Ninguém suporta o fim arbitrário de um amor feliz. Este foi o mote da crônica do Ferreira Gullar (na Folha de hoje) que desencadeou lembranças que ela acreditava definitivamente arquivadas. Na estória do cronista,“ela gritou da janela: COMEÇO A TE ESPERAR, quando ele saiu do prédio e iniciou o caminho sem volta para o outro lado do mundo".
No entanto, ela não alimentou esta última esperança. Não era possível. O tempo dele havia se esgotado. Iria para a Bulgária, para eles, o outro lado do mundo . Separar-se dele para sempre, era como morrer. Mas tinha que seguir em frente. Quem propôs que não houvesse despedida foi ele. Ao ver dela, uma maldade sem tamanho. Com o argumento de que a dor seria menor, também não deveríam se comunicar, o que “só aumentaria o sofrimento”. Tudo assim bem esquematizado e frio. Como alguém pode saber, numa situação destas, o que dói mais, o que aumenta ou diminui o sofrimento? Para ela foi demais. Decidiu que se separariam, ali mesmo, naquele exato momento. Ainda faltavam alguns dias até ele sumir, definitivamente, da vida dela, quando nunca mais o veria . Jogou-se em seus braços chorando e sem dar-lhe tempo para dizer qualquer outra palavra, saiu correndo para o elevador, em soluços.
Que ele num dia qualquer de dezembro iria partir, ela sabia desde o dia em que o conheceu. Era março. Quando começaram a se envolver, falaram nisto como se estivesse muito distante.....Sorriam ao pensar que tinham data certa para “acabar”. Nada podiam fazer para mudar esta realidade . O que não lhe saía da cabeça era aquela proposta. Parecia uma fórmula já testada, ele estava seguro de que funcionaria se agissem daquele modo.
Naquelas alturas, ele só pensava em retornar para sua casa, seus amigos, sua gente. A mulher, segundo fazia crer, não tinha mais tanta importância. Dentro dele estava encerrada aquela temporada, não só para fins burocráticos e de trabalho.
Tentou retomar a vida, mas se sentia destruída, em frangalhos. Os amigos começaram a perceber que algo não ia bem com ela. Apenas sorria e nada revelava. Não tinha absorvido o choque da proposta. E ainda levou muito tempo para conseguir mencionar esta estória.
Passados alguns dias, deu-se conta de que estava antecipando o sofrimento e decidiu procurá-lo para uma “despedida” à sua maneira, não sabia qual. Continuava tendo acesso ao seu apartamento. Saiu do trabalho e foi para lá.Enquanto o aguardava pegou uma revista e preparou um campari.
Pela firmeza que até então demonstrara, ele não podia supor que ela voltaria e talvez estivesse até, de um certo modo, aliviado. Finalmente, tinha sido fácil convencê-la.
Na sala do apartamento havia um container onde estavam sendo colocadas os objetos que adquirira ao longo do ano. Ela fazia parte da história de cada um deles, mas agora nada disto tinha qualquer significado. Passou a ter a sensação de haver sido usada, de que fora útil e conveniente, até que deixou de ser e foi descartada,"sem despedidas".
Foi ao quarto e viu no criado-mudo cópias de e-mails. Sempre tivera acesso a tudo, sabia de toda sua vida pessoal e profissional , não achou demais lê-lo. As datas eram recentes. Estava sendo restabelecido um relacionamento e marcavam, para o mês seguinte,(janeiro) um encontro no mesmo café, em Estocolmo, que antes frequentavam.
Pegou o telefone e ligou para a Itália, para a mulher dele. Perguntou-lhe se ela sabia que ele tinha uma amante chamada Tereza. Diante do espanto dela, se identificou e declarou que era sua mulher naquela cidade que ele, sob falsos e diferentes motivos, nunca permitiu que ela visitasse. E acrescentou que ele, como sempre fazia (ela devia saber), estava partindo para outra. Na circunstância, se identificaram como vítimas do mesmo homem, com uma rival comum chamada Tereza. Falou que estava no apartamento dele, e fez comentários que só uma pessoa que tivesse intimidade poderia fazer. Pretendia dar credibilidade ao que afirmava. Avisou-a que ele chegaria dentro de duas horas, tempo que precisava para estar com ele, antes que ela ligasse. Foi perfeito. Aproximando-se do horário previsto, contou que ele ia receber um telefonema de sua mulher e porque.O e-mail continuava em cima do criado-mudo.
A surpresa foi tamanha que ele não esboçou qualquer reação aos ataques que ela lhe fazia ao telefone. Deitada ao seu lado, ela se limitava a ouvir, enquanto tentava disfarçar o seu sorriso satânico.
A despedida que ele quis evitar tinha acontecido, à maneira dela. Quatro meses depois, soube que ele estava no Chile, ligou só para ouvir que ele estava mal. Tão mal quanto ela, que nunca recompôs sua vida nem o esqueceu.
Onde andará ele, hoje?
setembro 21, 2008
"Em Defesa da Comida"
"OS MAIS NOVOS conselhos sobre dieta acabam de vir dos EUA: primeiro, coma comida. Depois, não coma nada que sua avó não reconheceria como comida. Se isso parece óbvio para você, diz o jornalista americano Michael Pollan, vá ao supermercado -e tente imaginar uma dona-de-casa de meados do século 20 tentando decifrar dezenas de rótulos com ingredientes impronunciáveis de "substâncias semelhantes à comida" nas gôndolas. Em seu novo livro, "Em Defesa da Comida" (editora Intrínseca), ele lança um ataque impiedoso à indústria e aos cientistas da alimentação, que, ajudados por um governo americano complacente e por jornalistas confusos, transformaram a dieta ocidental em uma máquina de adoecer.Essa revolução maligna na maneira como os americanos -e, por tabela, o resto do Ocidente- comem se instalou plenamente anos 1980. Nessa década, diz o livro, os alimentos deixaram de ser vistos como entidades completas (uma cenoura, um tomate, um bife) e passaram a ser comercializados pelo que continham de nutrientes: caroteno, licopeno, proteínas. A indústria passou a "engenheirar" a comida de forma a torná-la irreconhecível, tudo em nome do lucro, disfarçado de benefício à saúde.
