novembro 22, 2008

" Poesia é voar fora da asa"

Este é um trecho do Livro das Ignorãças de Manoel de Barros.

Uma didática da invenção
Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca
b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre dois jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre dois lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que emudece primeiro
etc
etc
etc
Desaprender oito horas por dia ensina os princípios.
II
Desinventar objetos. O pente, por exemplo. Dar ao
pente funções de não pentear.Até que ele fique à
disposição de ser uma begônia. Ou uma gravanha.

Usar algumas palavras que ainda não tenham idioma.
III
Repetir e repetir - até ficar diferente.
Repetir é um dom do estilo.
IV
No Tratado das Grandezas do Ínfimo estava escrito:
Poesia é quando a tarde está competente para dálias.
É quando
Ao lado de um pardal o dia dorme antes.
Quando o homem faz sua primeira lagartixa.
É quando um trevo assume a noite
E um sapo engole as auroras.
V
Formigas carregadeiras entram em casa de bunda.
VI
As coisas que não têm nome são mais pronunciadas
por crianças.
VII
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a vos de fazer
nascimentos -
O verbo tem que pegar delírio.
VIII
Um girassol se apropriou de Deus: foi em Van Gogh.
......

Fico por aqui já que o espaço não comporta tanto quanto eu gostaria, que seria além deste: Retrato do artista quando coisa, Tratado geral das grandezas do ínfimo, Livro sobre nada e a Gramática Expositiva do Chão. Se não resistir voltarei com outras...
"Ocupo muito de mim com o meu desconhecer".

As fases de Woody Allen

A Revista BRAVO! deste mes traz uma reportagem excelente, para quem gosta de cinema, e, especialmente de Woody Allen. Mostra todas as suas fases e os filmes essenciais de sua cinematografia: os filmes "piada-puxa-piada", em busca dos conflitos interiores, a fauna nova-iorquina, a literatura como inspiração...
Para acessar clique no título da postagem.

Vitrines de Zola

A carne é fraca, mas a roupa é mais ainda.
"Essa visão do desejo como mola propulsora da sociedade moderna está no centro de um dos romances mais fascinantes do século 19, o primeiro a colocar o consumo no primeiro plano narrativo.
Publicado em livro em 1883, "O Paraíso das Damas", de Émile Zola (1840-1902), descreve o surgimento da primeira loja de departamento da história e que dá nome ao livro - ela é inspirada livremente no "Au Bon Marché", que existe até hoje nos números 22 e 24 da rua de Sèvres, em Paris.
Entre frufrus dos vestidos das madames e a algazarra de um mercado persa, "O Paraíso das Damas" cria um universo novo de tecidos, cores, texturas vindos de toda parte do mundo, criados e desfeitos ao sabor do capricho de cada estação.
O mundo volátil do desejo e do supérfluo encontra sua primeira representação na história da literatura. Claro que antes houve Baudelaire, que definiu a modernidade como a combinação do efêmero e do perene, onde a moda ocuparia um lugar especial.
Mas, em Émile Zola, não se trata de especulação, mas de pura representação: em cada vitrine, em cada balcão, em cada prateleira de "O Paraíso das Damas", reencena-se, a todo o tempo, o grande palco da vaidade humana.
Seu fio condutor é a típica história de amor derivada do gênero mais popular do século 19: o romance de folhetim.
Denise, a humilde órfã que chega à cintilante capital em busca de sustento para si e para o irmãozinho, em pouco tempo se torna balconista da maior sensação da Paris de então. Logo desperta o interesse do patrão, Mouret, jovem ambicioso e dominador. Aos poucos, sua candura e dignidade amolecem o coração do jovem e, juntos, enfrentarão as contingências de renda e classe.
Sabe-se que um escritor como Flaubert fez picadinho, em "Madame Bovary" (1857), desse clássico entrecho folhetinesco. Mas não era esse o objetivo de Zola. Mais que a busca do "mot juste", Zola sempre perseguiu a "vida injusta", sub-representada pela afirmação política, econômica e social da burguesia parisiense da segunda metade do século 19.
Isso se vê em obras clássicas como "Germinal", sobre a vida dos mineiros de carvão, ou ainda, "Nana" e, claro, "O Paraíso das Damas".
Pois a força de sua narrativa não vem da precisão obsessiva e quase árida que existe em Flaubert, mas, ao contrário, da exuberância das longas frases e de descrições cumulativas que hoje se poderiam chamar de barroquizantes.
Aqui, em vez dos mineiros enterrados no norte da França, há a exploração das classes mais baixas emigradas do interior pobre e atraídas pela concentração de capitais da tardia revolução industrial francesa.
Ao mesmo tempo, o romance também traça o surgimento do grande comércio impessoal, que devorava, com os "dentes de ferro de suas engrenagens", o pequeno comércio de rua -as "boutiques" familiares e descapitalizadas.
E, na grande cidade, bairros inteiros de Paris vinham abaixo para dar espaço aos amplos bulevares concebidos pelo barão de Haussmann.
Como síntese dessas linhas de força concentradas em Paris, paira O Paraíso das Damas, "uma capela construída ao culto das graças da mulher".
Assim, no momento em que a sociedade de consumo apenas despontava no horizonte, Zola anteviu com precisão a nova ordem, descrita nas palavras de Mouret: "Eu tenho a mulher, pouco me importa o resto".
MARCOS FLAMÍNIO PERES
EDITOR DO MAIS! da FSP
Acaba de ser lançado.

