dezembro 22, 2008
Nelson Gonçalves
Andava esquecida dele.Escutava muito suas músicas na minha infância...
A Rádio Iracema tinha um amplificador para a praça 5 de julho e se ouvia da cozinha da casa da minha avó...Ela gostava de cantar enquanto trabalhava e cantava as suas músicas, acompanhando o som da rádio.
Obrigada AMNF pela boa lembrança que esta música me proporcionou!
M I M O S e compensações
Tem amigos que nos mimam a um ponto que não devia...Ganhei xocoas maravilhosos (de té verde, de tiramisu) e foi impossível não sofrer os efeitos secundários anunciados (necessidad de repetir e tendencia a no compartir). Ainda que tenha deixado de ser um dos vilões da saúde, por ser rico em flavonóides, combater radicais livres,etc., chocolate tem um alto valor calórico. Tenho que tentar pegar mais leve nos que ainda restam (quase um metro) e resistir bravamente aos caramelos artesanais...
Como expressão de minha reconhecida auto-condescendência, estou no momento convencida de que gula não é um pecado. Só uma compensação passageira ?!. As estatísticas não dizem que os canadenses preferem chocolate ao sexo? Não que eu tenha esta ou aquela preferência, mas está difícil resistir...
O Suplício do Papai Noel

Li na FSP que acaba de ser publicado um ensaio inédito do antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, um dos maiores pensadores do século 20, sobre o significado de Papai Noel e do Natal.
"O Suplício do Papai Noel" é de 1952 e nele Papai Noel surge , em notícia de jornal, com as barbas e o resto do corpo queimados. A Igreja Católica francesa, pouco depois do final da Segunda Guerra, incomodada com o crescimento em importância desta figura ao mesmo tempo pagã e norte-americana, andou promovendo umas cerimônias curiosas, em que ateava fogo ao barbudo, dentro de igrejas e diante de criancinhas órfãs."
Fiquei perplexa! Isto se dava quando pouco tempo fazia que os americanos (aliados a ingleses e canadenses)haviam libertado a França da ocupação alemã. Que eles se comportem hoje como se abominassem os ícones da cultura americana (cocacola,fast foods, por ex) até tenho boa vontade para entender, embora considere tal comportamento, em algumas situações, injurioso (como quando se recusam a falar ingles com os turistas). Fico pensando em que medida atitudes como esta foram contribuindo para gerar no imaginário frances a falsa idéia de que quem libertou o País foi o De Gaulle...
A igreja não costuma errar ao atribuir valores significativos a manifestações sociais, felizmente que nem sempre tem êxito. Papai Noel que o diga.
Daqui um tempo estaremos lendo sobre a sua vã tentativa de interferir na cama das pessoas (com quem deitam e como gozam).
Quanto aos franceses, passaram a festejar, não faz tempo, o halloween . Apresentam uma versão de que a "tradição" entre eles, teria origem nos celtas para não assumir que copiam os americanos.
Voltando ao ensaio:
"Observemos os ternos cuidados que temos com Papai Noel, as precauções e os sacrifícios que aceitamos para manter seu prestígio intocado junto às crianças. Não será porque, lá no fundo de nós, ainda persiste a vontade de acreditar, por pouco que seja, numa generosidade irrestrita, numa gentileza desinteressada, num breve instante em que se suspende qualquer receio, qualquer inveja, qualquer amargura?
Não surpreende, pois, que o Natal e o Ano Novo (seu duplo) sejam festas de presentes: a festa dos mortos é, na essência, a festa dos outros, visto que o fato de ser outro é a primeira imagem aproximada que podemos construir a respeito da morte ."
trechos extraídos de "O Suplício do Papai Noel"
O sentido marginal
O olfato foi posto em segundo plano pelo homem civilizado que, só recentemente, começou a farejar pistas sobre a importância dos cheiros.
