Ontem recebi um e-mail que trazia um questionário (já respondido) para que eu substituísse aquelas, por respostas pessoais, e enviasse para o remetente e para mais tantas pessoas. O objetivo era fazer com que os “amigos” ficassem se conhecendo melhor, ao revelar as cidades de que mais gostam , para onde gostariam de retornar, o que gostariam de estar fazendo naquele momento, o que viam na TV quando criança, os programas que preferem hoje, enfim , hábitos e gostos publicáveis.
O meu amigo remetente, naquele momento, gostaria de estar no sofá da casa de sua mãe, voltar à Paris, trabalhar menos, estas coisas. Ainda que não goste de correntes, pensei em ser gentil e responder. Mas estanquei logo no segundo item.Quando eu era criança não existia TV e faz anos que só vejo, casualmente, em locais públicos.
Que não assisto televisão os mais próximos sabem, mas declarado num questionário que ia circular, poderia não pegar bem. Não havendo um campo para justificativas, onde eu pudesse esclarecer que a televisão estava me deixando triste, pessimista, irritada, deprimida e que, me livrando dela, vivia bem melhor, resolvi escrever para o meu amigo e ficamos entendidos.
Ninguém imagina o alívio que foi para mim. Não encontro explicação para não haver me livrado muito antes. Nunca tive o hábito de ver novela. Estudava e depois passei a trabalhar à noite.
Houve um período, não muito longo, em que estive casada com alguém que voltava para casa, às pressas, para não perder a novela.De tanto ouvir que a minha rejeição era atitude de pseudo-intelectual e como outros comportamentos o faziam me achar pedante, passei a me sentar a seu lado durante a novela ( a que o amor nos obriga!).
Diálogos vazios, previsíveis, superficiais e infindáveis que não resolviam nada, não tiravam a trama (sempre muito boba)do ponto em que estava no capítulo anterior. Um tédio!
Com o tempo, fui me liberando da “obrigação” e pude buscar outras ocupações para o horário “nobre”. Tão nobre horário merece ser melhor aproveitado, seja para conviver com os de casa, receber/encontrar amigos, bater-papo (mesmo por telefone) ouvir música, preparar comidinhas... Qualquer coisa, longe da TV. Vale até arrumar gaveta!
Da programação dominical fazia anos que me livrara. A verdade é que sempre tive um olhar meio crítico, inclusive para o jornalismo,escancaradamente manipulado. Chegava a comentar com amigos que aquela programação não era direcionada para gente como nós.
Veio a TV a cabo. A curiosidade pelo novo durou pouco. A programação não era menos pasteurizada como parecia à primeira vista. Muitas séries (americanas!), com claque! Os talks shows, então! Cedo logo deu para perceber que ali não tinha nada para mim, mas ainda insisti por alguns anos. Afinal, se todo mundo gostava, me achava compelida a pelo menos tentar gostar também.
Deixar de ver televisão, me fez ganhar não só tempo, mas liberdade.Fiquei livre do controle remoto e da escravidão de ficar horas zapeando, procurando o que não existia, até adormecer mal humorada.
Mantendo-me distante de violências e tragédias pelo mundo afora, do nojento dia a dia da política e da mediocridade reinante, posso até dizer, como fiz aqui no título do blog,
"Vivo nas estrelas....
outubro 02, 2008
outubro 01, 2008
Dia Internacional do Idoso
A velhice é inexorável. Ou se fica velha, ou se morre!
A maior dificuldade de ser "velha" é romper com o estereótipo de que se tornou sem "utilidade". E, descartada do mercado de trabalho e do mercado amoroso, ainda ter que suportar a "síndrome da invisibilidade" (quem é velha sabe de que estou falando). Resta tentar envelhecer com dignidade , sabendo perceber o momento certo em que devemos, aos poucos, nos retirar da vida trepidante da ação para descobrir os novos prazeres da reflexão.
A maior dificuldade de ser "velha" é romper com o estereótipo de que se tornou sem "utilidade". E, descartada do mercado de trabalho e do mercado amoroso, ainda ter que suportar a "síndrome da invisibilidade" (quem é velha sabe de que estou falando). Resta tentar envelhecer com dignidade , sabendo perceber o momento certo em que devemos, aos poucos, nos retirar da vida trepidante da ação para descobrir os novos prazeres da reflexão.
Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
ALFABETO
O alfabeto é agora formado por 26 letras. O "k", "w" e "y" não eram consideradas letras do nosso alfabeto. Essas letras serão usadas em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras e seus derivados. Exemplos: km, watt, Byron, byroniano
TREMA
Não existe mais o trema em língua portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados, por exemplo: Müller, mülleriano
ACENTUAÇÃO
Ditongos abertos (ei, oi) não são mais acentuados em palavras paroxítonas, por exemplo: assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico
obs: nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis.
obs2: o acento no ditongo aberto "eu" continua: chapéu, véu, céu, ilhéu.
O hiato "oo" não é mais acentuado, por exemplo enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo
O hiato "ee" não é mais acentuado, por exemplo creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem
Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas, por exemplo, para (verbo), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo), pera (substantivo), polo (substantivo)
Obs: o acento diferencial ainda permanece no verbo "poder" (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do Indicativo - "pôde") e no verbo "pôr" para diferenciar da preposição "por"
Não se acentua mais a letra "u" nas formas verbais rizotônicas, quando precedido de "g" ou "q" e antes de "e" ou "i" (gue, que, gui, qui), por exemplo, argui, apazigue, averigue, enxague, ensaguemos, oblique
Não se acentua mais "i" e "u" tônicos em paroxítonas quando precedidos de ditongo, por exemplo, baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura, feiume
HÍFEN
O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por "r" ou "s", sendo que essas devem ser dobradas, por exemplo, antessala, antessacristia, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirromântico, arquirrivalidade, autorregulamentação, contrassenha, extrarregimento, extrassístole, extrasseco, infrassom, inrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia, suprarrenal, suprassensível
obs: em prefixos terminados por "r", permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, hiper-requintado, hiper-requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, super-resistente etc..
O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por outra vogal, por exemplo,autoafirmação, autoajuda, autoaprendizabem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido, semiembriagado, semiobscuridade, supraocular, ultraelevado.
Obs: esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes antes: antiaéreo, antiamericano, socioeconômico etc.
Obs2: esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por "h": anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo etc.
Agora utiliza-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal, por exemplo, anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacioná rio, anti-imperialista, arqui-inimigo, arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus, micro-orgânico
obs: esta regra foi alterada por conta da regra anterior: prefixo termina com vogal + palavra inicia com vogal diferente = não tem hífen; prefixo termina com vogal + palavra inicia com mesma vogal = com hífen
obs2: uma exceção é o prefixo "co". Mesmo se a outra palavra inicia-se com a vogal "o", NÃO utiliza-se hífen.
AINDA O HÍFEN
Não usamos mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de composição, por exemplo, mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, pára-choque, paravento
Obs: o uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constitui unidade sintagmática e semântica, mantendo o acento próprio, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgiã o, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer, bem-te-vi etc.
O alfabeto é agora formado por 26 letras. O "k", "w" e "y" não eram consideradas letras do nosso alfabeto. Essas letras serão usadas em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras e seus derivados. Exemplos: km, watt, Byron, byroniano
TREMA
Não existe mais o trema em língua portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados, por exemplo: Müller, mülleriano
ACENTUAÇÃO
Ditongos abertos (ei, oi) não são mais acentuados em palavras paroxítonas, por exemplo: assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico
obs: nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis.
obs2: o acento no ditongo aberto "eu" continua: chapéu, véu, céu, ilhéu.
O hiato "oo" não é mais acentuado, por exemplo enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo
O hiato "ee" não é mais acentuado, por exemplo creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem
Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas, por exemplo, para (verbo), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo), pera (substantivo), polo (substantivo)
Obs: o acento diferencial ainda permanece no verbo "poder" (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do Indicativo - "pôde") e no verbo "pôr" para diferenciar da preposição "por"
Não se acentua mais a letra "u" nas formas verbais rizotônicas, quando precedido de "g" ou "q" e antes de "e" ou "i" (gue, que, gui, qui), por exemplo, argui, apazigue, averigue, enxague, ensaguemos, oblique
Não se acentua mais "i" e "u" tônicos em paroxítonas quando precedidos de ditongo, por exemplo, baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura, feiume
HÍFEN
O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por "r" ou "s", sendo que essas devem ser dobradas, por exemplo, antessala, antessacristia, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirromântico, arquirrivalidade, autorregulamentação, contrassenha, extrarregimento, extrassístole, extrasseco, infrassom, inrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia, suprarrenal, suprassensível
obs: em prefixos terminados por "r", permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, hiper-requintado, hiper-requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, super-resistente etc..
