outubro 19, 2008

Com licença poética

"Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade da alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou
."
Adélia Prado

outubro 18, 2008

"Porque hoje é sábado"...

...pegue o guarda chuva.
HOJE faz dois meses que retornei para a ilha de sol, de praia, de esportes ao ar livre, ciclovias e caminhadas...em teoria e sonhos. De verdade, só chove. Um amigo que já viveu aqui, ao me relatar sua experiência, me falou de sua provação: quarenta dias ininterruptos de chuva...era a "el niña".
É sempre assim. Esta minha lamúria também tem explicação científica. Fiquei sabendo que o tempo parece mesmo seguir o ritmo de trabalho e descanso do homem. Meteorologistas que estudaram a freqüência de chuvas sobre o Oceano Atlântico perceberam que as áreas costeiras têm 22% mais chance de receber aguaceiros aos sábados do que às segundas-feiras. A culpada seria a poluição! Segundo eles, as partículas poluidoras vão se acumulando no ar ao longo da semana. Esse acúmulo acaba facilitando a formação de nuvens, que despencam na forma de tromba-d’água nos dias de descanso.
Aqui esta tese não se confirma. Quando passa o forte e frio ventosul, fica a chuva eterna, miúda, silenciosa por toda a semana. E no sábado também.
Como diz o Vinicius...
"Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado."

E eu aqui, olhando a chuva...
Só voltando para onde o ritmo da natureza é outro, onde se põe em dúvida qualquer estudo científico, onde não importando o que o calendário marque, sempre vai dar praia! vai dar amigos e "comédias"!
Saudade...

Afrescos italianos

outubro 17, 2008

O BEIJO

Em Viena, a exposição Gustav Klimt e a Kunstschau 1908, no Belvedere, de 01 de outubro a 18 de janeiro de 2009, comemora os 100 anos desta obra. Klimt rompeu com a arte de seu tempo para criar um novo modernismo."O BEIJO está para Viena como a Mona Lisa para Paris" (ou seja, todos os japoneses querem fotografá-lo).
Para saber mais, clique no título da postagem e encontre informações interessantes no idioma de sua escolha.

A Batalha de Argel


No TC Cult vai passar, hoje (às 16,25), "A Batalha de Argel" que é a reconstituição da luta do povo argelino por sua libertação do jugo do colonialismo francês, tendo como fio condutor a história de integrantes da Frente de Libertação Nacional (FLN), que resistem na Casbah, o maior bairro popular da capital Argel.
A ação se passa entre 1954 e 1957 e o diretor Gillo Pontecorvo mistura ficção e fatos reais, tratando com tanta veracidade a resistência argelina e a violência do exército francês que obtém como resultado um “quase” documentário, intenso e emocionante.
O coronel Mathieu utiliza e defende abertamente a tortura para desbaratar a resistência argelina e manter o país sob domínio dos franceses. A tese - o uso da tortura e da humilhação como principal forma de combate - foi defendida publicamente em 1961, pelo coronel francês Roger Trinquier em seu livro "La guerre moderne", que serviu de “referência” para a “assessoria” de militares americanos em golpes de estado em países da América Latina.
Há dois anos, segundo o NYTimes, o filme foi exibido no Pentágono a militares norte-americanos inconformados com a tenaz resistência do povo iraquiano.
A Batalha de Argel ganhou o Leão de Ouro e o prêmio Fipresci (da Federação Internacional dos Críticos), no Festival de Veneza em 1966.
Esteve banido França até 1971 e ficou proibido no Brasil na ditadura.

Gillo Pontecorvo : Nasceu em Pisa, Itália, em 1919. Ligado ao Partido Comunista, começou a trabalhar como jornalista nos anos 1930; foi correspondente em Paris de jornais italianos. Ao final da II Guerra, tornou-se assistente de Joris Ivens, Yves Allégret e Mario Monicelli. Nos anos 50, dirigiu documentários antes de estrear na ficção com Giovanna, episódio do filme Die Vind Rose, (1954) sobre uma operária da indústria têxtil. Dirigiu também A Grande Estrada Azul (1957), Kapò (1959), Queimada! (1969), Ogro (1980), O adeus a Enrico Berlinguer (1984), Firenze, il nostro domani (2003).