A idéia de "roubar" perfumes da natureza surgiu do incômodo do homem com os cheiros de seu próprio corpo e dos subprodutos das atividades humanas – lixo, fezes, roupas impregnadas de suor.
"Enquanto o fedor do mundo pré-esgoto era um lembrete constante das necessidades mundanas do homem, as fragrâncias representavam um poderoso elo com o esotérico. Cheiros podiam seduzir amantes, curar os doentes e – o mais importante – ligar o humano ao divino",
Os odores do mundo têm muito a nos dizer. Perdemos a capacidade de entender essa linguagem, pelo menos no nível da consciência. Inconscientemente, cheiros podem despertar emoções ou ressuscitar lembranças perdidas – e, segundo alguns pesquisadores, substâncias que exalamos e inalamos determinam a afinidade entre parceiros sexuais. Já ouviu aquela conversa de que "rolou uma química"?
É exatamente isso.
Sobre "porque cheiramos" e o "negócio perfumado" e bem embalado!!! clicando no título.
Atualizando o texto: O livro nele mencionado de Chandler Burr já foi lançado no Brasil com o título "O Imperador do Olfato: Uma História de Perfume e Obsessão"
dezembro 21, 2008
V E R Ã O
"...Chegou o verão, e há o que sempre houve: casais que estremecem, confusões conjugais e extra, ansiedade esparsa, caju e abacaxi, viagens bruscas, suaves delírios, telefonemas esquisitos, noitadas vãs. Tudo isso é o verão, e o verão é a verdade do sol. Queimam-se as mulheres. Umas se fazem cor de cobre, outras se doiram, em outras repontam discretamente sardas ao longo do corpo, como estrelas ao crepúsculo. Reparem bem esta comparação: é obviamente ruim mas é tipicamente de verão, e o verão em si não é mau, nem bom. É a nossa profunda, verdadeira verdade."
Rubem Braga
Rubem Braga
dezembro 20, 2008
Ainda o frescobol...
Faz umas duas semanas que na postagem “frescobol” citei uma frase do Rubem Alves, colhida sabedeus onde:“Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...”. Falava do que iria ser nossa boa conversa, uma vez que não tinha como jogar frescobol com meu amigo com quem ia à praia.
Anoto frases de vez em quando, sem me importar com o contexto em que foi dita e/ou escrita. Pinço o pensamento, a idéia que tanto pode estar num poema, ser parte de uma letra de música, ou mesmo um aforismo. Algumas com o tempo são descartadas, perdem a substância ou o significado. Não sou organizada ao ponto de fazer “coleção”. Nunca consegui colecionar senão fotografias (de beijos, em preto e branco). Durante um tempo estiveram expostas, quando cansei delas guardei.
Das frases, às vezes me perco para depois reencontrá-las, meio a esmo, em capas de talões de cheque, bulas de remédios ou guardanapos amarfanhados, guardadas na caixa dos óculos ou dos remédios, nos lugares mais impensáveis e profanos. Não anoto nada, nunca mesmo, em livros. Livro é sagrado! Não sei de onde tirei esta mística. (Dias atrás, um amigo que tenho em muito “boa conta” me confessou que já arrancou páginas de um livro de uma biblioteca. Fiquei dias com esta estória na cabeça...)
Assim soltas, as frases ficam pairando na minha cabeça. Tem as que teimam em se incorporar, como se passassem a ser minhas. Ao pretender usá-las me vejo às voltas com o problema da autoria que pesquiso às vezes sem êxito. Estas são mantidas comigo, para consumo próprio, imprestáveis que são para uso público.