O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por outra vogal, por exemplo,autoafirmação, autoajuda, autoaprendizabem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido, semiembriagado, semiobscuridade, supraocular, ultraelevado.
Obs: esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes antes: antiaéreo, antiamericano, socioeconômico etc.
Obs2: esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por "h": anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo etc.
Agora utiliza-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal, por exemplo, anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacioná rio, anti-imperialista, arqui-inimigo, arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus, micro-orgânico
obs: esta regra foi alterada por conta da regra anterior: prefixo termina com vogal + palavra inicia com vogal diferente = não tem hífen; prefixo termina com vogal + palavra inicia com mesma vogal = com hífen
obs2: uma exceção é o prefixo "co". Mesmo se a outra palavra inicia-se com a vogal "o", NÃO utiliza-se hífen.
AINDA O HÍFEN
Não usamos mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de composição, por exemplo, mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, pára-choque, paravento
Obs: o uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constitui unidade sintagmática e semântica, mantendo o acento próprio, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgiã o, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer, bem-te-vi etc.
Desfile DIOR - John Galliano
Começou em Paris a Semana da Moda, com a temporada de desfiles do Prêt-à-porter - Printemps-été 2009, que acontece nas Tulherias.
setembro 30, 2008
Além do X e do Y
Ano passado a diretora argentina Lucía Puenzo (ela é filha de Luís Puenzo, que conquistou o Oscar de filme estrangeiro em 1986 com “A história oficial”) num relato seco e poético, abordou o tema da ambiguidade que pode haver no masculino/feminino, no filme XXY. O olhar feminino para a questão dos gêneros sexuais nos oferece um denso contato com a realidade das pessoas que tem de decidir o sexo que querem ter. A figura do pai (Ricardo Darín) tem um tratamento especial, pois é ele que percebe que talvez a “filha” seja, no fundo, um filho. O filme recebeu o Prêmio da Crítica no Festival de Cannes de 2007. Li no El País , de ontem, um artigo sobre como vem sendo tratada a transexualidade na Espanha e Holanda. O artigo começava com o questionamento: "Como você reagiria se o obrigassem a viver como um homem quando se sente uma mulher, ou vice-versa?" para referir-se ao filme "Meninos não Choram", no qual uma garota (interpretada por Hillary Swank) se faz passar por um rapaz. O filme é baseado em fatos reais e acaba de forma trágica quando um dos amigos reclama ter sido enganado por uma transexual. Seu caso é extremo, mas o filme ilustra uma sensação que pode ser experimentada em qualquer idade, como demonstra o fato de que os especialistas recebem pacientes cada vez mais jovens.
Isto me trouxe à lembrança uma conversa que mantive, durante um cruzeiro, com um médico que me disse ser esta sua especialidade. Não escondi a curiosidade e lhe fiz várias perguntas, dentre outras, se na cirurgia definidora o critério era meramente anatômico. Em se tratando de crianças, não havia como ser diferente, foi o que ouvi dele. Pensava na “alma” das criaturas....
Bom, deixei de lado o jornal, passei para a revista mente & cérebro . O tema não era diferente. O que se percebe é uma abordagem mais sensível a esta tão delicada questão.
A mudança de atitude do jovem cirurgião decorreu da leitura dos diários de Herculine Barbin, uma hermafrodita do século XIX, cuja história de amor e infortúnio foi editada pelo filósofo e cientista social Michel Foucault. A leitura destes é que teria aguçado seu questionamento sobre o que a “normalidade” sexual de fato significava.
A matéria é muito boa.
Para lê-la, clique no título da postagem.
setembro 29, 2008
Um homem solitário...
...Um cachorro. Uma empregada. O Encontro.