Sandálias Japonesas

Então, desde 1962, foram batizadas de havaianas as mais famosas sandálias de borracha? A informação veio com a notícia de que a fabricante está lançando um novo produto, o primeiro depois de 46 anos (serão bolsas).
46 anos? E eu que me considero tão aberta à novidades, em geral, continuo chamando as famosas sandálias de “japonesas”. Não sei se alguém sabe, eu nunca soube a procedência mas, antes de serem fabricadas aqui, chamavam-se “japonesas”, as hoje mundialmente famosas havaianas. Tinham cheiro e cores tão lindas quanto as de hoje. Ou pelo menos a gente achava. O cheiro parece que não era tido como uma qualidade, pois os primeiros comerciais das “nacionais” (para diferenciar das “japonesas”) alardeavam que elas, além de não soltar as tiras, não tinham cheiro.
Não vou confessar quantas tenho, nem que continuo atraída por cada lançamento, que olho as vitrines das lojas exclusivas com a mesma avidez que certas pessoas olham joalherias....
A minha primeira era cor de rosa. Inesquecível como o primeiro soutien. O cheirinho e a maciez hum!!! Eram ótimos. Imaginava que nunca mais ninguém no mundo usaria outro tipo de calçado!
Naquele momento em que eram raras (não lembro se eram caras), só as usava dia de domingo, para ir à missa das oito na igreja de S.Francisco. Não se espantam os que sabem que cresci (ops!) numa cidade na qual se dizia ter tantas igrejas quanto Salvador e onde a vida social das moças (leia-se, ver e ser vista, desfilar vestidos novos, (só se usava saia) penteados e maquiagens) passava não só pelo clube. Ir à missa era uma atividade social. Quando veio a reforma (com o João XXIII), ir no sábado à noite, passou a valer para o domingo. Mesmo indo no sábado,às 18 hs no Menino Deus, continuamos indo no domingo pela manhã também.
Voltando às japonesas. Antes de ter acesso ou mesmo de imaginar se podiam ser objeto de desejo, as conheci usadas por um senhor da cidade que viajava sempre e com ele trazia certas novidades...
Retornando à cidade (parece que ele trabalhava em Brasília, uma cidade recém inaugurada), ele descia a praça, na diagonal, em direção ao cinema, usando sandálias japonesas verdes e cheirando a perfume frances (décadas depois identifiquei como sendo Ma grife – doce e impróprio para aquele clima, mas era chic!).
Até então, homem usava calçado de couro, pelica, etc. Ele era ousado com suas modernas "sandálias de plástico". Em casa, ouvia meu pai dizer que era para serem usadas no banheiro.
São tão nítidas as lembranças de minha japonesa, do seu toque, da sensação de como eram macias. Para mim eram tão preciosas que cada vez que as usava, antes de guardar, achava o máximo poder lavá-las . Onde já se tinha visto uma sandália tão leve, linda e lavável? Tinha um detalhe: tendo pés minúsculos (ainda hoje não é raro ter que encomendar, sob medida), a minha querida japonesa tinha uns dois números acima do que deveria ser a minha pontuação.Eu era faceira com elas assim mesmo...

outubro 16, 2008

Um homem, uma mulher



Ouvir o Vinicius de Moraes, hoje, me fez lembrar deste filme que tem música dele e do Baden Powell em sua trilha sonora. Talvez seja, dos filmes do Lelouch, o que revi mais vezes. Ainda seguirei revendo, nem que seja pela música maravilhosa do Francis Lai. O filme saiu em DVD e traz uma entrevista do Lelouch em que ele conta que os atores antes de ler o roteiro ouviram a música e que fazia com que continuassem a escutá-la, mesmo quando estavam fora das filmagens a fim de que se mantivessem no clima.
O filme foi vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Roteiro Original, além de haver recebido a Palma de Ouro em Cannes.
Uma linda história de amor à francesa que conquistou o mundo. Era 1966.

Deixa como está...

