novembro 07, 2008

GRACE JONES

A modelo, atriz e cantora Grace Jones, um dos ícones da cultura pop dos anos 80, está de volta, depois de 20 anos afastada do show bizz e às vésperas de completar 60 anos. O novo disco se chama “Hurricane” (furacão) acaba de sair na Europa e toca na Itapema FM SC. Raramente,gosto da primeira vez que escuto.Por enquanto, continuo preferindo o Libertango....(clicar no título)

O legítimo filho da mãe

Obama, o filho da mãe
Na vitória de Barack Obama há um aspecto original que não vem sendo notado.
“Há muitos aspectos, colunista apressado”, poderia ser dito.
Tentarei explicar. Além do mais claro, quero dizer, além do fato mais óbvio, de Obama ser o primeiro negro eleito para a presidência dos Estados Unidos, me chama atenção que na sua vida há uma vitória sem ruído de pessoas “derrotadas”, ou marginalizadas na cultura da sociedade norte-americana. Para ser mais preciso, na sua vitória há uma vitória muito especial da sua mãe.
A mãe de Obama, Stanley Ann Dunham, foi uma pessoa rara já a partir do nome com que foi batizada. O pai queria um filho homem, e se compensou , ou se vingou, impondo-lhe um nome de homem. Para quê? O bom da vida são as limonadas que fazemos dos limões que nos atiram.
Stanley Ann, para a sociedade americana em 1960, não demorou a mostrar a que veio. Aos 18 anos, conheceu o negro Barack Hussein Obama na Universidade do Havaí, em uma aula de... russo! Branca, namorou o jovem queniano, casou... queremos dizer, juntou suas roupas e livros às dele, e teve Barack Hussein Obama Jr.
Como a estabilidade não era bem o seu ideal, separou-se poucos anos depois. Em 1964, ainda irrecuperável, Stanley Ann voltou à faculdade para se formar e casar à sua maneira mais uma vez: uniu-se a um estrangeiro não-branco, o indonésio Lolo Soetoro.
Stanley Ann era não só diferente, rebelde, por intuição. Antropóloga, escreveu uma dissertação de 800 páginas sobre os trabalhos de serralheria dos camponeses de Java. Trabalhando para a Fundação Ford, defendeu o direito das mulheres trabalhadoras e ajudou a criar um sistema de microcréditos para os pobres.
Maya Soetoro-Ng, a meia-irmã de Obama, afirmou recentemente sobre a mãe: "essa era basicamente a sua filosofia de vida; não nos limitarmos por medo de definições estreitas, não erguermos muros à nossa volta e nos empenharmos ao máximo para encontrarmos a afinidade e a beleza em locais inesperados”.
Stanley Ann Dunham morreu de câncer no ovário em 1995. O pai, a quem Obama dedicara um livro, ele mal viu, depois dos dois anos de idade. Por isso afirmou, o primeiro homem negro eleito para a presidência dos Estados Unidos: “eu creio que se eu soubesse que a minha mãe não iria sobreviver à doença, eu escreveria um livro diferente – menos meditação sobre o pai ausente, mais celebração da mãe que era a única coisa constante em minha vida”, escreveu no prefácio de suas memórias, “Sonhos De Meu Pai”.
E acrescentou: “eu sei que ela era a mais gentil, o espírito mais generoso que já conheci e o que existe de melhor em mim eu devo a ela”. Para essa Ann, mulher estranha para os valores dominantes, delicada e rebelde, na campanha eleitoral Obama chamava de a sua "mãe solteira".
O presidente eleito não repete, é claro, o pensamento, os atos e as convicções da mãe. Se assim fosse, não teria chegado aonde chegou. Mas sem as idéias de Stanley Ann Dunham, Barack Hussein Obama Jr. não teria tido a mais remota possibilidade de existir.
Em lugar do “sonho americano”, que toda imprensa proclama, Obama é antes uma vitória do pensamento e de idéias não-conservadoras, que estavam no limite dos marginalizados hippies.
E os hippies, vocês lembram, naqueles malditos tempos acabavam nas prisões, ou como em Easy Rider , sob tiros de espingarda.
Em 2008, um filho de mãe solteira, de uma irrecuperável, é eleito presidente. Para essa nova história, somente espero não ser um colunista muito apressado.

Urariano Motta,
escritor e jornalista
Direto da Redação, editado em Miami.

