Dos inúmeros textos com autoria falsa ou duvidosa que circulam neste mundo virtual, Sheakspeare, Mário Quintana, e o L.F.Veríssimo talvez sejam as maiores vítimas. A propósito disto, ouvi dele (num "café literário" onde além de conversar, se apresentou tocando jazz), que havia sido paraninfo de uma turma de Comunicação Social que fizera imprimir no convite um texto cuja autoria lhe era atribuída. Segundo ele, para não estragar a festa, "deixou para lá".
Mas este é um autêntico Luis Fernando Veríssimo
"Se uma memória restou das festinhas e reuniões de familiares da minha infância, foi a divisão sexual entre os convivas: mulheres de um lado, homens do outro. Não sei se isso, hoje, ainda ocorre.Sou anti-social a ponto de não freqüentar qualquer evento com mais de 4 pessoas, o que me descredencia a emitir juízo. Mas era assim que a coisa rolava naqueles tempos. Tive uma infância feliz: sempre fui considerado esquisito, estranho e solitário, o que me permitia ficar quieto, observando a paisagem. Bom, rapidinho verifiquei que o apartheid sexual ia muito além das diferenças anatômicas: a fronteira era determinada pelos pontos de vista, atitude e prioridades.
Explico: no córner masculino imperava o embate das comparações e disputas. Meu carro é mais potente, minha TV é mais moderna, meu salário é maior, a vista do meu apartamento é melhor, o meu time é mais forte, eu dou 3 por noite e outras cascatas típicas da macheza latina.
Já no córner oposto, respirava-se outro ar. As opiniões eram quase sempre ligadas ao sentir. Falava-se de sentimentos, frustrações e recalques com uma falta de cerimônia que me deliciava. Os maridos preferiam classificar aquele ti-ti-ti como fofoca. Discordo. Destas reminiscências infantis veio a
minha total e irrestrita paixão pelas mulheres.
Constatem, é fácil. Enquanto o homem vem ao mundo completamente cru, freqüentando e levando bomba no bê-a-bá da vida, as mulheres já chegam na metade do segundo grau. Qualquer menina de 2 ou 3 anos já tem preocupações de ordem prática. Ela brinca de casinha e aprende a dar um pouco de ordem nas coisas. Ela pede uma bonequinha que chama de filha e da qual cuida, instintivamente, como qualquer mãe veterana. Ela fala em namoro mesmo sem ter uma idéia muito clara do que vem a ser isso. Em outras palavras, ela já chega sabendo. E o que não sabe, intui.
Já com os homens a história é outra. Você já viu um menino dessa idade brincando de executivo? Já ouviu falar de algum moleque fingindo ir ao banco pagar as contas? Já presenciou um bando de meninos fingindo estar preocupados com a entrega da declaração do Imposto de Renda? Não, nunca viram e nem verão. Porque o homem nasce, vive e morre numa existência juvenil. O que varia ao longo da vida é o preço dos brinquedos! E aí reside a maior diferença: o que para as meninas é treino para a vida, para os meninos é fantasia, é competição, fuga. Falo sem o menor pudor. Sou assim.Todo homem é assim.
Em relação ao relacionamento homem/mulher, sempre me considerei um privilegiado. Sempre consegui enxergar a beleza física feminina mesmo onde, segundo os critérios estéticos vigentes, ela inexistia. Porque toda mulher é linda. Se não no todo, pelo menos em algum detalhe. É só saber olhar. Todas têm sua graça. E embora contaminado pela irreversível herança genética que me faz idolatrar os ícones do cafajestismo, sempre me apaixonei perdidamente por todas as incautas que se aproximaram de mim.
Incautas não por serem ingênuas, mas por acreditarem. Porque toda mulher acredita firmemente na possibilidade do homem ideal. E esse é o seu único defeito!"
setembro 25, 2008
MILHAZES

Os quadros são entitulados Cabeça de Mulher e Pacaembu. O mesmo colecionador argentino que arrematou o Abaporu pagou mais de um milhão de dólares por uma pintura de Beatriz Milhazes (O Mágico).
A artista seria uma versão melhorada (?) do Romero Britto.
Suas pinturas, de fácil assimilação, são feitas sob medida para novos ricos que entendem arte como decoração e sinal de distinção social.Se o importante na arte são as cotações que ela atinge e sucesso tornou-se critério estético, ambos têm que ser considerados mesmo grandes artistas.
setembro 24, 2008
É permitido proibir-se
Por CARLOS NADER colunista da revista TRIP
“É proibido proibir”, dizia o mote de maio de 68, sintetizando o vento libertário que começou a soprar naquela época. Fazia todo sentido, num mundo que ainda não tinha se livrado de ditaduras ambidestras e de moralidades sem nenhum jogo de cintura.
Fazia. Hoje, “é proibido proibir” pode servir melhor como lema de traficantes ou corruptores. Foram os próprios ventos da liberdade conquistada que, com os anos, arrancaram uma a uma as capas heróicas da frase estudantil para deixar nu todo seu simplismo. Liberdade é uma idéia livre e, por isso, bem mais complexa.
Até “prisão” pode significar “liberdade”. Sabemos disso desde pelo menos a Grécia antiga, graças à visão luminosa que o poeta cego Homero nos dá em sua Odisséia. Nela, sabemos, Ulisses se faz prender no mastro do próprio barco para resistir às sereias, cujo canto hipnótico, este sim, o prenderia para sempre. Aprendemos assim que a decisão autônoma de se privar da própria liberdade pode garantir, muitas vezes, uma liberdade mais plena.
O gesto libertário de Ulisses é resultado do conselho de uma feiticeira, Circe, mulher sabedora de que as leis da vida têm meandros que escapam ao raciocínio dos retos
...
Mas ainda encontra muito eco por aí a idéia de que todo e qualquer questionamento das liberdades conquistadas desde a segunda metade do século 20 seja uma espécie de blasfêmia moderna. A sacralização dessas liberdades, ainda que geralmente ungida por setores bem-intencionados, como a imprensa ou os liberais econômicos, pode acabar servindo aos interesses de quem justamente quer ver menos liberdade no mundo. Entre eles, todos os que têm interesse, por exemplo, em que um escândalo de jornal apague rapidamente o outro ou que centenas de novos produtos sejam lançados só para tornarem démodés os anteriores.
Sei que a questão aqui acaba se tornando complexa demais para uma solitária página de revista. Ainda que não possa estar sujeita a cânones “imexíveis”, a demarcação da liberdade dos outros tem que necessariamente passar por uma discussão bem mais ampla e demorada. Caso a caso.
Já no que diz respeito à privação das próprias liberdades, o processo pode ser muito mais simples. Numa época que está se definindo por um laissez-faire pra lá de insustentável, por um excesso de produção e consumo tanto de mercadorias quanto de informações, é muitas vezes necessário decidir amarrar-se a mastros. É preciso ser bem mais cego que Homero, ou mais burro que o Homer, para não ver que há algo de muito atual no gesto de Ulisses e, grego por grego, entender que é libertador permitir-se ser às vezes um delegado Protógenes* de si mesmo.