A citação do Rubem Alves que mencionei (“conversar é ficar batendo sonho...”) foi retirada não sabia de qual (con)texto. Ontem, visitando, pela primeira vez, a sua “casa virtual” encontrei o texto abaixo :
“Prosear é um jeito de falar. Fala sem objetivo definido, como o vôo dos urubus - indo ao sabor do vento. Palavras fluindo. Um jeito taoísta de ser. Para prosa não existe 'ordem do dia', não há conclusões, não há decisões. A prosa não quer chegar a nenhum lugar. A prosa encontra sua felicidade em prosear. Como andar de barco a vela em que o bom não é chegar mas o 'estar indo'. 'A coisa não está nem na partida nem na chegada, mas na travessia', Guimarães Rosa. Prosear é brincar com as palavras. Escrevi uma crônica com o título Tênis x Frescobol, sobre dois tipos de fala. Fala do tipo Tênis tem um objetivo preciso: reduzir o outro ao silêncio por meio de uma cortada. Ter razão. Ganhar o argumento. Convencer. Sempre termina mal. Um ganha, fica feliz e se sentindo superior. O outro perde, fica com raiva e se sentindo inferior. Frescobol é diferente. A felicidade do jogo está em estar acontecendo, em não parar, vai, vem, vai, vem, vai, vem, como numa transa indiana, sem orgasmo, feita de um prazer permanente que não acaba. O orgasmo na transa, como a cortada no tênis, são o fim do brinquedo. Saber prosear, jogar conversa fora, é o segredo das relações amorosas. Nietzsche dizia que quando se vai casar a única pergunta importante a se fazer é 'terei prazer em conversar com essa pessoa quando eu for velho?' Nessa sala estaremos proseando. Falar sobre o que der na telha. Pensamentos avulsos. Dicas. Informações sobre as coisas novas na minha casa. Apareça sempre para prosear!
Sabe quando se tem a sensação de “déja lu” ?
Talvez a frase que me inspirou tenha saído da tal crônica.
Agora não dá, mas qualquer hora vou conferir. Outra razão para isto é que , um amigo (que não quis comentar a postagem), me enviou email dizendo que o “ ir e vir , ir e vir” do frescobol era sugestivo de sexo.
Será que ele também tinha lido o Rubem Alves?
É outra coisa que tenho para saber, mas só quando voltar da praia.
PS:Vivo afirmando que me casei uma última vez pensando que íamos ter sempre o que conversar. E agora fico sabendo que era uma recomendação do Nietzsche! O que ele não sabia era que só isso não basta.
Anoto frases de vez em quando, sem me importar com o contexto em que foi dita e/ou escrita. Pinço o pensamento, a idéia que tanto pode estar num poema, ser parte de uma letra de música, ou mesmo um aforismo. Algumas com o tempo são descartadas, perdem a substância ou o significado. Não sou organizada ao ponto de fazer “coleção”. Nunca consegui colecionar senão fotografias (de beijos, em preto e branco). Durante um tempo estiveram expostas, quando cansei delas guardei.
Das frases, às vezes me perco para depois reencontrá-las, meio a esmo, em capas de talões de cheque, bulas de remédios ou guardanapos amarfanhados, guardadas na caixa dos óculos ou dos remédios, nos lugares mais impensáveis e profanos. Não anoto nada, nunca mesmo, em livros. Livro é sagrado! Não sei de onde tirei esta mística. (Dias atrás, um amigo que tenho em muito “boa conta” me confessou que já arrancou páginas de um livro de uma biblioteca. Fiquei dias com esta estória na cabeça...)
Assim soltas, as frases ficam pairando na minha cabeça. Tem as que teimam em se incorporar, como se passassem a ser minhas. Ao pretender usá-las me vejo às voltas com o problema da autoria que pesquiso às vezes sem êxito. Estas são mantidas comigo, para consumo próprio, imprestáveis que são para uso público.