Gostos muito pessoais

Quase colado ao hostal que é a “minha casa” em BCN, tem uma vitrine colorida onde se lê:
Hamacas
Hammocks
Hamac
Hängematten

Lá dentro, un mundo de hamacas coloridas que parece não interessar os que passam apressados, indo ou vindo da Rambla. Enquanto eu, com mal disfarçada curiosidade, arrisco sempre uma mirada me perguntando qual seria o made in delas, se teriam sotaque nordestino, se seriam fabricadas no Maracanaú...e pensando no importante papel que desempenham numa cultura em que muitos nela são gerados e nascidos, dormem por toda a vida e nelas morrem e são enterrados. Aquelas são oferecidas para lazer ou mero adorno!
Apesar das inevitáveis divagações, como os demais, também prossigo, só que me prometendo pesquisar a origem daquelas palavras. Tão semelhantes em diversos idiomas e tão diferente da que usamos em português. Até hoje, nunca o fiz. Mas, por estas alturas, deixo a tarefa para o meu amigo TL, que é multilíngüe e leitor do blog. Vamos ver se ele se habilita!
Continuo me estranhando ao usar esta expressão mas, finalmente, “o tempo melhorou”. Que não se interprete como um ranço adquirido no convívio com os curitibanos que, por falta de assunto ou para não abrir a alma, adoram falar (mal) do tempo - do frio no inverno e do calor no verão. Uma bobagem até suportável, como conversa de elevador, mas que entre eles é tema recorrente...Deixa pra lá! Para evitar que eu não termine contando que, nas vezes em que, ultimamente, cruzei com algum conhecido/amigo (?) - andei subindo à Serra -, após meses ou mesmo anos, nos limitamos ao tempo que fazia ou ia fazer, contra toda e qualquer previsão metereológica!
Este meu comentário, de um certo modo, responde aos que têm me perguntado se tenho saudades de lá. (“Se as tenho, não as sinto”, como disse o português perguntado pelo médico se tinha dores. Desculpem amigos, mas não resisti.)
A estranheza, de que falava acima, consiste em usar a expressão relativa ao tempo em sentido inverso ao que tem no Ceará, onde "tempo bom" é o que chove. A mudança no tempo vem ao caso para explicar que, finalmente, voltei a dormir de rede...
Quem estiver se perguntando o significado e o valor disto é porque não sabe o que é “regaço de amante” e “colo de amigo”, para não ir mais longe e invocar o útero materno!

novembro 06, 2008

ARREPENDIMENTOS

Chico Anysio foi visto no aeroporto em uma cadeira de rodas. Aos 77 anos, ele sofre as consequências de décadas de cigarro.
Dizem que depois de uma certa idade, as pessoas perdem o receio de dizer o que pensam e ele, que já não tinha papas na língua, faz falta na TV!
Ao que parece, fumar não está entre os seus arrependimentos. Na verdade, não sei de nenhum fumante (ou ex) arrependido.
O texto é do seu blog.

"A vida está ai, nos dando um minuto a cada sessenta segundos e seguindo seu caminho sem nenhuma parada para o almoço. Cada dia que passa, passa para sempre e sempre será assim.
Enquanto vamos vivendo, envelhecemos o suficiente para que saibamos mais da vida, o que, no final das contas, não significa vantagem nenhuma.
Acontece que de repente nos damos conta de que coisas que gostaríamos de ter feito ou de fazer, já não podemos mais nem pensar em tentar fazê-las, pela natural impossibilidade melancolicamente imposta pela idade.
É quando passam pela cabeça da gente os arrependimentos.
Pequenos, dispensáveis, mas alguns deles trazendo uma espécie de dor, alguma coisa reimosa, cruel, cheia de ranço e de raiva, algo como uma tristeza.
Ah, quanta coisa eu poderia ter aprendido e não aprendi; quanta coisa eu poderia ter feito e não fiz; quanta coisa eu poderia ter gozado e não gozei.
E, um atrás do outro, vão passando pela cabeça da gente esses arrependimentos veniais, insuportáveis inimigos que proporcionam, às vezes, invejas. Mas este pecado (um dos sete) é manso; uma inveja ocasional, absolutamente branca e perdoável.
E se é disso que me dispus a falar, falemos:
Eu confesso que não saber assoviar é terrível para mim. E que inveja eu tenho de quem coloca dois dedos na boca e solta um assobio aqui que se escuta em Vitória. Os que conseguem isto são uns felizardos e talvez nem saibam.
E andar de patins? Deus do Céu! Eu até que tentei. Tanto os de roda como os no gelo. Não conto os tombos que levei em New York, naquela pista de gelo do Rockfeller Center, onde nem em pé em conseguia ficar. Um amigo me disse, para me dar uma força:
- Não desista. No começo é assim, mas você consegue.
Eu não quis insistir e hoje eu fico babando enquanto aqueles caras disputam os campeonatos mundiais, patinando sobre facas, com rodopios maravilhosos e desenhos encantadores. Para mim era bastante conseguir ir de um lado ao outro do rinque, mas...
E não saber dançar? Acho que o meu maior arrependimento está ai, em não saber dançar. Eu não queria ser um Fred Astaire, ou um Gene Kelly. Nem mesmo me enchia os olhos o desejo de ser um Carlinhos de Jesus. Não. Nada deste tamanho. A mim bastava ser igual a... a quem? Ser igual a você, que pega a sua mulher ou a sua namorada e sai com ela, dançando um bolero, um samba, um fox, um forró, uma valsa, rodando pelo salão, com elegância, dentro do ritmo, sem tropeçar ou pisar nos pés dela. Eu não queria chegar nem mesmo ao tango. Mas estou aqui, perto dos 80 anos, duro como um cabo de vassoura, enquanto caras de idade ainda maior que a minha, abraçam suas esposas e bailam, e bailam, e bailam...
Morei quase dois anos nos Estados Unidos e não aprendi a escutar e entender inglês. Falar eu ainda falo direitinho, mas não entendo. Agora já desisti de tentar, mas se eu soubesse entender eu poderia manter um diálogo, quem saber conseguir ser entrevistado pelo David Letterman, de quem eu fui vizinho em Westport e com quem troquei algumas frases, num bar, bebendo um chocolate quente, numa véspera de Natal e senti que ele gostou de ter conhecido um comediante brasileiro, etc, etc... que era eu. Mas não consigo entender os diálogos de um filme. Sempre tento, mas não consigo.
Skate, surf, motocicleta, asa delta, ultraleve... essas coisas não me dizem nada, mas já imaginou se eu pudesse chegar numa pista de gelo, enfiar dois dedos na boca e soltar um assovio, uma mulher, craque na patinação, atender a este chamamento, eu segurá-la e sair dançando com ela, sobre os patins, enquanto, em inglês íamos nos comunicando?
Como se diz em Minas:
- Era um trem danado de bão, sô."