Qual foi o resultado? "Nossa saúde dietária é pior hoje do que era. Há mais obesidade, mais diabetes", diz Pollan. O enfoque nos nutrientes, que teve seu início nos anos 1960, virou uma ideologia, o "nutricionismo". Segundo o americano, essa ideologia é baseada na "ciência ruim" da nutrição, que é incapaz de produzir resultados consistentes em estudos epidemiológicos sobre dieta. Isso porque os nutricionistas buscam avaliar nutrientes, mas um alimento é maior que a soma de suas partes.
Um dos pecados dessa abordagem, argumenta, foi a condenação das gorduras saturadas de origem animal. No lugar delas, os nutricionistas nos deram as gorduras trans, que hoje o mundo inteiro -o Brasil inclusive- se esforça para banir. "Estaríamos melhor com banha de porco", disse Pollan à Folha de São Paulo
da edição de hoje da FSP
Qual foi o resultado? "Nossa saúde dietária é pior hoje do que era. Há mais obesidade, mais diabetes", diz Pollan. O enfoque nos nutrientes, que teve seu início nos anos 1960, virou uma ideologia, o "nutricionismo". Segundo o americano, essa ideologia é baseada na "ciência ruim" da nutrição, que é incapaz de produzir resultados consistentes em estudos epidemiológicos sobre dieta. Isso porque os nutricionistas buscam avaliar nutrientes, mas um alimento é maior que a soma de suas partes.
Um dos pecados dessa abordagem, argumenta, foi a condenação das gorduras saturadas de origem animal. No lugar delas, os nutricionistas nos deram as gorduras trans, que hoje o mundo inteiro -o Brasil inclusive- se esforça para banir. "Estaríamos melhor com banha de porco", disse Pollan à Folha de São Paulo
da edição de hoje da FSP
RETRATOS DA VIDA
O vídeo acima é o trailer e estas são as cenas finais de um dos melhores filmes de Claude Lelouch - Les Uns et Les Autres - e um dos mais marcantes de sua época (1981).A coreografia de Maurice Béjart para o Bolero de Ravel com o bailarino Jorge Donn, em pleno Trocadero. O filme acompanha a história de quatro famílias de distintos países - Estados Unidos, França, Alemanha e Rússia - que se cruzam em circunstâncias históricas e se unem através da dança e da música. O ponto de partida é o ano de 1936 e se desenvolve ao longo da Segunda Guerra Mundial, até 1980. Retratos da Vida é um filme inesquecível e que só consegui rever numa “ cópia” dublada!!!Nunca vi (ou soube) se saiu em DVD.
setembro 20, 2008
Roubo: uma História de Amor
Estava concluindo a leitura deste romance sobre o mundo da arte em que nada é o que parece, quando me deparei, casualmente, com este comentário/análise/crítica de ninguém menos do que o Cristóvão Tezza:"Um dos fascínios do mundo das artes plásticas vem do fato de que um único quadro de um artista que ontem passava fome pode valer, hoje, milhões de dólares. Nessa estratosfera, a própria idéia de "arte autêntica" se dilui: como dinheiro vivo, telas também se falsificam. Um tema ótimo para a literatura, e Roubo: uma História de Amor (tradução de José Rubens Siqueira), do australiano Peter Carey, de 65 anos, duas vezes vencedor do Prêmio Booker, é um bom exemplo. No romance, o pintor Michael Boone, talento reconhecido na Austrália de 1980, afunda-se num divórcio em que perde tudo – a guarda do filho e todas as suas telas, indo ainda parar na cadeia por tentar recuperá-las. Resta-lhe o irmão Hugh, um deficiente mental de 100 quilos e 2 metros de altura de que ele tem de cuidar como uma sombra inseparável.
O livro começa com Boone morando de favor na casa de campo de um colecionador que o explora. Ali desembarca por acaso Marlene Leibovitz, casada com o filho do célebre Jacques Leibovitz, pintor cubista fictício que a narração põe ao lado de figuras reais da pintura moderna como Léger, Braque e Picasso. O marido odeia pintura, e é ela – uma secretária carreirista que por um golpe de sorte se vê alçada ao mundo milionário da grande arte – quem "autentica" os valiosíssimos Leibovitz pelo mundo afora. Um deles, aliás, desaparece da casa de um vizinho de Boone, ocorrência policial que dá partida nas aventuras do pintor ao lado de Marlene.
A agressividade às vezes ressentida e o afeto sempre atormentado com que Carey vai pintando seu personagem central dão o tom do romance. O sonho de não se deixar corromper que está na mitologia pessoal de todo bom artista (ainda que em tudo o mais ele seja um bandido) é o eixo secreto da narrativa – Boone tem uma obsessão desesperada pela perfeição de seu próprio trabalho. Já se disse que a Austrália é um Brasil que deu certo. Encontra-se no livro um lastro emocional que parece mesmo coincidir em muitos aspectos com o nosso mundo: o duro sentimento de periferia diante das metrópoles, uma afetividade bruta e informal, o exotismo do fim do mundo, o mito otimista da inocência. Boone é um pouco tudo isso; e a voz narrativa do romance mantém viva uma "apaixonada compaixão por todo mundo que é estranho, abandonado ou vive fora do padrão".