Mariano cansara da vida publica. Queria retirar-se do burburinho das reuniões sociais e do partido. Cansara dos mexericos e das tertúlias musicais de sua família. Sempre fora só e assim gostava de ser. A profissão de advogado o lançara na política com a qual nada tinha a ver. Era calmo, pacato; um homem simples e na profissão mal sucedido. Ufa! - pensar que tinham sido 30 anos nas escadarias do forum!
Ansiava por outro estilo de vida; aquela das cantigas sertanejas da infância, do cheiro que emanava das panelas de barro no fogão de lenha e até, quem sabe, casar de novo?
Tinha dois filhos no exterior. A mulher o deixara há tempo...
E assim, atravessando a rua da cidade grande, pensava. Sem mais nem menos uma cadela agarrou-lhe as calças, e pumba! - lá estava ele no chão bem no meio da calçada. Atrás dela uma senhora, meia idade, apavorada enxotando o cão que não o largava. Que situação! Mariano perdera os óculos sem os quais não via nada. Pessoas se aproximaram com medo. Finalmente a cachorra se soltou e começou a triturar calmamente parte das calças de Mariano. A senhora apavorada afirmou que sua patroa dar-lhe-ia calças novas e a ele não restou alternativa que não segui-la. Afinal precisava saber se aquela peste de cão era vacinado e coisas assim.
- Dona Silvia! Dona Silvia ! berrou a empregada. Aconteceu uma tragédia!
Contou tudo.
A tal dona Silvia até que era bem apanhada. Morena de olhos verdes, quadril largo, beirando uns cinqüenta. Não se envergonhou, não se desculpou. Foi logo vendo o tamanho da vítima e em cinco minutos apareceu com varias calças do seu finado marido.
Mariano estava mudo. Em choque. Como um autômato a seguiu até o banheiro e trocou a peça.
Um mês depois estavam casados. Morando na fazenda. Ouvindo musica sertaneja.
Colaboração de Milena Morozowicz
Mariano cansara da vida publica. Queria retirar-se do burburinho das reuniões sociais e do partido. Cansara dos mexericos e das tertúlias musicais de sua família. Sempre fora só e assim gostava de ser. A profissão de advogado o lançara na política com a qual nada tinha a ver. Era calmo, pacato; um homem simples e na profissão mal sucedido. Ufa! - pensar que tinham sido 30 anos nas escadarias do forum!
Ansiava por outro estilo de vida; aquela das cantigas sertanejas da infância, do cheiro que emanava das panelas de barro no fogão de lenha e até, quem sabe, casar de novo?
Tinha dois filhos no exterior. A mulher o deixara há tempo...
E assim, atravessando a rua da cidade grande, pensava. Sem mais nem menos uma cadela agarrou-lhe as calças, e pumba! - lá estava ele no chão bem no meio da calçada. Atrás dela uma senhora, meia idade, apavorada enxotando o cão que não o largava. Que situação! Mariano perdera os óculos sem os quais não via nada. Pessoas se aproximaram com medo. Finalmente a cachorra se soltou e começou a triturar calmamente parte das calças de Mariano. A senhora apavorada afirmou que sua patroa dar-lhe-ia calças novas e a ele não restou alternativa que não segui-la. Afinal precisava saber se aquela peste de cão era vacinado e coisas assim.
- Dona Silvia! Dona Silvia ! berrou a empregada. Aconteceu uma tragédia!
Contou tudo.
A tal dona Silvia até que era bem apanhada. Morena de olhos verdes, quadril largo, beirando uns cinqüenta. Não se envergonhou, não se desculpou. Foi logo vendo o tamanho da vítima e em cinco minutos apareceu com varias calças do seu finado marido.
Mariano estava mudo. Em choque. Como um autômato a seguiu até o banheiro e trocou a peça.
Um mês depois estavam casados. Morando na fazenda. Ouvindo musica sertaneja.