Chico Anysio ( no seu blog)

ARTE de RUA em SAMPA

O melhor da pintura nos muros, becos e paredões de São Paulo.
A novidade parece não está mesmo na Bienal, mostra Daniel Piza. Veja no mapa os grafites e ouça sua análise clicando no título da postagem.
Super interessante!

Filosofia de Café


Depois da "filosofia de buteco" ...

SABONETES e cinema


Nove entre dez estrelas de cinema usavam...e estes eram os "anúncios".



novembro 05, 2008

Como enverdecer sua vida sexual


Se quando você faz sexo não pensa em ecologia, deveria pensar!
O Greenpeace do México publicou regrinhas pra se fazer sexo ecologicamente correto. Ei-las aqui, num resumo do resumo. Veja melhor no site do Greenpeace clicando no título deste post :
1. Apague as luzes. Velas podem ajudar a criar um clima.
2. Frutas na hora H? Só se forem orgânicas!
3. Nem como afrodisíaco as ostras devem ser consumidas. Estaria destruindo o ecossistema dos oceanos.
4. Recicle! Isso vale pra tudo nessa vida, inclusive para embalagens de preservativos.
5. Use lubrificantes naturais, de preferência. A língua pode ser uma ótima aliada!
6. Evite objetos fabricados à base de petróleo, como roupas de vinil. Seja escravo da paixão, não do petróleo.
7. Tome banho acompanhado. Quer melhor maneira de economizar a água?
8. Vai usar a cama? Melhor que ela seja feita de madeira de reflorestamento certificada.
9. Para adeptos do sadomasô: esqueça objetos que agridem o meio ambiente ()
10. Faça amor, não faça guerra!"

Ser verde nunca foi tão erótico!
Cheguei a pensar que não se tratava realmente da ONG...

Michel Tcherevkoff




"Os artistas costumam partilhar com os loucos o inevitável impulso de ver sempre algo além do já visto. Assim, transformam os objetos, a natureza e os corpos em novos objetos, dotados de novas naturezas e novas formas corpóreas".É nessa reflexão que se encaixam as produções do fotógrafo francês Michel Tcherevkoff: "fotografar coisas que simplesmente existem não é interessante para mim". Dessa forma, de manipulação em manipulação do que via, chegou às criações de sapatos feitos de plantas.
Clique no título para ver outra lindas imagens feitas no projeto Shoe Fleur.
Vale a pena fuçar o livro todo. É lindo!

novembro 04, 2008

De Emma a Amy

Achei imperdível:

"O maior problema de Emma Bovary, a protagonista do romance de Flaubert publicado há 151 anos, não é o marido, Charles, mas o tédio – tédio que ele representa à perfeição. Como um poeta romântico, ou como o próprio Flaubert, Emma queria uma vida mais imprevisível e vibrante, uma existência que não se resumisse ao papel social da esposa-mãe. Seu problema não é ser submissa ou não; é ter uma existência menos rotineira e estereotipada. Amy Winehouse em quase tudo parece ser o oposto de Emma, mas, lendo a biografia de Chas Newkey-Burden recém-lançada (Globo, tradução Helena Londres), lá está ele, o tédio, de novo: “Houve ocasiões em que aprontei na televisão e já apareci bêbada porque estava entediada.”
De Emma a Amy, a vida das mulheres passou pelas maiores transformações; elas, que sempre foram tão mais perspicazes que os homens, avançaram muito. Mas nem tudo mudou. Quando lemos sobre grandes mulheres modernas como Lou Andreas Salomé, Coco Chanel ou Gala, encontramos dilemas muito parecidos sob modos de vida que chocariam Madame Bovary – ou a nossa Capitu. Sim, porque Dom Casmurro é como se fosse a história de Flaubert contada por Charles, o marido que não entende o que sentem as mulheres por baixo de sua dissimulação e obliqüidade. Sua vaidade de filhinho carola o impede de encarar, mais do que a provável traição com Escobar, o mundo interior que ela tem a revelar, o mar de experiências e sensações que aqueles olhos sugerem.
Hoje, ao ver as moças vestidas com roupas poderosas e óculos que cobrem meio rosto e dirigindo carrões SUV como se atravessassem Kosovo no auge da guerra, num primeiro momento Emma e Capitu talvez pensassem que seu triste fim não foi em vão. No segundo momento, perceberiam que o equilíbrio entre praticidade e aventura não é tão sólido assim. Pois o tédio também mudou de forma, ou multiplicou as suas. O que antes era cobrança para ser a estável dona de casa é agora uma miríade de pressões para que seja bem-sucedida, fashion, magra, bem informada, sexy, independente e... a estável dona de casa. Aí estão os comerciais de margarina que não me deixam mentir.
Não foi diferente com mulheres brasileiras modernas, responsáveis por abrir caminhos muito importantes. Quando lemos as memórias de Danuza Leão ou a biografia de Leila Diniz por Joaquim Ferreira dos Santos, que acaba de ser publicada (coleção Perfis Brasileiros, Companhia das Letras), vemos que sua atitude libertária contrasta com seus amores doídos e, mais importante, com a própria insistência em fazer sua vida girar em torno dos homens o tempo todo, até mesmo em prejuízo das carreiras. Veja a vulnerabilidade de outra libertária da contracultura, Eddie Sedgwick, a amiga chique de Warhol (Sienna Miller no filme Factory Girl), tão descolada e drogada quanto Amy.
Há certa ingenuidade nessa angústia; por mais conscientes que as mulheres sejam de como eles podem ser bobos (e de como elas mesmas podem ser chatas), continuam a se projetar em ideais. A sensação que tenho às vezes é a de que todas – mesmo as que reúnem em boas doses essas supostas qualidades – sonham ser a Angelina Jolie, a princesa que casou com o príncipe Brad Pitt. Rita Hayworth notou que os homens iam dormir com Gilda e acordavam com Rita. Hoje é o caso de dizer que nem mesmo Angelina é uma mulher como Angelina Jolie.
Para dar outro exemplo, Carla Bruni, a charmosíssima cantora e modelo que aos 40 anos se casou com o presidente da França e se tornou um símbolo mundial de elegância e comportamento, diz numa das canções melosas de seu último CD: “Você é meu vício, a teus pés deposito minhas armas.” O mesmo vale para Amy, que diz ser “maternal” com os amigos e escreve excelentes versos como “Você volta para ela/ Eu volto para nós”. Quer saber? Acho isso muito bonito. Desde os trovadores do século 12 os homens cantam seus amores para elas; nada mais justo que elas cantem de volta agora, em vez de cair no ódio feminista aos homens. E pelo menos Bruni não parece o tipo de mulher que, como Amy, fica chorando por seu homem no chão da cozinha. Mas o fato é que, em média, elas ainda querem do marido o fim de todo o tédio.
É a principal e talvez única desvantagem sua em relação aos homens: elas não sabem ser objetivas em tais assuntos. Eles ainda se apaixonam mais rapidamente e elas ainda se desapaixonam mais lentamente. Elas sofrem mais com o desencanto, levando a admirável inquietude feminina a se confundir com a dolorosa insatisfação feminina. E fingem não ter tanto interesse pela beleza masculina na hora de justificar que namorem velhos feios e ricos, mas têm ataque histérico quando encontram um bonitão da TV.
Mesmo com a juventude atual ensaiando relações casuais, em que o sexo não é necessariamente o mesmo que o amor, poucas mulheres cedem aos impulsos como gostariam. Como diz Fabrício Carpinejar nas ótimas crônicas de Canalha (Bertrand Brasil), “a autoridade é secularmente feminina”. Eu acrescento: a liberdade, não. Como sua antiga exigência pelo homem perfeito não é nem pode ser atendida, elas descambam em consumismo e cinismo ou em solidão e caretice, muitas vezes em tudo isso junto. A dificuldade em vencer o tédio sem perder o eixo persiste. Não é homem que está em falta. É leveza."
Daniel Piza
do seu blog

novembro 03, 2008

Como ser querido, "moderno"