Só para registrar,o romance anterior de Carey foi adaptado para o cinema: Oscar e Lucinda - Uma história de amor e loucura, estrelado por Ralph Fiennes e Cate Blanchett.
LUXEMBURGO
À medida que se vai envelhecendo, determinadas coisas passam a ser mais complicadas. Uma delas é o tamanho da bagagem. A partir de uma certa idade, uma nécessaire já não basta e, ao longo do tempo, elas vão aumentando de tamanho. Passamos a necessitar de remédios de uso contínuo, fora os de uso eventual. No item óculos, então é um horror: para perto, para sol, para noite e, quem depende deles, como eu, leva os sobressalentes,além da cópia da receita. E isso sem levar em conta higiene, maquiagem e cremes. Ainda que se transfira tudo para embalagens reduzidas. Não bastasse isto, tem o laptop e a parafernália dos acessórios (fones/cabos etc), a muda de roupa para o caso (não raro) de extravio da bagagem, sapatos assim, sapatos assado. Antes a gente levava um par. Nos pés.
Bons os velhos tempos em que, com reduzidíssima bagagem de mão e munidos de um eurailpass , a gente circulava pela Europa. Em alguns trajetos longos, em viagens noturnas, se economizava tempo e dinheiro.De chato tinha a constante troca de moeda e o controle nas fronteiras.Nem imaginávamos como seria com a Europa unida.
Foi nesses bons tempos, numa dessas, que agora vistas de longe parecem românticas aventuras, que passei um fim de semana em Luxemburgo. Pegamos o trem Paris/ Amsterdã. No trajeto ele passava por lá ou era possível uma conexão próxima, não lembro deste detalhe. Numa mudança repentina de planos, resolvemos desembarcar e fomos ficando naquela cidade linda e sossegada. O hotel estava situado na pracinha onde tem o coreto. Músicos de todas as idades e gêneros se apresentavam a intervalos regulares. Acabei por descobrir, pendurada numa coluna do coreto, a programação. Teve de tudo, desde bandinha de “grupo escolar”até interessantes grupos de jovens e de animados velhinhos. Passamos muito tempo naquela pracinha, onde ficavam os cafés e restaurantes, todos muito simpáticos e acolhedores. Visitamos tudo que havia para ser visto na cidade, acredito.O prédio moderno da filarmônica ainda não existia.
O registro curioso: na manhã de segunda feira, o único trem que nos levaria ao próximo destino, passaria entre 9 ou 10 horas (não sei precisar), estava quase na hora e não encontrávamos o dono/gerente, dublê de porteiro/garçom do Hotel/Café Paris, para fazer o check out.Não tínhamos sido cobrados na chegada. Foi um vexame até ele, muito tranquilamente, aparecer. Nunca cheguei numa estação tão em cima da hora.
Anos depois, passei apenas um dia lá, quando fiz uma "viagem panorâmica" para mostrar algumas cidades da Europa à minha filha. Parecia estar tudo do mesmo jeito...
Bons os velhos tempos em que, com reduzidíssima bagagem de mão e munidos de um eurailpass , a gente circulava pela Europa. Em alguns trajetos longos, em viagens noturnas, se economizava tempo e dinheiro.De chato tinha a constante troca de moeda e o controle nas fronteiras.Nem imaginávamos como seria com a Europa unida.
Foi nesses bons tempos, numa dessas, que agora vistas de longe parecem românticas aventuras, que passei um fim de semana em Luxemburgo. Pegamos o trem Paris/ Amsterdã. No trajeto ele passava por lá ou era possível uma conexão próxima, não lembro deste detalhe. Numa mudança repentina de planos, resolvemos desembarcar e fomos ficando naquela cidade linda e sossegada. O hotel estava situado na pracinha onde tem o coreto. Músicos de todas as idades e gêneros se apresentavam a intervalos regulares. Acabei por descobrir, pendurada numa coluna do coreto, a programação. Teve de tudo, desde bandinha de “grupo escolar”até interessantes grupos de jovens e de animados velhinhos. Passamos muito tempo naquela pracinha, onde ficavam os cafés e restaurantes, todos muito simpáticos e acolhedores. Visitamos tudo que havia para ser visto na cidade, acredito.O prédio moderno da filarmônica ainda não existia.
O registro curioso: na manhã de segunda feira, o único trem que nos levaria ao próximo destino, passaria entre 9 ou 10 horas (não sei precisar), estava quase na hora e não encontrávamos o dono/gerente, dublê de porteiro/garçom do Hotel/Café Paris, para fazer o check out.Não tínhamos sido cobrados na chegada. Foi um vexame até ele, muito tranquilamente, aparecer. Nunca cheguei numa estação tão em cima da hora.
Anos depois, passei apenas um dia lá, quando fiz uma "viagem panorâmica" para mostrar algumas cidades da Europa à minha filha. Parecia estar tudo do mesmo jeito...
Templários: entre a cruz e a coroa
A Idade Média é um tema profundamente atual. O período é hoje tema de filmes, espetáculos, romances, festas medievais, lojas e restaurantes, sites da internet, jogos como RPG etc. Mesmo de um ponto de vista acadêmico, algumas obras recentes mostram uma verdadeira obsessão pelas origens medievais da Europa e da própria União Européia.A Ordem dos Templários constitui um dos temas que melhor ilustram o fascínio exercido pela Idade Media nos dias de hoje. Uma rápida consulta em qualquer sítio de busca na internet mostra a atualidade do interesse pela Ordem dos Templários. Muito se tem escrito sobre o caráter místico da Ordem, seu papel como guardiã de segredos e tesouros da Igreja e até mesmo sobre seu caráter “demoníaco”. Por outro lado, a própria história da Ordem fornece elementos que ajudam a entender essa lenda contemporânea. O processo movido contra a Ordem pelo rei da França, Felipe IV, no início do século XIV, na medida em que incluía acusações de heresia e bruxaria, em muito contribui hoje para a associação entre os Templários e o ocultismo.