Beaujolais

(Photo Paul Delort / Le Figaro)
(Photo : Ben Vautier)
A cada terceira quinta feira de novembro o mundo, especialmente a França fica em festa!

novembro 20, 2008

"Vicky Cristina Barcelona'

"VICKY Cristina Barcelona", de Woody Allen, estreou no Brasil na semana passada. Com muita leveza e muito bom humor, o filme me levou a pensar nos percalços da vida amorosa.
A história do verão em Barcelona de Vicky e Cristina é um pequeno tratado do amor-paixão: os espectadores terão o prazer (ou desprazer) de se reconhecer em algum lugar do leque de experiências amorosas que o filme apresenta -é um leque pequeno, mas do qual escapamos pouco. Sem resumir, eis umas notas:
1) Os casais que se amam de paixão, cujos parceiros parecem ser feitos um para o outro, em regra, acabam tentando se matar -com faca, revólver ou qualquer outro instrumento (cf. Juan Antonio e Maria Emilia). É porque, se o outro me completa e vice-versa, o risco é que nenhum de nós sobreviva à nossa união -ao menos, não como ente separado e distinto. Mas, por mais que seja ameaçadora, a paixão amorosa é uma tentação irresistível (cf. Cristina, Vicky, Judy) por uma razão simples: nas narrativas de nossa cultura, ela é o protótipo ideal da experiência plena, da vida intensamente vivida.
2) Por sorte ou não, o amor-paixão é raro. A maioria de nós vive relações menos "interessantes" e menos fatais -relações em que a gente se preocupa em criar os filhos, decorar a casa, ganhar um dinheiro ou jogar golfe (cf. Vicky e Doug, Judy e Mark). Não seria tão mal, salvo pelo detalhe seguinte: em geral, nesses casais "normais", ao menos um dos parceiros vive com a sensação de que sua escolha amorosa é resignada, fruto de um comodismo medroso: "O outro não é bem o que eu queria; culpa minha, que não tive a coragem de me arriscar a amar..."
Detalhe: como o amor-paixão é um ideal cultural, não é preciso ter atravessado a experiência da paixão para idealizá-la (as más línguas diriam, aliás, que é mais fácil idealizá-la sem tê-la vivido em momento algum).
3) Os que parecem não idealizar o amor-paixão passam o tempo se protegendo contra ele. Deve ser por isto que a "normalidade" amorosa pode ser insuportavelmente chata: porque ela exige a construção esforçada de defesas contra a paixão -argumentos morais e sociais, sempre mais "razoáveis" do que racionais (cf. Mark, Doug). Num casal, quem critica a doidice da paixão não parece sábio aos olhos de sua parceira ou de seu parceiro; ao contrário, ele parece, quase sempre, pequeno e um pouco covarde (cf. Vicky e Doug, Judy e Mark).
4) A paixão não é uma coisa que a gente possa encontrar saindo pelo mundo como um turista da vida (cf. Cristina). Pois não basta esbarrar na paixão; ainda é preciso encará-la quando ela se apresenta.
Pode ser que, um dia, se ela conseguir matar Juan Antonio com um tiro certeiro, Maria Emilia seja internada ou presa. Pode ser que Juan Antonio seja um sujeito amoral e, por isso, perigoso. Pode ser que Vicky seja desesperadamente normal, trocando a chance de amar por uma casa num subúrbio norte-americano (estou sendo injusto com Vicky: na verdade ela tenta...).
Mas, para mim, a mais "patológica" de todas as personagens do filme é Cristina. Sua aparente abertura para a vida ("Ela não sabia o que queria, mas sabia o que não queria", narra a voz em off) é apenas uma versão "bonita" e literária de sua "insatisfação crônica" (diagnosticada por Maria Emília, com razão). Nisso, Cristina é muito próxima da gente: ela quer e consegue brincar com a paixão, mas sem perder a ilusão da liberdade ou o sonho do que ela poderia encontrar na próxima esquina.
Por isso, sua voracidade é a do turista: tira muitas fotos pelo mundo afora, mas será que ela se deixa tocar pela vida?
5) Disse que "Vicky Cristina Barcelona" trata dos percalços da vida amorosa com leveza e bom humor; de fato, saí do cinema sorrindo, e não era o único. Mas a amiga que me acompanhava comentou: "Adorei, mas é um filme triste". "Como assim?", estranhei. Ela respondeu, com razão: "É um filme triste porque os personagens se apaixonam, vivem sentimentos fortes, mas, no fim, tudo isso não transforma ninguém. Vicky e Cristina vão embora iguais ao que elas eram no começo, sobretudo Cristina...".
Minha amiga tinha razão. O amor e a paixão não nos fazem necessariamente felizes, mas são uma festa e uma alegria porque deles podemos esperar ao menos isto: que eles nos tornem um pouco outros, que eles nos mudem. Agora, nem sempre funciona..."
CONTARDO CALLIGARIS

