outubro 06, 2008

TORRE DOS CLÉRIGOS

Torre dos Clérigos é a torre mais alta de Portugal, com 75,60 metros de altura.Sua construção teve início em 1754 e foi concluída em 1763. É considerado o monumento ex-libris da cidade do Porto e o mais representativo do barroco portuense. Constituída por 6 andares, o destaque vai para o 3º andar, onde há 4 sineiras e o carrilhão do concerto que utiliza 49 sinos. A designação “dos clérigos” deve-se ao fato de ter sido construída de 1731 a 1749 para sede de uma irmandade que tinha como objetivo a ajuda espiritual e material aos clérigos pobres. Nicolau Nasoni, pintor-decorador toscano, projetou e acompanhou as obras, gratuitamente, ao longo de, pelo menos, trinta anos. Foi seu último trabalho e sua obra prima. Nasoni foi o responsável pela decoração faustosa e pelo granito duro do norte que caracterizam suas paredes.

HANS SILVESTER



Esta é uma pequena amostra do trabalho de Hans Silvester que fotografou durante 6 anos, homens, mulheres crianças e velhos que são genios na arte ancestral de pintar os corpos. Eles se pintam somente pelo desejo de se enfeitar, de se sentirem bonitos e sedutores. E conseguem. São tribos que vivem no triângulo Etiópia-Sudão-Kenia, num vale próoximo a uma região vulcânica que fornece uma variada gama de pigmentos, que vão do ocre, vermelho,kaolim, branco ao verde, amarelo luminoso e ao gris das cinzas. Seus corpos de 2 mt de altura são imensas telas. Fazem suas pinturas usando apenas as mãos e os dedos para, com velocidade e total liberdade, em gestos rápidos e espontâneos, que, praticados desde a infância, produzirem esta beleza.

