outubro 15, 2008

Pretinho básico

Um pretinho reto e simples, na altura dos joelhos, é obrigatório no guarda roupa de qualquer mulher. E, me perdoem os entendidos, mas salvo exceções especiais, entendo que com ele as chances de errar são mínimas.O famoso “pretinho básico” tem história . Foi criado por Coco Chanel em 1926 e, no mesmo ano, teve o seu croqui publicado na edição americana da revista Vogue, considerada, até hoje, a bíblia fashion.
A sua criação revolucionou os cânones da moda pela grande repercussão que teve no comportamento feminino, ao libertar as mulheres da ditadura do corpete e das saias amplas de babados. Com ele estava criado o estilo elegante e casual. Chanel não considerava luxo o oposto de pobreza, mas de vulgaridade.
O passo seguinte na revolução foi dado por Yves Saint Laurent , ao criar para a Maison Dior, em 1958, o vestido trapézio (ombro estreito e saia evasê) que é um clássico até hoje.
No entanto, o que marca mais fortemente o imaginário fashion é o vestido preto que Audrey Hepburn usa no filme Bonequinha de Luxo, de 1961 . Criação de Givenchy que se tornou símbolo de elegância e glamour.
Vestido, além de ser a peça mais versátil e democrática do guarda roupa feminino, tem mesmo um glamour especial.
Para conhecer a história da moda, os vestidos mais marcantes dos últimos 100 anos e ainda ter a sensação de estar entrando numa festa de alto luxo, veja o livro Vestidos fabulosos das escritoras inglesas Sarah Gristwood e Jane Eastoe.

VINICIUS E TOQUINHO - 1972

outubro 14, 2008

O que é isso, companheira?

"O que a psicóloga e sexóloga Marta Suplicy pensa da propaganda eleitoral da candidata Marta Suplicy? Esta é a pergunta que não quer calar, depois que a sua campanha na TV recomeçou no domingo com uma provocação venenosa, carregada de insinuações e de preconceito: Gilberto Kassab, do DEM, é casado? Tem filhos?
Marta é uma mulher de vanguarda, tem uma história conectada às boas causas: à defesa das mulheres, dos homossexuais, das minorias.
Pode, muito bem, sofrer uma derrota e continuar em frente, de cabeça erguida, na vida e na política. O que não pode é, em razão do desespero eleitoral, jogar fora sua imagem e seu passado para permitir e avalizar uma agressão absurda, inacreditável, muito mais própria de Maluf do que de Marta.
Em tese, campanhas se fazem com propostas, contrapontos, convencimento. Na prática, são duras, às vezes agressivas. Mas não devem chegar a extremos que remetem a um outro de péssima lembrança: Collor usando Lurian contra Lula em 1989. Nem os próprios aliados podem aceitar esse tipo de coisa.
Lembrar a participação de Kassab no governo Maluf? Correto. Bater na tecla de que ele continuou com Pitta? Perfeito. Mas descambar para a baixaria de questionar subliminarmente a sexualidade do adversário? Faça-me o favor! E logo Marta Suplicy?! O risco é sair da campanha menor do que entrou.
Há derrotas e derrotas. Os 17 pontos de diferença de Kassab para Marta indicam que ela vai perder nas urnas. Mas perde mais com a propaganda do "é casado, tem filhos?". Muito mais, inclusive, do que com o "relaxa e goza", que foi um escorregão, um desses excessos a que qualquer um está sujeito.
O "é casado, tem filhos?" não foi escorregão, é estratégia. Preconceituosa e burra. Não ganha eleitores à direita e perde apoios, votos e simpatia à esquerda. Além de desagregar a militância e transformar o adversário em vítima".
ELIANE CANTANHÊDE, na FSP

AMIGOS

Para que serve um amigo?
Pra tanta coisa... Não é? Para Instalar o XP no computador
e não cobrar nada, mesmo perdendo horas e horas a fio!
Para trazer muamba do Paraguai e quase ser preso!
Para emprestar o carro e recebê-lo de volta com multa
e 21 pontos na carteira.
Pra rachar a gasolina, emprestar a prancha,
recomendar um cd, dar carona para festa, passar cola,
caminhar no shopping, segurar a barra.
Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para
guardar um amigo do lado esquerdo do peito.
A amizade é indispensável para o bom funcionamento
da memória e para a integridade do próprio eu.
Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises e
choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.
Um amigo não empresta apenas a prancha.
Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta
o tempo, empresta o calor e a jaqueta.
Um amigo não recomenda apenas um cd.
Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.
Um amigo não dá carona apenas para festa.
Te leva para o mundo dele e topa conhecer o teu.
Um amigo não passa apenas cola...
Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.
Um amigo não caminha apenas no shopping.
Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo,
sai do fracasso ao teu lado.
Segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.
Duas dúzias de amigos assim, talvez, ninguém tem...
Se tiver um, amém!

outubro 13, 2008

E Deus criou Curitiba....