"Deixa como está para ver como é que fica" é o refrão rítmico que revela a essência da paciência brasileira. Essa frase-pérola não sugere resignação nem indiferença, mas sim a decisão estratégica de não influenciar situações que outros devem resolver. A frase "vou pagar para ver" também reflete essa passividade calculada.
Minha mulher piauiense adotou essa estratégia meio zen quando nos conhecemos, para ver se este americano impaciente tinha algo mais a oferecer. Com o tempo, ela viu que eu poderia me abrasileirar. Hoje, não me importo quando amigos chegam tarde a um encontro porque levo uma revista. Mas o passo decisivo aconteceu quando emprestei a meu vizinho meus quatro CDs de jazz favoritos e esperei três meses para tê-los de volta, sem fazer qualquer cobrança.
Por quê? Eu não queria prejudicar a amizade que poderia se desenvolver entre nós. De um modo bem brasileiro, ele me lembrava, com frases vagas, de que não havia esquecido o empréstimo. A primeira foi: "Puxa, seus CDs! Vou devolver já, já" -prazo que ele prorrogou com frases como "deixa comigo" e "um dia desses". Após 60 "dias desses", seus dribles ficaram mais criativos. Alguns, como "quando vai devolver meus CDs?", abreviado para "e os CDs?", eram tão inesperados que me roubavam a réplica.
Quando me mudei para cá, 25 anos atrás, os tais dribles teriam esgotado minha paciência. Uma noite, nessa época, um escritor carioca deu a mim e a mais três pessoas uma carona até um filme, seguido de uma palestra sua. Mas, depois da palestra, ele passou uma hora falando com outros cinéfilos enquanto esperávamos no carro.
Quando ele se envolve num bate-papo, entra em um transe que faz o resto do mundo desaparecer. Tanto que as filas em suas noites de autógrafos são tão lentas que dá para ler sua nova obra antes de ele assinar.
Mas eu não sabia disso 25 anos atrás. Então, quando ele voltou para o carro, pedi que me levasse para casa a caminho do apartamento dele, aonde todos iam. Depois descobri que passaram a noite em volta de um piano, cantando músicas de Cole Porter, meu compositor popular favorito.
O que fica dessa história -que a paciência tem suas recompensas- tornou-se claro para mim só recentemente. Três meses depois de meu vizinho pegar os CDs emprestados, ele os devolveu, com gravações de quatro de seus CDs de jazz.
"Mil desculpas", ele disse. "Esqueça", disse eu, arriando seus CDs na mesa como se fossem quatro ases. Ele também me deu a idéia de fazer esta e outras crônicas. Essa história não me ensinou a emprestar a ele algo se ele prometer devolver no dia seguinte. Não em um país em que "amanhã" pode querer dizer "mês que vem" ou "no dia de são Nunca". Ela me ensinou que, se der a si mesmo uma chance de conhecer alguém, seus pequenos deslizes podem parecer pífios. Por ter decidido deixar como está para ver como é que fica, ficou uma amizade.

MICHAEL KEPP , jornalista norte-americano radicado há 25 anos no Brasil, é autor do livro de crônicas "Sonhando com Sotaque - Confissões e Desabafos de um Gringo Brasileiro"

outubro 15, 2008

Pretinho básico

Um pretinho reto e simples, na altura dos joelhos, é obrigatório no guarda roupa de qualquer mulher. E, me perdoem os entendidos, mas salvo exceções especiais, entendo que com ele as chances de errar são mínimas.O famoso “pretinho básico” tem história . Foi criado por Coco Chanel em 1926 e, no mesmo ano, teve o seu croqui publicado na edição americana da revista Vogue, considerada, até hoje, a bíblia fashion.
A sua criação revolucionou os cânones da moda pela grande repercussão que teve no comportamento feminino, ao libertar as mulheres da ditadura do corpete e das saias amplas de babados. Com ele estava criado o estilo elegante e casual. Chanel não considerava luxo o oposto de pobreza, mas de vulgaridade.
O passo seguinte na revolução foi dado por Yves Saint Laurent , ao criar para a Maison Dior, em 1958, o vestido trapézio (ombro estreito e saia evasê) que é um clássico até hoje.
No entanto, o que marca mais fortemente o imaginário fashion é o vestido preto que Audrey Hepburn usa no filme Bonequinha de Luxo, de 1961 . Criação de Givenchy que se tornou símbolo de elegância e glamour.
Vestido, além de ser a peça mais versátil e democrática do guarda roupa feminino, tem mesmo um glamour especial.
Para conhecer a história da moda, os vestidos mais marcantes dos últimos 100 anos e ainda ter a sensação de estar entrando numa festa de alto luxo, veja o livro Vestidos fabulosos das escritoras inglesas Sarah Gristwood e Jane Eastoe.

VINICIUS E TOQUINHO - 1972

outubro 14, 2008

O que é isso, companheira?