A citação do Rubem Alves que mencionei (“conversar é ficar batendo sonho...”) foi retirada não sabia de qual (con)texto. Ontem, visitando, pela primeira vez, a sua “casa virtual” encontrei o texto abaixo :
“Prosear é um jeito de falar. Fala sem objetivo definido, como o vôo dos urubus - indo ao sabor do vento. Palavras fluindo. Um jeito taoísta de ser. Para prosa não existe 'ordem do dia', não há conclusões, não há decisões. A prosa não quer chegar a nenhum lugar. A prosa encontra sua felicidade em prosear. Como andar de barco a vela em que o bom não é chegar mas o 'estar indo'. 'A coisa não está nem na partida nem na chegada, mas na travessia', Guimarães Rosa. Prosear é brincar com as palavras. Escrevi uma crônica com o título Tênis x Frescobol, sobre dois tipos de fala. Fala do tipo Tênis tem um objetivo preciso: reduzir o outro ao silêncio por meio de uma cortada. Ter razão. Ganhar o argumento. Convencer. Sempre termina mal. Um ganha, fica feliz e se sentindo superior. O outro perde, fica com raiva e se sentindo inferior. Frescobol é diferente. A felicidade do jogo está em estar acontecendo, em não parar, vai, vem, vai, vem, vai, vem, como numa transa indiana, sem orgasmo, feita de um prazer permanente que não acaba. O orgasmo na transa, como a cortada no tênis, são o fim do brinquedo. Saber prosear, jogar conversa fora, é o segredo das relações amorosas. Nietzsche dizia que quando se vai casar a única pergunta importante a se fazer é 'terei prazer em conversar com essa pessoa quando eu for velho?' Nessa sala estaremos proseando. Falar sobre o que der na telha. Pensamentos avulsos. Dicas. Informações sobre as coisas novas na minha casa. Apareça sempre para prosear!
Sabe quando se tem a sensação de “déja lu” ?
Talvez a frase que me inspirou tenha saído da tal crônica.
Agora não dá, mas qualquer hora vou conferir. Outra razão para isto é que , um amigo (que não quis comentar a postagem), me enviou email dizendo que o “ ir e vir , ir e vir” do frescobol era sugestivo de sexo.
Será que ele também tinha lido o Rubem Alves?
É outra coisa que tenho para saber, mas só quando voltar da praia.
PS:Vivo afirmando que me casei uma última vez pensando que íamos ter sempre o que conversar. E agora fico sabendo que era uma recomendação do Nietzsche! O que ele não sabia era que só isso não basta.
dezembro 19, 2008
E X A G E R A D A
Carla Bruni - Nobody knows you when you're down and out
...
Tenho olhado para dentro de mim com uma freqüência e intensidade que não acontecia enquanto a vida acontecia...
Fico tentando descobrir, diante das reduzidas possibilidades, o que realmente ainda pode me trazer a tal da felicidade e o quanto de mim está disposto a manter a intensidade que tanto me define.
Não devia, mas acho que continuo a mesma:“ exagerada.” Adoro um amor inventado e impossível ... “Até nas coisas mais banais , Pra mim é tudo ou nunca mais”, como cantava o Cazuza.
Viver tem que ser intenso, tenho sempre que ir muito fundo. Mergulhando na emoção é que tudo faz sentido, arde, incendeia , alegra, machuca e cura.
Amar tem que ser como se fosse eterno, gostar como se fosse amor. Desrespeitar limites, ficar enorme, poderosa e ínfima, deixar-me levar pelo instinto... Consciente e contraditória, incoerente e incontida. Querer desistir, quase morrer, sofrer como se fosse o fim e em seguida levantar pronta para o próximo tombo. Ou salto ! Os que não resistem à uma grande onda, ressurgem inteiros, quando ela recua e desaparece...Assim sou eu.
Ainda não aprendi o outro jeito mais contido de viver. Aquela tranqüilidade (morna) que pode até ter as suas felicidades, para mim seria mais tédio do que prazer.
Continuo exagerada, deliciosamente exagerada....