Colaboração de Milena Morozowicz
GILDA
Zapear pelos canais da TV a cabo que mostram filmes antigos pode ser uma experiência emocional. Você volta e meia é tragado por um buraco negro e cai num lugar do passado que já tinha esquecido, e o revive com uma intensidade doida. Ou doída. Foi o que me aconteceu quando dei com uma reprise de "Gilda" (Charles Vidor dirigindo Rita Hayworth e Glenn Ford) na TV, há dias. Meu tombo no passado foi longo, não vou dizer de quantos anos. E caí em Caxambu, Minas Gerais. Onde o único cinema da cidade — já que se tratava de uma cidade turística, uma estação de águas — não seguia com muita rigidez as leis da censura da época, e onde, portanto, pela primeira vez vi um filme proibido até 18 anos. Era "Gilda".Grande sensação. "Nunca houve uma mulher como Gilda" era a principal frase promocional do filme. Diziam que Hollywood nunca fizera um filme como "Gilda" também. Era ousadíssimo. Tinha cenas "fortes". Falava-se até numa cena de strip-tease da Rita Hayworth. Não preciso dizer que entrei no cinema em grande estado de excitação premonitória. Ver um filme "até 18", eu que ainda não vira um "até 14", que mal podia ver os "até 10", era um feito de sonho. Senti que depois daquilo eu não seria mais o mesmo. Que estava entrando para uma ordem privilegiada. Que os signos e os segredos da nova ordem me seriam revelados durante o filme — e ai se eu contasse para os da minha idade o que se passava num "até 18".
Durante dez, quinze minutos, nada acontecia no filme que merecesse ser escondido das crianças. E então aparecia a Rita. Antes de entrar no seu quarto, o marido, que quer apresentá-la ao Glenn Ford, pergunta: "Gilda, você está decente?" E ela faz a mais sensacional entrada em cena, e na iconografia do século, de uma atriz, apenas levantando o tronco e a cabeça para ocupar a tela e dizendo: "Eu?" E depois que vê o Glenn Ford: "Sim, eu sou decente", uma frase que passa a desmentir pelo resto do filme. Com a Gilda na tela o cinema não era, decididamente, um lugar para menores de 18.
E ainda tinha o strip-tease. Com o vestido tomara-que-caia mais tomara-que-caia de todos os tempos, Gilda canta e dança e começa a tirar a roupa. Primeiro, lentamente, uma luva, depois... Bom, só tira a luva. Quando pede para alguém da platéia ajudá-la a abrir o zíper do vestido a dança é interrompida e o resto do strip-tease acontece na imaginação do espectador. Pelo menos aconteceu na minha.
Nos longos anos que separam o "Gilda" visto há dias do "Gilda" visto em Caxambu mudou a moral, mudaram os costumes e mudaram as crianças, mas nenhuma mulher ficou nua na tela como a Rita Hayworth não ficou. Nunca houve e nunca haverá outra mulher como Gilda.
L.F. VERISSIMO
setembro 28, 2008
BIBLIOTERAPIA
"O único conselho que alguém pode dar sobre a leitura é: não aceite nenhum conselho" esta é uma frase de Virginia Woolf em "Como Ler um Livro". Contrariando tal recomendação, um projeto lançado em Londres pela chamada School of Life se propõe a encontrar a receita de leitura certa para cada pessoa.
Mediante o preenchimento de uma ficha com informações sobre a sua história , aspirações e hábitos, seguida de uma entrevista com um especialista, são oferecidas indicações de leitura.
Não saberia descrever meus hábitos de leitura.Leio em casa (na cama) ou em qualquer lugar (na fila, no parque, no banco da praça, na mesa de um café, viajando de ônibus ) e, quase sempre, termino o que começo a ler. Não havendo um único tema de meu interesse, nem uma preocupação com assunto determinado e não sabendo precisar quais as minhas paixões(são tantas), não conseguiria responder as perguntas do tal questionário que é repassado ao "especialista". Não tenho, como se vê, o perfil de potencial cliente para este tipo de terapia. No entanto, considerando que na vida moderna as pessoas, além de não saberem o que procuram, perdem muito tempo nos deslocamentos para o trabalho ou cuidando de filhos, (para não mencionar as TVs sempre ligadas), não lhes sobrando tempo para ler, encontrar quem indique algo que tenha a ver com o seu momento e anseios, talvez seja interessante.