"Ele é um querido.Se alguém lhe chamar de fofo, reclame. O elogio dos bobos mudou.
Ainda há pouco era o fofo. Principalmente as mulheres, quando abriam a boca num momento de euforia elogiativa, metade da admiração que lhes saía — pela beleza de um macho ou um artesanato numa feira de Tiradentes — era para expressar satisfação através de um eloqüente "Que fofo!!!!". Assim mesmo, cheio de exclamação para não deixar dúvidas.
O mundo subitamente ficara fofo, um adjetivo que era atirado em todas as direções, não só porque o vocabulário da Humanidade se reduz a um número cada vez mais elementar de palavras, como o fofo combinava com uma certa placidez moderna dos costumes. Todo mundo querendo agradar e ser reconhecido como gente boa, zero de crítica e contestação. Vivemos a civilização do boa-praça, das pessoas que se despedem mandando um beijo no coração.
Semana passada, alguém querendo superar todos os demais em fervor benigno, me mandou um beijo na alma. Fofíssimo.
Você pode ser ladrão, votar nos corruptos de sempre, tudo bem. Deve ter seus problemas, uma falha qualquer na ascendência. Desculpa-se. Foge-se apenas, por vergonhoso, ultrapassado, do rótulo de antipático, baixo astral.
Isso destrói carreira, joga no nicho de maldito, daqueles que não se adaptam às novas sinergias funcionais. É o desagregador, o de gênio difícil. Evita-se. Talento continua sendo um requisito razoável a se buscar num profissional, mas as empresas levam cada vez mais em consideração o quesito do astral. O tal boa praça, o do sorriso franco, do pagode ligeiro. Se o sujeito é mansinho, risonhozinho,interage simpaticozinho e sem crítica com a mediocridade alheia — este é o cara.Contratem-no.
Não vai longe o tempo em que o admirável era a busca do tom crítico, a maneira enviesada, diferente, de se olhar o cotidiano. O avesso do avesso do avesso. Bom — dizia a música do Caetano — era botar os cornos acima da manada e ver o contrário do que as outras vacas e bois estavam mirando. O disco mudou. O fofo agora é ser igual ao que lhe é igual. Não destoar. Fazer parte do coro, não desafinar os contentes. Juntar a voz e dizer bem alto, mas junto com os outros: Sim!! Eu, se estivesse dando um curso de como se comportar moderno, sugeriria que ninguém tentasse observações fora do padrão. Guarde o humor ferino. Concorde. Elogie. Vai ficar claro, como dizem os manuais de gestão afetiva, que você é do bem. O mundo ficou fofo, as cabeças ficaram moles, e o desejo generalizado agora é ser da manada. Ser positivo, construtivo, meio bobinho, mosca morta — ou seja, um fofis!, que é uma das variações fofas da mania de ver o mundo num tom cor-de-rosa. Faça o tipo, e logo alguém lhe colocará na orelha o brinco auditivo de mérito maior. Foférrimo!! Mas como tudo que é fofo demais enjoa logo, as pessoas mudaram a língua. Continuam elogiosas.
As mais críticas ficaram no passado, em 1968, quando o bacana era destruir as prateleiras, livros, louças e vidraças. Ô, gente negativa! O ideal da Humanidade 2008permanece fofo, todos querendo enaltecer ainda mais qualquer um, pois isso sinaliza ser de bom coração, disposto a olhar na mesma direção do seu grupo e ser aceito como um igual. Eu elogio, tu me elogias e eles se elogiam entre si. O resto é a banda dos amargos, gente que desagrega valor e puxa para baixo. Fuja-se deles.
Morto o fofo, por ter sido proclamado em excesso, o maior elogio que se pode receber agora na "civilização do boa-praça" é o "fulano é um querido". Você quer agradar muito, puxar o saco do próximo, de um jeito pós-fofo? Pois, então.
Diga com um sorriso bem derramado: "Fulano é um querido". E sicrana? "Sicrana é outra querida". Ser chamado assim será o reconhecimento público de que você avalia os seus pares na tecla do correto. Pela alma do cidadão e, acima de tudo, o aceita com carinho. O resto é o cinismo, o sarcasmo e outros tipos de sal que não adubam o planeta azulzinho. Derrame afeto, transpire emoção, jogue açúcar em todas as direções — e você, breve, será reconhecido como deve. Um querido. É o ISO 900 que a nova ignorância prega aos que, se cai a bolsa, dizem tudo bem, se ela levanta, tudo bem também. O querido abdicou da voz própria. Fica com o consenso, o tapa nas costas e a palavra de perseverança.
Ele é do bem.
Raul Seixas, a metamorfose ambulante, morreu e junto com ele foi o elogio a quem ameaçava dizer agora o oposto do que disse antes. O querido diz sempre a mesma coisa — que, um minuto depois de proferida, ninguém sabe mais qual foi. Ele é apenas uma presença que não obstará. Ele contemporiza.
Dá um sono muito grande falar com um querido, mas a Humanidade regida pelos antidepressivos acha que é melhor do que a insônia.
Em civilizações passadas, mais contestadoras, era aquele a ser ignorado. Não fedia, não cheirava, não espantava a platéia com uma bala perdida qualquer no meio da discussão.
O querido sorri muito, tem uma capacidade notável de não assustar e de se mostrar sempre a favor. Elogia seu bigode de ontem, mas é afetuoso o suficiente para reconhecer que você também ficou muito bem sem ele. A Humanidade careta saúda o querido como se tomasse um prozac humano.
Ninguém sabe por que time torce, nem ele nunca declarou por que babado se baba todo. Muda de lado conforme manca o pé da mesa. É o homem previsível, o que não se intromete onde não é chamado e quando o faz é para elogiar.
O mundo já paparicou o homem inteligente, a mulher dotada de uma argúcia especial. Eles estão em segundo plano, elogiados ainda, mas sem ponto de exclamação. Como se não fosse mais do que a obrigação ou um bem menor. Um querido, não!!! É força da natureza, alguém que não joga bombas sobre o pensamento alheio e quer deixar bem claro sua vontade de dizer sim. Ele é do bem, dizem seus acólitos fofos.
Eu tenho muito medo dessa gente toda".