NATAL: tempo de brincar com a caixa
"O TEMPO atual é de crise. A incerteza quanto ao futuro pesa sobre os ombros de todos com a ameaça de menor atividade econômica e desemprego. Mas o tempo é também de festa, uma festa cristã há muito associada a dar e receber presentes: o Natal. Podemos, portanto, usar a oportunidade da atual crise para repensar o papel do Natal, uma festa que passou a ser uma celebração do consumo, muitas vezes de excessos e desperdícios.Esta talvez seja uma hora propícia para considerar como seria um Natal, uma festa em família ou entre amigos em que os desejos de consumo ficassem em segundo plano. Uma boa hora para refletir como seria o encontro com as pessoas que amamos se não houvesse a intermediação dos objetos, das coisas, dos presentes materiais. Refletir sobre o desafio de usar a imaginação e a criatividade para criar momentos felizes tendo como principais valores a simplicidade, os sentimentos e a descoberta do que é realmente importante na vida. Aliás, como fazem as crianças, especialmente as muito pequenas. Ao ganharem um brinquedo, divertem-se muito mais brincando com a caixa do que com o próprio brinquedo. Que tal se você parasse para pensar em qual seria "a caixa" de seu Natal? Algo de valor simbólico que lhe fizesse lembrar deste Natal como uma festa especial, guardada para sempre em sua memória.Lembro-me de um Natal com meus pais em que pedi a cada um dos membros da família que trouxesse um texto para ler na ceia, um texto próprio ou escrito por um terceiro, e que tivesse um significado especial. Nunca me esqueci daquele Natal, dos textos emocionados que cada um trouxe e que se tornaram a atração principal, muito mais do que os presentes. Lembro-me dos textos. Não lembro quais foram os presentes.
Os presentes têm o papel de traduzir o afeto que sentimos pelos outros.
Por isso mesmo, na hora de presentear, por que não pensar em algo que de fato reflita o que sentimos pelo outro? Em vez de recorrer aos produtos padronizados disponíveis nos shoppings, por que não pensar em presentear a quem amamos com algo feito por nós mesmos? Ou com algo que mostre que pensamos naquela pessoa de um modo especial?
Tenho um amigo, por exemplo, que gosta muito de goiabada com queijo.
Tenho certeza de que se eu o convidasse para uma ceia de Natal em que houvesse uma boa goiabada com um ótimo queijo minas ele jamais esqueceria esse fato, pensado com carinho exclusivamente para ele. Será que o que vale ser vivido não é aquilo que será lembrado?
Talvez possamos, neste Natal, iniciar uma nova forma de pensar o consumo, a forma que deverá ser a predominante no futuro, em que substituiremos, cada vez mais, o consumo material pelo consumo imaterial, intangível, simbólico.
Uma mudança necessária, dado que, já hoje, a humanidade consome 30% a mais do que o planeta é capaz de renovar.
O mundo só será sustentável no momento em que repensarmos o estilo de vida atual, com excesso de consumo, que usa recursos naturais finitos como se infinitos fossem.
É preciso iniciar um novo tempo, com novos Natais, em que iremos presentear as pessoas não com objetos, mas com experiências: um bilhete de ônibus para um passeio ao centro da cidade, um ingresso para uma bela exposição em um museu, um texto que nos emocionou, uma palavra sincera de carinho pensada especialmente para cada pessoa. Natais em que o único consumo exagerado será o de coisas que, como por milagre, quanto mais consumimos, mais se multiplicam: amor, beleza, alegria, carinho e amizade.
Dessa forma, o presente para o outro se transforma em presente para nós mesmos, pela alegria de nos expressarmos e de compartilharmos nosso carinho e querer bem.
O Natal, assim, celebraria de fato o nascimento de algo novo, de uma nova proposta para a vida.
E não é esse, afinal, o verdadeiro significado do Natal?"