O GOSTO DO PÓ

"NÃO TENHO VOCAÇÃO para idealizar as coisas. Idealizar é pensar que o mundo é melhor do que parece. A idealização aumenta o já inevitável risco de fracassar na vida. Reconheço, caro leitor, que a incapacidade de idealizar pode se transformar numa doença mortal. O ceticismo, o cinismo, o niilismo, a melancolia, são formas possíveis dessa doença.
Muitos acreditam que sem utopias ou ideais a vida perde o sentido. Talvez tenham razão. Acho que não. Eu, desprovido de qualquer órgão para idealização, prefiro sempre a realidade à fantasia. Nunca tive qualquer esperança metafísica. Não acho que minha vida seja necessariamente melhor por isso. Uma das banalidades da sociedade moderna é confundir conhecimento com felicidade e sucesso. "A vida para a felicidade" é irmã gêmea da mediocridade.
Mas a mediocridade pode ser uma forma de sobreviver. Muitas vezes, não há muito mais do que isso como opção no cotidiano. Não acho que o conhecimento salve ninguém, mas ele nos ensina outras formas de olhar o mundo. Nós pensamos enquanto as aranhas tecem suas teias.
Habitamos em dois mundos: o externo e o interno. Do lado de fora, a ameaça vem do fato de sermos parte insignificante da cadeia alimentar. Portadores de um órgão que pensa e vê a beleza, sabemos que este órgão, gelatina cinzenta, é também alimento de muitos outros animais. Sejam eles gloriosos leões, sejam eles miseráveis vermes. Esse "excesso" de conhecimento é a ameaça que nos atormenta no mundo interno. Combatemos em duas frentes.
Na primeira, combatemos a violência do meio ambiente, onde animais devoram uns aos outros. Na segunda, combatemos a violência da alma, onde o medo se torna nosso irmão gêmeo. Esse "excesso" de conhecimento nos faz carregar nas costas, há infinitos milênios, a imagem de nosso próprio cadáver no espelho. À noite, quando dormimos, os fantasmas dessa alma, que sabe mais do que deve, nos visita.
Às vezes, na insônia, como diria Elias Canetti, ouvimos os ruídos do corpo e sentimos a fragilidade da vida que nos escapa. Certa feita, o escritor israelense Amóz Oz me disse, numa entrevista para a Folha, que tem o hábito de caminhar pelo deserto todas as manhãs. Esse hábito o ajuda a compreender melhor a condição humana.
Por quê? Amóz Oz tem em mente a antiga tradição religiosa de caminhar pelo deserto a fim de percebermos do que somos feitos: pó e cinzas. Grandes descobertas sobre si mesmo e sobre a vida são comuns nos relatos dessas caminhadas. Uma teologia forte nasce aí: na pobreza do pó.
Aliás, a ignorância com relação às grandes tradições religiosas é marca de um iluminismo estreito, característico da nossa formação em ciências humanas. Marx, Nietzsche e Freud, apesar de terem posto a teologia de joelhos, apresentam visões simplificadas da religião. Mesmo a literatura de auto-ajuda, esse grande engodo, bebe nesta experiência do deserto para construir suas fórmulas baratas de salvação.
Mas a consciência do deserto pode nos assaltar mesmo em meio a nossa vida cotidiana. Não é necessário irmos a Israel. O envelhecimento é um exemplo. O medo do envelhecimento mostra seus dentes todas as manhãs. Quando olho no espelho pela manhã, e vejo as marcas do tempo no rosto, sou visitado por este fantasma. Ou quando recebo o resultado infeliz de um exame de laboratório.
Hospitais e cemitérios são lugares excepcionais para fazermos filosofia. Imediatamente, é reestabelecida, em minha alma, a consciência do punhado de pó que sou. A cada doença, o pó toma o lugar do corpo. Eis a agonia interna da alma se fazendo presente.
Uma das coisas mais difíceis de se pensar quando vivemos numa cultura excessivamente medrosa como a nossa, viciada na utopia do "humano eficaz", é que outros modos de vida já foram menos covardes. Isso nada tem a ver com "voltar ao passado". Faz parte de nossa cultura o auto-engano porque tememos que a tristeza nos torne menos eficientes.
Imperativos do tipo "seja jovem" excluem grande parte da experiência cotidiana. A imensa maioria das horas se passa entre a insegurança e o medo. Se o seu pai ou a sua mãe sonha em ser "jovem" como você, a fala escondida nesse desejo é: "você meu filho, você minha filha, não tem futuro". A coragem é necessária para sermos gente grande. A "propaganda da juventude" humilha a alma que tem, em sua boca, o gosto do pó todos os dias."
LUIZ FELIPE PONDÉ na FSP

outubro 05, 2008

NADA PODE SER TUDO

O que vc tem feito? Esta não é mais pergunta que se faça sem riscos de obter respostas impensáveis.“O que peixe faz! O que é que peixe faz? ”
O NADA deixou de ser preocupação filosófica. Portanto, esqueça Sartre e o seu nada como marca da essência do ser humano, na perspectiva de uma “metafísica da negatividade”. Nada de existencialismo, segundo o nadismo, “este é um conceito fadado à extinção”.
NADA não é uma sigla, como pode parecer. Nos tempos atuais, é a filosofia de “uma organização que se opõe a exarcebação da produtividade e da eficiência que, nas últimas décadas assumiram ares de vício”. É isso mesmo!
NADA tem logo, estatuto e marca registrada. Não se espante ao se deparar com um enorme cubo branco vazio (símbolo do movimento), cercado por um bando de gente deitada, sem fazer nada. É quase certo serem os praticantes do nadismo.
Lendo sobre o tema, fiquei sabendo,(será que só eu não sabia?!), que “... “fazer nada” foi sempre a verdadeira grande meta (mesmo que não se admita) da humanidade. Se bem que, frente aos padrões nadistas, redigir um manifesto soa como um trabalho hercúleo…”
Já existe o clube com o objetivo de "criar um momento especial que oferece a oportunidade rara de efetivamente parar e não fazer coisa alguma" e, segundo o seu fundador, "as pessoas têm dentro de si um profundo desejo: Tudo o que eu quero é parar e não fazer nada. Mas todo mundo se cobra muita coisa e não consegue esse tempo.” A prática do nadismo deve se dá “sem preocupação, sem compromisso e o mais importante: sem culpa”, diz outro adepto.
Não vai demorar, até um sócio/praticante ter a idéia e, se não se constituir num esforço grande demais, transformar o nadismo em religião. Por que não? A partir daí, o “Fazer nada”, durante o horário de trabalho ou de estudo, por exemplo, não poderá ser reprovado nem reprimido, sob pena de tal atitude ser considerada perseguição ideológica ou religiosa. Por motivos óbvios, é de se prever a adesão em massa, inclusive de “ celebridades”, políticos não reeleitos e outros que já tem grande experiência nesta prática.
É esperar para ver.