Joaquim Ferreira dos Santos
O Globo - de hoje

SÃO PAULO

Washington Olivetto, que dispensa apresentação, é o autor desta linda homenagem à São Paulo. Para ele, o grande fascínio da cidade é parecer-se com muitas cidades ao mesmo tempo e, por isso mesmo, não se parecer com nenhuma. Afirmar que Sampa ganha das outras metrópoles "em matéria de proximidade da beleza", porque é a única que fica a apenas 45 minutos de vôo do Rio de Janeiro, é um pouco cruel.
Encontrei, por acaso, no site "comunidade da moda" quando, inspirada na crônica abaixo, buscava o Denner. Ainda vou encontrá-lo. Por enquanto fiquem com o Olivetto, clicando no título.

Mulher-repolho


Não é bem assim!
"Oscar Wilde dizia, com exagero, que a moda é uma forma tão intolerável de horror que tem de ser mudada todo ano. Mas, com tal rotatividade, é fatal que certos horrores sejam cíclicos. Os costureiros apenas deixam passar uma ou duas gerações, para que a memória histórica se dissipe e essa ou aquela moda volte como novidade. Os babados, por exemplo.
Os babados vêm de longe, dos tempos de "A princesa de Clèves", de Madame de Staël, no século 17, ou até de antes. Desde o começo, já eram aquela cascata de rufos, folhos e franzidos de renda ou de seda, aplicada à gola do vestido ou da camisa, descendo em camadas pelo peito da pessoa, às vezes espalhando-se pelos punhos e, nos casos mais graves, combinando com um lenço. O nome técnico é jabô. Mas o efeito sempre foi transformar homens e mulheres em repolhos.
Vide a Revolução Francesa. O próprio Robespierre passava anos sem tirar seu jabô do pescoço, nem mesmo para lavar. Mas tudo acaba. No século 19, os homens trocaram o jabô pela gravata e ele ficou exclusivo das mulheres, até que elas também o abandonaram.
Depois de décadas no limbo, os babados voltaram, entre 1965 e 1970, na "swinging London" -o breve período em que Londres trocou o fog, o pigarro e o guarda-chuva por sexo, drogas e rock'n'roll -, e convenceram os homens do mundo inteiro a usá-los. (Menos no Brasil, onde o único a aderir foi o costureiro Denner.)
Pois eis que, agora, os babados estão de volta, pelo menos entre as mulheres. E não se limitam ao peito. Ameaçam tomar o vestido inteiro, transformando a mulher numa instalação gótica foragida de um hortifrúti. O horror está às portas e, desta vez, só uma coisa pode contê-lo: a crise global. Com a falta de crédito, não haverá dinheiro para tantos fru-frus".

RUY CASTRO

novembro 02, 2008

A vez do homem beta

RECEBI,via e-mail,de um "homem beta". Não tenho dúvida de que se reconheceu...

"Ele é charmoso, carinhoso, atencioso e lhe manda uma mensagem de bom dia, na manhã seguinte daquele jantar incrível. Além disso, sabe cozinhar, tem ótima sintonia com as crianças, não é ciumento e não reclama se você chega tarde da happy hour com as amigas. Para completar, depois do filme acompanhado de brigadeiro de panela, é ele quem enfrenta a esponja e o detergente.
Esta é a descrição perfeita para o homem da sua vida? Pois bem, trata-se do homem beta, um novo rótulo para a figura masculina moderna. A denominação é oriunda do alfabeto grego, no qual a segunda letra, o beta, é voltado ao mundo das emoções. Assim, o homem beta é mais sensível e não se simpatiza com os jogos de poder masculinos, enquanto o macho alfa, primeira letra do alfabeto grego, tem o papel de líder valente, caçador e conquistador das fêmeas do bando.
Na prática, o homem beta gosta de falar dos sentimentos e não tem necessidade de ser o melhor em tudo. Gosta de cuidar dos filhos, divide as contas com a mulher e, se precisar, pode até ser sustentado por ela. Definitivamente, ele é avesso à ideologia machista, não tem vergonha de seu lado sensível e exerce atividades que, antigamente, eram da competência das mulheres. Ao contrário do homem alfa, que faz o papel de provedor, másculo e agressivo, o beta é um homem mais colaborativo que competitivo.
Depois de quase meio século de emancipação feminina, a mulher moderna não precisa mais da figura masculina como proteção. 'Se o homem tiver um comportamento machista é capaz de ficar sozinho.. As mulheres não admitem mais viverem como suas mães, avós e bisavós. As que ainda são casadas com homens machões estão prestes a se separarem e as solteiras relutam em se casar com um homem que mostre suas garras machistas.".
Seja na esfera social, econômica ou profissional, a mulher invadiu áreas antes, dominadas pelos homens. Em contrapartida, a tendência é que o universo masculino comece a assimilar tarefas e comportamentos tidos como femininos, tais como a simpatia por discutir a relação afetiva e a disponibilidade para cuidar dos filhos. Para não criar nenhum clima de disputa e competitividade neste processo, "o mais importante numa relação a dois é o respeito, que deve existir entre ambas as partes".

