novembro 05, 2008

Como enverdecer sua vida sexual


Se quando você faz sexo não pensa em ecologia, deveria pensar!
O Greenpeace do México publicou regrinhas pra se fazer sexo ecologicamente correto. Ei-las aqui, num resumo do resumo. Veja melhor no site do Greenpeace clicando no título deste post :
1. Apague as luzes. Velas podem ajudar a criar um clima.
2. Frutas na hora H? Só se forem orgânicas!
3. Nem como afrodisíaco as ostras devem ser consumidas. Estaria destruindo o ecossistema dos oceanos.
4. Recicle! Isso vale pra tudo nessa vida, inclusive para embalagens de preservativos.
5. Use lubrificantes naturais, de preferência. A língua pode ser uma ótima aliada!
6. Evite objetos fabricados à base de petróleo, como roupas de vinil. Seja escravo da paixão, não do petróleo.
7. Tome banho acompanhado. Quer melhor maneira de economizar a água?
8. Vai usar a cama? Melhor que ela seja feita de madeira de reflorestamento certificada.
9. Para adeptos do sadomasô: esqueça objetos que agridem o meio ambiente ()
10. Faça amor, não faça guerra!"

Ser verde nunca foi tão erótico!
Cheguei a pensar que não se tratava realmente da ONG...

Michel Tcherevkoff




"Os artistas costumam partilhar com os loucos o inevitável impulso de ver sempre algo além do já visto. Assim, transformam os objetos, a natureza e os corpos em novos objetos, dotados de novas naturezas e novas formas corpóreas".É nessa reflexão que se encaixam as produções do fotógrafo francês Michel Tcherevkoff: "fotografar coisas que simplesmente existem não é interessante para mim". Dessa forma, de manipulação em manipulação do que via, chegou às criações de sapatos feitos de plantas.
Clique no título para ver outra lindas imagens feitas no projeto Shoe Fleur.
Vale a pena fuçar o livro todo. É lindo!

novembro 04, 2008

De Emma a Amy

Achei imperdível:

"O maior problema de Emma Bovary, a protagonista do romance de Flaubert publicado há 151 anos, não é o marido, Charles, mas o tédio – tédio que ele representa à perfeição. Como um poeta romântico, ou como o próprio Flaubert, Emma queria uma vida mais imprevisível e vibrante, uma existência que não se resumisse ao papel social da esposa-mãe. Seu problema não é ser submissa ou não; é ter uma existência menos rotineira e estereotipada. Amy Winehouse em quase tudo parece ser o oposto de Emma, mas, lendo a biografia de Chas Newkey-Burden recém-lançada (Globo, tradução Helena Londres), lá está ele, o tédio, de novo: “Houve ocasiões em que aprontei na televisão e já apareci bêbada porque estava entediada.”
De Emma a Amy, a vida das mulheres passou pelas maiores transformações; elas, que sempre foram tão mais perspicazes que os homens, avançaram muito. Mas nem tudo mudou. Quando lemos sobre grandes mulheres modernas como Lou Andreas Salomé, Coco Chanel ou Gala, encontramos dilemas muito parecidos sob modos de vida que chocariam Madame Bovary – ou a nossa Capitu. Sim, porque Dom Casmurro é como se fosse a história de Flaubert contada por Charles, o marido que não entende o que sentem as mulheres por baixo de sua dissimulação e obliqüidade. Sua vaidade de filhinho carola o impede de encarar, mais do que a provável traição com Escobar, o mundo interior que ela tem a revelar, o mar de experiências e sensações que aqueles olhos sugerem.
Hoje, ao ver as moças vestidas com roupas poderosas e óculos que cobrem meio rosto e dirigindo carrões SUV como se atravessassem Kosovo no auge da guerra, num primeiro momento Emma e Capitu talvez pensassem que seu triste fim não foi em vão. No segundo momento, perceberiam que o equilíbrio entre praticidade e aventura não é tão sólido assim. Pois o tédio também mudou de forma, ou multiplicou as suas. O que antes era cobrança para ser a estável dona de casa é agora uma miríade de pressões para que seja bem-sucedida, fashion, magra, bem informada, sexy, independente e... a estável dona de casa. Aí estão os comerciais de margarina que não me deixam mentir.
Não foi diferente com mulheres brasileiras modernas, responsáveis por abrir caminhos muito importantes. Quando lemos as memórias de Danuza Leão ou a biografia de Leila Diniz por Joaquim Ferreira dos Santos, que acaba de ser publicada (coleção Perfis Brasileiros, Companhia das Letras), vemos que sua atitude libertária contrasta com seus amores doídos e, mais importante, com a própria insistência em fazer sua vida girar em torno dos homens o tempo todo, até mesmo em prejuízo das carreiras. Veja a vulnerabilidade de outra libertária da contracultura, Eddie Sedgwick, a amiga chique de Warhol (Sienna Miller no filme Factory Girl), tão descolada e drogada quanto Amy.
Há certa ingenuidade nessa angústia; por mais conscientes que as mulheres sejam de como eles podem ser bobos (e de como elas mesmas podem ser chatas), continuam a se projetar em ideais. A sensação que tenho às vezes é a de que todas – mesmo as que reúnem em boas doses essas supostas qualidades – sonham ser a Angelina Jolie, a princesa que casou com o príncipe Brad Pitt. Rita Hayworth notou que os homens iam dormir com Gilda e acordavam com Rita. Hoje é o caso de dizer que nem mesmo Angelina é uma mulher como Angelina Jolie.
Para dar outro exemplo, Carla Bruni, a charmosíssima cantora e modelo que aos 40 anos se casou com o presidente da França e se tornou um símbolo mundial de elegância e comportamento, diz numa das canções melosas de seu último CD: “Você é meu vício, a teus pés deposito minhas armas.” O mesmo vale para Amy, que diz ser “maternal” com os amigos e escreve excelentes versos como “Você volta para ela/ Eu volto para nós”. Quer saber? Acho isso muito bonito. Desde os trovadores do século 12 os homens cantam seus amores para elas; nada mais justo que elas cantem de volta agora, em vez de cair no ódio feminista aos homens. E pelo menos Bruni não parece o tipo de mulher que, como Amy, fica chorando por seu homem no chão da cozinha. Mas o fato é que, em média, elas ainda querem do marido o fim de todo o tédio.
É a principal e talvez única desvantagem sua em relação aos homens: elas não sabem ser objetivas em tais assuntos. Eles ainda se apaixonam mais rapidamente e elas ainda se desapaixonam mais lentamente. Elas sofrem mais com o desencanto, levando a admirável inquietude feminina a se confundir com a dolorosa insatisfação feminina. E fingem não ter tanto interesse pela beleza masculina na hora de justificar que namorem velhos feios e ricos, mas têm ataque histérico quando encontram um bonitão da TV.
Mesmo com a juventude atual ensaiando relações casuais, em que o sexo não é necessariamente o mesmo que o amor, poucas mulheres cedem aos impulsos como gostariam. Como diz Fabrício Carpinejar nas ótimas crônicas de Canalha (Bertrand Brasil), “a autoridade é secularmente feminina”. Eu acrescento: a liberdade, não. Como sua antiga exigência pelo homem perfeito não é nem pode ser atendida, elas descambam em consumismo e cinismo ou em solidão e caretice, muitas vezes em tudo isso junto. A dificuldade em vencer o tédio sem perder o eixo persiste. Não é homem que está em falta. É leveza."
Daniel Piza
do seu blog

novembro 03, 2008

Como ser querido, "moderno"