Para ler o artigo do professor de história medieval da USP Marcelo Cândido da Silva na edição deste mes de História Viva, clique no título da postagem.
HOMEM
Não faz tempo, um amigo querido, muito delicadamente, após ouvir certas queixas minhas, perguntou-me: não estaria faltando o “bicho-homem”? (assim mesmo). Respondi-lhe, de pronto, com uma veemente negativa. Hoje, lendo isto que me foi enviado pela Leila Ruth, via e-mail, me dei conta de que nem estava mais muito certa das aplicações e utilidades. No entanto, diante de tantas advertências e efeitos colaterais, acrescidos da escassez do produto no mercado, considerei ser melhor continuar buscando tratamentos alternativos. Mas vejam como é criativo o texto (veio sem autoria). Só não diz o que a gente faz com o produto quando estiver “vencido”. Uma séria questão esta do prazo de validade.
“Indicações:
Homem é recomendado para mulheres portadoras de SMS
(Síndrome da Mulher Sozinha). É eficaz no controle do desânimo, da
ansiedade, irritabilidade, mau-humor, insônia etc.
Posologia e Modo de Usar: deve ser usado três vezes por semana. Não desaparecendo os sintomas, aumente a dosagem ou procure outro. Homem é apropriado para uso externo ou interno.
Precauções: Mantenha longe do alcance de amigas (vizinhas
solitárias, loiras e/ou morenas sorridentes, etc).
É desaconselhável o uso, imediatamente, após as refeições.
Apresentação: Mini, Max, Super, Mega, Plus, Super Mega, Max Plus e
'Oh! meu Deus!!!'.
Conduta na Overdose: O uso excessivo pode produzir dores abdominais, entorses, contraturas lombares, assim como ardor na região pélvica.
Recomenda-se: banhos de assento, repouso e contar vantagem para a melhor amiga.
Efeitos Colaterais: O uso inadequado pode acarretar gravidez e
acessos de ciúmes. O uso concomitante de produtos da mesma espécie pode causar enjôo e fadiga crônica.
Prazo de Validade: O número do lote e data de fabricação, encontram-se na cédula de identidade e no cartão de crédito.
Composição: Água, tecidos orgânicos, ferro e vitaminas do
Complexo 'P '.
ATENÇÃO: Não contém CIMANCOL.
Cuidado!!! Existem no mercado algumas marcas falsificadas,
com embalagem de qualidade, mas que ao ser aberta apresenta um produto inócuo ou prejudicial, que além de não apresentar efeito positivo pode agravar os sintomas.
Instruções para o perfeito funcionamento:
1. Ao abrir a embalagem, faça uma cara neutra; não se mostre muito empolgada com o produto. Se ficar muito seguro de si, o homem não funciona muito bem, vive dando defeito.
2. Guarde em lugar fresco e seguro (pois é frágil e facilmente contaminável).
3. Deixe fora do alcance de pseudo-amigas.
4. Para ligar, basta uns beijinhos no pescoço pela manhã, para desligar basta uma noite de sexo (ele dorme como uma pedra e
nem dá boa noite – falta de educação é defeito de fábrica).
5. Programe-o para assinar talões de cheques sem reclamar.
6. Carregue as baterias três vezes por dia: café, almoço e jantar.
ATENÇÃO: Não têm garantia de fábrica e todas as espécies
são sujeitas à incontáveis defeitos (falhas de caráter, falta de
personalidade, futilidade, instabilidade emocional, imaturidade, egoísmo e 'mania de vai com os outros' são algumas das falhas mais comuns). A solução é ir trocando até que se ache o modelo 'ideal'.
Recentes pesquisas, no entanto, atestam que ainda não se conseguiu inventar tal protótipo”.
“Indicações:
Homem é recomendado para mulheres portadoras de SMS
(Síndrome da Mulher Sozinha). É eficaz no controle do desânimo, da
ansiedade, irritabilidade, mau-humor, insônia etc.
Posologia e Modo de Usar: deve ser usado três vezes por semana. Não desaparecendo os sintomas, aumente a dosagem ou procure outro. Homem é apropriado para uso externo ou interno.
Precauções: Mantenha longe do alcance de amigas (vizinhas
solitárias, loiras e/ou morenas sorridentes, etc).
É desaconselhável o uso, imediatamente, após as refeições.
Apresentação: Mini, Max, Super, Mega, Plus, Super Mega, Max Plus e
'Oh! meu Deus!!!'.
Conduta na Overdose: O uso excessivo pode produzir dores abdominais, entorses, contraturas lombares, assim como ardor na região pélvica.
Recomenda-se: banhos de assento, repouso e contar vantagem para a melhor amiga.
Efeitos Colaterais: O uso inadequado pode acarretar gravidez e
acessos de ciúmes. O uso concomitante de produtos da mesma espécie pode causar enjôo e fadiga crônica.
Prazo de Validade: O número do lote e data de fabricação, encontram-se na cédula de identidade e no cartão de crédito.
Composição: Água, tecidos orgânicos, ferro e vitaminas do
Complexo 'P '.
ATENÇÃO: Não contém CIMANCOL.