A fartura sedutora que hoje é oferecida ao cidadão urbano tem se transformado num canto de sereia escravizante. Autodetenções podem vir a ser muito libertárias. Em pequenas coisas. Sei lá. Trancando o celular na gaveta durante todas as manhãs. Bloqueando a caixa de e-mails no fim de semana. Exilando-se da TV por um mês. Detendo-se todo dia diante de uma compra compulsiva. Fechando a boca periodicamente, seja para comer menos, seja para ouvir mais. Coisas simples assim. Que mudam tudo. A escolha depende de cada um. Cada macaco no seu mastro. Disciplina é liberdade. É permitido proibir-se.
* Delegado da PF protagonista do antepenúltimo "escândalo".
“É proibido proibir”, dizia o mote de maio de 68, sintetizando o vento libertário que começou a soprar naquela época. Fazia todo sentido, num mundo que ainda não tinha se livrado de ditaduras ambidestras e de moralidades sem nenhum jogo de cintura.
Fazia. Hoje, “é proibido proibir” pode servir melhor como lema de traficantes ou corruptores. Foram os próprios ventos da liberdade conquistada que, com os anos, arrancaram uma a uma as capas heróicas da frase estudantil para deixar nu todo seu simplismo. Liberdade é uma idéia livre e, por isso, bem mais complexa.
Até “prisão” pode significar “liberdade”. Sabemos disso desde pelo menos a Grécia antiga, graças à visão luminosa que o poeta cego Homero nos dá em sua Odisséia. Nela, sabemos, Ulisses se faz prender no mastro do próprio barco para resistir às sereias, cujo canto hipnótico, este sim, o prenderia para sempre. Aprendemos assim que a decisão autônoma de se privar da própria liberdade pode garantir, muitas vezes, uma liberdade mais plena.
O gesto libertário de Ulisses é resultado do conselho de uma feiticeira, Circe, mulher sabedora de que as leis da vida têm meandros que escapam ao raciocínio dos retos
...
Mas ainda encontra muito eco por aí a idéia de que todo e qualquer questionamento das liberdades conquistadas desde a segunda metade do século 20 seja uma espécie de blasfêmia moderna. A sacralização dessas liberdades, ainda que geralmente ungida por setores bem-intencionados, como a imprensa ou os liberais econômicos, pode acabar servindo aos interesses de quem justamente quer ver menos liberdade no mundo. Entre eles, todos os que têm interesse, por exemplo, em que um escândalo de jornal apague rapidamente o outro ou que centenas de novos produtos sejam lançados só para tornarem démodés os anteriores.
Sei que a questão aqui acaba se tornando complexa demais para uma solitária página de revista. Ainda que não possa estar sujeita a cânones “imexíveis”, a demarcação da liberdade dos outros tem que necessariamente passar por uma discussão bem mais ampla e demorada. Caso a caso.
Já no que diz respeito à privação das próprias liberdades, o processo pode ser muito mais simples. Numa época que está se definindo por um laissez-faire pra lá de insustentável, por um excesso de produção e consumo tanto de mercadorias quanto de informações, é muitas vezes necessário decidir amarrar-se a mastros. É preciso ser bem mais cego que Homero, ou mais burro que o Homer, para não ver que há algo de muito atual no gesto de Ulisses e, grego por grego, entender que é libertador permitir-se ser às vezes um delegado Protógenes* de si mesmo.
A fartura sedutora que hoje é oferecida ao cidadão urbano tem se transformado num canto de sereia escravizante. Autodetenções podem vir a ser muito libertárias. Em pequenas coisas. Sei lá. Trancando o celular na gaveta durante todas as manhãs. Bloqueando a caixa de e-mails no fim de semana. Exilando-se da TV por um mês. Detendo-se todo dia diante de uma compra compulsiva. Fechando a boca periodicamente, seja para comer menos, seja para ouvir mais. Coisas simples assim. Que mudam tudo. A escolha depende de cada um. Cada macaco no seu mastro. Disciplina é liberdade. É permitido proibir-se.
* Delegado da PF protagonista do antepenúltimo "escândalo".
FUTILIDADES
UM BOM CORRETIVO FAZ A DIFERENÇA...
O corretivo é um item indispensável na maquiagem. Disfarça manchas, olheiras, espinhas e até cicatrizes.
. Escolher a cor do corretivo é fácil. Basta combiná-lo de acordo com o tom da sua pele. E para testar, nunca utilize as mãos ou punhos. Aplique diretamente no rosto e verifique se os tons são iguais. Mas se você tem olheiras escuras, o ideal é usar um corretivo um pouco mais claro.
. Para aplicar, utilize as pontas dos dedos, de maneira suave. Nunca misture água no produto e não faça isso com as mãos molhadas, para que não haja qualquer alteração. Um bom segredo a ser seguido é sempre passar o corretivo depois da base, nunca antes, pois os produtos devem se complementar.
O corretivo é um item indispensável na maquiagem. Disfarça manchas, olheiras, espinhas e até cicatrizes.
. Escolher a cor do corretivo é fácil. Basta combiná-lo de acordo com o tom da sua pele. E para testar, nunca utilize as mãos ou punhos. Aplique diretamente no rosto e verifique se os tons são iguais. Mas se você tem olheiras escuras, o ideal é usar um corretivo um pouco mais claro.
. Para aplicar, utilize as pontas dos dedos, de maneira suave. Nunca misture água no produto e não faça isso com as mãos molhadas, para que não haja qualquer alteração. Um bom segredo a ser seguido é sempre passar o corretivo depois da base, nunca antes, pois os produtos devem se complementar.
O FILHO ETERNO
Tinha lido no Blog do próprio Tezza. Geneton Moraes Neto escreveu quando do lançamento do livro. Ontem, o prêmio Jabuti anunciou os vencedores deste ano de suas principais categorias e "O Filho Eterno", de Cristovão Tezza foi o ganhador na categoria romance ("O Outro Lado", de Ivan Junqueira, em poesia; e "1808", de Laurentino Gomes, em reportagem)."ROMANCE, AUTOBIOGRAFIA OU REPORTAGEM ? POUCO IMPORTA. É UM LIVRAÇO
O escritor Cristovao Tezza, 55 anos, romancista, ex-relojoeiro (!), catarinense radicado em Curitiba, professor da Universidade Federal do Paraná, acaba de cometer uma façanha e criar um problema para a literatura brasileira.
A façanha : recém-lançado, "O Filho Eterno" já desponta como favoritíssimo ao título de melhor do ano. O problema : "O Filho Eterno" foi publicado pela Editora Record na categoria de "romance brasileiro", mas é um texto escancaradamente autobiográfico.
Tezza descreve, sem jamais cair no melodrama ou na pieguice, um acontecimento que o fez se sentir como se fosse um boi cabeceando inutilmente contra as paredes do corredor de um matadouro: o dia em que recebeu a notícia de que o primeiro filho, tão esperado, tinha Síndrome de Down.
Não é exagero carimbar "O Filho Eterno" desde já como o lançamento do ano. O site de literatura Todoprosa, mantido por Sérgio Rodrigues, também concedeu este título antecipado do livro. Ainda é agosto. Mas, pelo menos na categoria de "romance brasileiro", a disputa pelo campeonato de melhor do ano parece resolvida. Que se apresentem os outros candidatos.