"Ele é um querido.Se alguém lhe chamar de fofo, reclame. O elogio dos bobos mudou.
Ainda há pouco era o fofo. Principalmente as mulheres, quando abriam a boca num momento de euforia elogiativa, metade da admiração que lhes saía — pela beleza de um macho ou um artesanato numa feira de Tiradentes — era para expressar satisfação através de um eloqüente "Que fofo!!!!". Assim mesmo, cheio de exclamação para não deixar dúvidas.
O mundo subitamente ficara fofo, um adjetivo que era atirado em todas as direções, não só porque o vocabulário da Humanidade se reduz a um número cada vez mais elementar de palavras, como o fofo combinava com uma certa placidez moderna dos costumes. Todo mundo querendo agradar e ser reconhecido como gente boa, zero de crítica e contestação. Vivemos a civilização do boa-praça, das pessoas que se despedem mandando um beijo no coração.
Semana passada, alguém querendo superar todos os demais em fervor benigno, me mandou um beijo na alma. Fofíssimo.
Você pode ser ladrão, votar nos corruptos de sempre, tudo bem. Deve ter seus problemas, uma falha qualquer na ascendência. Desculpa-se. Foge-se apenas, por vergonhoso, ultrapassado, do rótulo de antipático, baixo astral.
Isso destrói carreira, joga no nicho de maldito, daqueles que não se adaptam às novas sinergias funcionais. É o desagregador, o de gênio difícil. Evita-se. Talento continua sendo um requisito razoável a se buscar num profissional, mas as empresas levam cada vez mais em consideração o quesito do astral. O tal boa praça, o do sorriso franco, do pagode ligeiro. Se o sujeito é mansinho, risonhozinho,interage simpaticozinho e sem crítica com a mediocridade alheia — este é o cara.Contratem-no.
Não vai longe o tempo em que o admirável era a busca do tom crítico, a maneira enviesada, diferente, de se olhar o cotidiano. O avesso do avesso do avesso. Bom — dizia a música do Caetano — era botar os cornos acima da manada e ver o contrário do que as outras vacas e bois estavam mirando. O disco mudou. O fofo agora é ser igual ao que lhe é igual. Não destoar. Fazer parte do coro, não desafinar os contentes. Juntar a voz e dizer bem alto, mas junto com os outros: Sim!! Eu, se estivesse dando um curso de como se comportar moderno, sugeriria que ninguém tentasse observações fora do padrão. Guarde o humor ferino. Concorde. Elogie. Vai ficar claro, como dizem os manuais de gestão afetiva, que você é do bem. O mundo ficou fofo, as cabeças ficaram moles, e o desejo generalizado agora é ser da manada. Ser positivo, construtivo, meio bobinho, mosca morta — ou seja, um fofis!, que é uma das variações fofas da mania de ver o mundo num tom cor-de-rosa. Faça o tipo, e logo alguém lhe colocará na orelha o brinco auditivo de mérito maior. Foférrimo!! Mas como tudo que é fofo demais enjoa logo, as pessoas mudaram a língua. Continuam elogiosas.
As mais críticas ficaram no passado, em 1968, quando o bacana era destruir as prateleiras, livros, louças e vidraças. Ô, gente negativa! O ideal da Humanidade 2008permanece fofo, todos querendo enaltecer ainda mais qualquer um, pois isso sinaliza ser de bom coração, disposto a olhar na mesma direção do seu grupo e ser aceito como um igual. Eu elogio, tu me elogias e eles se elogiam entre si. O resto é a banda dos amargos, gente que desagrega valor e puxa para baixo. Fuja-se deles.
Morto o fofo, por ter sido proclamado em excesso, o maior elogio que se pode receber agora na "civilização do boa-praça" é o "fulano é um querido". Você quer agradar muito, puxar o saco do próximo, de um jeito pós-fofo? Pois, então.
Diga com um sorriso bem derramado: "Fulano é um querido". E sicrana? "Sicrana é outra querida". Ser chamado assim será o reconhecimento público de que você avalia os seus pares na tecla do correto. Pela alma do cidadão e, acima de tudo, o aceita com carinho. O resto é o cinismo, o sarcasmo e outros tipos de sal que não adubam o planeta azulzinho. Derrame afeto, transpire emoção, jogue açúcar em todas as direções — e você, breve, será reconhecido como deve. Um querido. É o ISO 900 que a nova ignorância prega aos que, se cai a bolsa, dizem tudo bem, se ela levanta, tudo bem também. O querido abdicou da voz própria. Fica com o consenso, o tapa nas costas e a palavra de perseverança.
Ele é do bem.
Raul Seixas, a metamorfose ambulante, morreu e junto com ele foi o elogio a quem ameaçava dizer agora o oposto do que disse antes. O querido diz sempre a mesma coisa — que, um minuto depois de proferida, ninguém sabe mais qual foi. Ele é apenas uma presença que não obstará. Ele contemporiza.
Dá um sono muito grande falar com um querido, mas a Humanidade regida pelos antidepressivos acha que é melhor do que a insônia.
Em civilizações passadas, mais contestadoras, era aquele a ser ignorado. Não fedia, não cheirava, não espantava a platéia com uma bala perdida qualquer no meio da discussão.
O querido sorri muito, tem uma capacidade notável de não assustar e de se mostrar sempre a favor. Elogia seu bigode de ontem, mas é afetuoso o suficiente para reconhecer que você também ficou muito bem sem ele. A Humanidade careta saúda o querido como se tomasse um prozac humano.
Ninguém sabe por que time torce, nem ele nunca declarou por que babado se baba todo. Muda de lado conforme manca o pé da mesa. É o homem previsível, o que não se intromete onde não é chamado e quando o faz é para elogiar.
O mundo já paparicou o homem inteligente, a mulher dotada de uma argúcia especial. Eles estão em segundo plano, elogiados ainda, mas sem ponto de exclamação. Como se não fosse mais do que a obrigação ou um bem menor. Um querido, não!!! É força da natureza, alguém que não joga bombas sobre o pensamento alheio e quer deixar bem claro sua vontade de dizer sim. Ele é do bem, dizem seus acólitos fofos.
Eu tenho muito medo dessa gente toda".

Joaquim Ferreira dos Santos
O Globo - de hoje

SÃO PAULO

Washington Olivetto, que dispensa apresentação, é o autor desta linda homenagem à São Paulo. Para ele, o grande fascínio da cidade é parecer-se com muitas cidades ao mesmo tempo e, por isso mesmo, não se parecer com nenhuma. Afirmar que Sampa ganha das outras metrópoles "em matéria de proximidade da beleza", porque é a única que fica a apenas 45 minutos de vôo do Rio de Janeiro, é um pouco cruel.
Encontrei, por acaso, no site "comunidade da moda" quando, inspirada na crônica abaixo, buscava o Denner. Ainda vou encontrá-lo. Por enquanto fiquem com o Olivetto, clicando no título.