Cuidado!!! Existem no mercado algumas marcas falsificadas,
com embalagem de qualidade, mas que ao ser aberta apresenta um produto inócuo ou prejudicial, que além de não apresentar efeito positivo pode agravar os sintomas.
Instruções para o perfeito funcionamento:
1. Ao abrir a embalagem, faça uma cara neutra; não se mostre muito empolgada com o produto. Se ficar muito seguro de si, o homem não funciona muito bem, vive dando defeito.
2. Guarde em lugar fresco e seguro (pois é frágil e facilmente contaminável).
3. Deixe fora do alcance de pseudo-amigas.
4. Para ligar, basta uns beijinhos no pescoço pela manhã, para desligar basta uma noite de sexo (ele dorme como uma pedra e
nem dá boa noite – falta de educação é defeito de fábrica).
5. Programe-o para assinar talões de cheques sem reclamar.
6. Carregue as baterias três vezes por dia: café, almoço e jantar.
ATENÇÃO: Não têm garantia de fábrica e todas as espécies
são sujeitas à incontáveis defeitos (falhas de caráter, falta de
personalidade, futilidade, instabilidade emocional, imaturidade, egoísmo e 'mania de vai com os outros' são algumas das falhas mais comuns). A solução é ir trocando até que se ache o modelo 'ideal'.
Recentes pesquisas, no entanto, atestam que ainda não se conseguiu inventar tal protótipo”.
setembro 19, 2008
setembro 18, 2008
Namorar é saúde

Em tempos de sexo sem compromisso e relacionamentos instáveis, uma nova corrente de estudiosos chama a atenção para os benefícios de dar e receber afeto. Segundo os especialistas, o bem-estar proporcionado por uma união de cumplicidade diminui o estresse, dá uma força ao sistema imunológico e ainda garante mais disposição para as outras atividades do dia-a-dia.
"Amar é, acima de tudo, dar um presente a si mesmo", já dizia o escritor francês Jean Anouilh, no século passado. A novidade é que, mais recentemente, vários estudiosos têm se esforçado para provar que a frase não só faz sentido como deve servir de incentivo para que os casais namorem mais e melhor.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a sexualidade saudável é um dos quatro principais indicadores de qualidade de vida de uma população. Nessa dimensão de sexualidade, estão envolvidos o afeto, a comunicação, o carinho e o erotismo.
O afeto e o carinho oferecem uma sensação de bem-estar capaz de melhorar até as respostas do sistema imunológico. Pessoas que se sentem amadas e queridas respondem melhor às situações de estresse e, com isso, se mostram mais resistentes a doenças.
Li na Revista Vida e Saúde
Romy Schneider
Romy Schneider era austríaca e viveu entre 1938 e 1982 .
Tornou-se a “namorada do mundo” aos 17 anos,no papel de Sissi, a imperatriz da Áustria.
Com Visconti filmou Bocaccio 70 e Ludwig, foi a atriz de O Processo, de Orson Welles e de O Importante é Amar, de Andrezj Zulawski.Teve ainda interessantes participações em Uma História Simples , de Claude Sautet e em Um Homem, uma Mulher, uma Noite (Claire de Femme),de Costa-Gavras.
Perdeu seu filho tragicamente e, logo depois, o primeiro marido, pai de seu filho, suicidou-se. Teve depressão e logo após o tratamento,teve câncer.
Morreu aos 43 anos.
O silêncio dos bons
"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons."
( Martin Luther King)
'''''''''''''
O jovem Juscelino Kubitschek, de 12 anos, ganha seu primeiro par de sapatos. Passou fome. Jurou estudar e ser alguém. Com inúmeras dificuldades, concluiu Medicina e se especializou em Paris. Como presidente, modernizou o Brasil. Legou um rol impressionante de obras e amantes; humilde e obstinado, é (e era) querido por todos.
Brasília, 2003.
Lula assume a presidência. Arrogante, se vangloria de não ter estudado. Acha bobagem falar inglês. 'Tenho diploma da vida', afirma. E para ele basta. Meses depois, diz que ler é um hábito chato. Quando era sindicalista, percebeu que poderia ganhar sem estudar e sem trabalhar - sua meta continua esta, ao que parece.
Londres, 1940.
Os bombardeios são diários, e uma invasão aeronaval nazista é iminente. O primeiro-ministro W. Churchill pede ao rei George VI que vá para o Canadá. Tranqüilo, o rei avisa que não vai. Churchill insiste: então que, ao menos, vá a rainha com as filhas. Elas não aceitam e a filha mais velha entra no exército britânico; como tenente-enfermeira, sua função é recolher feridos em meio aos bombardeios. Hoje ela é a rainha Elizabeth II.
Brasília, 2005.
A primeira-dama Marisa requer cidadania italiana - e consegue. Explica, candidamente, que quer 'um futuro melhor para seus filhos'.
Washington, 1974.
A imprensa americana descobre que o presidente Richard Nixon está envolvido até o pescoço no caso Watergate. Ele nega, mas jornais e Congresso o encostam contra a parede, e ele acaba confessando. Renuncia nesse mesmo ano, pedindo desculpas ao povo.
Brasília, 2005.
Flagrado no maior escândalo de corrupção da história do País, e tentando disfarçar o desvio de dinheiro público em caixa 2, Lula é instado a se explicar. Ante as muitas provas, Lula repete o 'eu não sabia de nada!', e ainda acusa a imprensa de persegui-lo. Disse que foi 'traído', mas não conta por quem.
Londres, 2001.