Deus, numa segunda-feira, criou Curitiba...
Pelo menos assim pensam os curitibanos.
Com parques, praças, muito topete e gente
devagar no trânsito.
Achou monótona e então, na terça-feira, criou
o inverno. Com sua brancura, cachecóis e um bom
vinho, para os curitibanos se acharem europeus.
Mas achou o frio muito triste, e na quarta-feira criou a primavera,
florida e colorida para enfeitar os parques e
praças dos europeus... ops, curitibanos.
Mas Deus a achou bucólica demais e na quinta-feira criou
o Verão, alegre e saudável para fazer os curitibanos sorrirem.
Mas o achou seco demais e na sexta-feira criou o outono.
Farto e ameno para se confortarem.
Então Deus achou tudo muito distante, e no sábado
misturou tudo. Fez o inverno, a primavera, o verão e
o outono reinarem no mesmo dia em Curitiba, para
que tudo tivesse seu tempo e sua vida.
E no domingo Deus descansou...
Na verdade caiu de cama, pois não sabia que tinha acabado de criar a GRIPE, a RINITE e o RESFRIADO.

recebi por e-mail de uma amiga curitibana

outubro 12, 2008

ESTRELA



Há de surgir
Uma estrela no céu
Cada vez que você sorrir
Há de apagar
Uma estrela no céu
Cada vez que você chorar

O contrário também
Bem que pode acontecer
De uma estrela brilhar
Quando a lágrima cair
Ou então
De uma estrela cadente se jogar
Só pra ver
A flor do seu sorriso se abrir

Hum!
Deus fará
Absurdos
Contanto que a vida
Seja assim
Sim
Um altar
Onde a gente celebre
Tudo o que Ele consentir

ARMA DE SEDUÇÃO

Saber ( e gostar ) de cozinhar é uma qualidade que não era considerada importante nos homens que se desejava para marido ou companheiro. Pensando melhor, nem se cogitava de homem na cozinha. Esta era território feminino por excelência.
Eram raros os que faziam churrasco (ou “assavam uma carne” - como se dizia naquelas bandas) . E se o faziam, era para receber amigos, beber cerveja, assistir futebol. Não iam além da carne. Tudo o mais sobrava para a mulher. Lavar pratos? Nem pensar!
A chegada dos homens à cozinha começou, timidamente, e esta mudança de comportamento está ligada à entrada das mulheres no mercado de trabalho que criou a necessidade de divisão das tarefas domésticas.
Se de um lado, tem a maioria que ainda resiste, de outro tem aqueles que fazem do saber cozinhar uma nova arma de sedução.
Oferecer um jantar em casa, em vez de no restaurante, é uma oportunidade para eles exibirem suas afinidades com fogão, panelas e apetrechos . Este exibicionismo, por muitos já testado, abala eventuais resistências, não pelo aspecto gastronômico, mas por que usar avental passa a imagem de homem menos machista, menos conservador e menos preconceituoso. Além de ser uma expressão de afeto oferecer algo que ele próprio preparou.
Nenhuma mulher é insensível a estas demonstrações.
Isto me veio a propósito de uma pesquisa britânica ( noticiada na FSP ) que classificou uma nova categoria de homens : os gastrossexuais que seriam "homens bem resolvidos que têm como hobby fazer pratos elaborados". Segundo o instituto Future Foundation , 48% dos entrevistados dizem que ser capaz de cozinhar os torna mais atraentes para as mulheres.
Na minha escala de homens ideais, estes chamados de gastrossexuais seriam muito bem cotados. Não é fetiche, mas um homem de avental tem lá seus encantos....

outubro 11, 2008

CARTOLA - 100 anos



Basta de clamares inocência interpretada pelo Ney Matogrosso.