Mulher-repolho


Não é bem assim!
"Oscar Wilde dizia, com exagero, que a moda é uma forma tão intolerável de horror que tem de ser mudada todo ano. Mas, com tal rotatividade, é fatal que certos horrores sejam cíclicos. Os costureiros apenas deixam passar uma ou duas gerações, para que a memória histórica se dissipe e essa ou aquela moda volte como novidade. Os babados, por exemplo.
Os babados vêm de longe, dos tempos de "A princesa de Clèves", de Madame de Staël, no século 17, ou até de antes. Desde o começo, já eram aquela cascata de rufos, folhos e franzidos de renda ou de seda, aplicada à gola do vestido ou da camisa, descendo em camadas pelo peito da pessoa, às vezes espalhando-se pelos punhos e, nos casos mais graves, combinando com um lenço. O nome técnico é jabô. Mas o efeito sempre foi transformar homens e mulheres em repolhos.
Vide a Revolução Francesa. O próprio Robespierre passava anos sem tirar seu jabô do pescoço, nem mesmo para lavar. Mas tudo acaba. No século 19, os homens trocaram o jabô pela gravata e ele ficou exclusivo das mulheres, até que elas também o abandonaram.
Depois de décadas no limbo, os babados voltaram, entre 1965 e 1970, na "swinging London" -o breve período em que Londres trocou o fog, o pigarro e o guarda-chuva por sexo, drogas e rock'n'roll -, e convenceram os homens do mundo inteiro a usá-los. (Menos no Brasil, onde o único a aderir foi o costureiro Denner.)
Pois eis que, agora, os babados estão de volta, pelo menos entre as mulheres. E não se limitam ao peito. Ameaçam tomar o vestido inteiro, transformando a mulher numa instalação gótica foragida de um hortifrúti. O horror está às portas e, desta vez, só uma coisa pode contê-lo: a crise global. Com a falta de crédito, não haverá dinheiro para tantos fru-frus".

RUY CASTRO

novembro 02, 2008

A vez do homem beta

RECEBI,via e-mail,de um "homem beta". Não tenho dúvida de que se reconheceu...

"Ele é charmoso, carinhoso, atencioso e lhe manda uma mensagem de bom dia, na manhã seguinte daquele jantar incrível. Além disso, sabe cozinhar, tem ótima sintonia com as crianças, não é ciumento e não reclama se você chega tarde da happy hour com as amigas. Para completar, depois do filme acompanhado de brigadeiro de panela, é ele quem enfrenta a esponja e o detergente.
Esta é a descrição perfeita para o homem da sua vida? Pois bem, trata-se do homem beta, um novo rótulo para a figura masculina moderna. A denominação é oriunda do alfabeto grego, no qual a segunda letra, o beta, é voltado ao mundo das emoções. Assim, o homem beta é mais sensível e não se simpatiza com os jogos de poder masculinos, enquanto o macho alfa, primeira letra do alfabeto grego, tem o papel de líder valente, caçador e conquistador das fêmeas do bando.
Na prática, o homem beta gosta de falar dos sentimentos e não tem necessidade de ser o melhor em tudo. Gosta de cuidar dos filhos, divide as contas com a mulher e, se precisar, pode até ser sustentado por ela. Definitivamente, ele é avesso à ideologia machista, não tem vergonha de seu lado sensível e exerce atividades que, antigamente, eram da competência das mulheres. Ao contrário do homem alfa, que faz o papel de provedor, másculo e agressivo, o beta é um homem mais colaborativo que competitivo.
Depois de quase meio século de emancipação feminina, a mulher moderna não precisa mais da figura masculina como proteção. 'Se o homem tiver um comportamento machista é capaz de ficar sozinho.. As mulheres não admitem mais viverem como suas mães, avós e bisavós. As que ainda são casadas com homens machões estão prestes a se separarem e as solteiras relutam em se casar com um homem que mostre suas garras machistas.".
Seja na esfera social, econômica ou profissional, a mulher invadiu áreas antes, dominadas pelos homens. Em contrapartida, a tendência é que o universo masculino comece a assimilar tarefas e comportamentos tidos como femininos, tais como a simpatia por discutir a relação afetiva e a disponibilidade para cuidar dos filhos. Para não criar nenhum clima de disputa e competitividade neste processo, "o mais importante numa relação a dois é o respeito, que deve existir entre ambas as partes".