CHANEL


Uma das maiores figuras da história da moda COCO CHANEL (1883-1971) foi homenageada pela França com o lançamento de uma moeda de ouro, por ocasião do 125º de seu nascimento.
Coube a Karl Lagerfeld, responsável pela grife Chanel, desenhar a imagem. Ele e a Ministra da Cultura francesa, Christine Albanel, realizaram a impressão na primeira moeda em um ato organizado no Museu da Moeda de Paris.
Para dar mais simbolismo, a moeda é de cinco onças de ouro em referência ao perfume mais conhecido da maison Chanel, o "Nº 5", com o qual Marilyn Monroe dizia "se vestir" para dormir.
Enquanto na cara da moeda aparece a imagem de perfil da figura histórica da moda francesa com um colar de pérolas e um chapéu, no verso está o número "5" sobre um fundo que remete às bolsas Chanel.
Segundo a Casa da Moeda, a moeda cunhada ontem é a primeira das 11.099 que serão fabricadas, de ouro e de prata.

novembro 19, 2008

Arquitetura do imigrante japones

O sincretismo de culturas sob a ótica da arquitetura vernácula do imigrante japonês na cidade de Registro, São Paulo.
Este é o título do brilhante trabalho do arquiteto Rogério Bessa Gonçalves. A leitura do texto, na íntegra, está disponível no site que pode ser acessado clicando no título desta postagem. O artigo foi publicado nos Anais do Museu Paulista vol.16 - - número 1 - jan-jun 2008.
O resumo : "O presente artigo aborda os métodos construtivos empregados pelos imigrantes japoneses que vieram, em 1918, para a cidade de Registro, na região do Vale do Ribeira do Iguape, no estado de São Paulo. A vinda dessa nova frente de imigração foi incentivada pelo Governo do Estado, com o propósito de promover o processo de colonização, bem como de estimular o desenvolvimento econômico do Vale do Ribeira do Iguape por meio da expansão da cultura do café para a região. As características dessa frente de imigração são muito diferenciadas em relação às demais, tendo em vista que os que dela faziam parte chegaram ao Brasil como proprietários de terras e com apoio financeiro e logístico oferecido por uma empresa particular japonesa, responsável por gerenciar o empreendimento. Esses imigrantes, portanto, contaram com auxílio de uma complexa infra-estrutura, cujo objetivo era viabilizar a sua missão de desenvolvimento da região. Mesmo tendo essa particularidade lhes proporcionado a liberdade de recriar sua cultura em solo brasileiro, a realidade do novo habitat forçou-os a reinterpretar seus hábitos culturais ante as novas circunstâncias físicas, econômicas e sociais encontradas. A fim de entender esse processo de adaptação, foi realizado um estudo dos métodos construtivos empregados em suas edificações, baseado nos conhecimentos desses imigrantes sobre sua arquitetura tradicional. Essa análise permitiu examinar o longo processo de sincretismo entre a cultura oriental e o conhecimento construtivo vernáculo dos habitantes do Vale do Ribeira do Iguape".

novembro 17, 2008

Vou me recolher...