O filho mais velho do primeiro-ministro Tony Blair é detido, embriagado, pela polícia. Sem saber quem ele é, avisam que vão ligar para seu pai buscá-lo. Com medo de envolver o pai num escândalo, o adolescente dá um nome falso. A polícia descobre e chama Blair, que vai sozinho à delegacia buscar o filho, numa madrugada chuvosa. Pediu desculpas ao povo pelos erros do filho.
Brasília, 2005.
O filho mais velho de Lula é descoberto recebendo R$ 5 milhões de uma empresa financiada com dinheiro público. Alega que recebeu a fortuna vendendo sua empresa, de fundo de quintal, que não valia nem um décimo disso. O pai, raivoso, o defende e diz que não admite que envolvam seu filhinho nessa 'sujeira'. Qual sujeira?
Nova Délhi, 2003.
O primeiro-ministro indiano pretende comprar um avião novo para suas viagens. Adquire um excelente, brasileiríssimo BEM-195, da Embraer, por US$ 10 milhões.
Brasília, 2003.
Lula quer um avião novo para a presidência. Fabricado no Brasil não serve. Quer um dos caros, de um consórcio anglo-alemão. Gasta US$ 57 milhões e manda decorar a aeronave de luxo nos EUA.
( Martin Luther King)
'''''''''''''
O jovem Juscelino Kubitschek, de 12 anos, ganha seu primeiro par de sapatos. Passou fome. Jurou estudar e ser alguém. Com inúmeras dificuldades, concluiu Medicina e se especializou em Paris. Como presidente, modernizou o Brasil. Legou um rol impressionante de obras e amantes; humilde e obstinado, é (e era) querido por todos.
Brasília, 2003.
Lula assume a presidência. Arrogante, se vangloria de não ter estudado. Acha bobagem falar inglês. 'Tenho diploma da vida', afirma. E para ele basta. Meses depois, diz que ler é um hábito chato. Quando era sindicalista, percebeu que poderia ganhar sem estudar e sem trabalhar - sua meta continua esta, ao que parece.
Londres, 1940.
Os bombardeios são diários, e uma invasão aeronaval nazista é iminente. O primeiro-ministro W. Churchill pede ao rei George VI que vá para o Canadá. Tranqüilo, o rei avisa que não vai. Churchill insiste: então que, ao menos, vá a rainha com as filhas. Elas não aceitam e a filha mais velha entra no exército britânico; como tenente-enfermeira, sua função é recolher feridos em meio aos bombardeios. Hoje ela é a rainha Elizabeth II.
Brasília, 2005.
A primeira-dama Marisa requer cidadania italiana - e consegue. Explica, candidamente, que quer 'um futuro melhor para seus filhos'.
Washington, 1974.
A imprensa americana descobre que o presidente Richard Nixon está envolvido até o pescoço no caso Watergate. Ele nega, mas jornais e Congresso o encostam contra a parede, e ele acaba confessando. Renuncia nesse mesmo ano, pedindo desculpas ao povo.
Brasília, 2005.
Flagrado no maior escândalo de corrupção da história do País, e tentando disfarçar o desvio de dinheiro público em caixa 2, Lula é instado a se explicar. Ante as muitas provas, Lula repete o 'eu não sabia de nada!', e ainda acusa a imprensa de persegui-lo. Disse que foi 'traído', mas não conta por quem.
Londres, 2001.
O filho mais velho do primeiro-ministro Tony Blair é detido, embriagado, pela polícia. Sem saber quem ele é, avisam que vão ligar para seu pai buscá-lo. Com medo de envolver o pai num escândalo, o adolescente dá um nome falso. A polícia descobre e chama Blair, que vai sozinho à delegacia buscar o filho, numa madrugada chuvosa. Pediu desculpas ao povo pelos erros do filho.
Brasília, 2005.
O filho mais velho de Lula é descoberto recebendo R$ 5 milhões de uma empresa financiada com dinheiro público. Alega que recebeu a fortuna vendendo sua empresa, de fundo de quintal, que não valia nem um décimo disso. O pai, raivoso, o defende e diz que não admite que envolvam seu filhinho nessa 'sujeira'. Qual sujeira?
Nova Délhi, 2003.
O primeiro-ministro indiano pretende comprar um avião novo para suas viagens. Adquire um excelente, brasileiríssimo BEM-195, da Embraer, por US$ 10 milhões.
Brasília, 2003.
Lula quer um avião novo para a presidência. Fabricado no Brasil não serve. Quer um dos caros, de um consórcio anglo-alemão. Gasta US$ 57 milhões e manda decorar a aeronave de luxo nos EUA.
setembro 17, 2008
FUTILIDADES
Todo mundo quer parecer cinco 5 quilos mais magro (a), 10 anos mais jovem e 10 vezes melhor. É uma verdade incontestável da qual ninguém está conseguindo escapar. Assim, a partir de hoje e todas as quartas, sob o título futilidades , vou postar dicas, informações e notícias relacionadas.
Sobre BATOM (já me revelei dependente) é a primeira dica:
'Abandone o vermelho'! Após os 40 anos, a maquiagem deve ser clara. Batom escuro envelhece o rosto e deixa a expressão triste.Cores carregadas, além de causar a impressão de afinamento dos lábios, deixam as rachaduras mais evidentes. Utilize o rosa e outros tons claros que dão um ar jovem e tornam os lábios mais grossos. Tenha à mão, sempre, um brilho, pois eles iluminam o rosto. Outra dica é não contornar a boca toda com lápis escuro. Use-o apenas em lugares que precisam ser realçados. E, fundamental, não abra a boca, esticando os lábos, para passar batom. Ao fechá-la o batom que se acumulou nas rachaduras vão "escorrer".