Pergunte-se a um leitor médio, aquele que desembarca na livraria simplesmente em busca de uma bela descoberta : o que é que define uma boa leitura ? Nove entre dez dirão que boa leitura é aquela capaz de prender a atenção. Que outra coisa pode querer um autor ? E excelente leitura é aquela que arrebata. É o caso de "O Filho Eterno". Tezza acaba de criar o Expresso 222 da literatura. As 222 páginas de O Filho Eterno voam, arrebatadoras, como se fossem vinte.
Referir-se a si próprio na terceira pessoa virou sinônimo de vaidade desde que Pelé -e outras celebridades menos votadas - cairam nessa tentação. O autor de "O Filho Eterno" se enquadra na categoria dos que falam de si próprios na terceira pessoa por outro motivo: o excesso de pudor na hora de subir à ribalta para se expor aos olhos do público. É compreensível. O fato de a narração ser feita na terceira pessoa é, provavelmente, o único detalhe que impede "O Filho Eterno" de se enquadrar na categoria de autobiografia.
Resta o "problema" literário criado por "O Filho Eterno" : a partir de que momento uma narrativa amparada em fatos deixa de ser uma autobiografia para se transformar em "romance" ? É tudo uma questão de primeira ou terceira pessoa ? Estudantes de Letras, se é que existem, mãos á obra!
"O Filho Eterno" poderia também ser qualificada como uma peça do chamado "novo jornalismo", uma reportagem irretocável, merecedora de todo aplauso numa época em que texto jornalístico, golpeado pelos "idiotas da objetividade", cabeceia, também ele, como se fosse um boi no corredor de um matadouro. O livro não deixa de ser uma bela reportagem autobiográfica de um pai que toma para si uma tarefa dificílima : a de narrar uma dor inenarrável ou, para usar uma palavra que é cara ao autor, "irredimível".
A certa altura do texto, Tezza confessa ser um daqueles autores que, em nome da devoção incondicional à literatura, são capazes de engolir durante anos a fio recusas de editoras e eventuais fracassos de venda. Ainda assim, vão adiante, porque crêem que o que conta é o embate original com as folhas de papel em branco (ou com a tela alva do computador) : neste cenário íntimo, pessoal e intransferível, os Cristovao Tezza entregam-se à acidentada tarefa de tentar traduzir a vida em palavras, "dar nome às coisas". Todo o resto é acidente, vaidade, desvio, perda de tempo, mera consequência.
"Os escritores brasileiros somos pequenos ladrões de sardinha, Brás Cubas inúteis", diz, a certa altura do livro. Imagina-se, lá pelas tantas, autor de livros que ninguém lerá - e pai de um filho que não poderia amar. Mas persiste, porque, para ele, escrever é uma escolha radical, uma predestinação que não depende de coisas tão pequenas quanto os humores das editoras ou as leis de mercado.
Quem termina a travessia arrebatadora das 222 páginas de "O Filho Eterno" haverá de sentir um alívio e uma alegria. O leitor concluirá que, feitas as contas, o poeta Drummond tinha toda razão ao dizer que nossa existência é "um sistema de erros", "um vácuo atormentado", "um teatro de injustiças e ferocidades" , mas, no caso de Cristovao Tezza, tanta dor, tanto tormento, tanto espanto, tanto vácuo, tanto remorso, tanta incredulidade, tudo, enfim, foi recompensado com uma bela contrapartida, o melhor prêmio que um escritor poderia esperar : concebeu um livro que todos deveriam ler sobre um personagem que todos haverão de amar. Chama-se Felipe.
É este o nome do filho eterno."
Geneton Moraes Neto
setembro 22, 2008
escândalo
Amanheci fazendo buscas para atender aos “engenheiros” que necessitavam do “manual do proprietário” do apartamento. Comecei resistindo, achando que nunca tinha sequer visto tal manual.Um pouco por preguiça. Mexer neste tipo de coisa não termina quando a gente encontra o que procurava. Vamos relendo e concluindo que metade daquilo não precisava estar guardado...e haja rasgar papéis inúteis. Desta vez, até que valeu remexer nesta papelada.Encontrei o folder da peça UM PORTO PARA ELIZABETH BISHOP , de 2001, escrita por Marta Góes (especialmente para Regina Braga), sobre a passagem da poetisa norte-americana Elizabeth Bishop (1911-1979) pelo Brasil, nas décadas de 50 e 60.De lá tirei este texto do José Possi Neto que fez a direção:
“escândalo
É impossível escandalizar nos dias de hoje.
Talvez porque o escândalo tenha se tornado status quo.
O escândalo hoje está somente ligado ao crime, à violência, à injustiça social.
Nas décadas de 50 e 60 , quando o Brasil ficou moderno, uma mulher com saias acima dos joelhos escandalizava, um homem que usasse sapatos sem meias ou uma camisa vermelha escandalizava , fazer amor antes do casamento escandalizava, fazer sexo fora do casamento também escandalizava , o Rock and Roll foi um escândalo, a BOSSA NOVA foi um escândalo impensável, a construção de Brasília foi um escândalo assim como a construção do aterro do Flamengo também foi um escândalo.
Falar de Elizabeth Bishop e Lota Macedo Soares é falar de um tempo onde o escândalo estava ligado à LIBERTAÇÃO e à CRIATIVIDADE , à quebra de regras ortodoxas , à quebra de preconceitos , à criação de um mundo novo voltado para a liberdade e o progresso .
Essas duas mulheres viveram intensamente o seu tempo e se impuseram como um casal na sociedade carioca nos anos 50/60. Lota assumiu cargos junto ao poder político da época , Bishop se inscreveu entre os maiores poetas americanos do século XX.
Ambas deixaram uma obra, Bishop sua poesia e Lota o aterro do Flamengo , que segundo Bishop, foi “o poema que Lota construiu para compartilhar com todos os cariocas “.
Lutaram com Homens num mundo dos Homens.
Viveram uma grande estória de anos, que terminou tragicamente com o suicídio de Lota aos 57 anos , e escreveram seus nomes no elenco dos personagens ícones da libertação da mulher .
Portanto falemos, falemos muito sobre Elizabeth Bishop e Lota Macedo Soares , ao falarmos dela estamos falando do Brasil , de sonhos ideais , de cruéis realidades e acima de tudo de LIBERTAÇÃO”
Sobre Elizabeth Bishop :
Nascida em Worcester, Massachusetts, foi uma pessoa "sem porto" durante muito tempo, até que aceitou o convite de Mary, então namorada de Lota Macedo Soares, para visitar o Rio de Janeiro, em 1951.
Apaixonando-se por Lota e pelo Brasil, aqui viveu e produziu parte de sua obra durante 18 anos. Ganhou o Prêmio Pullitzer de poesia em 1956.
Após o suicídio de Lota, em Nova Iorque permaneceu nos EU. Foi professora titular de poesia em Harvard, em 1969. Dependente de álcool,asmática, depressiva, expatriada, cheia de conflitos e extremamente interessante.