Acho esta uma ótima expressão. Às vezes faço uso dela simplesmente para dizer que vou dormir ou sinalizando que não vou mais atender o telefone, que quero ficar comigo.
"O recolhimento é um movimento que nos torna menor em volume ocupado e nos amplia em consciência". Será mesmo?
Hoje já amanheci pensando em recolhimento...É isto mesmo. Não só o dia, mas eu também amanheço. Às vezes, não. Hoje amanheci, tentando um recolhimento impossível e censurado pela minha filha que é obediente seguidora de todas as convenções, tal como lhe foi ensinado pela mãe que esqueceu (!?) de concluir o "discurso", dizendo que as regras foram feitas para serem transgredidas. Do contrário o mundo não teria a menor graça!
Seguindo essas mesmas regras, sendo hoje o dia em que nasci, todo mundo acha que deve me cumprimentar, "por haver nascido e tornado o mundo melhor", é só um deles. Sugerem outros que hoje devia ser feriado nacional, afinal "não é sempre que nasce uma pessoa assim como eu" (assim como? fiquei preocupada!). Invejo tanta criatividade. Agora que o orkut não nos deixa esquecer, tenho muita dificuldade de escrever os obrigatórios cumprimentos pela passagem dos aniversários. Mas há quem se esmere no óbvio. E o pior vem depois. O agradecimento por eu ter "lembrado"!
Seria muito bom se os que ainda não fizeram deixassem para amanhã, ou quem sabe para a próxima semana, ou qualquer outro dia, ou até nunca expressassem os melhores votos que fazem por mim. Confio que todos queiram sinceramente que eu viva muito, sempre feliz e que tenha muita saúde, muitos amigos, etc. Juro que é exatamente o que também quero. Por isso, considerem-se dispensados de reafirmar tudo isto, pelo menos hoje.
Ficamos assim combinados: eu não preciso mais atender telefone nem responder os emails, scraps, msg, torpedos, etc.
E vou enfim, desfrutar do recolhimento pelo qual anseio desde que amanheci, me tornar ainda menor e, prometo, não irei ampliar a tal da consciência e nem fazer como um amigo que faz um balanço de sua vida a cada ano que passa. Aquelas avaliações mais próprias para fins de ano...Manterei o balãozinho sobre a minha cabeça vazio...
Só hoje!