Características do homem beta:
O homem beta:
• Diz "eu te amo"
• Não tem medo de pedir perdão
• Contraria a máxima de que "homem não chora"
• Discute a relação com você numa boa
• Cuida dos filhos sem reclamar.
• Cozinha, lava louça e arruma a casa

O homem beta nunca:
• Fica se olhando no espelho o tempo todo
• Trai a mulher por pura diversão
• Arruma briga na rua
• Se sente inferiorizado por você ganhar mais que ele
• Faz questão de provar que tem razão em tudo"

Por Nathalya Buracoff

FERNANDA YOUNG

Conheci primeiro o livro, O EFEITO URANO, antes de conhecer a sua autora, a "irritada e irritante" FY. O livro dentro do projeto "Cinco Dedos de Prosa" foi alusivo ao dedo médio, o genital das mãos, segundo ela própria.
É a estória de um triangulo amoroso entre um homem e duas mulheres, ou duas mulheres e um homem.
Até então, eu não tinha qualquer referência da autora. No entanto, ela havia sido escolhida naquele projeto do qual participavam nomes como LF Verissimo(polegar) e Cony(indicador) - não lembro dos outros. Além do tema, o livro tinha de diferente o fato de serem adotadas fontes diversas quando ela escrevia referindo-se ao marido ou à amante. Era muito prolixa e não parecia ficção.
Quando vim a saber que FY fazia roteiros para a TV fiquei curiosa. Assisti um episódio. Era diferente o veículo e o público. Nos créditos fiquei sabendo da co-autoria do marido! Minha experiência com maridos me faz acreditar que certas parcerias não se pode fazer com eles."Vai ver é ele quem escreve" foi o que me passou pela cabeça. De lá para cá não li senão, casualmente, a coluna que ela escreve na revista Cláudia. Nada digno de nota. Não sei se perdi alguma coisa que valesse a pena nos 10 livros que publicou ...
Houve um tempo em que a via no Saia Justa. Sua figura e suas intervenções faziam um contraponto interessante à caretice da Waldvogel. Tinha ainda a participação da Rita Lee a quem ela reverenciava. Nunca a vi como apresentadora, mas acredito se continua a ser ela mesma, não varia muito do que conheci.
Identifico-me com ela em alguns pontos (não vou dizer quais), do contrário não traria esta entrevista que ela deu para VEJA a que vc acessa clicando no título.

Filosofia de Boteco

Sob o título "cronicar", pensei a propósito de crônicas e dos temas que dela podem ser objeto, concluindo que podem tratar de tudo, ou qualquer coisa, até mesmo de "um encontro num bar". Quando se passa da crônica para o blog (que não é gênero literário) as possibilidades então se ampliam.
Leio, de vez em quando, no estadão.com , dentre outros, o blog do jornalista Felipe Machado que é sempre interessante, apesar de ele declarar que passa a maior parte de seu tempo tentando entender o que vai na cabeça das mulheres. Uma tarefa que ele já devia ter deduzido ser inglória e inútil...
Hoje ele traz/ reproduz o seu encontro com amigos num bar.
Sinceramente, não sei se me interessei pelo texto em si ("texto em si" ops! isto já é filosofia?), ou se fiquei com inveja de ter amigos com quem "filosofar", às sextas, num boteco...

"Encontrei a filosofia de boteco:

Ela voltooou!
Depois de passar algum tempo escondida debaixo de alguma bolacha de chope, a filosofia de boteco está de volta para esclarecer alguns pontos importantíssimos da mente humana. Depois de Sófocles e Aristóteles... Botécoles.
(Nossa, essa foi péssima)
Infelizmente, não posso reproduzir o papo inteiro aqui. Em primeiro lugar, porque não teria a menor graça para quem não conhece as pessoas envolvidas. Em segundo, porque a maior parte do tempo se fala apenas besteira. E, em terceiro, porque esse é um blog familiar.
Esse papo supersério rolou na semana passada, numa mesa composta por três homens e três mulheres: dois casados, um solteiro; uma casada e duas solteiras. A seguir, os melhores (piores) trechos da conversa:
1. Ricos não enchem a cara: fazem degustação
Já percebeu como é chique dizer que vai fazer uma 'degustação de vinhos franceses'? Pois é, começamos a falar sobre isso e descobrimos que o mundo ficará muito mais elegante quando um bebum disser que vai 'fazer uma degustação no estabelecimento que fica no cruzamento entre duas avenidas', em vez de dizer que vai 'encher a cara no bar da esquina'. Como se vê, a elegância é apenas uma questão semântica.
2. Marta de salto alto
Como estava na semana da eleição, é claro que esse tema veio à tona. O bordão 'é casado, tem filhos?' foi aplicado praticamente a todo cara mencionado na conversa. Exemplo, falado por uma das solteiras na mesa: 'Outro dia conheci um médico superlegal, acho que vou começar a sair com ele'. E nós: 'É casado, tem filhos?' E por aí vai. Outro ponto que pegou foi que começamos a imaginar que a Marta Suplicy, aquela simpatia toda e tal, achava que a eleição estava ganha. Como ela perdeu a eleição porque nunca desce do salto alto, ganhou um apelido na mesa: Imelda Martas, em homenagem à simpática ex-primeira dama da Filipinas.
3. Amigos/Inimigos
Todo mundo tem amigos que não são muito amigos, não? Chamamos esses amigos/inimigos de 'amigos bad vibe', aqueles caras que pesam o ambiente toda vez que chegam perto. Às vezes eles nem são tão amigos assim, mas estão sempre lá. Ou sempre aqui, no caso. Em compensação, tem coisa melhor do que amigo legal? Tem? Um cara ou uma garota que você pode contar sempre que precisar... pouquíssimas coisas são melhores na vida.
4. Casamentos x solteirice
Ai, que assuntinho que sempre vem à tona, não? Será que é a idade dos presentes ao papo (entre 30 e 40)? Ou será que é a dúvida que sempre assola todo mundo: por que quem está casado quer estar solteiro e quem está solteiro quer estar casado? É uma daquelas dúvidas no estilo Tostines. (Lembra? Tostines é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho? Algo assim) Enfim, começamos a falar sobre vidas estáveis, etc, e um amigo meu daqueles fanáticos por quatro rodas saiu-se com uma pérola da filosofia de boteco: 'Estabilidade é coisa para carro.'
5. Nem eu entendi
Eu costumo anotar os papos no guardanapo, mas um deles estava tão borrado que eu não consegui entender minha própria letra. Na próxima vez que esse grupo se reunir, prometo levar o papel para ver se alguém se lembra do papo. Enquanto isso, você fica com mais uma pérola da filosofia de boteco, dita com tom seriíssimo pelo mesmo autor da frase sobre estabilidade:
'A melhor coisa de ser solteiro é que posso me levantar de qualquer lado da cama.'
Gênio!"

O Conformista

Este filme acaba de sair em DVD o que motivou o comentário crítico da FSP que resumi para este post.
Duas décadas depois de sua publicação, o romance “ O Conformista”, do escritor Alberto Moravia, foi adaptado para o cinema por Bernardo Bertolucci, então com menos de 30 anos. Enquanto no livro um "herói contemporâneo" expressa um sentimento antifascista, o filme de Bertolucci se beneficia da distância no tempo para uma reflexão mais conectada com a idéia de ação política no final dos anos 60, o que faz com que ele considere "O Conformista"(1970) seu atestado de maturidade como diretor.
A adaptação do romance de Moravia substitui a narrativa linear original por uma estrutura em forma de flashback, o que acentua o aspecto um tanto onírico da trajetória do protagonista Marcello Clerici (o ator francês Jean-Louis Trintignant). Servidor público que se considera diferente dos outros devido a um episódio de infância, ele quer apenas levar uma "vida normal". Na Itália dos anos 30, o casamento com uma jovem de classe média baixa e a militância como agente fascista lhe parecem essenciais para construir a sua conformação social. A lua-de-mel em Paris traz sua primeira missão, aproximar-se de seu ex-professor antifascista, cuja mulher o atrai, para matá-lo. As idas e vindas no tempo exploram sua fragilidade, seus dilemas morais e seu processo de tomada de consciência, que o uso significativo de cores, sombras e espaços traduz em forma de cinema.
Diga-se, de um ótimo cinema!

novembro 01, 2008

SUSTENTABILIDADE

Clicando no título vc. acessa a um video (22 minutos) com uma séria reflexão sobre os efeitos do consumismo (dos americanos) não só na economia, mas na alma e no comportamento das pessoas, e os graves danos provocados no meio ambiente. Até a dublagem é boa.

Cronicar

Crônica (do grego chrónos = tempo).Cronicar é relatar o tempo.
A respeito deste gênero literário há quem diga que os brasileiros o transformaram numa especialidade da casa, feito muqueca de peixe, tutu à mineira...
E isto não seria por terem os nossos escritores fôlego literário curto, uma vez que são excelentes no conto. A ligeireza da crônica brasileira talvez decorra da consciência da velocidade com que o tempo vai levando fatos e pessoas e da necessidade de ir registrando o que se passa, inclusive no âmbito pessoal e intransferível. Somos mesmo muito pessoais, vemos e vivemos muito a nossa vida e a celebramos quase que no próprio instante em que ela se passa. E a crônica se presta muito bem à finalidade. Pouco importa se o cronista se limite a relatar seu encontro no bar, sua ida ao supermercado ou o último filme que assistiu. Não interessa se ele é elitista ou literariamente limitador. E daí que não tenha profundidade? O cronista vai falando sozinho diante do mundo (o que, de um certo modo, também faz o blogueiro) e, ao fim de algum tempo, seleciona, revisa e lança em livro suas crônicas. É só observar nas livrarias as obras de autores brasileiros contemporâneos.
Quantos não são cronistas?