FLORES RARAS E BANALÍSSIMAS - A história de Lota de M. Soares e Elizabeth Bishop de autoria de Carmen L. Oliveira Faz quase uns dez anos que li (recomendado e emprestado pelo Vagner) este livro maravilhoso que conta a história do amor entre a Bishop e Lota, tendo pano de fundo do Brasil dos anos 50 e 60.
Os primeiros tempos de vida em comum, junto à mata de Samambaia, foram de grande felicidade.Assumiram sua homossexualidade com surpreendente naturalidade para a época. Bishop escreveu alguns de seus mais marcantes poemas, conseguindo se afastar do alcoolismo.
Em 1961, Lota embarcou no ambicioso projeto de idealizar e administrar a construção de um parque à beira-mar, no aterro do Flamengo. O casal teve que se mudar para o Rio. A visão urbanística de Lota feria interesses e seus conceitos de lazer e estética não encontravam ressonância na burocracia e na política. Lota foi-se ausentando cada vez mais de casa e, com imenso desgaste, canalizando suas energias para superar os obstáculos sistematicamente colocados pelos que consideravam seu plano visionário.
Bishop, antes apaziguada na casa na neblina, viu-se só, no burburinho da cidade grande. Seu melhor depoimento sobre a cruel transição entre a exuberância natural de Samambaia e o terror urbano está em seus poemas, nos quais a bromélia é substituída por uma cadela sarnenta e, em vez das imagens sensuais da vida natural, surgem putinhas dançando o chácháchá nas calçadas de Copacabana. Bishop recaiu no alcoolismo.
A obsessão de Lota pela conclusão do parque e a crescente instabilidade emocional de Bishop contribuíram para que ambas enfrentassem uma forte crise em sua vida amorosa, agravada pelo tumulto da época, com a instalação da ditadura e o fim político de Lacerda.
Os retratos nuançados de Lota e Bishop, bem como a reconstituição impecável do momento histórico, custaram a Carmen L. Oliveira muitos anos de pesquisa em documentos inéditos, correspondência das protagonistas, a obra de Bishop, ofícios de Lota, diários, agenda pessoal, jornais, revistas e depoimentos de confidentes. Daí emergiu uma história sensacional, envolvendo pessoas extraordinárias, como José Eduardo de Macedo Soares, D. Baby Lage, Carlos Lacerda, Roberto Burle Marx, Rachel de Queiroz e Alexander Calder, todos personagens do livro.
Flores raras e banalíssimas é para quem gosta de uma boa história e de História.
Dia Mundial Sem Carro
Pode ser apenas uma data simbólica, sobretudo para quem vive em cidades grandes e com um transporte público precário. Mas vejam algumas ótimas razões para ir a pé, pelo menos de vez em quando:
Além de não ter contramão nem preferencial,
aumenta a liberação de endorfinas, ajudando no combate do stress, ansiedade e depressão.
Tonifica a musculatura das pernas, coxas e glúteos
Promove um gasto médio de 200-300 kcal/hora,(na subida o gasto calórico pode aumentar para até 450kcal/hora)
Melhora a circulação sanguínea
Auxilia na prevenção de varizes e o no controle da pressão arterial
Auxilia no controle do colesterol, diminuindo o HDL( bom colesterol) e aumentando o LDL ( mau colesterol)
Aumenta a massa muscular
Melhora a atividade do sistema imunológico
Ajuda a prevenir a osteoporose, através da compressão imposta aos ossos pelo impacto da caminhada
Aumenta o metabolismo de repouso, aumentando assim o gasto calórico diário
Aumenta a capacidade dos pulmões absorverem o oxigênio
Auxilia no combate a diversos tipos de câncer
Alivia os sintomas da TPM e durante a gestação pode facilitar o parto
Acelera a recuperação pós-parto e a recuperação de cirurgias
Aumenta a força dos membros inferiores e melhora flexibilidade
Acelera a atividade do sistema nervoso, auxiliando na condução de impulsos
Auxilia no controle postural, pois exige sustentação do tronco
Diminui riscos de derrame cerebral
Auxilia no controle e prevenção da diabetes e ajuda a prevenir a obesidade
Auxilia no combate ao tabagismo
Melhora a auto estima ec combate a insônia
Praticamente sem contra indicações
Tem baixo custo. Basta apenas um calçado confortável com amortecedor
Aumenta o contato com o meio ambiente, ficando livre do ar condicionado
Auxilia na absorção de vitamina D, se realizada durante o dia
Sem pegar o carro, você colabora com o trânsito
Colabora com o controle da emissão de gases que provocam o aquecimento global
Você fica livre dos congestionamentos e do stress dos engarrafamentos
Deixando o carro na garagem, você gasta menos com combustível e estacionamentos
Pode fazer suas comprar durante a caminhada de ida e volta ao trabalho, evitando se deslocar somente para isso
Caminhar nas ruas permite observar melhor a arquitetura dos prédios e descobrir lugares nunca antes observados
Caminhando diariamente, você fica em forma e pode até economizar com a academia
Além de não ter contramão nem preferencial,
aumenta a liberação de endorfinas, ajudando no combate do stress, ansiedade e depressão.
Tonifica a musculatura das pernas, coxas e glúteos
Promove um gasto médio de 200-300 kcal/hora,(na subida o gasto calórico pode aumentar para até 450kcal/hora)
Melhora a circulação sanguínea
Auxilia na prevenção de varizes e o no controle da pressão arterial
Auxilia no controle do colesterol, diminuindo o HDL( bom colesterol) e aumentando o LDL ( mau colesterol)
Aumenta a massa muscular
Melhora a atividade do sistema imunológico
Ajuda a prevenir a osteoporose, através da compressão imposta aos ossos pelo impacto da caminhada
Aumenta o metabolismo de repouso, aumentando assim o gasto calórico diário
Aumenta a capacidade dos pulmões absorverem o oxigênio
Auxilia no combate a diversos tipos de câncer
Alivia os sintomas da TPM e durante a gestação pode facilitar o parto
Acelera a recuperação pós-parto e a recuperação de cirurgias
Aumenta a força dos membros inferiores e melhora flexibilidade
Acelera a atividade do sistema nervoso, auxiliando na condução de impulsos
Auxilia no controle postural, pois exige sustentação do tronco
Diminui riscos de derrame cerebral
Auxilia no controle e prevenção da diabetes e ajuda a prevenir a obesidade
Auxilia no combate ao tabagismo
Melhora a auto estima ec combate a insônia
Praticamente sem contra indicações
Tem baixo custo. Basta apenas um calçado confortável com amortecedor
Aumenta o contato com o meio ambiente, ficando livre do ar condicionado
Auxilia na absorção de vitamina D, se realizada durante o dia
Sem pegar o carro, você colabora com o trânsito
Colabora com o controle da emissão de gases que provocam o aquecimento global
Você fica livre dos congestionamentos e do stress dos engarrafamentos
Deixando o carro na garagem, você gasta menos com combustível e estacionamentos
Pode fazer suas comprar durante a caminhada de ida e volta ao trabalho, evitando se deslocar somente para isso
Caminhar nas ruas permite observar melhor a arquitetura dos prédios e descobrir lugares nunca antes observados
Caminhando diariamente, você fica em forma e pode até economizar com a academia
setembro 21, 2008
ONDE ANDARÁS?