A Grife Obama

Este trecho é da coluna de LUIZ FELIPE PONDÉ na FSP de hoje.
Achei que merece uma reflexão...
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Agora com um César negro identificado com as utopias políticas, ficaremos órfãos do Mal
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"HÁ ALGO de contraditório e de ridículo na comemoração da vitória do Obama que me chama a atenção. A vitória de um mulato para presidente reforça o fato de que os Estados Unidos são a experiência mais relevante da modernidade e que merece nosso profundo respeito e atenção.
A contradição é que grande parte dos "adoradores" do Obama são os mesmos "odiadores" dos EUA.
Pergunto-me como ficará o ódio infantil que muitos de nós nutre pelos EUA agora que os EUA do bem venceram. A quem dirigir esse ódio de pobre contra quem tem sucesso? Os EUA exercem o "maldito" poder no mundo, com Bush ou Obama, mas o ódio que se nutre contra os EUA é muito mais primitivo: é inveja e ressentimento.
O importante de se ter alguém como Bush, que reforçava a imagem do Império do Mal, é que ele tornava viável a identificação de uma figura maligna a quem dirigir essa inveja primitiva. Agora que teremos um César negro identificado com as utopias políticas, nós ficaremos órfãos do Mal.
Teremos que descobrir alguém para projetar esse ódio. Pelo menos até a próxima eleição americana. Ou até a era Obama revelar a quase-inércia que toda administração política carrega em si. O presidente americano não se move como uma bailarina livre, ele é contido por um sistema complexo de dívidas, burocracias e lobbies.
No caso de Obama, a imobilidade poderá ser maior: o "animal rights" exigindo que seu cachorro seja vira-lata, os gays, que a Casa Branca passe a ser a Casa Arco-Íris, as feministas, que ele torne lei o culto a Deusa, os imigrantes ilegais, que sejam reconhecidos como pilar da economia, os jovens, que ele ponha a maturidade fora da lei. Este é o preço de ser o "santo da democracia".
Uma função essencial dessa identificação com a política do Bem (a política que idolatra o Obama) é nos tornar santos. Sentimos que somos bons quando localizamos o Mal numa instância de poder como os EUA. Mesmo que essa "santidade" queira passear em Nova York, levar seus filhos a Disney ou usar sua medicina avançada.
A política do Mal (Bush) nos fornece uma identidade que alimenta aqueles que precisam se achar agentes do Bem no mundo moderno. A política da fé (ou a fé política) se transformou na verdadeira religião da versão ridícula da razão moderna. Ela tem seus sacerdotes e seus hipócritas, como toda santidade.
Ridículo é acharmos que entramos numa nova era. Essa idéia é pura repetição do velho imaginário infantil "do novo tempo". Seria a era de aquário finalmente? Os EUA apenas reafirmaram o velho "sonho americano" da vitória do mais capaz sem importar a "raça".
Ouvi dizer que "o preconceito racial acabou". Uma nova era nasce a cada momento, na mesma velocidade em que nasce uma moda intelectual ou uma nova grife. O ídolo Obama é uma grife. Como Maio de 68.
Preconceitos nunca acabarão. O preconceito é uma estrutura humana inexorável. Ele nos prepara de modo automático contra o que vemos como indesejável. Mesmo os puros de pensamento têm preconceitos. O pior preconceituoso é quem se acha livre de preconceitos.
Não há uma relação evidente entre o voto em Obama e a mudança do mundo. Bárbaros (estrangeiros) lideraram Roma. Canalhas também podem votar num Obama. Na democracia, a opinião pública é a verdadeira "deusa razão". Deusa dessa coisa boba, em que alguns crêem, chamada "a vontade popular".
Outro fato que me põe em alerta é a unanimidade. Nelson Rodrigues suspeitava da unanimidade por considerá-la sempre burra. Nelson Rodrigues é um analista mais profundo do coração humano do que Marx ou Foucault (deus da esquerda chique tipo Obamas). A inveja é mais profunda do que a luta de classes ou a ideologia.

......"

RICHARD FRANCIS BURTON

No verão passado peguei emprestado de um amigo a biografia deste homem cuja vida, de tão espetacular, nos faz pensar estar diante de um personagem de ficcção. No momento em que vou devolvê-lo,(hábito saudável que devia ser mais cultivado), registro o quanto foi interessante a sua leitura.
Não se trata do ator, mas de outro ingles SIR RICHARD FRANCIS BURTON, nascido em 1821, que tinha como profissão: "Viajante, Cônsul e escritor". Um aventureiro intrépido, intelectual brilhante, este explorador, antropólogo, erudito, poeta, espião e espadachim, dominava 29 idiomas e fascinava o público com suas peripécias em cenários exóticos.
Dentre os seus feitos notáveis está a descoberta da fonte do rio Nilo e a tradução de obras de várias línguas, inclusive Os Lusíadas, de Camões, para o ingles. Sua versão de As Mil e Uma Noites (ou As Mil Noites e Uma Noite, como preferia), virou uma das mais conhecidas – e ousadas – do Ocidente. As traduções de tesouros desconhecidos da literatura erótica, como O Jardim Perfumado e o Kama Sutra, tornaram-se famosas tanto pela qualidade quanto pelo escândalo que causaram na sociedade vitoriana. Em suas andanças pelo mundo acabou vivendo alguns anos no Brasil, em Santos.
Sobreviveu à ferimentos espetaculares, como os provocados por uma lança atravessada em seu rosto. Perguntado pelo médico: "Como o senhor se sente quando mata um homem?" ele respondeu: "Bastante bem. E você, doutor?
Burton morreu de velho. E passou à história como o protótipo do aventureiro temerário e refinado, que citava Homero entre golpes de espada e tiros de fuzil.
Um arquivo da Superinteressante está disponível clicando o título desta postagem.

novembro 16, 2008


Esta é a imagem das flores cultivadas por uma amiga na varanda de seu apartamento em Brasília. Estiveram assim ontem e, segundo ela, perfumaram todo o prédio.
Mostram-se uma vez no ano e duram uma só noite!
Quando isto acontece, ela tem me enviado a imagem, mas até hoje não sei seu nome...
Sempre me impressiona o fato de elas serem tão intensas e tão fugazes!

DOMINGO


VILA DO CONDE em foto enviada pelo seu eterno enamorado...