IMAGENS URBANAS

A RATP até agora não entendeu como Jam Abelanet conseguiu fazer quase 50 nus no extremamente vigiado Metro de Paris . Segundo o fotógrafo, ele quis fazer uma homenagem a estes lugares que fazem parte do cotidiano de milhões de pessoas que passam em direção ao trabalho sem prestar a menor atenção no quanto são visualmente ricos. As fotos feitas entre setembro de 2007 e janeiro de 2008, muito cedo da manhã ou bem tarde da noite, ilustram o livro “Fantasias Subterrâneas”. À exceção desta em que a modelo posa entre os passageiros (um clin d’oeil bem ilustrativo da indiferença dos parisienses), as fotos são todas verdadeiras.

DOMINGO de eleições municipais

outubro 04, 2008

A sedutora história da leitura

"Um livro só começa a existir quando um leitor o abre. Esta afirmação resume o novo olhar dos historiadores em relação à leitura. Durante muito tempo eles mantiveram frente à leitura uma atitude linear, supondo-a invariável, natural a todas as pessoas de todas as épocas. Hoje, inúmeras pesquisas nos ensinam a ver no gesto trivial de ler um texto, uma variação quase infinita, possível de ser reconstituída nos diversos momentos da história.
Claro que a difusão do "livro com páginas" tal como o conhecemos, assim como a primeira revolução na história do livro - a invenção da imprensa no século XV - provocaram um alargamento enorme do número de leitores. A segunda grande mutação nas maneiras de ler ocorreu no final do século XVIII com a passagem de hábitos intensivos de leitura - a leitura constante e repetida de textos de caráter religioso (a Bíblia era o grande best-seller!) - para hábitos extensivos de leitura do leitor moderno, que (mal) lê vários livros, ávido por novidades.
Mas a leitura "intensiva" não chega a desaparecer, pois o advento do romance coincidiu com a disseminação de modos emocionais de leitura. Rousseau exigiu que o seu A Nova Heloísa fosse "lido tão intensamente quanto a Bíblia", o que realmente ocorreu, provocando nas leitoras desmaios, choros convulsivos e, no limite, suicídios. Com os olhos de hoje, distraídos pelo caleidoscópio de imagens nas telas, fica difícil concebermos a força desta paixão incendiária provocada pela leitura.
Sedução pela leitura? Ler em público era, antes do advento do marketing e da noite de autógrafos, a melhor maneira de um autor obter público para seus livros. O poeta Dylan Thomas, em alto estado etílico, encantava com sua belíssima poesia cantada nos bares, coisa só percebida na língua original.Mas, na inspirada tradução de Ivan Junqueira, os leitores podem ter uma idéia: Em meu ofício ou arte taciturna/ Exercido na noite silenciosa/Quando somente a lua se enfurece /Trabalho junto à luz que canta/ Não por glória ou pão/ Nem por pompa ou tráfico de encantos/Nos palcos de marfim/Mas pelo mínimo salário/Do seu mais secreto coração. Difícil imaginar tais versos, como revelam os arquivos, reproduzidos por inúmeros leitores que os enviavam, junto com as flores, às namoradas distantes.
Difícil, mas não impossível, já que no final do século XIX o público leitor atingiu a alfabetização em massa. A "era de ouro" da leitura foi também a última a ver o livro ainda imune à competição com outros meios de comunicação - TV, internet e todo o sofisticado aparato da mídia eletrônica do século XX. Ler numa tela não é o mesmo que ler num livro com páginas. Estaríamos hoje diante de uma terceira revolução da leitura? Independente da imprevisível resposta, esta recente história da leitura empolga e surpreende. Porque é a história de uma prática ligada talvez ao mais espetacular instrumento utilizado pelo homem.
Que afinal, vem confirmar o que Jorge Luis Borges disse certa vez, de forma definitiva, sobre o livro: O microscópio e o telescópio são extensões da nossa visão; o telefone é a extensão da nossa voz; em seguida, temos o arado e a espada, extensões do nosso braço. O livro, porém, é outra coisa: o livro é uma extensão da nossa memória e da nossa imaginação. "