Ninguém suporta o fim arbitrário de um amor feliz. Este foi o mote da crônica do Ferreira Gullar (na Folha de hoje) que desencadeou lembranças que ela acreditava definitivamente arquivadas. Na estória do cronista,“ela gritou da janela: COMEÇO A TE ESPERAR, quando ele saiu do prédio e iniciou o caminho sem volta para o outro lado do mundo".
No entanto, ela não alimentou esta última esperança. Não era possível. O tempo dele havia se esgotado. Iria para a Bulgária, para eles, o outro lado do mundo . Separar-se dele para sempre, era como morrer. Mas tinha que seguir em frente. Quem propôs que não houvesse despedida foi ele. Ao ver dela, uma maldade sem tamanho. Com o argumento de que a dor seria menor, também não deveríam se comunicar, o que “só aumentaria o sofrimento”. Tudo assim bem esquematizado e frio. Como alguém pode saber, numa situação destas, o que dói mais, o que aumenta ou diminui o sofrimento? Para ela foi demais. Decidiu que se separariam, ali mesmo, naquele exato momento. Ainda faltavam alguns dias até ele sumir, definitivamente, da vida dela, quando nunca mais o veria . Jogou-se em seus braços chorando e sem dar-lhe tempo para dizer qualquer outra palavra, saiu correndo para o elevador, em soluços.
Que ele num dia qualquer de dezembro iria partir, ela sabia desde o dia em que o conheceu. Era março. Quando começaram a se envolver, falaram nisto como se estivesse muito distante.....Sorriam ao pensar que tinham data certa para “acabar”. Nada podiam fazer para mudar esta realidade . O que não lhe saía da cabeça era aquela proposta. Parecia uma fórmula já testada, ele estava seguro de que funcionaria se agissem daquele modo.
Naquelas alturas, ele só pensava em retornar para sua casa, seus amigos, sua gente. A mulher, segundo fazia crer, não tinha mais tanta importância. Dentro dele estava encerrada aquela temporada, não só para fins burocráticos e de trabalho.
Tentou retomar a vida, mas se sentia destruída, em frangalhos. Os amigos começaram a perceber que algo não ia bem com ela. Apenas sorria e nada revelava. Não tinha absorvido o choque da proposta. E ainda levou muito tempo para conseguir mencionar esta estória.
Passados alguns dias, deu-se conta de que estava antecipando o sofrimento e decidiu procurá-lo para uma “despedida” à sua maneira, não sabia qual. Continuava tendo acesso ao seu apartamento. Saiu do trabalho e foi para lá.Enquanto o aguardava pegou uma revista e preparou um campari.
Pela firmeza que até então demonstrara, ele não podia supor que ela voltaria e talvez estivesse até, de um certo modo, aliviado. Finalmente, tinha sido fácil convencê-la.
Na sala do apartamento havia um container onde estavam sendo colocadas os objetos que adquirira ao longo do ano. Ela fazia parte da história de cada um deles, mas agora nada disto tinha qualquer significado. Passou a ter a sensação de haver sido usada, de que fora útil e conveniente, até que deixou de ser e foi descartada,"sem despedidas".
Foi ao quarto e viu no criado-mudo cópias de e-mails. Sempre tivera acesso a tudo, sabia de toda sua vida pessoal e profissional , não achou demais lê-lo. As datas eram recentes. Estava sendo restabelecido um relacionamento e marcavam, para o mês seguinte,(janeiro) um encontro no mesmo café, em Estocolmo, que antes frequentavam.
Pegou o telefone e ligou para a Itália, para a mulher dele. Perguntou-lhe se ela sabia que ele tinha uma amante chamada Tereza. Diante do espanto dela, se identificou e declarou que era sua mulher naquela cidade que ele, sob falsos e diferentes motivos, nunca permitiu que ela visitasse. E acrescentou que ele, como sempre fazia (ela devia saber), estava partindo para outra. Na circunstância, se identificaram como vítimas do mesmo homem, com uma rival comum chamada Tereza. Falou que estava no apartamento dele, e fez comentários que só uma pessoa que tivesse intimidade poderia fazer. Pretendia dar credibilidade ao que afirmava. Avisou-a que ele chegaria dentro de duas horas, tempo que precisava para estar com ele, antes que ela ligasse. Foi perfeito. Aproximando-se do horário previsto, contou que ele ia receber um telefonema de sua mulher e porque.O e-mail continuava em cima do criado-mudo.
A surpresa foi tamanha que ele não esboçou qualquer reação aos ataques que ela lhe fazia ao telefone. Deitada ao seu lado, ela se limitava a ouvir, enquanto tentava disfarçar o seu sorriso satânico.
A despedida que ele quis evitar tinha acontecido, à maneira dela. Quatro meses depois, soube que ele estava no Chile, ligou só para ouvir que ele estava mal. Tão mal quanto ela, que nunca recompôs sua vida nem o esqueceu.
Onde andará ele, hoje?
No entanto, ela não alimentou esta última esperança. Não era possível. O tempo dele havia se esgotado. Iria para a Bulgária, para eles, o outro lado do mundo . Separar-se dele para sempre, era como morrer. Mas tinha que seguir em frente. Quem propôs que não houvesse despedida foi ele. Ao ver dela, uma maldade sem tamanho. Com o argumento de que a dor seria menor, também não deveríam se comunicar, o que “só aumentaria o sofrimento”. Tudo assim bem esquematizado e frio. Como alguém pode saber, numa situação destas, o que dói mais, o que aumenta ou diminui o sofrimento? Para ela foi demais. Decidiu que se separariam, ali mesmo, naquele exato momento. Ainda faltavam alguns dias até ele sumir, definitivamente, da vida dela, quando nunca mais o veria . Jogou-se em seus braços chorando e sem dar-lhe tempo para dizer qualquer outra palavra, saiu correndo para o elevador, em soluços.
Que ele num dia qualquer de dezembro iria partir, ela sabia desde o dia em que o conheceu. Era março. Quando começaram a se envolver, falaram nisto como se estivesse muito distante.....Sorriam ao pensar que tinham data certa para “acabar”. Nada podiam fazer para mudar esta realidade . O que não lhe saía da cabeça era aquela proposta. Parecia uma fórmula já testada, ele estava seguro de que funcionaria se agissem daquele modo.
Naquelas alturas, ele só pensava em retornar para sua casa, seus amigos, sua gente. A mulher, segundo fazia crer, não tinha mais tanta importância. Dentro dele estava encerrada aquela temporada, não só para fins burocráticos e de trabalho.
Tentou retomar a vida, mas se sentia destruída, em frangalhos. Os amigos começaram a perceber que algo não ia bem com ela. Apenas sorria e nada revelava. Não tinha absorvido o choque da proposta. E ainda levou muito tempo para conseguir mencionar esta estória.