Considerado o maior sambista da história, Angenor de Oliveira nasceu no Rio e hoje faria 100 anos. Ainda criança mudou-se para o morro da Mangueira. Lá conheceu Carlos Cachaça e outros bambas, se iniciando no mundo da malandragem e do samba. Trabalhou como pedreiro e usava um chapéu-coco para proteger os cabelos do cimento, daí o apelido de Cartola.
É um dos fundadores da Estação Primeira de Mangueira e foi Cartola que escolheu o nome da escola, suas cores verde-rosa e compôs também o primeiro samba "Chega de Demanda". Seus sambas se popularizaram nos anos 30 em vozes ilustres como Francisco Alves, Mário Reis, Silvio Caldas e Carmen Miranda. Mas foi somente em 1974 que gravou o primeiro de seus quatro discos solo e sua carreira tomou novo impulso. É autor de "As Rosas Não Falam", "O Mundo É um Moinho", "Acontece", "O Sol Nascerá" (com Elton Medeiros), "Quem Me Vê Sorrindo" (com Carlos Cachaça), "Cordas de Aço" e "Alegria". Faleceu em 1980.

UMA BÓIA EM PLENA TEMPESTADE

"ENQUANTO AS BOLSAS de Valores derretiam em praticamente todos os países, algumas pessoas, brasileiros sem dinheiro no bolso, sem parentes importantes e vindos do interior, como dizia a música de Belchior, se perguntavam: o que temos a ver com isso?
Tudo, lamento responder. Os bucaneiros das finanças perderam trilhões em conjunto, por sua irresponsabilidade, liberdade irrestrita e loucura típica destes tempos. Mas a conta não ficará apenas com governos e instituições multilaterais.
O dinheiro evaporou e não há abundância de crédito para comprar eletrodomésticos, automóveis e imóveis. O real está se desvalorizando e os preços tendem a subir muito.
A receita usada, nos últimos anos, para combater qualquer fumaça inflacionária é o hidrante dos juros elevados, que inibem o crescimento econômico, a geração de empregos e a recuperação dos salários.
Portanto, a menos que aconteçam alguns milagres combinados, daqui para frente, haverá menos crescimento, mais desemprego, menos renda, mais carestia.
O que você pode fazer, então? Bem, no caso da redução do crescimento econômico, quase nada. Em relação a reajustes, não compre produtos e serviços a preços abusivos, a menos que sejam indispensáveis.
A escassez de financiamento, inclusive do Crédito Direto ao Consumidor, impõe um controle rígido das finanças.
Dever no cartão de crédito, no cheque especial ou no crediário é uma insanidade que pode custar o equilíbrio de suas finanças. Se já tiver contraído dívidas desse tipo, corte os gastos, economize, aperte os cintos e negocie condições mais adequadas para pagar o que deve.
Postergue gastos adiáveis para a bonança que costuma suceder as tempestades. Antes que pergunte, não sei se as coisas melhorarão na semana, no mês ou no ano que vem.
Não se desespere, porque precisamos de toda a disposição para trabalhar e vencer a parcela individual de cada crise, aquela que nos cabe. Invista em programas familiares, em lazer que privilegie o convívio entre amigos, em lugar de torrar dinheiro que poderá fazer falta amanhã.
Se for um comprador impulsivo, deixe o cartão de crédito em casa, exceto para compras programadas. Caminhe mais, reduzindo os gastos com o carro, o que também fará bem para sua saúde.
Caso ainda tenha algum dinheiro para investir, seja conservador, até que o cenário fique mais claro. Em um período do ano em que se somam Dia da Criança, Natal, Ano Novo e férias, faça as contas antes de cada gasto mais expressivo.
Não se esqueça de que, após as festas, matrículas, material escolar, IPTU e IPVA estarão esperando por você, não importa o tamanho da crise. Comparar preços, programar compras, cortar gastos e poupar são as suas armas contra a crise que ganhamos de presente de especuladores do Primeiro Mundo."

MARIA INÊS DOLCI
http://mariainesdolci.folha.blog.uol.com.br

A tanga e a sunga

Como simpatizante do Gabeira, tenho comentado alguns fatos de sua trajetória, uns muito sérios e outros nem tanto. Ontem à noite, me referia ao momento do seu retorno ao Brasil e às praias cariocas quando, sem intenção, lançou moda ao se exibir vestindo a reduzida (hoje famosa) tanga. O modelito de crochê, na época, foi copiado pelo resto do país, virou o símbolo do verão carioca, marcado pela anistia e o festivo retorno dos exilados e que teve no Gabeira a sua "musa". A reação dos adversários à sua aparição atual (não de tanga, mas de sunga) demonstra a força da antiga imagem, ora revisitada. O verão de 2009 poderá ser o do novo retorno do Gabeira, agora como Prefeito. É o que de melhor se pode desejar para o Rio.
Agora pela manhã, me deparo na FSP com a deliciosa crônica do Ruy Castro falando do frisson que causou a tanga do Gabeira, ainda que para isto tenha se valido da comparação com aquele que preferia cheiro de cavalo ao de gente e que saiu para a história, literalmente, pela porta dos fundos.