Elias Thomé Saliba é historiador e professor da USP.

outubro 03, 2008

Picasso, o criador absoluto

Esta tinha que vir para cá. Gosto dele tanto, tanto...A reportagem é de autoria de Pascal Marchetti-Leca e foi publicada na História Viva em 2004. É a trajetória deste genio da pintura que foi considerado egoísta, mesquinho e até perverso,mas que com sua genialidade e liberdade soberana, mudou a face da arte.
Assim começa sua história:
"O recém-nascido não respira. No dia 25 de outubro de 1881, em Málaga, Maria Picasso y Lopez dá à luz um menino de coração preguiçoso. A parteira mal pode suportar o olhar desolado da mãe. O diagnóstico é funesto: um natimorto. O pai, José Ruiz Blasco, homem de ar fleumático, apelidado por isto de "inglês", cede também à angústia do acontecimento. Desorientado, lívido, impotente, ele percorre todos os cantos da sala.
O irmão de José, o médico Salvador Ruiz Blasco, levado mais pela simpatia familiar do que pela ciência, precipita-se, com um charuto entre os dedos, para o leito de dona Maria. Ele lança um olhar consternado para o sobrinho e, em desespero, sopra fumaça em seu rosto. Contra todas as expectativas a criança reage e, salva pelo charuto, chora pela primeira vez. É o choro de um ressuscitado...."

Clique no título para ler a reportagem completa.