--------------------------------------------------------------------------------
HELIO MATTAR, na FSP de hoje
dezembro 18, 2008
Django Reinhardt - New York City Festival - Dark Eyes - Nov. 10, 2005
Personnel: Dorado Schmitt, Angelo Debarre, Ludovic Beier, Pierre Blanchard, Brian Torff, Samson Schmitt, Gordon Lane, Lew Tabackin, Roger Kellaway, David Langlois
R E F L E X O L O G I A
Houve um tempo em que fiz atividade física no SESC, quando tive uma "professora" que desenvolvia o seu trabalho a partir dos pés. Não sabia se tinha nome o que ela fazia , se era uma técnica ou era daquele jeito por ela ser japonesa. Não tinha tempo para me informar ou não dava importância. Mas fazia e me sentia bem.
Passado tanto tempo,lendo sobre reflexologia (no caderno equilíbrio da FSP) me dou conta de que o que ela fazia era alguma coisa próxima a isto. Ela nos orientava no sentido de conhecer o que eu chamava de "mapa do pé". Na nossa atividade, o "aquecimento" consistia em massagear os pés rolando-os sobre pequenas varas de bambu e descobrindo o que se sentia em cada parte do pé que tinha o seu correspondente reflexo no corpo.
Se alguns pontos doiam, deveria ser interpretado como sinal de que algo não estava bem naquela região. Algumas pessoas não conseguiam passar o pé no bambu diziam parecer que nele haviam espinhos.
Prosseguíamos deitadas com aqueles macarrões de isopô (usados por crianças na natação) cortados em banda e dispostos em paralelo ao longo da coluna para ser massageada. Ainda deitadas, substituíamos os isopôs por bolas de tenis em cada lado das costas para massageá-la. E assim íamos nos auto-massageando até concluirmos massageando nossos próprios pés.
Naquele tempo para fazer uma atividade como esta, ou qualquer outra que apaziguasse o peso na consciência por "não fazer nada por mim", siginificava chegar correndo e sair voando...Não me ocorria que seria mais prático e direto ser massageada por outra pessoa. Mas era um tempo em que, para mim, contatos como estes seriam muito penosos...Com a Sueli (era este seu nome) eu podia entrar muda e sair calada. Apenas sorrir para ela, de vez em quando.
Hoje em dia, sou massageada, duas vezes na semana por uma moça alegre e tagarela. Sou toda ouvidos para o que ela me conta sobre o que se passa na TV, na cidade e no mundo. Ela sabe tudo, sem sair daquela salinha...
Segundo a reflexologia, "o pé reflete órgãos e estruturas do corpo, e a massagem nessa região estimula e equilibra as funções orgânicas".
As regras de como fazer uma massagem para se beneficiar dos princípios da reflexologia, de acordo com o prof.Henrique Cirilo (da Universidade Anhembi Morumbi) são:
1-Comece com um escalda-pés, deixando os pés em água quente por cerca de dez minutos
2-Enxugue o pé e aplique um creme hidratante para facilitar o deslizamento das mãos. Massageie toda a extensão da planta e do peito do pé
3-Ao encontrar um ponto mais dolorido, faça uma pressão com o dedão e massageie em forma de círculos, até sentir a tensão dissolver
4-Massageie a lateral interna do pé com movimentos de vai-e-vem. Isso ajuda a aliviar dores de coluna
5-Massageie cada um dos dedos para aliviar dores de cabeça e pescoço

PONTOS DA SOLA DO PÉ
1 - Cabeça e pescoço
2 - Órgãos dos sentidos
3 - Tireóide e paratireóide
4 - Pulmão e diafragma
5 - Nervos
6 - Intestino grosso
7 - Vias urinárias
8 - Área gastrointestinal
9 - Área pélvica
10 - Nervo ciático
Hoje é dia! Fui...
dezembro 17, 2008
Sempre o trânsito...lá como aqui.
Campanha "Mudemos de conduta. Compartilhemos Paris" traz estas fotos de acidentes em frente a grandes monumentos para sensibilizar sobre os riscos de agir com imprudência no trânsito.
