colhi este trecho de um tema que tem me ocupado o pensamento com uma certa frequência ...
"...Durar? É estar no tempo,mas na continuidade do tempo. É ter um passado que cresce. É ter cada vez menos futuro.É levar a peito o presente, em vez de ser levado por ele como uma criança. É levar a peito a própria morte. É amadurecer, caso se consiga. É envelhecer, pois é preciso. É continuar vivendo, lutando, agindo, amando. É superar a fadiga, o tédio, o desgosto, o pavor, o horror.E de quanta coragem precisamos apesar de tudo! Banalidade de tudo, exceto do pior. Fastio de tudo, exceto do melhor.Isso não impede a felicidade, aquela de que continuamos capazes, ou de que nos tornamos capazes (bem mais, para alguns, do que 20 anos antes). Isso não impede a doçura, a alegria, a curiosidade, a emoção, o afeto e o desejo. Não impede, às vezes, alguma descoberta ou ruptura, algum remanejamento ou reviravolta ...
....
No entanto, sentimos claramente que o essencial já aconteceu, que é inútil esperar por ele, que, no melhor dos casos, ele pode apenas continuar ..."
dezembro 25, 2008
Ótima notícia!

Dos 12 feriados de 2009 , dois serão na terça, dois na quinta, quatro na segunda e dois na sexta.
Não se preocupe com o que você vai ouvir sobre os efeitos nefastos na economia e outros blas, blas, blas. Além de não serem verdadeiros ( há sempre os que ganham com turismo e lazer), não cabe a você solucionar os problemas do mundo! Portanto, “enforque” , “ emende” , “ imprense” os que puder. Nem que seja para ficar em casa fazendo uma "sessão desapego", enquanto arruma seus armários ou lendo aqueles livros que estão se empilhando desde o ano passado. Se estiver bem de grana, comece a planejar aquelas viagens curtas que vinham sendo adiadas ou vá mais longe, saindo ou chegando num dos “feriadões” para “esticar” as suas preciosas férias.
Não fique pensando que isto é mais uma das “coisas de brasileiros”.
Na França, por exemplo, só no mês de maio serão tres os feriados.
Voilá!
A salvação da humanidade
Ontem jurei para mim mesma que não postaria a respeito da declaração do Papa noticiada pela BBC. No entanto, comentar com uma amiga enquanto arrumávamos a cozinha após a ceia, não foi suficiente para me aquietar e conter.
Vejam até onde vai e talvez me darão razão.
"...salvar a humanidade do comportamento homossexual ou transexual é tão importante quanto salvar as florestas da destruição”. Esta questão de “ecologia do homem” foi a tônica do discurso que fez para os funcionários do Vaticano.
“As florestas tropicais merecem a nossa proteção. Mas o homem, como criatura, não merece nada menos (do que isso)”,
Segundo ele, tornar menos clara a distinção entre masculino e feminino pode levar à “destruição da raça humana” (a teoria de eliminação dos gêneros é defendida como chave para a tolerância).
É de deixar católicos envergonhados e a mim de juramento quebrado...
Vejam até onde vai e talvez me darão razão.
"...salvar a humanidade do comportamento homossexual ou transexual é tão importante quanto salvar as florestas da destruição”. Esta questão de “ecologia do homem” foi a tônica do discurso que fez para os funcionários do Vaticano.
“As florestas tropicais merecem a nossa proteção. Mas o homem, como criatura, não merece nada menos (do que isso)”,
Segundo ele, tornar menos clara a distinção entre masculino e feminino pode levar à “destruição da raça humana” (a teoria de eliminação dos gêneros é defendida como chave para a tolerância).
É de deixar católicos envergonhados e a mim de juramento quebrado...
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