outubro 02, 2008

Viver sem controle

Ontem recebi um e-mail que trazia um questionário (já respondido) para que eu substituísse aquelas, por respostas pessoais, e enviasse para o remetente e para mais tantas pessoas. O objetivo era fazer com que os “amigos” ficassem se conhecendo melhor, ao revelar as cidades de que mais gostam , para onde gostariam de retornar, o que gostariam de estar fazendo naquele momento, o que viam na TV quando criança, os programas que preferem hoje, enfim , hábitos e gostos publicáveis.
O meu amigo remetente, naquele momento, gostaria de estar no sofá da casa de sua mãe, voltar à Paris, trabalhar menos, estas coisas. Ainda que não goste de correntes, pensei em ser gentil e responder. Mas estanquei logo no segundo item.Quando eu era criança não existia TV e faz anos que só vejo, casualmente, em locais públicos.
Que não assisto televisão os mais próximos sabem, mas declarado num questionário que ia circular, poderia não pegar bem. Não havendo um campo para justificativas, onde eu pudesse esclarecer que a televisão estava me deixando triste, pessimista, irritada, deprimida e que, me livrando dela, vivia bem melhor, resolvi escrever para o meu amigo e ficamos entendidos.
Ninguém imagina o alívio que foi para mim. Não encontro explicação para não haver me livrado muito antes. Nunca tive o hábito de ver novela. Estudava e depois passei a trabalhar à noite.
Houve um período, não muito longo, em que estive casada com alguém que voltava para casa, às pressas, para não perder a novela.De tanto ouvir que a minha rejeição era atitude de pseudo-intelectual e como outros comportamentos o faziam me achar pedante, passei a me sentar a seu lado durante a novela ( a que o amor nos obriga!).
Diálogos vazios, previsíveis, superficiais e infindáveis que não resolviam nada, não tiravam a trama (sempre muito boba)do ponto em que estava no capítulo anterior. Um tédio!
Com o tempo, fui me liberando da “obrigação” e pude buscar outras ocupações para o horário “nobre”. Tão nobre horário merece ser melhor aproveitado, seja para conviver com os de casa, receber/encontrar amigos, bater-papo (mesmo por telefone) ouvir música, preparar comidinhas... Qualquer coisa, longe da TV. Vale até arrumar gaveta!
Da programação dominical fazia anos que me livrara. A verdade é que sempre tive um olhar meio crítico, inclusive para o jornalismo,escancaradamente manipulado. Chegava a comentar com amigos que aquela programação não era direcionada para gente como nós.
Veio a TV a cabo. A curiosidade pelo novo durou pouco. A programação não era menos pasteurizada como parecia à primeira vista. Muitas séries (americanas!), com claque! Os talks shows, então! Cedo logo deu para perceber que ali não tinha nada para mim, mas ainda insisti por alguns anos. Afinal, se todo mundo gostava, me achava compelida a pelo menos tentar gostar também.
Deixar de ver televisão, me fez ganhar não só tempo, mas liberdade.Fiquei livre do controle remoto e da escravidão de ficar horas zapeando, procurando o que não existia, até adormecer mal humorada.
Mantendo-me distante de violências e tragédias pelo mundo afora, do nojento dia a dia da política e da mediocridade reinante, posso até dizer, como fiz aqui no título do blog,
"Vivo nas estrelas....

outubro 01, 2008

Dia Internacional do Idoso

A velhice é inexorável. Ou se fica velha, ou se morre!
A maior dificuldade de ser "velha" é romper com o estereótipo de que se tornou sem "utilidade". E, descartada do mercado de trabalho e do mercado amoroso, ainda ter que suportar a "síndrome da invisibilidade" (quem é velha sabe de que estou falando). Resta tentar envelhecer com dignidade , sabendo perceber o momento certo em que devemos, aos poucos, nos retirar da vida trepidante da ação para descobrir os novos prazeres da reflexão.

Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

ALFABETO

O alfabeto é agora formado por 26 letras. O "k", "w" e "y" não eram consideradas letras do nosso alfabeto. Essas letras serão usadas em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras e seus derivados. Exemplos: km, watt, Byron, byroniano

TREMA

Não existe mais o trema em língua portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados, por exemplo: Müller, mülleriano

ACENTUAÇÃO

Ditongos abertos (ei, oi) não são mais acentuados em palavras paroxítonas, por exemplo: assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico
obs: nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis.
obs2: o acento no ditongo aberto "eu" continua: chapéu, véu, céu, ilhéu.


O hiato "oo" não é mais acentuado, por exemplo enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo
O hiato "ee" não é mais acentuado, por exemplo creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem


Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas, por exemplo, para (verbo), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo), pera (substantivo), polo (substantivo)
Obs: o acento diferencial ainda permanece no verbo "poder" (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do Indicativo - "pôde") e no verbo "pôr" para diferenciar da preposição "por"


Não se acentua mais a letra "u" nas formas verbais rizotônicas, quando precedido de "g" ou "q" e antes de "e" ou "i" (gue, que, gui, qui), por exemplo, argui, apazigue, averigue, enxague, ensaguemos, oblique
Não se acentua mais "i" e "u" tônicos em paroxítonas quando precedidos de ditongo, por exemplo, baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura, feiume

HÍFEN

O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por "r" ou "s", sendo que essas devem ser dobradas, por exemplo, antessala, antessacristia, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirromântico, arquirrivalidade, autorregulamentação, contrassenha, extrarregimento, extrassístole, extrasseco, infrassom, inrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia, suprarrenal, suprassensível
obs: em prefixos terminados por "r", permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, hiper-requintado, hiper-requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, super-resistente etc..