"A tanga e a sunga
RIO DE JANEIRO - Em 1979, já presidente da República, o general João Figueiredo deixou-se fotografar de sunga e busto nu na Granja do Torto, exibindo um vigor físico invejável para um homem de 61 anos. E mais ainda por estar de tênis e meias, o que parecia realçar seus tendões, músculos e veias.
A foto era assustadora, não apenas por mostrar um presidente em trajes tão exíguos, mas por Figueiredo ser como era, brabo e meio grosso. Montava a cavalo pela manhã, varava de moto, sozinho, as ruas de Brasília durante a madrugada, e ameaçava prender e arrebentar quem se opusesse à abertura política que ele prometera.
Apesar disso, nunca ouvi nenhuma mulher suspirar ao vê-lo de sunga na tal foto. Ao contrário, havia algo de cafona e démodé naquela macheza explícita, pelo que diziam. Menos de um ano depois, em 1980, outra personalidade política brasileira -o ex-jornalista Fernando Gabeira, 39 anos, recém-chegado de quase dez anos de exílio- também se deixava fotografar, na praia de Ipanema, num traje sumário. Na verdade, mais sumário ainda: a tanga de sua prima Leda Nagle.
Em matéria de apuro físico, Gabeira não era páreo para o sarado Figueiredo. Magro por natureza, o exílio só enfatizara sua compleição frágil, quase esquelética, que aquele ridículo cache-sex expunha ao sol. Com tudo isso, as mulheres caíram em cima -Gabeira era um sucesso com elas, como sempre fora.
Na segunda-feira última, dia seguinte ao primeiro turno da eleição para a Prefeitura do Rio, Gabeira deixou-se fotografar de novo em trajes de banho, agora de sunga. Jornais e TVs despejaram ironias. Os adversários riram de orelha a orelha e analistas viram naquilo um golpe mortal em suas aspirações para o segundo turno. Dois dias depois, em nova pesquisa, Gabeira ultrapassou o favorito Eduardo Paes."

RUY CASTRO

outubro 10, 2008

Jacques Brel - Ne Me Quitte Pas

Antes de ontem (dia 08), fez 30 anos de sua morte. Fui lembrada pelo meu amigo Antonio, mas tive um dia atípico. Hoje reparo a omissão...



Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheur
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embraser
Je te raconterai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

On a vu souvent
Rejaillir le feu
D'un ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
A te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

outubro 09, 2008

ÓCULOS DE SOL

Nos anos 50, este modelo se chamava "gatinho". O meu era verde claro. Meu pai guardava (não sei por que, no cofre) alguns dos óculos que usei quando criança. Este modelo é um dos menos ridículos. Quando lhe perguntei o por que daqueles modelos, me respondeu, rindo, que era eu quem escolhia. Então tá!
O que me fez lembrar de óculos hoje foi a visão dos que usava uma jovem com quem cruzei pela manhã.
Quem me conhece sabe que uso óculos desde quando ainda usava apenas “duas peças”: a calcinha e eles (esta foi a metáfora que um amigo usou para dizer o quanto fazia tempo que me conhecia). Voltando à minha deficiência visual, a fotofobia, que é decorrência da hipermetropia, causa enorme desconforto. Não sei se é assim com todo mundo.
Não faz muito tempo, estas coisas não eram levadas em conta.Acho que nem se sabia o que era fotofobia. Vejo-me em fotos de criança usando a mão em concha sobre os olhos como proteção. Os muros eram todos brancos onde só havia sol o ano inteiro!
Até hoje me sinto desconfortável com excesso de luminosidade, o que faz com que não largue esquecido, por aí, os óculos escuros. Tempos atrás não se usava filtro solar e usar óculos de sol é como usar filtro solar.
Da mesma forma que para o filtro solar, não se deve escolher óculos de sol pelo preço. Nem se deve considerar o que for mais bonito. Tem que ser o melhor, não importando a cor da lente. O importante é que quebrem o sol e protejam a retina dos raios ultravioletas. A luminosidade e o calor dos trópicos exigem esse cuidado especial.
É só andar pela rua com um pouco mais de atenção para perceber a variedade de modelos e cores que desfilam nos rostos das pessoas, como se fizessem parte da indumentária. A maioria esquece (ou desconhece) que a função deles é proteger os olhos. A jovem que vi pela manhã usava uns óculos que, apesar de não serem pequenos, mal cabiam o nome da grife. A falsificação era evidente e temerária. Por este critério de moda, beleza e preço baixo, o risco de lesão na retina é alto. Quem usa óculos cujas lentes têm ondulações que não permitem o grau zero em toda a sua superfície, que não tem proteção contra raios ultravioletas, permitindo que o calor queime gradativamente a retina é forte candidato a, no futuro, sofrer de catarata.
Antes de comprar óculos de sol, num clima como o nosso, é necessário certificar-se que tem boa procedência, que suas lentes tem proteção contra os raios ultravioletas e são totalmente planas.
De uns tempos para cá, adotei as lentes transitions que se encarregam de "dosar" a proteção de que preciso, em cada ambiente.
Considero um luxo!