Características do homem beta:
O homem beta:
• Diz "eu te amo"
• Não tem medo de pedir perdão
• Contraria a máxima de que "homem não chora"
• Discute a relação com você numa boa
• Cuida dos filhos sem reclamar.
• Cozinha, lava louça e arruma a casa

O homem beta nunca:
• Fica se olhando no espelho o tempo todo
• Trai a mulher por pura diversão
• Arruma briga na rua
• Se sente inferiorizado por você ganhar mais que ele
• Faz questão de provar que tem razão em tudo"

Por Nathalya Buracoff

FERNANDA YOUNG

Conheci primeiro o livro, O EFEITO URANO, antes de conhecer a sua autora, a "irritada e irritante" FY. O livro dentro do projeto "Cinco Dedos de Prosa" foi alusivo ao dedo médio, o genital das mãos, segundo ela própria.
É a estória de um triangulo amoroso entre um homem e duas mulheres, ou duas mulheres e um homem.
Até então, eu não tinha qualquer referência da autora. No entanto, ela havia sido escolhida naquele projeto do qual participavam nomes como LF Verissimo(polegar) e Cony(indicador) - não lembro dos outros. Além do tema, o livro tinha de diferente o fato de serem adotadas fontes diversas quando ela escrevia referindo-se ao marido ou à amante. Era muito prolixa e não parecia ficção.
Quando vim a saber que FY fazia roteiros para a TV fiquei curiosa. Assisti um episódio. Era diferente o veículo e o público. Nos créditos fiquei sabendo da co-autoria do marido! Minha experiência com maridos me faz acreditar que certas parcerias não se pode fazer com eles."Vai ver é ele quem escreve" foi o que me passou pela cabeça. De lá para cá não li senão, casualmente, a coluna que ela escreve na revista Cláudia. Nada digno de nota. Não sei se perdi alguma coisa que valesse a pena nos 10 livros que publicou ...
Houve um tempo em que a via no Saia Justa. Sua figura e suas intervenções faziam um contraponto interessante à caretice da Waldvogel. Tinha ainda a participação da Rita Lee a quem ela reverenciava. Nunca a vi como apresentadora, mas acredito se continua a ser ela mesma, não varia muito do que conheci.
Identifico-me com ela em alguns pontos (não vou dizer quais), do contrário não traria esta entrevista que ela deu para VEJA a que vc acessa clicando no título.

Filosofia de Boteco

Sob o título "cronicar", pensei a propósito de crônicas e dos temas que dela podem ser objeto, concluindo que podem tratar de tudo, ou qualquer coisa, até mesmo de "um encontro num bar". Quando se passa da crônica para o blog (que não é gênero literário) as possibilidades então se ampliam.
Leio, de vez em quando, no estadão.com , dentre outros, o blog do jornalista Felipe Machado que é sempre interessante, apesar de ele declarar que passa a maior parte de seu tempo tentando entender o que vai na cabeça das mulheres. Uma tarefa que ele já devia ter deduzido ser inglória e inútil...
Hoje ele traz/ reproduz o seu encontro com amigos num bar.
Sinceramente, não sei se me interessei pelo texto em si ("texto em si" ops! isto já é filosofia?), ou se fiquei com inveja de ter amigos com quem "filosofar", às sextas, num boteco...

"Encontrei a filosofia de boteco:

Ela voltooou!
Depois de passar algum tempo escondida debaixo de alguma bolacha de chope, a filosofia de boteco está de volta para esclarecer alguns pontos importantíssimos da mente humana. Depois de Sófocles e Aristóteles... Botécoles.
(Nossa, essa foi péssima)
Infelizmente, não posso reproduzir o papo inteiro aqui. Em primeiro lugar, porque não teria a menor graça para quem não conhece as pessoas envolvidas. Em segundo, porque a maior parte do tempo se fala apenas besteira. E, em terceiro, porque esse é um blog familiar.
Esse papo supersério rolou na semana passada, numa mesa composta por três homens e três mulheres: dois casados, um solteiro; uma casada e duas solteiras. A seguir, os melhores (piores) trechos da conversa:
1. Ricos não enchem a cara: fazem degustação
Já percebeu como é chique dizer que vai fazer uma 'degustação de vinhos franceses'? Pois é, começamos a falar sobre isso e descobrimos que o mundo ficará muito mais elegante quando um bebum disser que vai 'fazer uma degustação no estabelecimento que fica no cruzamento entre duas avenidas', em vez de dizer que vai 'encher a cara no bar da esquina'. Como se vê, a elegância é apenas uma questão semântica.
2. Marta de salto alto
Como estava na semana da eleição, é claro que esse tema veio à tona. O bordão 'é casado, tem filhos?' foi aplicado praticamente a todo cara mencionado na conversa. Exemplo, falado por uma das solteiras na mesa: 'Outro dia conheci um médico superlegal, acho que vou começar a sair com ele'. E nós: 'É casado, tem filhos?' E por aí vai. Outro ponto que pegou foi que começamos a imaginar que a Marta Suplicy, aquela simpatia toda e tal, achava que a eleição estava ganha. Como ela perdeu a eleição porque nunca desce do salto alto, ganhou um apelido na mesa: Imelda Martas, em homenagem à simpática ex-primeira dama da Filipinas.
3. Amigos/Inimigos
Todo mundo tem amigos que não são muito amigos, não? Chamamos esses amigos/inimigos de 'amigos bad vibe', aqueles caras que pesam o ambiente toda vez que chegam perto. Às vezes eles nem são tão amigos assim, mas estão sempre lá. Ou sempre aqui, no caso. Em compensação, tem coisa melhor do que amigo legal? Tem? Um cara ou uma garota que você pode contar sempre que precisar... pouquíssimas coisas são melhores na vida.
4. Casamentos x solteirice
Ai, que assuntinho que sempre vem à tona, não? Será que é a idade dos presentes ao papo (entre 30 e 40)? Ou será que é a dúvida que sempre assola todo mundo: por que quem está casado quer estar solteiro e quem está solteiro quer estar casado? É uma daquelas dúvidas no estilo Tostines. (Lembra? Tostines é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho? Algo assim) Enfim, começamos a falar sobre vidas estáveis, etc, e um amigo meu daqueles fanáticos por quatro rodas saiu-se com uma pérola da filosofia de boteco: 'Estabilidade é coisa para carro.'
5. Nem eu entendi
Eu costumo anotar os papos no guardanapo, mas um deles estava tão borrado que eu não consegui entender minha própria letra. Na próxima vez que esse grupo se reunir, prometo levar o papel para ver se alguém se lembra do papo. Enquanto isso, você fica com mais uma pérola da filosofia de boteco, dita com tom seriíssimo pelo mesmo autor da frase sobre estabilidade:
'A melhor coisa de ser solteiro é que posso me levantar de qualquer lado da cama.'
Gênio!"

O Conformista

Este filme acaba de sair em DVD o que motivou o comentário crítico da FSP que resumi para este post.
Duas décadas depois de sua publicação, o romance “ O Conformista”, do escritor Alberto Moravia, foi adaptado para o cinema por Bernardo Bertolucci, então com menos de 30 anos. Enquanto no livro um "herói contemporâneo" expressa um sentimento antifascista, o filme de Bertolucci se beneficia da distância no tempo para uma reflexão mais conectada com a idéia de ação política no final dos anos 60, o que faz com que ele considere "O Conformista"(1970) seu atestado de maturidade como diretor.
A adaptação do romance de Moravia substitui a narrativa linear original por uma estrutura em forma de flashback, o que acentua o aspecto um tanto onírico da trajetória do protagonista Marcello Clerici (o ator francês Jean-Louis Trintignant). Servidor público que se considera diferente dos outros devido a um episódio de infância, ele quer apenas levar uma "vida normal". Na Itália dos anos 30, o casamento com uma jovem de classe média baixa e a militância como agente fascista lhe parecem essenciais para construir a sua conformação social. A lua-de-mel em Paris traz sua primeira missão, aproximar-se de seu ex-professor antifascista, cuja mulher o atrai, para matá-lo. As idas e vindas no tempo exploram sua fragilidade, seus dilemas morais e seu processo de tomada de consciência, que o uso significativo de cores, sombras e espaços traduz em forma de cinema.
Diga-se, de um ótimo cinema!

novembro 01, 2008

SUSTENTABILIDADE

Clicando no título vc. acessa a um video (22 minutos) com uma séria reflexão sobre os efeitos do consumismo (dos americanos) não só na economia, mas na alma e no comportamento das pessoas, e os graves danos provocados no meio ambiente. Até a dublagem é boa.

Cronicar

Crônica (do grego chrónos = tempo).Cronicar é relatar o tempo.
A respeito deste gênero literário há quem diga que os brasileiros o transformaram numa especialidade da casa, feito muqueca de peixe, tutu à mineira...
E isto não seria por terem os nossos escritores fôlego literário curto, uma vez que são excelentes no conto. A ligeireza da crônica brasileira talvez decorra da consciência da velocidade com que o tempo vai levando fatos e pessoas e da necessidade de ir registrando o que se passa, inclusive no âmbito pessoal e intransferível. Somos mesmo muito pessoais, vemos e vivemos muito a nossa vida e a celebramos quase que no próprio instante em que ela se passa. E a crônica se presta muito bem à finalidade. Pouco importa se o cronista se limite a relatar seu encontro no bar, sua ida ao supermercado ou o último filme que assistiu. Não interessa se ele é elitista ou literariamente limitador. E daí que não tenha profundidade? O cronista vai falando sozinho diante do mundo (o que, de um certo modo, também faz o blogueiro) e, ao fim de algum tempo, seleciona, revisa e lança em livro suas crônicas. É só observar nas livrarias as obras de autores brasileiros contemporâneos.
Quantos não são cronistas?