Passados alguns dias, deu-se conta de que estava antecipando o sofrimento e decidiu procurá-lo para uma “despedida” à sua maneira, não sabia qual. Continuava tendo acesso ao seu apartamento. Saiu do trabalho e foi para lá.Enquanto o aguardava pegou uma revista e preparou um campari.
Pela firmeza que até então demonstrara, ele não podia supor que ela voltaria e talvez estivesse até, de um certo modo, aliviado. Finalmente, tinha sido fácil convencê-la.
Na sala do apartamento havia um container onde estavam sendo colocadas os objetos que adquirira ao longo do ano. Ela fazia parte da história de cada um deles, mas agora nada disto tinha qualquer significado. Passou a ter a sensação de haver sido usada, de que fora útil e conveniente, até que deixou de ser e foi descartada,"sem despedidas".
Foi ao quarto e viu no criado-mudo cópias de e-mails. Sempre tivera acesso a tudo, sabia de toda sua vida pessoal e profissional , não achou demais lê-lo. As datas eram recentes. Estava sendo restabelecido um relacionamento e marcavam, para o mês seguinte,(janeiro) um encontro no mesmo café, em Estocolmo, que antes frequentavam.
Pegou o telefone e ligou para a Itália, para a mulher dele. Perguntou-lhe se ela sabia que ele tinha uma amante chamada Tereza. Diante do espanto dela, se identificou e declarou que era sua mulher naquela cidade que ele, sob falsos e diferentes motivos, nunca permitiu que ela visitasse. E acrescentou que ele, como sempre fazia (ela devia saber), estava partindo para outra. Na circunstância, se identificaram como vítimas do mesmo homem, com uma rival comum chamada Tereza. Falou que estava no apartamento dele, e fez comentários que só uma pessoa que tivesse intimidade poderia fazer. Pretendia dar credibilidade ao que afirmava. Avisou-a que ele chegaria dentro de duas horas, tempo que precisava para estar com ele, antes que ela ligasse. Foi perfeito. Aproximando-se do horário previsto, contou que ele ia receber um telefonema de sua mulher e porque.O e-mail continuava em cima do criado-mudo.
A surpresa foi tamanha que ele não esboçou qualquer reação aos ataques que ela lhe fazia ao telefone. Deitada ao seu lado, ela se limitava a ouvir, enquanto tentava disfarçar o seu sorriso satânico.
A despedida que ele quis evitar tinha acontecido, à maneira dela. Quatro meses depois, soube que ele estava no Chile, ligou só para ouvir que ele estava mal. Tão mal quanto ela, que nunca recompôs sua vida nem o esqueceu.
Onde andará ele, hoje?
"Em Defesa da Comida"
"OS MAIS NOVOS conselhos sobre dieta acabam de vir dos EUA: primeiro, coma comida. Depois, não coma nada que sua avó não reconheceria como comida. Se isso parece óbvio para você, diz o jornalista americano Michael Pollan, vá ao supermercado -e tente imaginar uma dona-de-casa de meados do século 20 tentando decifrar dezenas de rótulos com ingredientes impronunciáveis de "substâncias semelhantes à comida" nas gôndolas. Em seu novo livro, "Em Defesa da Comida" (editora Intrínseca), ele lança um ataque impiedoso à indústria e aos cientistas da alimentação, que, ajudados por um governo americano complacente e por jornalistas confusos, transformaram a dieta ocidental em uma máquina de adoecer.Essa revolução maligna na maneira como os americanos -e, por tabela, o resto do Ocidente- comem se instalou plenamente anos 1980. Nessa década, diz o livro, os alimentos deixaram de ser vistos como entidades completas (uma cenoura, um tomate, um bife) e passaram a ser comercializados pelo que continham de nutrientes: caroteno, licopeno, proteínas. A indústria passou a "engenheirar" a comida de forma a torná-la irreconhecível, tudo em nome do lucro, disfarçado de benefício à saúde.
Qual foi o resultado? "Nossa saúde dietária é pior hoje do que era. Há mais obesidade, mais diabetes", diz Pollan. O enfoque nos nutrientes, que teve seu início nos anos 1960, virou uma ideologia, o "nutricionismo". Segundo o americano, essa ideologia é baseada na "ciência ruim" da nutrição, que é incapaz de produzir resultados consistentes em estudos epidemiológicos sobre dieta. Isso porque os nutricionistas buscam avaliar nutrientes, mas um alimento é maior que a soma de suas partes.
Um dos pecados dessa abordagem, argumenta, foi a condenação das gorduras saturadas de origem animal. No lugar delas, os nutricionistas nos deram as gorduras trans, que hoje o mundo inteiro -o Brasil inclusive- se esforça para banir. "Estaríamos melhor com banha de porco", disse Pollan à Folha de São Paulo
da edição de hoje da FSP
Qual foi o resultado? "Nossa saúde dietária é pior hoje do que era. Há mais obesidade, mais diabetes", diz Pollan. O enfoque nos nutrientes, que teve seu início nos anos 1960, virou uma ideologia, o "nutricionismo". Segundo o americano, essa ideologia é baseada na "ciência ruim" da nutrição, que é incapaz de produzir resultados consistentes em estudos epidemiológicos sobre dieta. Isso porque os nutricionistas buscam avaliar nutrientes, mas um alimento é maior que a soma de suas partes.
Um dos pecados dessa abordagem, argumenta, foi a condenação das gorduras saturadas de origem animal. No lugar delas, os nutricionistas nos deram as gorduras trans, que hoje o mundo inteiro -o Brasil inclusive- se esforça para banir. "Estaríamos melhor com banha de porco", disse Pollan à Folha de São Paulo
da edição de hoje da FSP
RETRATOS DA VIDA
O vídeo acima é o trailer e estas são as cenas finais de um dos melhores filmes de Claude Lelouch - Les Uns et Les Autres - e um dos mais marcantes de sua época (1981).A coreografia de Maurice Béjart para o Bolero de Ravel com o bailarino Jorge Donn, em pleno Trocadero. O filme acompanha a história de quatro famílias de distintos países - Estados Unidos, França, Alemanha e Rússia - que se cruzam em circunstâncias históricas e se unem através da dança e da música. O ponto de partida é o ano de 1936 e se desenvolve ao longo da Segunda Guerra Mundial, até 1980. Retratos da Vida é um filme inesquecível e que só consegui rever numa “ cópia” dublada!!!Nunca vi (ou soube) se saiu em DVD.
setembro 20, 2008
Roubo: uma História de Amor
Estava concluindo a leitura deste romance sobre o mundo da arte em que nada é o que parece, quando me deparei, casualmente, com este comentário/análise/crítica de ninguém menos do que o Cristóvão Tezza:"Um dos fascínios do mundo das artes plásticas vem do fato de que um único quadro de um artista que ontem passava fome pode valer, hoje, milhões de dólares. Nessa estratosfera, a própria idéia de "arte autêntica" se dilui: como dinheiro vivo, telas também se falsificam. Um tema ótimo para a literatura, e Roubo: uma História de Amor (tradução de José Rubens Siqueira), do australiano Peter Carey, de 65 anos, duas vezes vencedor do Prêmio Booker, é um bom exemplo. No romance, o pintor Michael Boone, talento reconhecido na Austrália de 1980, afunda-se num divórcio em que perde tudo – a guarda do filho e todas as suas telas, indo ainda parar na cadeia por tentar recuperá-las. Resta-lhe o irmão Hugh, um deficiente mental de 100 quilos e 2 metros de altura de que ele tem de cuidar como uma sombra inseparável.