FAÇO VOTOS

"Faço votos para que os eleitores deste Rio de Janeiro tão lindo e tão maltratado percebam, neste segundo turno, que promessas e intenções declaradas em campanha só têm credibilidade quando respaldadas por uma história de vida. Qualquer um pode dizer "eu sou". Muito poucos podem dizer "eu fui". Da mesma forma o "eu vou fazer" diz muito menos do que o "eu fiz".
Faço votos para que os eleitores atentem para o fato inédito de um dos candidatos ter condicionado sua candidatura a uma carta branca que lhe permitisse escolher seus auxiliares - se eleito - por um critério de competência e não por indicações políticas dos partidos que o apoiaram. Tem sido assim, não é? E como resultado constatamos ser a incompetência ainda mais danosa que a corrupção, concorrendo ainda para que esta ocorra. Acreditem! Os prejuízos por ela causados são incalculáveis e seus efeitos perversos atravessam décadas.
Faço votos para que estudem com atenção as propostas deste candidato. Nelas não se faz presente o impossível nem as promessas vãs. Como exemplo: todos nós, é claro, ansiamos por segurança. Mas é possível garanti-la na esfera municipal? Claro que não. No entanto é possível a atuação da Prefeitura numa ação de inteligência que municie com informações valiosas àquelas esferas que têm por dever nossa proteção, possibilitando a adoção de medidas que não sejam meramente pontuais e conjunturais. Isto é prometer o possível. A recondução do Rio ao papel de capital cultural é mais que possível. Ações coordenadas nas áreas de educação, saúde, saneamento e infra-estrutura também são e se conduzidas com competência e pé no chão também terão impacto na área de segurança.
Faço votos para que observem neste candidato a ausência do ódio, do revanchismo, do vociferar, da postura histriônica quando em frente às câmeras e a presença da intervenção firme, corajosa e respeitosa com que sempre ocupou a tribuna ou participou de comissões parlamentares. Nunca jogou para platéia. Jogava para o Brasil. Como sempre o fez, desde muito jovem.
Faço votos para que pessoas como eu - velhas ou terceira idade se preferem - não se abstenham de votar. A Lei não nos obriga, é fato. Mas a gente deveria se obrigar, não é? Pode ser que não se veja pessoalmente o resultado, mas os filhos e netos verão. Não é assim construído o futuro? Conhecemos, ao contrário dos jovens, uma época em que existiam políticos mais sérios. Não eram exceções como este de quem vos falo. E, por que sabemos das coisas podemos dar o exemplo.
Vamos lá. Ainda é tempo.
Faço votos para que os eleitores não acreditem em milagres. Na esfera administrativa eles não existem. Os resultados quando existem são construídos pela competência, pela cultura, pela ética, pelo trabalho, pela união de esforços, pela disseminação do conhecimento, pela compaixão não piegas por este povo tão sofrido.
E se meus votos forem ouvidos teremos orgulhosamente Fernando Gabeira como Prefeito desta cidade maravilhosa que mais que merece melhores dias, não apenas por ser linda e mundialmente conhecida, mas por ser a nossa casa. E casa da gente é muito importante para que dela façamos uma entrega sem pensar."
Anna Maria Ribeiro, 78, é Analista de Sitemas