Segundo o artigo que li na FSP, a Escola da Vida se define como uma "pequena loja com enormes ambições". E o tom de auto-ajuda da loja fica atenuado por ter entre os sócios o filósofo Alain de Botton, famoso pelo livro "Como Proust Pode Mudar Sua Vida" , Robert Macfarlane ( ganhador de vários prêmios literários) e Geoff Dyer, dentre outros escritores.
No site da loja, Botton declara "Esse é o tipo de lugar que pode te tornar genuinamente sábio, em vez de apenas esperto. É tudo o que eu tenho tentado fazer com a minha escrita nos últimos 15 anos".
Além da biblioterapia, a escola também oferece “cursos pequenos sobre as grandes questões da vida": diversão, família, trabalho, política e amor.
Os interessados deverão estar "em busca de aventura pessoal e intelectual", com "curiosidade, mente aberta e um apetite pela vida".
O negócio é inglês, mas tem a cara das coisas daqui.
Logo...
setembro 27, 2008
Perfumes centenários
A fragrância francesa Rancé, que acaba de chegar ao Brasil, foi criada em 1795. Um de seus admiradores era Napoleão Bonaparte. O imperador, aficionado por aromas, chegou a tomar umas aulas de perfumaria com o fundador da empresa, François Rancé. Napoleão ganhou de presente uma criação exclusiva para ele e outra para a mulher, Joséphine. Os perfumes (Le Vainqueur e Joséphine) são vendidos até hoje com frasco e etiqueta iguais aos originais.
Mas a primeira paixão olfativa de Napoleão foi a colônia Jean Marie Farina, criada em 1806 e comprada pela Roger&Gallet em 1862. A fórmula é a mesma até hoje, mas o nome mudou para Extra Vieille.
Ele acreditava que a água milagrosa, como era conhecida, também fazia bem à saúde. Diz a lenda que o imperador costumava tomar vários goles dessa colônia antes das batalhas. Outra que tinha lugar cativo na sua penteadeira era a 4711, criada na Alemanha em 1792. Tudo indica que Napoleão foi o melhor garoto-propaganda que os perfumes poderiam ter na época.
Ainda mais antiga é a marca italiana Santa Maria Novella, com criações de 1500. A Acqua della Regina, homenagem à rainha da França Catarina de Médici, é vendida hoje com o nome de Acqua di Colonia.
Outra antiguidade atual é a inglesa Yardley, que desde 1770 faz a famosa lavanda, supostamente usada pela família real.
Segundo especialistas, essas colônias respeitam as fórmulas originais e usam um tipo de combinação de ingredientes que nunca sai de moda.
da FSP
Mas a primeira paixão olfativa de Napoleão foi a colônia Jean Marie Farina, criada em 1806 e comprada pela Roger&Gallet em 1862. A fórmula é a mesma até hoje, mas o nome mudou para Extra Vieille.
Ele acreditava que a água milagrosa, como era conhecida, também fazia bem à saúde. Diz a lenda que o imperador costumava tomar vários goles dessa colônia antes das batalhas. Outra que tinha lugar cativo na sua penteadeira era a 4711, criada na Alemanha em 1792. Tudo indica que Napoleão foi o melhor garoto-propaganda que os perfumes poderiam ter na época.
Ainda mais antiga é a marca italiana Santa Maria Novella, com criações de 1500. A Acqua della Regina, homenagem à rainha da França Catarina de Médici, é vendida hoje com o nome de Acqua di Colonia.
Outra antiguidade atual é a inglesa Yardley, que desde 1770 faz a famosa lavanda, supostamente usada pela família real.
Segundo especialistas, essas colônias respeitam as fórmulas originais e usam um tipo de combinação de ingredientes que nunca sai de moda.
da FSP
Tempos de silicone, botox e que tais....
AMIGAS AO TELEFONE...
- Oi, me conta como foi o encontro de ontem a noite ?
- Horrível, não sei o que aconteceu...
- Mas por que ? Não te deu nem um beijo ?
- Sim... beijar, me beijou. Mas me beijou tão forte que meu dente postiço da frente caiu e as lentes de contato verdes saltaram dos meus olhos ....
- Não me diga que terminou por aí .
- Não, claro. Depois pegou no meu rosto entre suas mãos, até que tive que pedir que não o fizesse mais, porque estava achatando o botox e me mordia os lábios como se fossem de plástico... ia explodir o meu implante de colágeno e quase sai o mega hair!!!!