outubro 31, 2008

MUCHA


Fazia um tempo que vinha pesquisando a melhor forma de trazer o Mucha.
Acho que encontrei.Clicar no título desta postagem dá acesso a imagens e informações que nem imaginava possíveis. Há uma restrição no arquivo, para acessá-lo clicar em "somente leitura". O fundo musical é muito bom. Aproveite!

Nostalgia em Perfumes


No tempo em que se chamava as publicidades de "anúncios" ou "reclames", os perfumes eram estes...




Uma reflexão

Pense num slideshow...
Desses que vc. recebe usualmente...
E que começa com: "Está preparado?"
É comum e, provavelmente, você já viu as imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem.
Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.
No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto, nos e-mails.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá, sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo. Resolver! Eliminar! Extinguir!
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro. Ou o triplo.
Por 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.
Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse.
Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia.
(anônimo)

outubro 30, 2008

UM BEIJO ROUBADO


Somente hoje assisti a este que foi considerado como um dos filmes mais bonitos de 2007, “ My Blueberry Nights" ("Um Beijo Roubado") é o primeiro filme em inglês do diretor Wong Kar-Wai e a estréia da cantora Norah Jones no cinema.
O dono de um café (Jude Law) “coleciona” chaves esquecidas no balcão - cada chave tem a sua história. Um casal acaba de terminar o relacionamento e mais uma chave é abandonada no café (nesse caso, pertence à personagem de NJones). Esse bar/café, meio à deriva, é a própria metáfora do amor fugidio e é nele que o filme inicia e tem seu desfecho.
Para explicar a razão de tantas chaves serem largadas, a certa altura, ele diz “ as coisas terminam”, mas ele as mantém, pois se pessoas não se reencontrarem ele não quer se sentir responsável... Preterida, ela parte em busca de respostas e na "estrada", só encontra pessoas tão perdidas e desiludidas quanto ela. A atmosfera de desencanto romântico acena ao mesmo tempo para a possibilidade de reencontro e entendimento. O filme acaba sendo interessante pelo seu jeito de traduzir o vazio existencial que marca nosso tempo e por ser intensamente musical.
A trilha sonora traz, além de Norah Jones, Cat Power, Ry Cooder, Otis Redding, Cassandra Wilson e mais.
Uma curiosidade, o nome do café de Jeremy (Judy Law) , Klyuch, onde ele serve à personagem de Norah Jones (Elizabeth) a torta que dá nome ao filme, é uma palavra em russo que significa chave.

Toda mulher é meio Leila Diniz

É o que diz a Rita Lee no refrão da música Elas querem é poder!:

“Toda mulher quer ser amada
Toda mulher quer ser feliz
Toda mulher se faz de coitada
Toda mulher é meio Leila Diniz”


Ser Leila Diniz nos anos 60 e 70, em plena vigência da ditadura militar e de um conservadorismo moral sufocante, fez dela uma “revolucionária” que levantou a bandeira da espontaneidade e da alegria contra o machismo mal humorado então reinante. Sua rebeldia, que causou tanto impacto e a faz ser considerada uma "quebradora de tabus", hoje parece bem comportada, até banal. Falar sem pudores sobre sexualidade ou posar grávida de biquíni não escandaliza a mais ninguém. Viver intensamente e gozar da liberdade sexual virou rotina. Separar sexo do amor também. Mais que isso, a felicidade e o prazer viraram quase uma obrigação. E a moda de escancarar a vida íntima em público?
Apesar de ter morrido aos 27 anos, ou talvez por isto mesmo, LD continua viva no comportamento de várias gerações que adotam suas mensagens e exemplos, ainda que nem saibam a quem devem parte da liberdade de que desfrutam.
Embora tenha participado de novelas, feito teatro e atuado em filmes, LD tornou-se celebridade pelas suas entrevistas, nas quais não media palavras, nem palavrões. Tornou-se famosa a que foi publicada no Pasquim, em novembro de 1969. “Cada palavrão dito pela rósea boquinha da bela Leila foi substituído por uma estrelinha. É por isso que a entrevista dela até parece a Via Láctea”, explicou o editor. Foi a edição mais vendida de toda a história do jornal. Coincidência ou não, a censura prévia à imprensa foi instituída pela ditadura logo depois, através do que ficou conhecido como o Decreto Leila Diniz.
LD havia sido casada com Domingos de Oliveira e, em 1971, voltou a se casar, com o cineasta Ruy Guerra. Grávida de oito meses, chocou a “família brasileira” ao expor o barrigão na praia de Ipanema e ao se deixar fotografar amamentando.
Sua morte, em 1972, provocou uma verdadeira comoção nacional. Partia a mulher, nascia o mito.