"O que a psicóloga e sexóloga Marta Suplicy pensa da propaganda eleitoral da candidata Marta Suplicy? Esta é a pergunta que não quer calar, depois que a sua campanha na TV recomeçou no domingo com uma provocação venenosa, carregada de insinuações e de preconceito: Gilberto Kassab, do DEM, é casado? Tem filhos?
Marta é uma mulher de vanguarda, tem uma história conectada às boas causas: à defesa das mulheres, dos homossexuais, das minorias.
Pode, muito bem, sofrer uma derrota e continuar em frente, de cabeça erguida, na vida e na política. O que não pode é, em razão do desespero eleitoral, jogar fora sua imagem e seu passado para permitir e avalizar uma agressão absurda, inacreditável, muito mais própria de Maluf do que de Marta.
Em tese, campanhas se fazem com propostas, contrapontos, convencimento. Na prática, são duras, às vezes agressivas. Mas não devem chegar a extremos que remetem a um outro de péssima lembrança: Collor usando Lurian contra Lula em 1989. Nem os próprios aliados podem aceitar esse tipo de coisa.
Lembrar a participação de Kassab no governo Maluf? Correto. Bater na tecla de que ele continuou com Pitta? Perfeito. Mas descambar para a baixaria de questionar subliminarmente a sexualidade do adversário? Faça-me o favor! E logo Marta Suplicy?! O risco é sair da campanha menor do que entrou.
Há derrotas e derrotas. Os 17 pontos de diferença de Kassab para Marta indicam que ela vai perder nas urnas. Mas perde mais com a propaganda do "é casado, tem filhos?". Muito mais, inclusive, do que com o "relaxa e goza", que foi um escorregão, um desses excessos a que qualquer um está sujeito.
O "é casado, tem filhos?" não foi escorregão, é estratégia. Preconceituosa e burra. Não ganha eleitores à direita e perde apoios, votos e simpatia à esquerda. Além de desagregar a militância e transformar o adversário em vítima".
ELIANE CANTANHÊDE, na FSP

AMIGOS

Para que serve um amigo?
Pra tanta coisa... Não é? Para Instalar o XP no computador
e não cobrar nada, mesmo perdendo horas e horas a fio!
Para trazer muamba do Paraguai e quase ser preso!
Para emprestar o carro e recebê-lo de volta com multa
e 21 pontos na carteira.
Pra rachar a gasolina, emprestar a prancha,
recomendar um cd, dar carona para festa, passar cola,
caminhar no shopping, segurar a barra.
Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para
guardar um amigo do lado esquerdo do peito.
A amizade é indispensável para o bom funcionamento
da memória e para a integridade do próprio eu.
Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises e
choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.
Um amigo não empresta apenas a prancha.
Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta
o tempo, empresta o calor e a jaqueta.
Um amigo não recomenda apenas um cd.
Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.
Um amigo não dá carona apenas para festa.
Te leva para o mundo dele e topa conhecer o teu.
Um amigo não passa apenas cola...
Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.
Um amigo não caminha apenas no shopping.
Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo,
sai do fracasso ao teu lado.
Segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.
Duas dúzias de amigos assim, talvez, ninguém tem...
Se tiver um, amém!

outubro 13, 2008

E Deus criou Curitiba....


Deus, numa segunda-feira, criou Curitiba...
Pelo menos assim pensam os curitibanos.
Com parques, praças, muito topete e gente
devagar no trânsito.
Achou monótona e então, na terça-feira, criou
o inverno. Com sua brancura, cachecóis e um bom
vinho, para os curitibanos se acharem europeus.
Mas achou o frio muito triste, e na quarta-feira criou a primavera,
florida e colorida para enfeitar os parques e
praças dos europeus... ops, curitibanos.
Mas Deus a achou bucólica demais e na quinta-feira criou
o Verão, alegre e saudável para fazer os curitibanos sorrirem.
Mas o achou seco demais e na sexta-feira criou o outono.
Farto e ameno para se confortarem.
Então Deus achou tudo muito distante, e no sábado
misturou tudo. Fez o inverno, a primavera, o verão e
o outono reinarem no mesmo dia em Curitiba, para
que tudo tivesse seu tempo e sua vida.
E no domingo Deus descansou...
Na verdade caiu de cama, pois não sabia que tinha acabado de criar a GRIPE, a RINITE e o RESFRIADO.

recebi por e-mail de uma amiga curitibana