- E... não tentou mais nada ?
- Sim, começou a acariciar minhas pernas e eu o detive, porque lembrei que não tive tempo para me depilar. E além do mais, me arrebatou com uma luxúria e estava me abraçando tão forte que quase ficou com minhas próteses do bumbum nas suas mãos e estourou meu silicone do peito...
- E depois, que aconteceu ?
- Aí então, começou a tomar champagne no meu sapato...
- Ai, que romântico...!!!
Romântico nada ! Ele quase morreu!!!
- E por quê?
- Engoliu meu corretor de joanete com a palmilha do salto...
- Nossa, que ele fez ?
- Você acredita que ele desistiu e foi embora? Acho que ele é boiola.
- Só pode!
(Luís Fernando Veríssimo)
- Oi, me conta como foi o encontro de ontem a noite ?
- Horrível, não sei o que aconteceu...
- Mas por que ? Não te deu nem um beijo ?
- Sim... beijar, me beijou. Mas me beijou tão forte que meu dente postiço da frente caiu e as lentes de contato verdes saltaram dos meus olhos ....
- Não me diga que terminou por aí .
- Não, claro. Depois pegou no meu rosto entre suas mãos, até que tive que pedir que não o fizesse mais, porque estava achatando o botox e me mordia os lábios como se fossem de plástico... ia explodir o meu implante de colágeno e quase sai o mega hair!!!!
- E... não tentou mais nada ?
- Sim, começou a acariciar minhas pernas e eu o detive, porque lembrei que não tive tempo para me depilar. E além do mais, me arrebatou com uma luxúria e estava me abraçando tão forte que quase ficou com minhas próteses do bumbum nas suas mãos e estourou meu silicone do peito...
- E depois, que aconteceu ?
- Aí então, começou a tomar champagne no meu sapato...
- Ai, que romântico...!!!
Romântico nada ! Ele quase morreu!!!
- E por quê?
- Engoliu meu corretor de joanete com a palmilha do salto...
- Nossa, que ele fez ?
- Você acredita que ele desistiu e foi embora? Acho que ele é boiola.
- Só pode!
(Luís Fernando Veríssimo)
setembro 26, 2008
ARROBA
Na minha casa sempre teve máquina de escrever. No tempo em que eram manuais e pesadas. As elétricas só apareceram muito depois e as esféricas - que também são peças de museu - são de "ontem"! Sou muito mais antiga do que tudo isto. Mas, voltando.Não lembro se tinha autorização para usá-la.Como quer que tenha sido, “brincar de escrever” fez parte de minha infância. Fui descobrindo sozinha como funcionava. A fita, que ficava num carretel, tinha a metade de cima preta e a de baixo vermelha. Na gaveta da mesinha, onde ela ficava, se guardava um vidrinho com um líquido que era usado para umedecê-la. Ainda sou capaz de reconhecê-lo pelo cheiro. Foi sozinha que aprendi como escrever em vermelho, usar letras maiúsculas, acentos etc... o que deve ter me tomado horas. Mas na infância, o tempo se mede de forma diferente... Na máquina havia uma pequena manivela para rebobinar, automaticamente, a fita. Até descobri-la eu fazia manualmente. Brincava de escrever em duas vias usando carbono que também tinha um cheiro característico, era preto e sujava não só as mãos, mas o papel em que se pretendia escrever.Tinha o lado certo para ser usado. Demorava fazendo os testes. Se errasse o lado, não copiava, apenas fazia uma sombra no avesso da primeira via (o "original" de hoje). A brincadeira acabava quando os tipos se enganchavam. Era o momento de largar e sair de mansinho...
Mais tarde, me dei conta de que nem todo mundo tinha familiaridade com máquina de escrever. Para aprender a usá-la faziam um curso de datilografia, recebiam um diploma que, às vezes, era exigido quando se candidatavam a certos empregos. Foi quando soube que haviam regras estabelecendo com qual dedo determinada letra devia ser "teclada". Conseguem imaginar? A minha aprendizagem se deu, naturalmente, como acontece nos tempos atuais. Alguém já ouviu falar em curso para aprender a “teclar”?