Algumas de suas frases:

“Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para cama com outra. Já aconteceu comigo”
“Quebro a cara toda hora, mas só me arrependo do que deixei de fazer por preconceito, problema e neurose”
“Não morreria por nada deste mundo, porque eu gosto realmente é de viver. Nem de amores eu morreria, porque eu gosto mesmo é de viver de amores”
“Eu posso dar para todo mundo, mas não dou para qualquer um”
“Cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco”
“Viver, intensamente, é você chorar, rir, sofrer, participar das coisas, achar a verdade nas coisas que faz. Encontrar em cada gesto da vida o sentido exato para que acredite nele e o sinta intensamente”
“Sempre andei sozinha. Me dou bem comigo mesma”
“Eu trepo de manhã, de tarde e de noite”
“Todos os cafajestes que conheci na vida são uns anjos de pessoas”
“Eu durmo com todo mundo! Todo mundo que quer dormir comigo e todo mundo que eu quero dormir”
“Só quero que o amor seja simples, honesto, sem os tabus e fantasias que as pessoas lhe dão”
“Não sou contra o casamento. Mas, muito mais do que representar ou escrever, ele exige dom”

Dramas da liberdade

"Às vezes, lembro-me de uma velha senhora que me procurou perplexa e inconformada com sua atual condição. Problemas na retina não lhe permitiam mais ler, e ler era tudo de que mais gostava. Os dentes falsos, que só mastigavam o que não fosse muito sólido, eram meros enfeites que sempre se soltavam na boca. As pernas estavam fracas, os pulmões, cansados, a memória, falhando.
Embora seu corpo a mantivesse viva, também a impedia de viver. Como equacionar a falta de liberdade a que ele a condenava com o sentimento de liberdade do seu espírito, que queria sair pelo mundo, fazer coisas, transformar-se?
O drama da velha senhora é o mesmo que atravessa a vida de todos nós: o drama da liberdade. Poucas vezes tão nítido. E nem sempre vivido na relação conosco mesmos. Na maioria dos casos, vivido na relação com os outros.
Esse drama está aí, nos conflitos das separações, nas crises dos adolescentes, nas guerras, nas angústias de quando queremos mudar de vida. E, inevitavelmente, jogando-nos na encruzilhada do "quero e não posso", ou "quero e não quero" (ou "não sei o que quero").
Não fosse a condição de que viver como homens é viver na companhia de outros homens, a dificuldade de realizar o que se quer não existiria. Mas quem se satisfaz só com a liberdade de pensar, de sentir e de querer quando está a sós consigo mesmo? Ninguém. A "liberdade interior", solitária, é inútil.
A liberdade é um negócio entre homens. Ela implica no movimento de superarmos uma situação que nos limita e, em seguida, estabelecermos as condições para uma vida em acordo com nossos propósitos.
Meu sobrinho, aos quatro anos, disse ao meu cunhado: "Pai, quando eu for grande e você quebrar as duas pernas e a mamãe também, posso pegar o carro e levar minha irmã para a escola?" É a maior e mais inocente expressão da consciência que alguém tem de que seu poder de agir segundo a própria vontade está fora de suas mãos.
Ninguém nos dá a liberdade.
Se fosse assim, jamais seríamos livres, pois dependeríamos da permissão do outro. Nunca seremos livres para agir. Ao contrário, agimos para sermos livres. Ser livre dá trabalho.
A liberdade exige a habilidade de fazer acordos com os outros (e conosco) que nos permitam realizar nossas vontades.
Mas, paradoxalmente, esses acordos nunca asseguram que se realizará a vontade do eu, mas a vontade do nós.
A experiência da liberdade, hoje, passa pela recuperação de nossa capacidade de fazer acordos e pela descoberta de que a melhor realidade para a existência pessoal é aquela que compartilhamos com outros.
Criados sob o individualismo, acabamos por só reconhecer nossa liberdade quando impomos nossa vontade. Daí tanta decepção e impotência. E, de um ponto de vista mais amplo, daí as ditaduras, os totalitarismos. Daí tantos Hitlers, Stalins, Maos, Otelos e Lindembergs.
A soberania da vontade do eu é, também, fonte de uma monstruosidade: homens dominadores, fortes, mas solitários. Só a solidão pode ser mais opressiva do que a falta de liberdade". --------------------------------------------------------------------------------
DULCE CRITELLI , terapeuta existencial