(fonte:Charla Krupp-editora de moda)
Sobre BATOM (já me revelei dependente) é a primeira dica:
'Abandone o vermelho'! Após os 40 anos, a maquiagem deve ser clara. Batom escuro envelhece o rosto e deixa a expressão triste.Cores carregadas, além de causar a impressão de afinamento dos lábios, deixam as rachaduras mais evidentes. Utilize o rosa e outros tons claros que dão um ar jovem e tornam os lábios mais grossos. Tenha à mão, sempre, um brilho, pois eles iluminam o rosto. Outra dica é não contornar a boca toda com lápis escuro. Use-o apenas em lugares que precisam ser realçados. E, fundamental, não abra a boca, esticando os lábos, para passar batom. Ao fechá-la o batom que se acumulou nas rachaduras vão "escorrer".
(fonte:Charla Krupp-editora de moda)
Bireli Lagrene & Sylvain Luc
Quem sabe o título ou o compositor? Observem como lembra o nosso gostoso chorinho.
Quem não gosta de viajar?
Veja lugares que ainda não conhece ou relembre os bons momentos de onde você já esteve, clicando no título acima. Comece por "Home" para se inteirar das informações preliminares.Aguarde enquanto as fotos são carregadas e coloque o mouse sobre elas para informações adicionais.
BOA VIAGEM!
BOA VIAGEM!
setembro 16, 2008
DIÁRIO DE UM ANO RUIM
Após concluir A Cidade e as Serras que abandonara inacabado há pelo menos trinta anos,deliciosamente surpreendida com a sua atualidade, pela sátira que faz ao culto da tecnologia e à sociedade atual, comecei hoje a ler o Diário de um ano ruim , o novo romance de J.M. Coetzee (Nobel, em 2003).
Alternam-se a cada página os temas ensaísticos,que teriam sido encomendados por um editor, em que expõe suas opiniões hetedoxas sobre temas da atualidade (terrorismo, desastres ecológicos, histeria consumista, manipulação genética...) e os seus pensamentos íntimos na história do escritor (personagem) que contrata uma bela vizinha para ajuda-lo como secretária e digitadora e, naturalmente, acaba apaixonado por ela. É um "livro dentro do livro". Esta alternância permite uma leitura (como estou fazendo)do enredo da paixão do escritor (personagem) e suas reflexões sobre a velhice deprimente (parece pleonasmo!) que são completamente independentes dos ensaios, no conteúdo, na fonte e na diagramação.
Coetzee se aproxima de Montaigne* no interesse pela morte. (Montaigne celebrizou a frase de Cícero “filosofar é aprender a morrer”) e não teme desafiá-la com suas questões, resistindo a ela com o pensamento
A Velhice por Coetzee :
“Meu quadril doeu tanto que hoje não consegui andar e mal conseguia sentar. Inexoravelmente, dia a dia, o mecanismo físico se deteriora . Quanto ao mecanismo mental , estou continuamente alerta para as engrenagens quebradas, fusíveis queimados, esperando sem esperança que ele sobreviva ao seu hospedeiro corporal..
Do Envelhecimento por Montaigne: “Quanto a mim , considero como certo que, a partir dessa idade, tanto meu espírito como meu corpo mais diminuíram do que aumentaram, e mais recuaram do que avançaram . É possível que, para os que empregam bem o tempo , o conhecimento e a experiência cresçam com a vida; mas a vivacidade a prontidão , a firmeza e outras qualidades bem mais nossas, mais importantes e essenciais fenecem e enlanguescem”
* Michel de Montaigne : foi um nobre francês que no século XVI decidiu se trancar na torre de seu castelo onde permaneceu durante anos, criando uma abrangente compilação de textos que é considerada uma das mais importantes obras de literatura ENSAIOS tendo como base o mundo à sua volta, escreveu sobre si mesmo .
Alternam-se a cada página os temas ensaísticos,que teriam sido encomendados por um editor, em que expõe suas opiniões hetedoxas sobre temas da atualidade (terrorismo, desastres ecológicos, histeria consumista, manipulação genética...) e os seus pensamentos íntimos na história do escritor (personagem) que contrata uma bela vizinha para ajuda-lo como secretária e digitadora e, naturalmente, acaba apaixonado por ela. É um "livro dentro do livro". Esta alternância permite uma leitura (como estou fazendo)do enredo da paixão do escritor (personagem) e suas reflexões sobre a velhice deprimente (parece pleonasmo!) que são completamente independentes dos ensaios, no conteúdo, na fonte e na diagramação.
Coetzee se aproxima de Montaigne* no interesse pela morte. (Montaigne celebrizou a frase de Cícero “filosofar é aprender a morrer”) e não teme desafiá-la com suas questões, resistindo a ela com o pensamento
A Velhice por Coetzee :
“Meu quadril doeu tanto que hoje não consegui andar e mal conseguia sentar. Inexoravelmente, dia a dia, o mecanismo físico se deteriora . Quanto ao mecanismo mental , estou continuamente alerta para as engrenagens quebradas, fusíveis queimados, esperando sem esperança que ele sobreviva ao seu hospedeiro corporal..
Do Envelhecimento por Montaigne: “Quanto a mim , considero como certo que, a partir dessa idade, tanto meu espírito como meu corpo mais diminuíram do que aumentaram, e mais recuaram do que avançaram . É possível que, para os que empregam bem o tempo , o conhecimento e a experiência cresçam com a vida; mas a vivacidade a prontidão , a firmeza e outras qualidades bem mais nossas, mais importantes e essenciais fenecem e enlanguescem”
* Michel de Montaigne : foi um nobre francês que no século XVI decidiu se trancar na torre de seu castelo onde permaneceu durante anos, criando uma abrangente compilação de textos que é considerada uma das mais importantes obras de literatura ENSAIOS tendo como base o mundo à sua volta, escreveu sobre si mesmo .
ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
Assista ao trailer (legendado).
Acabo de sair do ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA , o filme do Fernando Meirelles. Já era possível imaginar a dificuldade que seria adaptar para o cienema um livro do Saramago. Quem já leu algum sabe o quanto é prolixo, tem um estilo deliberadamente reiterativo, lança mil idéias e sentimentos em frases enormes, resultando em estruturas narrativas complexas, pautadas pelo fluxo da consciência, que exigem do leitor uma disposição incomum.Como se isto não bastasse, usa uma pontuação esdrúxula, milhões de vírgulas seguidas de períodos iniciados por letras maiúsculas. Dizendo isto, quem não leu pode até se desinteressar...No entanto,o filme é imperdível!Convém deixar claro que não se trata de um filme de entretenimento, agradável de ser visto.....É um filme que nos remete a uma séria reflexão sobre a condição humana. A cegueira, no caso, é uma metáfora que cai ainda melhor hoje do que na época em que o livro foi lançado. Estaríamos cada vez mais “cegos”? Ou será que somos os mesmos cegos de sempre?
O filme, assim como o livro, discute isso de maneira inteligente e original. Há momentos em que a tela se cobre de branco (a cegueira do livro é branca) e é esta imagem que nos leva ao núcleo do sofrimento dos personagens.
Outro detalhe é que a grande personagem do filme, (Julianne Moore deverá ser indicada ao Oscar pelo papel), como as demais, não têm nome. Ela é simplesmente a mulher do médico que lidera (metaforicamente) a humanidade e numa abordagem isenta de qualquer maniqueisno prova que nós fazemos o que temos de fazer quando se trata da sobrevivência, deixando a moral em segundo plano.
SARAMAGO já escreveu: "Como será possível acreditar num Deus criador do Universo, se o mesmo Deus criou a espécie humana? Por outras palavras, a existência do homem, precisamente, é o que prova a inexistência de Deus”. Para o escritor, a humanidade – leia-se a civilização ocidental capitalista – vive tempos sombrios, perdida num caos labiríntico, marcado pela miséria e pela injustiça, pela crueldade e pelo egoísmo, pelo medo e pela culpa. Segundo ele, seu objetivo é chamar a atenção do leitor para a “responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”. Mas em que consistiria essa responsabilidade? Não somente em registrar e ter consciência do horror que nos cerca, mas, sobretudo, em ser capaz de conservar a lucidez, resgatar a solidariedade. Ser capaz de amar mesmo sob as mais terríveis pressões - tarefas que ele compartilha com os leitores. O paralelo evidente é com o romance A peste, de Albert Camus, já que nos dois livros uma epidemia misteriosa provoca o desmoronamento completo da sociedade, de tudo aquilo que se associa à idéia de civilização, ao mesmo tempo em que traz à tona as facetas mais primitivas da condição humana.
setembro 15, 2008
A França em polvorosa
Entre 10 de setembro e 14 de dezembro, o Château de Versailles, sede do poder político e símbolo do esplendor da França no século XVI, está abrigando a exposição do artista americano Jeff Koons, cujas obras nunca passam despercebidas e, não raro, criam polêmica.
Entre os mais conservadores, há quem veja em colocar no Salão Hercules um balão rosa magenta em forma de cachorro ou uma enorme lagosta de plástico, no Salão de Marte do mais esplendoroso dos palácios, um verdadeiro ultraje!
Além de considerar Versalhes como um lugar de memória e não de exposição, a França não é simpática as vanguardas que contrapõem o seu passado glorioso. Louis XIV nos trajes do imperador romano Julio César ao lado de porcelana representando Michael Jackson apoiado no ombro de um macaco, é demais para eles.
Enquanto no Versalhes de Louis XIV a mitologia greco-romana está por toda parte, Koons serve-se dos códigos de Hollywood, da publicidade e do kitsch.
A vaidade do rei francês, o egocentrismo do artista americano não estão longe um do outro. Os que são a favor declaram não haver melhor palco para a extravagância, arrogância e ostentação do que Versalhes. Koons não cria nada, se apropria do que está à mão. Louis XIV tampouco. Os artistas do monarca francês também se apoderaram do que havia de melhor na época para celebrar o mecenato real.
Por que não em Versailles?
PS: clicando no título da postagem, uma visita ao Château.
Entre os mais conservadores, há quem veja em colocar no Salão Hercules um balão rosa magenta em forma de cachorro ou uma enorme lagosta de plástico, no Salão de Marte do mais esplendoroso dos palácios, um verdadeiro ultraje!
Além de considerar Versalhes como um lugar de memória e não de exposição, a França não é simpática as vanguardas que contrapõem o seu passado glorioso. Louis XIV nos trajes do imperador romano Julio César ao lado de porcelana representando Michael Jackson apoiado no ombro de um macaco, é demais para eles.
Enquanto no Versalhes de Louis XIV a mitologia greco-romana está por toda parte, Koons serve-se dos códigos de Hollywood, da publicidade e do kitsch.
A vaidade do rei francês, o egocentrismo do artista americano não estão longe um do outro. Os que são a favor declaram não haver melhor palco para a extravagância, arrogância e ostentação do que Versalhes. Koons não cria nada, se apropria do que está à mão. Louis XIV tampouco. Os artistas do monarca francês também se apoderaram do que havia de melhor na época para celebrar o mecenato real.Por que não em Versailles?
PS: clicando no título da postagem, uma visita ao Château.
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