O livro começa com Boone morando de favor na casa de campo de um colecionador que o explora. Ali desembarca por acaso Marlene Leibovitz, casada com o filho do célebre Jacques Leibovitz, pintor cubista fictício que a narração põe ao lado de figuras reais da pintura moderna como Léger, Braque e Picasso. O marido odeia pintura, e é ela – uma secretária carreirista que por um golpe de sorte se vê alçada ao mundo milionário da grande arte – quem "autentica" os valiosíssimos Leibovitz pelo mundo afora. Um deles, aliás, desaparece da casa de um vizinho de Boone, ocorrência policial que dá partida nas aventuras do pintor ao lado de Marlene.
A agressividade às vezes ressentida e o afeto sempre atormentado com que Carey vai pintando seu personagem central dão o tom do romance. O sonho de não se deixar corromper que está na mitologia pessoal de todo bom artista (ainda que em tudo o mais ele seja um bandido) é o eixo secreto da narrativa – Boone tem uma obsessão desesperada pela perfeição de seu próprio trabalho. Já se disse que a Austrália é um Brasil que deu certo. Encontra-se no livro um lastro emocional que parece mesmo coincidir em muitos aspectos com o nosso mundo: o duro sentimento de periferia diante das metrópoles, uma afetividade bruta e informal, o exotismo do fim do mundo, o mito otimista da inocência. Boone é um pouco tudo isso; e a voz narrativa do romance mantém viva uma "apaixonada compaixão por todo mundo que é estranho, abandonado ou vive fora do padrão".
Só para registrar,o romance anterior de Carey foi adaptado para o cinema: Oscar e Lucinda - Uma história de amor e loucura, estrelado por Ralph Fiennes e Cate Blanchett.
LUXEMBURGO
À medida que se vai envelhecendo, determinadas coisas passam a ser mais complicadas. Uma delas é o tamanho da bagagem. A partir de uma certa idade, uma nécessaire já não basta e, ao longo do tempo, elas vão aumentando de tamanho. Passamos a necessitar de remédios de uso contínuo, fora os de uso eventual. No item óculos, então é um horror: para perto, para sol, para noite e, quem depende deles, como eu, leva os sobressalentes,além da cópia da receita. E isso sem levar em conta higiene, maquiagem e cremes. Ainda que se transfira tudo para embalagens reduzidas. Não bastasse isto, tem o laptop e a parafernália dos acessórios (fones/cabos etc), a muda de roupa para o caso (não raro) de extravio da bagagem, sapatos assim, sapatos assado. Antes a gente levava um par. Nos pés.
Bons os velhos tempos em que, com reduzidíssima bagagem de mão e munidos de um eurailpass , a gente circulava pela Europa. Em alguns trajetos longos, em viagens noturnas, se economizava tempo e dinheiro.De chato tinha a constante troca de moeda e o controle nas fronteiras.Nem imaginávamos como seria com a Europa unida.
Foi nesses bons tempos, numa dessas, que agora vistas de longe parecem românticas aventuras, que passei um fim de semana em Luxemburgo. Pegamos o trem Paris/ Amsterdã. No trajeto ele passava por lá ou era possível uma conexão próxima, não lembro deste detalhe. Numa mudança repentina de planos, resolvemos desembarcar e fomos ficando naquela cidade linda e sossegada. O hotel estava situado na pracinha onde tem o coreto. Músicos de todas as idades e gêneros se apresentavam a intervalos regulares. Acabei por descobrir, pendurada numa coluna do coreto, a programação. Teve de tudo, desde bandinha de “grupo escolar”até interessantes grupos de jovens e de animados velhinhos. Passamos muito tempo naquela pracinha, onde ficavam os cafés e restaurantes, todos muito simpáticos e acolhedores. Visitamos tudo que havia para ser visto na cidade, acredito.O prédio moderno da filarmônica ainda não existia.
O registro curioso: na manhã de segunda feira, o único trem que nos levaria ao próximo destino, passaria entre 9 ou 10 horas (não sei precisar), estava quase na hora e não encontrávamos o dono/gerente, dublê de porteiro/garçom do Hotel/Café Paris, para fazer o check out.Não tínhamos sido cobrados na chegada. Foi um vexame até ele, muito tranquilamente, aparecer. Nunca cheguei numa estação tão em cima da hora.
Anos depois, passei apenas um dia lá, quando fiz uma "viagem panorâmica" para mostrar algumas cidades da Europa à minha filha. Parecia estar tudo do mesmo jeito...
Bons os velhos tempos em que, com reduzidíssima bagagem de mão e munidos de um eurailpass , a gente circulava pela Europa. Em alguns trajetos longos, em viagens noturnas, se economizava tempo e dinheiro.De chato tinha a constante troca de moeda e o controle nas fronteiras.Nem imaginávamos como seria com a Europa unida.
Foi nesses bons tempos, numa dessas, que agora vistas de longe parecem românticas aventuras, que passei um fim de semana em Luxemburgo. Pegamos o trem Paris/ Amsterdã. No trajeto ele passava por lá ou era possível uma conexão próxima, não lembro deste detalhe. Numa mudança repentina de planos, resolvemos desembarcar e fomos ficando naquela cidade linda e sossegada. O hotel estava situado na pracinha onde tem o coreto. Músicos de todas as idades e gêneros se apresentavam a intervalos regulares. Acabei por descobrir, pendurada numa coluna do coreto, a programação. Teve de tudo, desde bandinha de “grupo escolar”até interessantes grupos de jovens e de animados velhinhos. Passamos muito tempo naquela pracinha, onde ficavam os cafés e restaurantes, todos muito simpáticos e acolhedores. Visitamos tudo que havia para ser visto na cidade, acredito.O prédio moderno da filarmônica ainda não existia.
O registro curioso: na manhã de segunda feira, o único trem que nos levaria ao próximo destino, passaria entre 9 ou 10 horas (não sei precisar), estava quase na hora e não encontrávamos o dono/gerente, dublê de porteiro/garçom do Hotel/Café Paris, para fazer o check out.Não tínhamos sido cobrados na chegada. Foi um vexame até ele, muito tranquilamente, aparecer. Nunca cheguei numa estação tão em cima da hora.
Anos depois, passei apenas um dia lá, quando fiz uma "viagem panorâmica" para mostrar algumas cidades da Europa à minha filha. Parecia estar tudo do mesmo jeito...