Não é a primeira vez que esta lembrança me ocorre. Ano passado, antes de ter o blog (já tenho estórias pré e pós blog) li este texto sobre o @. Quanto tempo que conheço este símbolo! Sempre esteve no teclado das máquinas de escrever, mas não havia uma utilidade para ele .
Agora, deparei-me, casualmente - pós blog - com o mesmo texto sobre a sua origem.
Vejam se não é curioso!
"Os livros na Idade Média eram escritos pelos copistas à mão. Precursores da taquigrafia, os copistas simplificavam o trabalho substituindo letras, palavras e nomes próprios, por símbolos, sinais e abreviaturas. Não era por economia de esforço nem para o trabalho ser mais rápido. O motivo era de ordem econômica: tinta e papel eram valiosíssimos. Foi assim que surgiu o til (~), para substituir letras, como "m" ou "n", que nasalizava a vogal anterior. Os santos, ao serem citados pelos copistas, eram identificados por um feito significativo em suas vidas. Assim, o nome de São José aparecia seguido de "Jesus Christi Pater Putativus", ou seja, o pai putativo de Jesus Cristo. Mais tarde os copistas passaram a adotar a abreviatura "JHS PP" e depois "PP". A pronúncia dessas letras em seqüência explica porque José em espanhol tem o apelido de Pepe.
Já para substituir a palavra latina et (e), os copistas criaram um símbolo que é o resultado do entrelaçamento dessas duas letras : &. Esse sinal é popularmente conhecido como "e comercial" e em inglês, tem o nome de ampersand, que vem do and (e em inglês) + per se (do latim por si) + and.
Com o mesmo recurso do entrelaçamento de suas letras, os copistas criaram o símbolo @ para substituir a preposição latina ad, que tinha, entre outros, o sentido de "casa de".
Veio a imprensa, foram-se os copistas, mas os símbolos @ e & continuaram a ser usados nos livros de contabilidade. O @ aparecia entre o número de unidades da mercadoria e o preço - por exemplo: o registro contábil "10@£3" significava "10 unidades ao preço de 3 libras cada uma". Nessa época o símbolo @ já ficou conhecido em inglês como at (a ou em).
No século XIX, nos portos da Catalunha, o comércio e a indústria procuravam imitar práticas comerciais e contábeis dos ingleses. Como os espanhóis desconheciam o sentido que os ingleses atribuíam ao símbolo @ (a ou em), acharam que o símbolo seria uma unidade de peso. Para o entendimento contribuíram duas coincidências:
1 - a unidade de peso comum para os espanhóis na época era a arroba, cujo "a" inicial lembra a forma do símbolo;
2 - os carregamentos desembarcados vinham freqüentemente em fardos de uma arroba. Dessa forma, os espanhóis interpretavam aquele mesmo registro de "10@£3" assim : "dez arrobas custando 3 libras cada uma". Então o símbolo @ passou a ser usado pelos espanhóis para significar arroba.
Arroba veio do árabe ar-ruba, que significa "a quarta parte": arroba (15 kg em números redondos) correspondia a ¼ de outra medida de origem árabe quintar), o quintal (58,75 kg).
As máquinas de escrever, na sua forma definitiva, começaram a ser comercializadas em 1874, nos Estados Unidos (Mark Twain foi o primeiro autor a apresentar seus originais datilografados). O teclado tinha o símbolo "@", que sobreviveu nos teclados dos computadores.
Em 1872, ao desenvolver o primeiro programa de correio eletrônico (e-mail), Roy Tomlinson aproveitou o sentido "@" (at), disponível no teclado, e utilizou-o entre o nome do usuário e o nome do provedor. Assim "Fulano@Provedor X" ficou significando "Fulano no provedor X".
Em diversos idiomas, o símbolo "@" ficou com o nome de alguma coisa parecida com sua forma, em italiano chiocciola (caracol), em sueco snabel (tromba de elefante), em holandês, apestaart (rabo de macaco); em outros idiomas, tem o nome de um doce em forma circular: shtrudel, em Israel; strudel, na Áustria; pretzel, em vários países europeus."
Reinaldo Pimenta
PS: para os franceses arobase.
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