O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por outra vogal, por exemplo,autoafirmação, autoajuda, autoaprendizabem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido, semiembriagado, semiobscuridade, supraocular, ultraelevado.
Obs: esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes antes: antiaéreo, antiamericano, socioeconômico etc.
Obs2: esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por "h": anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo etc.


Agora utiliza-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal, por exemplo, anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacioná rio, anti-imperialista, arqui-inimigo, arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus, micro-orgânico
obs: esta regra foi alterada por conta da regra anterior: prefixo termina com vogal + palavra inicia com vogal diferente = não tem hífen; prefixo termina com vogal + palavra inicia com mesma vogal = com hífen
obs2: uma exceção é o prefixo "co". Mesmo se a outra palavra inicia-se com a vogal "o", NÃO utiliza-se hífen.


AINDA O HÍFEN
Não usamos mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de composição, por exemplo, mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, pára-choque, paravento
Obs: o uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constitui unidade sintagmática e semântica, mantendo o acento próprio, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgiã o, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer, bem-te-vi etc.

Desfile DIOR - John Galliano


Começou em Paris a Semana da Moda, com a temporada de desfiles do Prêt-à-porter - Printemps-été 2009, que acontece nas Tulherias.

setembro 30, 2008

Além do X e do Y

Ano passado a diretora argentina Lucía Puenzo (ela é filha de Luís Puenzo, que conquistou o Oscar de filme estrangeiro em 1986 com “A história oficial”) num relato seco e poético, abordou o tema da ambiguidade que pode haver no masculino/feminino, no filme XXY. O olhar feminino para a questão dos gêneros sexuais nos oferece um denso contato com a realidade das pessoas que tem de decidir o sexo que querem ter. A figura do pai (Ricardo Darín) tem um tratamento especial, pois é ele que percebe que talvez a “filha” seja, no fundo, um filho. O filme recebeu o Prêmio da Crítica no Festival de Cannes de 2007.
Li no El País , de ontem, um artigo sobre como vem sendo tratada a transexualidade na Espanha e Holanda. O artigo começava com o questionamento: "Como você reagiria se o obrigassem a viver como um homem quando se sente uma mulher, ou vice-versa?" para referir-se ao filme "Meninos não Choram", no qual uma garota (interpretada por Hillary Swank) se faz passar por um rapaz. O filme é baseado em fatos reais e acaba de forma trágica quando um dos amigos reclama ter sido enganado por uma transexual. Seu caso é extremo, mas o filme ilustra uma sensação que pode ser experimentada em qualquer idade, como demonstra o fato de que os especialistas recebem pacientes cada vez mais jovens.
Isto me trouxe à lembrança uma conversa que mantive, durante um cruzeiro, com um médico que me disse ser esta sua especialidade. Não escondi a curiosidade e lhe fiz várias perguntas, dentre outras, se na cirurgia definidora o critério era meramente anatômico. Em se tratando de crianças, não havia como ser diferente, foi o que ouvi dele. Pensava na “alma” das criaturas....
Bom, deixei de lado o jornal, passei para a revista mente & cérebro . O tema não era diferente. O que se percebe é uma abordagem mais sensível a esta tão delicada questão.
A mudança de atitude do jovem cirurgião decorreu da leitura dos diários de Herculine Barbin, uma hermafrodita do século XIX, cuja história de amor e infortúnio foi editada pelo filósofo e cientista social Michel Foucault. A leitura destes é que teria aguçado seu questionamento sobre o que a “normalidade” sexual de fato significava.
A matéria é muito boa.
Para lê-la, clique no título da postagem.