Templários: entre a cruz e a coroa
A Idade Média é um tema profundamente atual. O período é hoje tema de filmes, espetáculos, romances, festas medievais, lojas e restaurantes, sites da internet, jogos como RPG etc. Mesmo de um ponto de vista acadêmico, algumas obras recentes mostram uma verdadeira obsessão pelas origens medievais da Europa e da própria União Européia.A Ordem dos Templários constitui um dos temas que melhor ilustram o fascínio exercido pela Idade Media nos dias de hoje. Uma rápida consulta em qualquer sítio de busca na internet mostra a atualidade do interesse pela Ordem dos Templários. Muito se tem escrito sobre o caráter místico da Ordem, seu papel como guardiã de segredos e tesouros da Igreja e até mesmo sobre seu caráter “demoníaco”. Por outro lado, a própria história da Ordem fornece elementos que ajudam a entender essa lenda contemporânea. O processo movido contra a Ordem pelo rei da França, Felipe IV, no início do século XIV, na medida em que incluía acusações de heresia e bruxaria, em muito contribui hoje para a associação entre os Templários e o ocultismo.
Para ler o artigo do professor de história medieval da USP Marcelo Cândido da Silva na edição deste mes de História Viva, clique no título da postagem.
HOMEM
Não faz tempo, um amigo querido, muito delicadamente, após ouvir certas queixas minhas, perguntou-me: não estaria faltando o “bicho-homem”? (assim mesmo). Respondi-lhe, de pronto, com uma veemente negativa. Hoje, lendo isto que me foi enviado pela Leila Ruth, via e-mail, me dei conta de que nem estava mais muito certa das aplicações e utilidades. No entanto, diante de tantas advertências e efeitos colaterais, acrescidos da escassez do produto no mercado, considerei ser melhor continuar buscando tratamentos alternativos. Mas vejam como é criativo o texto (veio sem autoria). Só não diz o que a gente faz com o produto quando estiver “vencido”. Uma séria questão esta do prazo de validade.
“Indicações:
Homem é recomendado para mulheres portadoras de SMS
(Síndrome da Mulher Sozinha). É eficaz no controle do desânimo, da
ansiedade, irritabilidade, mau-humor, insônia etc.
Posologia e Modo de Usar: deve ser usado três vezes por semana. Não desaparecendo os sintomas, aumente a dosagem ou procure outro. Homem é apropriado para uso externo ou interno.
Precauções: Mantenha longe do alcance de amigas (vizinhas
solitárias, loiras e/ou morenas sorridentes, etc).
É desaconselhável o uso, imediatamente, após as refeições.
Apresentação: Mini, Max, Super, Mega, Plus, Super Mega, Max Plus e
'Oh! meu Deus!!!'.
Conduta na Overdose: O uso excessivo pode produzir dores abdominais, entorses, contraturas lombares, assim como ardor na região pélvica.
Recomenda-se: banhos de assento, repouso e contar vantagem para a melhor amiga.
Efeitos Colaterais: O uso inadequado pode acarretar gravidez e
acessos de ciúmes. O uso concomitante de produtos da mesma espécie pode causar enjôo e fadiga crônica.
Prazo de Validade: O número do lote e data de fabricação, encontram-se na cédula de identidade e no cartão de crédito.
Composição: Água, tecidos orgânicos, ferro e vitaminas do
Complexo 'P '.
ATENÇÃO: Não contém CIMANCOL.
Cuidado!!! Existem no mercado algumas marcas falsificadas,
com embalagem de qualidade, mas que ao ser aberta apresenta um produto inócuo ou prejudicial, que além de não apresentar efeito positivo pode agravar os sintomas.
Instruções para o perfeito funcionamento:
1. Ao abrir a embalagem, faça uma cara neutra; não se mostre muito empolgada com o produto. Se ficar muito seguro de si, o homem não funciona muito bem, vive dando defeito.
2. Guarde em lugar fresco e seguro (pois é frágil e facilmente contaminável).
3. Deixe fora do alcance de pseudo-amigas.
4. Para ligar, basta uns beijinhos no pescoço pela manhã, para desligar basta uma noite de sexo (ele dorme como uma pedra e
nem dá boa noite – falta de educação é defeito de fábrica).
5. Programe-o para assinar talões de cheques sem reclamar.
6. Carregue as baterias três vezes por dia: café, almoço e jantar.
ATENÇÃO: Não têm garantia de fábrica e todas as espécies
são sujeitas à incontáveis defeitos (falhas de caráter, falta de
personalidade, futilidade, instabilidade emocional, imaturidade, egoísmo e 'mania de vai com os outros' são algumas das falhas mais comuns). A solução é ir trocando até que se ache o modelo 'ideal'.
Recentes pesquisas, no entanto, atestam que ainda não se conseguiu inventar tal protótipo”.
“Indicações:
Homem é recomendado para mulheres portadoras de SMS
(Síndrome da Mulher Sozinha). É eficaz no controle do desânimo, da
ansiedade, irritabilidade, mau-humor, insônia etc.
Posologia e Modo de Usar: deve ser usado três vezes por semana. Não desaparecendo os sintomas, aumente a dosagem ou procure outro. Homem é apropriado para uso externo ou interno.
Precauções: Mantenha longe do alcance de amigas (vizinhas
solitárias, loiras e/ou morenas sorridentes, etc).
É desaconselhável o uso, imediatamente, após as refeições.
Apresentação: Mini, Max, Super, Mega, Plus, Super Mega, Max Plus e
'Oh! meu Deus!!!'.
Conduta na Overdose: O uso excessivo pode produzir dores abdominais, entorses, contraturas lombares, assim como ardor na região pélvica.
Recomenda-se: banhos de assento, repouso e contar vantagem para a melhor amiga.
Efeitos Colaterais: O uso inadequado pode acarretar gravidez e
acessos de ciúmes. O uso concomitante de produtos da mesma espécie pode causar enjôo e fadiga crônica.
Prazo de Validade: O número do lote e data de fabricação, encontram-se na cédula de identidade e no cartão de crédito.
Composição: Água, tecidos orgânicos, ferro e vitaminas do
Complexo 'P '.
ATENÇÃO: Não contém CIMANCOL.
Cuidado!!! Existem no mercado algumas marcas falsificadas,
com embalagem de qualidade, mas que ao ser aberta apresenta um produto inócuo ou prejudicial, que além de não apresentar efeito positivo pode agravar os sintomas.
Instruções para o perfeito funcionamento:
1. Ao abrir a embalagem, faça uma cara neutra; não se mostre muito empolgada com o produto. Se ficar muito seguro de si, o homem não funciona muito bem, vive dando defeito.
2. Guarde em lugar fresco e seguro (pois é frágil e facilmente contaminável).
3. Deixe fora do alcance de pseudo-amigas.
4. Para ligar, basta uns beijinhos no pescoço pela manhã, para desligar basta uma noite de sexo (ele dorme como uma pedra e
nem dá boa noite – falta de educação é defeito de fábrica).
5. Programe-o para assinar talões de cheques sem reclamar.
6. Carregue as baterias três vezes por dia: café, almoço e jantar.
ATENÇÃO: Não têm garantia de fábrica e todas as espécies
são sujeitas à incontáveis defeitos (falhas de caráter, falta de
personalidade, futilidade, instabilidade emocional, imaturidade, egoísmo e 'mania de vai com os outros' são algumas das falhas mais comuns). A solução é ir trocando até que se ache o modelo 'ideal'.
Recentes pesquisas, no entanto, atestam que ainda não se conseguiu inventar tal protótipo”.
setembro 19, 2008
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