Dos quase 8 mil feridos em acidentes de trânsito até outubro deste ano, 1,6 mil são pedestres. O número fica atrás apenas da quantidade de motociclistas feridos.
Apesar do grande aumento do número de ciclistas - devido ao sistema de aluguel de bicicletas públicas implantado no ano passado -, o número de vítimas fatais entre eles permaneceu estável e o de feridos, entre leves e graves, até diminuiu este ano.
É provável que a inusitada associação de imagens dos lugares simbólicos da cidade à ocorrências desta natureza garanta o sucesso da campanha.
Dos quase 8 mil feridos em acidentes de trânsito até outubro deste ano, 1,6 mil são pedestres. O número fica atrás apenas da quantidade de motociclistas feridos.
Apesar do grande aumento do número de ciclistas - devido ao sistema de aluguel de bicicletas públicas implantado no ano passado -, o número de vítimas fatais entre eles permaneceu estável e o de feridos, entre leves e graves, até diminuiu este ano.
É provável que a inusitada associação de imagens dos lugares simbólicos da cidade à ocorrências desta natureza garanta o sucesso da campanha.
AUSÊNCIA
Eu deixarei que morra em mim o desejo
de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa
como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque
em meu ser está tudo terminado.
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como uma nódoa do passado.
Eu deixarei ... tu irás e encostarás
a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei a minha face
na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos
da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência
do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só
como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém
porque poderei partir
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.
(Vinicius de Moraes)
Como disse o Mário Quintana "Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente ... e não a gente a ele!"
Eu deixarei que morra em mim o desejo
de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa
como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque
em meu ser está tudo terminado.
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como uma nódoa do passado.
Eu deixarei ... tu irás e encostarás
a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei a minha face
na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos
da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência
do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só
como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém
porque poderei partir
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.
(Vinicius de Moraes)
Como disse o Mário Quintana "Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente ... e não a gente a ele!"
dezembro 16, 2008
Millôr Fernandes

O tradutor, escritor, desenhista e humorista Millôr Fernandes reivindica a invenção do frescobol ("la pelote basque sans fronton", pelota basca sem paredão) acha que a tecnologia franqueou a escrita a gente sem talento e esnoba a ABL, numa entrevista à BRAVO!!! deste mes. Deliciosa! Para acessar clique no título desta postagem.
Millôr Fernandes, o grande filósofo brasileiro (na definição do jornalista Sérgio Augusto), vai completar 85 anos no dia 27 de maio de 2009. Esta é a versão oficial. Na verdade, nascido no subúrbio carioca do Méier em 16 de agosto de 1923, Milton Viola Fernandes já passou dessa idade. Foi registrado com quase um ano de atraso pelo pai, o engenheiro espanhol Francisco Fernandes, e sua certidão de nascimento merece respeito. É o mesmo documento que, numa bem-vinda combinação entre a caligrafia torta do escrivão e uma decisão tomada por ele mesmo no fim da adolescência, transformou Milton em Millôr.
Qualquer que seja a idade, o ano que vem será de festa. Não para o próprio Millôr, que continua trabalhando todo dia em seu estúdio numa cobertura do bairro de Ipanema, perto da praia, onde cria suas colunas para a revista Veja. Foi na militância diária do profissionalismo que, órfão muito cedo de pai e mãe, esse autodidata radical construiu desde o início dos anos 40 — "há 250 anos", como ele diz — sua obra fabulosa de escritor, humorista, desenhista, artista plástico, dramaturgo, tradutor e mais um número indefinido de títulos menos vistosos, entre eles o de inventor do frescobol. Não adianta lhe pedir que mude a esta altura. Aliás, Millôr se arrepia quando ouve falar de obra: "Obra é com o pedreiro".
Tango ao masculino
Quem disse que homem não dança com homem?
Enrique y Guillermo de Fazio dançam lindamente!
Assinar:
Postagens (Atom)






